Muito rapidamente Guilherme disparou à frente, deixando-nos todos para trás. Eu o segui sem olhar para mais ninguém, confiando que Eric e as garotas vinham conosco. A parte mais difícil da perseguição foi, sem dúvida, escalar as rochas da cachoeira, para nós e também para aquele bode estranho que, desnorteado, dava passos em falso enquanto virava a cabeça em busca de uma rota de fuga.
Em alguns trechos do paredão de pedregulhos, bastava saltar de uma rocha a outra; em outros, precisei usar mãos e pernas ao mesmo tempo para içar o peso do corpo. Por um instante, Guilherme e eu quase alcançamos o animal com as próprias mãos, mas suas arrancadas cada vez mais desesperadas acabaram nos deixando para trás.
A gritaria dos meus colegas se misturava ao balido do íbex. O bicho era incrivelmente ligeiro, avançando a uma velocidade que eu não imaginava possível para um animal que carregava chifres tão grandes na cabeça. Quando a corrida recomeçou no campo aberto rasgado pelo rio, senti a ventania bater com força no corpo, fazendo as folhas da minha curta saia vibrarem a cada passada. Guilherme era rápido demais para ser acompanhado, mas ainda assim tentei, tomado por uma adrenalina tão intensa que quase consegui ignorar o fato de que, bem atrás de nós, as garotas provavelmente viam minha bunda aparecer e desaparecer a cada rajada de ar.
Céus, como Guilherme consegue correr tão rápido? Questionei-me ao vê-lo encurtar cada vez mais a distância que o separava do caprino bufante. Logo percebi, porém, que ele não tentava alcançá-lo por trás, mas ultrapassar o íbex pela lateral. Quando finalmente conseguiu, colocou-se à frente do animal, faca de pedra em punho, postura firme, à espera do impacto.
— Daniel! — Gritou meu amigo e eu entendi de imediato sua estratégia. O bode peludo freou levantando uma nuvem de poeira e, totalmente aterrorizado, deu meia volta. Está encurralado! Percebi ao vê-lo agora trotando em minha direção.
O bode peludo freou bruscamente, erguendo uma nuvem de poeira, e, completamente aterrorizado, deu meia-volta. Está encurralado, percebi ao vê-lo agora trotar diretamente em minha direção.
Sem pensar, apenas me atirei sobre o animal quando passou ao meu lado. A lâmina cortou o ar quando ele desviou e, com a mão livre, agarrei uma de suas patas traseiras.
“BÉÉÉÉ!” Rugiu a besta, agora bem menos veloz, enquanto me arrastava de forma desengonçada. Fui ao chão sentindo a poeira subir e me cegar enquanto meu peito raspava a grama por vários metros. Porra! Que bicho forte!
O grito de Guilherme cresceu rapidamente. Ele chegou em disparada e desferiu um corte lateral, espalhando pelo cinzento do caprino pelo ar. Se acertara em cheio, não soube de imediato; apenas que, ainda aos berros, a besta se ergueu. Como um cavalo raivoso, levantou as patas dianteiras enquanto firmava as traseiras no chão. Como eu ainda o puxava com os braços, o íbex perdeu o equilíbrio e tombou novamente, levantando outra nuvem de poeira.
O pelo grosso me acertou em cheio o rosto. O cheiro daquele bode era horrível: um fedor de cachorro molhado misturado com urina de animal silvestre que me embrulhou o estômago. Determinado a viver, a cabra-do-mato deu vários pulos, sacudindo meu corpo pelo chão até conseguir se desvencilhar. Desviou, mais uma vez, de um golpe de Guilherme, que tropeçou e foi de cara no solo, caindo ao meu lado.
— Merda! — gritamos em uníssono, levantando-nos o mais rápido possível.
Quando ergui o olhar, vi Eric correndo para alcançar aquela coisa. Pela trajetória, se conseguisse ganhar mais velocidade, encontraria o íbex logo à frente, ainda atordoado e aparentemente alheio à sua presença.
Porra, como ele é sedentário! Praguejei em silêncio ao ver o rapaz magro rangendo os dentes enquanto corria o mais rápido que podia. O rosto estava vermelho, os passos desajeitados, e a cada segundo parecia que Eric ia cair. Agora era tarde. Com facilidade, o animal desviou dele sem sequer alterar a própria trajetória.
Mas então o garoto fez algo que nos pegou de surpresa. Num gesto desesperado, estendeu o braço que empunhava a lança e a arremessou como um dardo maior que o próprio corpo. Eric caiu imediatamente, amortecendo a queda torta com os braços, enquanto a lança seguiu em frente e se cravou cerca de cinco metros à frente.
— Porra! Ele acertou! — Guilherme disse aquilo que eu já estava prestes a gritar.
O berro do animal ecoou por toda a planície, enquanto ele se debatia numa nuvem de poeira misturada ao sangue que jorrava da ferida.
Guilherme e eu corremos a toda velocidade enquanto o bicho dava coices no ar, tentando se livrar da estaca de quase dois metros cravada em uma de suas coxas. Quando Guilherme o alcançou primeiro mais uma vez, teve de dar um salto para trás, escapando por pouco de ser atingido na cara pela vareta que balançava para todos os lados enquanto o bode silvestre se debatia. Parecia uma presa fácil, mas o animal ainda tinha forças, se livrando da lança sangrenta e voltando a trotar para outra direção.
O seguimos novamente. Agora aquela coisa estava definitivamente mais lenta, mancando desesperadamente em direção a mata mais fechada, deixando respingos e mais respingos avermelhados por onde ia. Ao adentrar na floresta, saltou sobre um arbusto e sumiu de vista.
O segui junto de Guilherme dentro do matagal repleto de árvores. Olhamos para os lados. Onde ele foi? Me questionei confuso.
— Será que ele está longe? — Guilherme disse ao estremecer, preparando-se para voltar a correr. Meu amigo parecia animado, eufórico e cheio de adrenalina. Ele se afastou a passos largos, virando a cabeça para os lados enquanto escaneava seus entornos.
— Não deve ter ido longe… Se seguirmos o rastro… Acharemos ele. — Ouvi Eric dizer, chegando subitamente perto de mim. Ele escorava um dos braços no tronco de uma árvore e apoiava o próprio peso naquela lança dele. Nunca o vi tão ofegante, nem mesmo quando andamos por horas na mata para achar água ou quando quase fizemos aquilo lá na casa da árvore.
Droga, eu até achei fofo ver Eric ficar cansado daquele jeito por correr apenas alguns metros. Contrastava com o gesto poderoso que ele tinha nos mostrado a momentos atrás, bem como com sua atitude séria e confiante. A cada dia que se passava, ficava mais difícil não reparar em como ele era bonito também. Quando trabalhávamos todos em equipe, seu olhar, antes seco e pouco convidativo, passava certa confiança agora. Impressionante como esportes, tais como caça, são capazes de gerar vínculo entre homens.
Apoiei minha mão no ombro de Eric.
— Está bem? — O questionei baixinho. Estava legitimamente preocupado com seu bem estar, afinal, Eric claramente não tinha um condicionamento físico tão bom. O garoto pareceu ter se assustado um pouco inicialmente. Estava concentrado procurando o animal no mato, mas acenou que sim com a cabeça.
Aquilo foi suficiente para mim, entretanto, quando dei as costas para o rapaz, ouvi:
— E você?
Sorri para Eric. Sentia uma ardência de leve no joelho esquerdo. Ralei ele quando aquele bixo me arrastou no chão, mas confirmei que sim também sentindo algo de diferente, principalmente quando aquele garoto me lançou um meio sorriso. Talvez ele só tenha perguntado de volta por cortesia, embora não fosse de seu feitio essas formalidades. Ou talvez, no fundo, ele fosse mesmo um cara legal.
Então, Carol e Andressa surgiram também. Meio a contragosto, tinha de dar a Eric algum crédito. O arremesso certamente foi um golpe de sorte, mas até que aquele garoto conseguia correr mais que as garotas. Me perguntava se Carol tinha visto ele arremessar a lança daquele jeito. Gostaria de ter sido aquele a fazer algo assim na frente das meninas. O gesto foi bastante desajeitado, mas também carregava certa virilidade e sensualidade.
— Consigo ouví-lo! Não está longe daqui. — Carol alertou. Todos olhamos para ela, agora devidamente vestida com suas roupas de folha enquanto apontava com o dedo indicador. Percebi, a parte da mata que ela mostrava possuía algumas marcas de sangue e partes da vegetação rasteira quebrada. Assim, começamos a correr mais uma vez.
A mata fechada demandava mais cuidado por seu terreno irregular, o que nos permitiu ir todos mais ou menos juntos, porém ainda velozmente. Os rastros do ibex eram cada vez mais notáveis, levando a parte da mata que se adensou para depois ir se tornando gradualmente mais aberta. Ao fim dela, feixes de luz escapavam dentre os arbustos e, o que apenas os bons ouvidos de Carol antes captavam, agora se fazia audível para todos.
O bode-do-mato berrava cada vez mais alto, arrastando-nos para fora da pequena floresta e de volta à planície aberta. Entre os gritos e nossa corrida, comecei a distinguir o som da água, não o rugido de uma correnteza, mas ruídos mais suaves, quase abafados, que se misturavam ao pisar apressado sobre folhas e galhos secos. À frente, a luz do sol se infiltrava pelos vãos irregulares da copa, rasgando a sombra em lâminas douradas.
Guilherme foi o primeiro a desaparecer naquele clarão ofuscante. Logo atrás, atravessei também, cobrindo os olhos com o dorso das mãos. Em seguida surgiram Eric, Andressa e Carol, todos engolidos pela mesma explosão de luz e espaço.
A vista era simplesmente magnética. Um tapete de grama verde e viva cobria todo o solo sob o céu aberto daquele dia claro. Logo adiante, um lago se estendia até onde a vista alcançava, a superfície quebrada por pequenas ondas que refletiam o sol em cintilações irregulares. A ventania forte me atingiu o peito, trazendo consigo gotículas frias de água que grudavam na pele quente da corrida.
Do outro lado do lago, a floresta densa reaparecia, fechando a paisagem antes de se dissolver nas encostas montanhosas que ocupavam todo o restante do horizonte. As formas se sobrepunham em camadas: água, árvores, pedra, céu. Eric tinha razão mais uma vez. Tínhamos encontrado seu lago.
Levei alguns segundos para ajustar a visão, ainda ofuscada pelo contraste entre sombra e sol, até perceber os elementos que destoavam daquele quase paraíso natural. Ao meu lado, Guilherme estremeceu.
O íbex estava ali, caído sobre a grama. Vapor quente escapava de sua boca a cada expiração pesada, visível no ar mais fresco que vinha do lago. O animal parecia ter desistido de se debater; apenas nos encarava, olhos escancarados, o peito subindo e descendo num ritmo irregular. Em torno dele, uma pequena rede de cipós se entrelaçava ao corpo, restringindo seus movimentos. Logo acima, imóvel, uma figura nos observava. Estava de pé, silenciosa, posicionada atrás do animal, recortada contra a luz aberta da planície.
Era um rapaz alto, quase dois metros de altura, magro, mas de físico bem constituído. Os cabelos pretos e curtos destacavam-se na cabeça e o queixo quadrado emoldurava um rosto bonito, de feições imediatamente familiares. Um rosto amigo, popular — mais um dos nossos colegas de escola. Os olhos verdes de Edward chamavam ainda mais atenção agora que ele não usava os óculos de armação quadrada que o acompanhavam quase sempre, tornando-o, por um instante, mais difícil de reconhecer.
— Presidente! — Eu, Guilherme e as meninas exclamamos ao mesmo tempo, tomados por surpresa e alegria.
Ele também parecia genuinamente surpreso com a nossa presença. Até pouco tempo atrás, ver Edward todos os dias na escola era algo banal; encontrá-lo agora, naquele cenário selvagem, causava uma estranheza difícil de explicar. Edward sempre fora simpático, bem-apresentado, alguém que parecia pertencer a ambientes organizados. Agora, vestia apenas uma longa saia feita de palha seca.
— Cara, como você fica esquisito sem óculos — Comentou Guilherme, do nada, cruzando os braços atrás da cabeça.
Olhei para Carol e Andressa e vi sorrisos surgirem. Sem conseguir evitar, sorri também. É ele mesmo, pensei, ainda tentando acreditar. Permaneci em silêncio. Precisava ouvir sua voz para confirmar de vez. Edward nos percorreu com o olhar, um por um, rápido demais, um hábito que eu lembrava bem. O sorriso característico apareceu em seguida.
— Não acredito! Vocês estão bem? — Perguntou Edward. A voz era marcante como sempre, limpa, quase feita para locução. Guilherme deixou escapar uma risada curta. Se tentava parecer menos empolgado do que estava, aquele era claramente seu limite. Balancei a cabeça em afirmativo.
— Sinto lhe dizer, mas você tem algo que nos pertence — Disse Eric, com uma frieza que destoou do clima, chamando a atenção de todos nós. Seus olhos pareciam presos apenas ao íbex caído no chão, envolto na rede, como se Edward fosse apenas um detalhe incômodo ao redor.
— BÉÉÉÉH! — Gritou o animal, como se respondesse à própria menção.
— Cara, como você é insensível! — Brigou Guilherme. — Não está vendo? É o presidente! Ele tá vivo aqui com a gente. — Disse o óbvio para o garoto que apenas o olhou com rabo de olho.
Edward riu.
— Tudo bem Guilherme. Ele tem razão. Bem que achei estranho esse carneiro aparecer cambaleando por aqui tão pronto para ser capturado. — Disse o presidente em tom apaziguador como sempre. — Parabéns pessoal! Deve ter dado muito trabalho conseguir uma caçada dessas. — Elogiou. Eric sequer se preocupou em sorrir de volta
— É um ibex e não um carneiro. — Eric corrigiu secamente. — Se não se importa, estamos levando ele então. — Comentou em seguida e deu um passo à frente. Aquilo me chamou atenção. Eric, como já sabiamos, tinha aquele jeito insensível e frio, todavia aquela pressa, aquela dureza… Tinha de ter um motivo. Era um pouco diferente e me fazia desconfiar, além de me irritar mais que o normal.
— Cara, qual o seu problema? — Briguei. — A gente pode muito bem dividir com o presidente essa coisa. — Falei. Céus, Eric sabia ser antipático quando queria. Quem ele achava que era, afinal? Obviamente nos juntaríamos a Edward que certamente era um colega valoroso o qual estavamos todos felizes por ver bem depois daquele acidente horrível. Talvez fosse aquela possibilidade o que
Edward riu de novo.
— Você continua afiado como sempre, Eric. — Elogiou, desarmando-me. Nunca vou entender como o presidente conseguia ser tão simpático, mesmo lidando com aquele moleque. O sorriso de Edward tornava ainda menos crível toda aquela história sobre a conspiração entre ele e Eric. Era um cara muito legal para se envolver com coisas assim. — Tudo bem pessoal. Não precisam dividir a caça de vocês. Afinal, eu tenho mais algumas bocas para alimentar aqui no grupo. — Mencionou casualmente, o que deixou a todos nós surpresos.
— O que? Quem está com você? — Andressa questionou de imediato, tirando as palavras da minha boca.
— É verdade! Deixa eu chamar todo mundo pra nossa reunião. — Edward se lembrou. — Ei pessoal! Venham aqui! — Gritou com sua voz poderosa e empolgada. Só então percebi, à distância, duas tendas de palha armadas próximas à margem do lago, discretas demais para terem chamado nossa atenção antes. Ali estava o acampamento dele.
Duas moças emergiram de uma das tendas. A primeira tinha a pele negra e o cabelo longo cuidadosamente trançado, que caía pelas costas como uma extensão natural de sua postura firme. Usava um biquíni simples feito de palha, funcional mais do que exibido, adequado àquele improviso de sobrevivência. Era Thaís, a jornalista. Aproximou-se a passos largos, os olhos castanhos bem abertos, atentos, como se tentassem confirmar se o que via era real.
Logo atrás dela veio Micaela. De pele clara, cabelos castanhos ondulados e soltos, era visivelmente mais alta que Thaís e se movia com certa hesitação, como quem ainda avalia o terreno antes de pisar com confiança. Nunca tinha visto nenhuma das duas com tão poucas roupas, mas isso mal me chamou a atenção. O alívio de reencontrar mais colegas vivos e ilesos sobrepunha qualquer outro pensamento.
As duas pararam a poucos metros de nós, claramente sem palavras. Seus olhares percorreram nossos rostos um a um, demorando-se como se precisassem confirmar cada identidade. Quando meus olhos cruzaram com os delas, sorri instintivamente. Ambas desviaram o olhar quase ao mesmo tempo. Aquilo me pareceu estranho. Thaís, pelo que eu lembrava, nunca fora tímida; Micaela, sim.
Edward continuou olhando para trás, como se contasse mentalmente quem ainda faltava. Então, da outra tenda, surgiu um rapaz loiro de olhos azuis. Era Adrien. A expressão surpresa suavizava ainda mais suas feições quase angelicais. Magro, da altura de Eric, usava uma saia de folhas semelhante à de Edward. A luz do sol desenhava linhas claras em seu corpo esguio, e sua postura denunciava uma timidez antiga, ainda presente apesar do contexto estranho. Carol e Andressa sorriram de imediato ao vê-lo. Não me surpreendeu. Adrien sempre fora popular por sua beleza, mesmo sendo reservado demais para perceber isso.
Ainda parecia faltar alguém. Esperei, inquieto, até que Gabriel apareceu por trás de uma das tendas. Sua figura era inconfundível. A pele muito pálida, levemente avermelhada pelo sol, contrastava com as sardas espalhadas pelos ombros e pelas bochechas. Tinha a minha altura, mas não o mesmo porte físico. Os cabelos ruivos, levemente ondulados, brilhavam num tom alaranjado intenso sob a luz direta.
Gabriel se aproximou com cuidado, os braços quase cruzados diante do corpo, como se tentasse ocupar o mínimo de espaço possível. O rosto carregava uma expressão ansiosa, permanentemente à beira do desconforto. Ele olhou primeiro para as garotas do nosso grupo, depois para Guilherme e para mim. Os olhos castanhos estavam bem abertos, atentos demais. Mesmo quando sorrimos para ele, não retribuiu.
Ao se posicionar ao lado de Edward, deu um passo involuntário para trás. Seu rosto, então, mudou subitamente para espanto.
— É Eric! — Ele gritou, roubando nossa atenção de uma vez. Gabriel começou a tremer. O corpo inteiro. O suor brotou rápido na testa pálida, escorrendo pelas têmporas. Edward percebeu na mesma hora e, por instinto, pousou a mão em seu ombro. O toque durou menos de um segundo. Gabriel se desvencilhou com violência, recuando como um animal acuado, assustado de um jeito que eu nunca tinha visto antes.
— Gabriel, pare! O que foi? — Edward perguntou alarmado. O rapaz ruivo ergueu o braço com dificuldade e apontou.
Segui o gesto. Quando meus olhos encontraram Eric, senti algo gelar dentro de mim. Ele estava parado, olhando de cima para Gabriel com uma expressão vazia demais. Os olhos castanhos claros eram frios, calculados, não demonstrando surpresa, culpa ou medo. Nada. Um arrepio subiu pela minha espinha.
O íbex berrou de novo, um som alto e áspero que nos fez estremecer, todos nós, exceto Eric. Ele não se mexeu. Nem um músculo. O rosto indiferente, imóvel, agora me atingia de um jeito diferente. Incômodo. Errado.
O que quer que Gabriel tivesse para dizer não era pouca coisa. Não era confusão. Não era exagero. Aquele pavor não nascia do nada. Algo, alguma coisa, tinha ficado escondida de nós esse tempo todo. Talvez fosse a causa da pressa de Eric para deixar aquele local.
— O que você fez? — gritei para Eric, bravo e cansado de seu comprtamento e toda sua manipulação.
O garoto girou o pescoço apenas o suficiente para me olhar. O movimento foi lento, quase preguiçoso. Não respondeu.
Então, silêncio.
Quando Gabriel finalmente conseguiu se recompor o mínimo possível, engoliu em seco. As palavras saíram truncadas, gaguejadas, mas cortaram o ar como lâminas:
— E-eu vi… — Ele respirou fundo, os olhos marejados. — Ele… ele matou duas pessoas.
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Olá leitores(as). Obrigado pelos comentários e avaliações no último capítulo.
Estou voltando de férias e espero continuar escrevendo enquanto organizo minhas coisas pós viagem. Espero que tenham tido boas festas e desejo um feliz ano novo a todos(as)! Planejo próximos capítulos com muitos acontecimentos interessantes e estou muito animado para voltar a postar mais partes da história para vocês.
Um abraço!
