Entre Irmãos - Debaixo do Mesmo Teto

Da série Entre Irmãos
Um conto erótico de Mateus
Categoria: Gay
Contém 2901 palavras
Data: 05/01/2026 22:40:18
Última revisão: 05/01/2026 23:03:48

Heitor mudou sem anunciar a mudança.

Não foi uma explosão, nem um gesto claro. Foi um deslocamento sutil, quase imperceptível para quem não estivesse atento, só que eu estava atento como nunca estivera na vida. As mensagens começaram a vir em horários estranhos. Perguntas simples, mas carregadas de peso.

— Você tá onde?

— Vai demorar?

— Quem tá com você?

No começo, eu respondi com a mesma naturalidade de sempre, quase com ternura. Achava bonito aquele interesse, aquela necessidade de proximidade. Havia algo de lisonjeiro em ser procurado, desejado, esperado. Depois de tanto tempo sendo apenas observador, agora eu era o centro da atenção.

Mas logo percebi: não era cuidado. Era vigilância. Heitor passou a aparecer sem avisar. Às vezes de moto, às vezes com o carro velho do pai, estacionando de qualquer jeito na minha rua de pedra, como se não quisesse chamar atenção e, paradoxalmente, chamando toda.

— Tava passando – dizia, encostado no portão, os olhos claros atentos demais — Quis te ver.

E eu, sempre dividido entre o conforto e o incômodo, deixava. Havia dias em que Heitor estava doce demais. Tocava violão no quarto, cantava baixo, encostava a testa na minha como se quisesse apagar o mundo ao redor. Falava do pai, da saudade, da sensação de não pertencer àquela casa e à cidade nova. Nessas horas, eu sentia o velho impulso de cuidar, de ser abrigo.

Mas havia outros dias. Dias em que Heitor ficava seco, irônico, com aquele sorriso torto que não chegava aos olhos.

— Você continua muito próximo da Júlia – soltou certa vez, como quem comenta o clima.

Eu ergui o olhar, surpreso.

— A gente estuda na mesma escola.

— Ela ainda acha que vocês são um casal – disse Heitor, a voz baixa demais para ser casual.

Não era pergunta. Era acusação.

Eu senti um frio no estômago, não por culpa, mas pela clareza súbita: Heitor não estava apenas com ciúme. Ele queria definir os limites do mundo ao nosso redor. E isso assustava (afinal, ele era quase nove anos mais velho do que eu).

Ao mesmo tempo, Rafael surgia como uma presença silenciosa e incômoda. Não dizia muito, mas dizia o suficiente. Um comentário aqui, um olhar prolongado ali. Um sorriso enviesado quando eu chegava à casa dele, para ver Heitor, é claro, mas como se partilhássemos um segredo invisível aos outros.

Eu comecei a perceber o desenho maior. Não era apenas um triângulo amoroso. Era uma disputa. E eu, um adolescente pequeno, magro, aparentemente frágil, estava no centro. Heitor queria me possuir. Júlia queria me exibir. Rafael queria me usar como arma.

E, pela primeira vez, eu entendi algo sobre mim mesmo que até então eu só intuía: eu não estava ali naquela situação por ingenuidade. Estava porque escolhera estar.

Havia em mim uma frieza que aprendera cedo, ainda com Leandro, ainda com o silêncio, ainda com os livros. A capacidade de observar antes de agir. De sentir sem me entregar por inteiro. De perceber as intenções alheias e decidir o que fazer com elas.

Isso não me tornava essencialmente cruel (“É preciso, na arte da intriga, ter a cabeça fria e o coração de fogo”).

Naquela noite, deitado na cama, encarei o teto escuro do meu quarto e senti o peso real da situação. Não era mais apenas desejo. Era território, poder, orgulho ferido. Era família. Era algo que, se escapasse do controle, não machucaria só corações, poderia destruir vínculos inteiros.

E, ainda assim, em meio ao medo, havia excitação. Não pelo caos em si, mas pela consciência nova de que eu não era mais conduzido. Eu estava escolhendo.

Há algumas ruas de distância, Heitor caminhava de um lado para o outro no quarto, os punhos cerrados, a mente em espiral. Sentia que algo lhe escapava e isso o enlouquecia. Não saber. Não controlar. Não ser o único. Ele ainda não sabia o nome do inimigo. Mas sabia que eu já não era apenas dele. E isso era intolerável.

Alguns dias depois, a chuva começou no fim da tarde, fina e insistente, como se a cidade inteira estivesse sendo lavada de alguma coisa que ninguém nomeava.

A minha família havia sido convidada para uma festa de formatura, que aconteceria à noite. Eu tinha o convite dobrado no bolso desde a semana anterior, mas só naquele dia o peso da decisão caiu sobre mim. Não era a festa em si, era tudo o que vinha junto: os olhares, as conversas, os corpos dançando perto demais, a ansiedade muda da pressão social que me apavorava quando adolescente.

O sapato foi a desculpa perfeita. Rafael havia se oferecido dias antes, num tom casual demais para ser inocente.

— Se precisar, pega lá em casa.

Eu sabia que podia recusar. Sabia que podia comprar outro sapato, improvisar, inventar qualquer coisa. Mas, em vez disso, atravessei a rua sob a chuva forte, sentindo o tecido da camisa colar na pele, o coração batendo com uma antecipação que não era só nervosismo.

Eu já conhecia a senha do portão e entrei na casa sem anunciar (uma tática que Heitor havia me ensinado, para facilitar nossos encontros). A casa estava silenciosa.

Contornei o pátio principal, desviando da piscina azul, até a edícula, aquele anexo esquecido, quase um puxadinho, que parecia existir à margem da casa grande, como Rafael sempre existira à margem da família.

A porta estava fechada, mas não trancada. Depois de uma leve batida, empurrei a porta com cuidado. Lá dentro, o espaço era pequeno, quase claustrofóbico, simples demais: uma cama estreita, um colchão gasto, poucas roupas penduradas. Uma lâmpada amarelada e fraca, pendurada no teto, mal iluminava o cômodo, lançando sombras duras e alongadas sobre a cama desarrumada. Nada combinava com o restante da casa luxuosa, mas tudo combinava com Rafael.

A chuva batia forte no telhado da edícula, um ruido constante que abafava qualquer outro som vindo da casa principal. O ar estava úmido, carregado não só pela tempestade lá fora, mas por algo mais denso, mais quente, o cheiro de suor, de pele aquecida, de desejo contido há dias.

Rafael estava sentado na beira da cama, de short e sem camisa, os braços fortes e morenos apoiados nos joelhos, o cabelo preto e espesso ainda úmido, como se tivesse acabado de sair do banho. Quando os olhos escuros e negros dele encontraram os meus olhos claros e castanhos, foi como se um fio invisível nos puxasse um para o outro.

Não houve cumprimentos. Nunca havia. Palavras estragavam aquilo, tornavam real demais, e eu já tremia só de estar ali, debaixo daquele olhar que me despiu antes mesmo que as mãos começassem o trabalho.

— Veio buscar o sapato? — perguntou Rafael, sem se levantar.

Eu fechei a porta atrás de mim, meus dedos tremendo levemente ao girar a tranca. O som da chuva ficou distante. Ali, parecia que o mundo tinha diminuído.

— Sim.

Rafael sorriu de um jeito enviesado, perigoso.

— Sempre um pretexto, né?

Eu senti o golpe me atingir em cheio. Não respondi. Eu nunca havia entrado no quarto de Rafael. Fiquei parado, observando aquele dormitório pequeno, aquela vida apertada, aquela pequena janela recortada na parede, a presença intensa de Rafael que parecia ocupar mais espaço do que o lugar permitia, e senti uma angústia me devastar o peito e me dar um nó na garganta.

— Você não devia estar aqui – continuou Rafael, agora em pé, aproximando-se devagar, meu olhar pousando no peitoral forte e moreno de Rafael, nos pelos negros que desciam pela sua barriga — Heitor tá em casa.

— Eu sei – disse, a voz baixa.

E havia algo novo ali: não era medo. Era desafio. O silêncio que se seguiu foi espesso. Carregado. Cheio de tudo o que não fora dito desde a última vez.

— Você gosta de brincar com fogo – murmurou Rafael, a poucos centímetros de mim — Ou gosta de ver quem queima primeiro?

Eu levantei o olhar. Pela primeira vez, não desviei.

— Talvez eu só esteja cansado de ser tratado como um objeto – respondi — Como segredo. Como disputa.

Rafael riu baixo, sem humor.

— Você acha que é diferente comigo?

— Não – disse, honesto — Mas pelo menos você não finge que não é só isso.

Foi o suficiente. O que veio depois não foi delicado. Foi urgente. Foi feito de mãos que procuravam, de bocas que se encontravam com uma mistura de raiva e desejo, de corpos que se reconheciam no risco. Não havia promessas, nem ternura excessiva, havia intensidade. A sensação proibida de estar escondido, de estar errado, de estar vivo.

O som da chuva abafava tudo. A casa grande estava ali, acima de nós, cheia da família de Rafael, de Heitor, de Julia, e, ainda assim, nós estávamos sozinhos. Ninguém viria nos procurar ali.

Eu me aproximei com passos hesitantes, meus dedos crispados ao lado do corpo, como se eu lutasse contra o impulso sexual que me dominava. Minha camisa colada no peito magro por causa da umidade da chuva deixava transparecer cada costela, a barriga lisa e os mamilos já duros, sensíveis demais, traindo minha excitação.

Rafael não se moveu, não no início. Deixou que eu chegasse perto o suficiente para sentir o calor que emanava dele, aquele corpo grande e musculoso que parecia ocupar todo o oxigênio daqueles poucos metros quadrados.

Só quando os meus joelhos roçaram nos dele é que Rafael agiu, as mãos grossas se fechando nos meus quadris finos, me puxando com um movimento brusco, quase violento, para o espaço entre suas pernas.

O beijo veio como uma necessidade, não como um pedido. Os lábios de Rafael eram quentes, úmidos, a língua invadindo a minha boca com uma fome que me fez gemer baixinho, as costas arqueando sem querer.

As mãos de Rafael não pararam de se mover, uma subiu pela minha camisa, dedos calosos roçando meus mamilos já endurecidos, enquanto a outra descia, ágil, desabotoando a minha calça com uma praticidade que denotava experiência.

Eu tentei ajudar, meus dedos trêmulos lutando com o zíper, mas Rafael afastou minhas mãos com um grunhido, como se dissesse deixa comigo. Minha calça e a cueca caíram no chão com um som surdo, e de repente eu estava completamente nu, a pele fria e úmida da chuva contrastando com o calor das mãos quentes de Rafael, explorando cada centímetro recém exposto.

Por uma hora, o mundo foi apenas aquele quarto pobre, aquele segredo compartilhado, aquela entrega que não pedia futuro.

— Você tá molhado — Rafael murmurou contra meus lábios, a voz rouca, quase um rosnado — E não é só por causa da chuva.

Eu não respondi. Não conseguia. As palavras se perdiam na minha garganta quando os dedos de Rafael desceram ainda mais, roçando a entrada apertada entre minhas nádegas, apenas um toque leve, quase imperceptível, mas suficiente para me fazer estremecer.

Rafael sorriu, malicioso, sentindo o meu corpo tremer sob suas mãos. Ele me empurrou então, não com força, mas com uma autoridade que não deixava espaço para recusa. Eu caí sobre a cama, de bruços, o lençol áspero contra meu peito nu, as pernas ainda trêmulas.

Ouvi o som de Rafael se ajoelhando atrás de mim, a cama rangendo levemente com o movimento, e então as mãos grandes separando minhas nádegas com uma firmeza que me fez prender a respiração.

— Putinha — Rafael sussurrou, mais para si mesmo do que para mim, mas as palavras ecoaram no silêncio do quarto, sujas e excitantes — Olha esse cuzinho apertado. Tá pedindo pra ser comido. O Heitor não tá te satisfazendo, não?

Eu enterrei o rosto no travesseiro, o cheiro de Rafael me entorpecendo, meus dedos se enterrando nos lençóis. Eu deveria me envergonhar. Deveria dizer algo, protestar, mas tudo o que saiu foi um gemido abafado quando senti o hálito quente de Rafael entre minhas pernas, tão perto, tão perto e, então, a língua, úmida e larga, me lambendo de cima a baixo, sem pressa, como se estivesse saboreando algo delicioso.

— Ah, porra — arfava, as costas arqueando sem controle.

O prazer era quase doloroso, a língua de Rafael explorando cada preguinha, cada centímetro daquele lugar que ninguém além de Heitor e Leandro já tinham tocado. Eu sentia a saliva escorrendo, quente, enquanto Rafael me abria mais, os dedos pressionando minhas nádegas para expor melhor meu buraquinho rosado e acanhado.

— R-Rafael, caralho...

— Fala direito — Rafael ordenou, a voz vibrando contra a minha pele sensível — Você gosta, não gosta? Sua putinha safada.

Eu não conseguia responder. As palavras se transformaram em gemidos quando Rafael mergulhou a língua dentro de mim, fundo, como se quisesse provar cada pedaço de mim. Meus mamilos estavam tão duros que doíam, a barriga contraída, meu pau latejando contra o colchão, necessitado. Eu me contorcia, sem vergonha agora, só tesão, enquanto Rafael me devorava como se eu fosse a última refeição antes de um jejum eterno.

Os minutos se arrastaram em uma tortura deliciosa. Rafael alternava entre lambidas longas e chupadas fortes, os dedos agora brincando com a minha entradinha, me preparando sem pressa. Eu já estava babando no travesseiro, os quadris se movendo sozinhos, implorando por mais, por qualquer coisa. Foi só quando Rafael se afastou, me deixando sozinho e tremendo, que eu tive coragem de virar a cabeça, os olhos vidrados de desejo.

— Me fode — pedi baixinho, a voz quebrada — Por favor.

Rafael não precisou ser rogado duas vezes. Eu ouvi o som do short sendo tirado, a cueca descendo, e então, aquele gemido gutural de Rafael, como se só de encostar a cabeça do pau na minha entradinha apertada já fosse demais para ele.

Eu prendi a respiração quando senti a pressão, lenta, implacável, meu cuzinho esticando ao máximo para acomodar o tamanho do pau inteiro de Rafael. Não doeu. Não dessa vez. Rafael tinha feito um trabalho bom demais com a língua, e agora era só prazer, um calor avassalador se espalhando por cada nervo enquanto a piroca grossa de Rafael me preenchia centímetro por centímetro.

— Putinha — Rafael grunhiu, as mãos se fechando nos meus quadris com força suficiente para me deixar marcas — Tá tão apertado, caralho. Como se fosse feito pra mim.

Eu não conseguia responder. Não com palavras. Eu gritei abafado quando Rafael começou a se mover, devagar no início, cada estocada profunda e medida, como se quisesse sentir cada detalhe daquele buraco quente e apertado que o envolvia.

Mas logo a paciência de Rafael se esgotou. As investidas ficaram mais fortes, mais rápidas, o som de pele batendo em pele ecoando pela edícula, misturado aos meus gemidos descontrolados e aos rosnados de Rafael (sorte que a chuva estava grossa e pesada e a edícula ficava à uma certa distância da casa principal).

— Isso, sua vadia — Rafael sibilou, a voz grossa de luxúria — Toma essa porra. Você é meu. Só meu.

Eu não tinha mais vergonha. Não tinha mais nada além da sensação do pau de Rafael me fodendo sem dó, cada estocada atingindo aquele ponto interno que me fazia ver estrelas. Eu me segurei nos lençóis, os nós dos dedos brancos, enquanto Rafael me comia com uma intensidade que beirava a violência, mas era bom, tão bom que eu senti as lágrimas ardendo nos cantos dos olhos. Meu pau latejava, esmagado contra o colchão, e eu sabia que não ia durar muito mais.

— Vou gozar — Rafael avisou, a voz um rosnado animal — Vou encher esse cuzinho de leite, sua putinha.

Foi isso que me levou ao limite. As palavras sujas, a sensação de ser usado, possuído, eu não aguentei. Com um grito abafado no travesseiro, meu corpo se contorceu, o orgasmo explodindo através de mim em ondas quentes, o sêmen jorrando entre meus dedos e o lençol, enquanto Rafael me seguia, enterrando fundo no meu cuzinho, o pau pulsando dentro de mim enquanto ele me enchia, jorro após jorro de leite quente.

Rafael caiu ao meu lado, ofegante, o suor colando nossos corpos. Por um longo momento, só se ouviu o som da chuva pesada e nossas respirações descompassadas. Eu não me movi. Não tinha forças. Só fiquei ali, deitado de lado, sentindo o leite de Rafael escorrendo lentamente do meu cu usado, a perna ainda tremendo com os últimos espasmos do orgasmo.

Rafael passou um braço por cima de mim, me puxando contra seu peito suado, os lábios roçando a minha têmpora.

— A gente vai se foder — ele murmurou, mais para si mesmo do que para mim.

Não respondi. Não precisava. Ambos sabíamos que, se Heitor descobrisse, não haveria desculpas suficientes. Mas naquele momento, debaixo do som da chuva e do cheiro de sexo, nada disso importava. Porque valia a pena. Sempre valia.

Quando nos afastamos, eu estava com o coração acelerado, o corpo quente, a mente clara demais. Peguei o sapato, agora esquecido num canto, e o segurei como se fosse um álibi frágil. Rafael me observava em silêncio.

— Você vai encontrar com ele depois? — perguntou, sem especificar quem.

Eu não respondi. Abri a porta. Antes de sair, me voltei uma última vez.

— Isso aqui não me define – disse, mais para mim mesmo do que para Rafael — Mas também não vou fingir que não aconteceu.

Rafael sorriu, lento, perigoso.

— Ninguém aqui finge nada, Mateus.

— E é justamente isso que vai nos ferrar – respondi.

Saí sob a chuva mais forte, o sapato na mão, o corpo ainda marcado pelo encontro. Sabia que estava atravessando uma linha invisível e que, dali em diante, nada mais seria simples.

Acima de mim, na casa grande, Heitor caminhava pelo corredor sem saber por que, tomado por uma inquietação súbita, quase física. Alguma coisa estava acontecendo. E não era mais possível ignorar.

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Comentários

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Esse branquinho magrinho tá virando a cabeça dos três! Será que vira do Miguel também? Hehehe

Eu não julgo 😜

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