Delicioso Engano

Um conto erótico de J. R. King
Categoria: Heterossexual
Contém 2039 palavras
Data: 05/01/2026 23:31:46

Desde pequenas, eu e minha irmã éramos tão diferentes que era difícil acreditar que éramos gêmeas. Até mesmo no nascimento nossos caminhos foram divergentes. Ela veio ao mundo pela manhã, de parto normal. Mas para me ter, minha mãe sofreu mais de dez horas de contrações agonizantes e sem progresso, o que forçaram os médicos a realizarem uma cesárea de emergência, já no início da noite.

Parecia ironia do destino. Nossa mãe, sempre muito supersticiosa e apegada aos simbolismos, interpretou como um sinal divino. Assim, decidiu nos batizar em homenagem a nossa história. Nascida durante o dia, Aurora representava a claridade que iluminava tudo ao redor. Eu, que deu a luz após o crepúsculo, fui chamada de Luna, como a lua que iluminava a noite. De início, achava isso um exagero poético e uma crendice sem sentido. Mas com o tempo, percebi que isso não se tratava só de uma coincidência médica, se infiltrava em nossas vidas, moldando quem éramos e como o mundo nos via.

Aurora sempre foi radiante, uma força da natureza que atraía olhares onde quer que fosse. Sua energia era contagiante: ria alto, gesticulava com entusiasmo e preenchia qualquer ambiente com uma presença magnética. Tinha uma confiança inata, uma habilidade para iniciar conversas que fluíam como água corrente, e nunca ficava sozinha por muito tempo.

Fisicamente, éramos espelhos uma da outra: cabelos castanhos longos e ondulados que cascateavam pelas costas, olhos de um castanho profundo, traços delicados, pele clara e levemente sardenta nas bochechas, altura mediana e curvas suaves e harmoniosas: seios firmes, cintura marcada e quadris arredondados que conferiam uma silhueta elegante. De longe, ninguém nos distinguia. Mas bastava nos conhecer por pouco tempo que logo notava os contrastes. Eu era reservada, soturna e solitária, vivia com a cara em um livro, trancada no quarto. Nossa relação era complexa: Ela me protegia como uma irmã mais velha, mesmo que só por horas de diferença. Eu a admirava profundamente, mas também a invejava. Sentia-me como sua própria sombra, sempre observando, mas nunca notada.

Aurora era popular desde a infância. Tal como o sol, as pessoas orbitavam à sua volta, atraídas pela sua força gravitacional. Tinha muitos amigos e incontáveis namorados, que iam e viam em questão de meses. Ela se entediava rápido, buscava incessantemente a novidade, o fogo da paixão inicial, sem se apegar profundamente. Tinha inveja da sua capacidade de conquistar, de se conectar sem esforço, de ser o centro das atenções. Tinha poucos amigos, e amores menos ainda. Alguns até admitiam estar comigo só porque me parecia com a minha irmã, mas logo enjoavam do meu jeito tedioso. Aquilo, obviamente, me magoava, mas eu não sabia ser como Aurora, só eu mesma.

Entre os muitos namorados de minha irmã, um se destacou de forma indelével para mim. Gustavo era bonito, como todos os outros. Alto, de ombros largos e braços musculosos. Seu cabelo castanho-escuro, levemente ondulado, caía de forma natural sobre a testa, emoldurando olhos verdes intensos e penetrantes. Seu sorriso era charmoso, com lábios cheios que se curvavam em uma mistura de leveza e malícia, e sua voz grave e rouca transformava qualquer conversa em algo íntimo, como um sussurro confidencial. Gustavo exalava uma confiança silenciosa, uma tranquilidade irresistível que o diferenciava dos outros.

O que o tornava especial para mim era como ele me tratava. Diferente dos anteriores, ele me notava. Conversávamos por horas sobre música, filmes e livros, nossos gostos se alinhavam de forma orgânica, diferentemente do que era com a minha irmã, onde as conversas eram breves e superficiais, era fácil notar que a relação era mais sobre sexo do que qualquer outra coisa. Eu me pegava questionando: como ele podia estar com minha irmã, quando parecia se interessar bem mais por mim? Aurora notava nossas conversas e ria, brincando que eu estava "roubando" seu namorado, mas eu sentia um ciúme velado, desejando secretamente que ele me visse como algo mais que a irmã tímida.

Não era só o papo que me atraía; Gustavo era incrivelmente sedutor, com um magnetismo que chamava atenção sem esforço. Quando ele dormia lá em casa, podia colar o ouvido na parede que separava nossos quartos, eu escutava os gemidos abafados que vazavam: os suspiros agudos e passionais de minha irmã misturados à voz rouca e dominante dele. Aquilo me deixava inquieta. Sabia que era errado, invasivo, mas não conseguia me afastar. Fechava os olhos e imaginava a cena: as mãos dele explorando o corpo dela, os beijos intensos, os movimentos ritmados. Meu corpo reagia involuntariamente: o calor subia pelo ventre, a respiração se acelerava. Com os olhos fechados, minhas mãos começavam a vagar, os dedos traçavam caminhos imaginários pela minha pele, imitando o que eu fantasiava ser o toque dele. Me tocava com delicadeza, deslizando devagar, sentindo-me úmida enquanto os sons do outro lado me hipnotizavam. Os gemidos de Aurora eram uma punhalada de inveja, mas também um combustível para meu prazer solitário, uma mistura torturante de desejo e culpa que me consumia por dentro.

A história escalou quando o Carnaval se aproximou. Aurora, insistente, me obrigou a viajar com ela para o litoral, junto aos amigos do namorado.

— Você tá muito pálida! — ela dizia. — Daqui a pouco a gente nem vai mais parecer gêmeas. Precisa pegar um sol, se divertir um pouco e, quem sabe, arranjar alguém.

Se ela soubesse o que aquela viagem desencadearia, talvez tivesse me deixado em paz.

A casa era simples, com vista para o mar e uma brisa marinha agradável, mas estava lotada. Era um grupo de jovens barulhentos com quem eu mal interagia, nem tinha vontade. Com poucos quartos, terminei dividindo o quarto com os dois, dormindo em um colchão colocado no canto, que se tornou meu refúgio. Enquanto eles passavam os dias na praia ou bebendo, eu me refugiava em minha cama, mergulhada em um livro. Ouvia comentários sussurrados nos corredores:

— Essa esquisita vai ficar trancada no quarto o Carnaval todo? — diziam os amigos de Gustavo, em tom de deboche.

Numa dessas noites quentes, o grupo bebeu até altas horas, com música alta pulsando pelas paredes me impedindo de ler ou de dormir. Deitei-me no colchão, esperando o cansaço me vencer. Já pela madrugada, Aurora voltou cambaleando para o quarto, embriagada, rindo sozinha e tagarelando incoerências até desabar na cama ao lado da minha. Em minutos, roncava profundamente, o corpo se estirava na cama em um sono alcoólico.

Gustavo chegou pouco depois, rindo baixinho e tropeçando, tão ébrio quanto ela. Virei-me de costas, fingindo dormir, rezando para que ele simplesmente se deitasse e apagasse. Mas senti sua presença se aproximando, não da cama dela, mas da minha. Ele se deitou ao meu lado, puxando o lençol fino e se aninhando contra mim, o corpo quente se pressionou contra o meu. Meu coração disparou como um alarme. Uma lufada de ar com cheiro de cerveja escapou de seus lábios enquanto murmurava, rouco e próximo ao meu ouvido:

— Nossa, amor, você está tão cheirosa. Tá me deixando de pau duro.

Um arrepio percorreu a espinha quando ele começou a beijar a nuca, os lábios quentes e úmidos traçavam uma trilha lenta e possessiva. Seu corpo se colou ao meu, o peito largo contra minhas costas, e a ereção crescente se pressionava contra mim. Era surreal, Aurora dormia a poucos metros, roncando suavemente, qualquer ruído poderia acordá-la, o que me deixava tensa.

— Gustavo, acho que você está se confundindo… — Tentei protestar, com a voz trêmula, mas ele tapou minha boca com a mão, gentil e firme.

— Faz silêncio, vai acordar sua irmã. — sussurrou.

Seu toque me despertou um turbilhão de emoções: culpa, excitação e medo. Meu corpo traía a razão, reagia com um calor entre as pernas, enquanto o ronco suave de Aurora a poucos metros me descarregava adrenalina, fazia meu pulso acelerar.

Ele explorava com familiaridade. As mãos calejadas subiam por minha barriga, erguendo a blusa fina e expondo meus seios ao ar fresco. Ele os apertou com voracidade, os polegares circulavam os mamilos endurecidos, enviavam choques de prazer que me faziam arquear as costas involuntariamente.

— Você é tão gostosa. — murmurava ele, mordiscando minha orelha, enquanto eu lutava para conter os gemidos. A tensão era insuportável: Aurora poderia abrir os olhos a qualquer instante e nos flagrar, e isso só aumentava o tesão. Era tudo o que eu sonhara, ter Gustavo me tocando como tocava minha irmã, me possuindo como a possuía.

Não resisti mais, estendi a mão para trás, invadindo seu short, ansiosa para senti-lo. Seu membro era grosso e pulsante, quente na palma da minha mão, crescia com a carícia lenta. Ele gemeu rouco contra meu pescoço, o som vibrava em mim como uma onda.

— Isso, amor, me toca assim. Do jeito que você gosta. — sussurrou, sem imaginar que era eu.

Meus pés se entrelaçavam aos dele, o colchão era pequeno demais para nós dois, forçando-o a se pressionar mais contra mim, me imprensando contra a parede. Seus dedos desceram ousados, invadiram meu short, abrindo caminho através da penugem suave entre minhas pernas até encontrar a carne úmida e sensível. Ele brincava ali com familiaridade, esfregando o clitóris em círculos lentos, abrindo os lábios com os dedos, explorando como se conhecesse cada curva, pois ele já as conhecia.

Tentei gemer, mas sua mão me calou novamente. Os afagos se intensificavam: ele mordia minha orelha, enviando calafrios, enquanto eu o masturbava com movimentos cautelosos, sentia-o duro na minha mão, a veia pulsava sob a pele macia. O ar estava carregado de um cheiro primal — suor, álcool e tesão se misturavam —, e o silêncio do quarto, quebrado apenas pelos roncos suaves de Aurora, adicionava uma camada de sordidez ao momento.

Então, ele virou meu rosto para o dele, e em um gesto fluido, me beijou. Seus lábios macios e quentes abriram caminho para os meus, as línguas se entrelaçavam em uma dança sensual e urgente, explorando com fome. Meu coração martelava. Por que eu permitia isso? E por que me excitava tanto, o risco de ser pega fazendo meu corpo tremer de desejo?

Ele abaixou nossos shorts com pressa, a pele nua se colou, e começou a me provocar: segurou o membro rígido contra meu sexo, a glande se lambuzada nos meus lábios, deslizando para cima e para baixo, roçando o clitóris e me fazendo soltar o ar pela boca em um suspiro abafado.

— Me fode, bem gostoso. — implorei.

E ele acatou. Penetrou devagar, centímetro por centímetro, seu cacete grosso me abria, esticando, me rasgava em um prazer doloroso. Mordi o travesseiro para abafar os gemidos, o rosto se afundava no tecido, enquanto ele sussurrava:

— Nossa, amor como você tá apertada. Que delícia.

Os movimentos começaram ritmados e cautelosos, um vai-e-vem que minimizava os sons, mas cada estocada me preenchia profundamente, tocando pontos que me faziam ver estrelas.

O prazer era incomensurável: uma adrenalina selvagem vibrava meu corpo, fazia-me sentir viva como nunca. Pela primeira vez, eu podia sentir como era viver como Aurora, e isso irradiava um tesão sórdido, que me consumia. As estocadas aceleravam, nossos corpos se chocavam com eletricidade, o suor escorria, as peles colavam. Gustavo não apenas me fodia; ele se apossava de mim — apertava meus seios com força, beliscava os mamilos endurecidos, mordia meu pescoço deixando marcas que eu teria que esconder, sufocava levemente com a mão para silenciar meus gemidos. Então veio a revelação:

— Sua boceta é mais gostosa que da sua irmã.

Meus olhos se arregalaram no escuro. Aquele canalha! Antes que eu pudesse reagir, ele me dominou novamente: a língua traçava o pescoço, lambia o suor salgado, enquanto a mão voltava ao meu sexo, esfregando com rapidez sincronizada às estocadas profundas. Meu corpo se enrijeceu, músculos contraídos, e então veio o orgasmo: uma onda avassaladora, explosiva, que me deixou dormente, tremendo. Agora éramos cúmplices nessa traição imunda.

— Ah... eu vou gozar! — anunciou, rouco, retirando-se no último segundo. Seu gozo quente espirrou sobre minha coxa, queimava como fogo líquido enquanto escorria devagar. Nossas respirações ofegantes se acalmavam no silêncio pesado, o ar fedia a sexo e culpa.

Quando tudo acabou, ele se vestiu rapidamente.

— Como você sabia que era eu? — Não resisti a perguntar.

Enquanto pulava para a cama dela, ele respondeu com um sorriso sacana e os olhos brilhando no escuro:

— Ela odeia quando eu a acordo pra transar.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive J. R. King a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários