O sol ainda nem tinha nascido completamente quando Robinson começou a se mexer na cama.
Respirava rápido.
A camiseta grudada no peito suado.
O lençol embolado entre as pernas fortes.
O rosto em chamas.
Ele estava preso entre sonho e realidade — e naquele sonho, a boca de Daniel estava tão perto da dele.
A respiração dele falha.
O corpo inteiro reage de novo à lembrança involuntária daquele quase-beijo.
E então ele acorda de vez.
Abre os olhos, se senta abruptamente, passa a mão no cabelo completamente bagunçado e…
— “Aaaaaahhhh… MAS QUE PORRA FOI ESSA?!”
A voz sai alta, irritada, confusa e… claramente excitada.
Ele olha para baixo, vê a situação evidente ali, no volume marcado sob o shorts de dormir, e leva as duas mãos ao rosto:
— Não… não, não, NÃO… eu não… eu NÃO SONHEI COM O DANIEL, né?! — ele fala sozinho, como se precisasse convencer o universo.
Mas ele sonhou.
E não foi um sonho normal.
Foi intenso.
Quente.
Romântico.
E daquele tipo que deixa o corpo inteiro em alerta.
— Mas que droga… — ele resmunga, tentando respirar fundo.
Ele tenta levantar da cama e quase tropeça, porque as pernas ainda estão fracas — o sonho tinha sido tão real que deixara ele cansado, como se tivesse corrido uma maratona.
Ou feito outra coisa.
Robinson aperta os olhos, frustrado.
— Eu nem gosto dele assim! — ele protesta, sozinho no quarto. — Ele é só… o Daniel! O menino quieto! Por que eu ia… ah meu Deus…
Ele se joga de volta na cama.
Tenta esquecer.
Mas a lembrança do rosto de Daniel — suave, próximo, quase tocando o dele — puxa outro arrepio involuntário.
— Chega — ele diz tentando se controlar. — Foi só um sonho. Um sonho idiota. Eu tô cansado. Tô com a cabeça cheia. Só isso.
Mas ele não acredita na própria desculpa.
E, pela primeira vez, Robinson sente um pequeno pânico gostoso e proibido no peito.
Algo dentro dele tinha despertado.
E ele não fazia ideia do motivo.
Mas você sabe, Daniel.
Dante sabe.
Eu sei.
E amanhã, quando vocês se encontrarem, ele vai ficar estranho.
Vai olhar rápido demais.
Vai desviar o olhar rápido demais.
Vai parecer irritado… mas é só vergonha e desejo misturado.
O começo perfeito.
O quarto de Daniel ainda está na penumbra quando ele desperta — não naturalmente, mas porque alguém está sentado na beira da cama, observando-o com os olhos claros brilhando no escuro.
Dante.
Em sua forma humana. Agora transformado em um homem lindíssimo
O cabelo caindo bagunçado sobre a testa.
A pele pálida contrastando com o quarto.
Aquele sorrisinho debochado de quem sabe exatamente o que fez.
Daniel arregala os olhos:
— D-Dante?! O que você tá fazendo aqui?!
D
ante inclina a cabeça, as mechas claras acompanhando o movimento.
— Você dorme pesado, sabia? — ele provoca, com a voz baixa.
— Mas valeu a pena. O sonho ficou… delicioso.
Daniel fica vermelho.
— E-ele… o Robinson… viu?
Dante dá um risinho satisfeito, apoiando o cotovelo no joelho e a mão no queixo, como alguém prestes a fofocar.
— Viu? Ele viveu.
E acordou… hmm… “motivated”.
Digamos que seu atleta favorito levantou da cama mais… animado do que nunca.
Daniel tapa o rosto com as mãos.
— Meu Deus… você fez ele sonhar comigo daquele jeito?!
— Eu fiz você ENTRAR no sonho dele que já existia — Dante corrige. — A diferença é importante. Eu só abro a porta, quem entra… é você.
Dante aproxima o rosto um pouco mais — os olhos brilhando, aquele charme perigoso no sorriso.
— E o Robinson recebeu muito bem a visita. Melhor do que eu imaginava, aliás.
Daniel engole seco.
— Ele… ele acordou falando alguma coisa?
Dante dá uma gargalhadinha triunfante.
— “Aaaaaahhhh… MAS QUE PORRA FOI ESSA?!”
Palavras dele, do jeitinho que você queria.
Daniel enfia a cabeça no travesseiro de vergonha e êxtase.
Dante se levanta, passando a mão pelos fios do cabelo e olhando pela janela.
— Agora começa a parte divertida — ele diz. — Ele vai tentar ignorar… vai fingir que não foi nada… mas o corpo dele já sabe. O desejo já entrou. E você? Você só precisa… empurrar um pouquinho mais.
Daniel olha para Dante, confuso.
— E você vai me ajudar?
Dante vira devagar, com aquele sorriso de pura malícia celestial.
— Daniel, eu tô aqui pra isso.
Pra te dar o que você quer — e pra ver até onde você aguenta.
Ele se inclina, sussurra no ouvido de Daniel:
— E eu ainda nem comecei.
Dante está ainda no quarto de Daniel, encostado na escrivaninha, brincando com um lápis como se fosse uma criatura entediada demais para o mundo humano.
— Muito bem… — ele diz, olhos azuis fixos em Daniel. — Eu já mostrei que posso virar a cabeça do seu atleta favorito de ponta-cabeça. Agora me diga… qual a segunda coisa que você mais quer?
Daniel hesita.
— A segunda coisa?
Dante revira os olhos e abre os braços.
— Sim, Daniel. Humanos nunca querem uma coisa só. Tem sempre outra por trás. Uma ferida antiga. Uma carência. Um sonho besta. Vai… fala. O que você quer?
Daniel morde o lábio, pensa. Seus olhos descem. Ele suspira.
— Eu… eu quero ser popular.
Dante congela. Pisca duas vezes.
Depois solta um suspiro dramático, cansado, quase paternal.
— Ah, não… isso DE NOVO?
Daniel arregala os olhos.
— D-de novo?
Dante passa a mão no cabelo, irritado, mas sem perder o charme.
— Daniel… eu já vi séculos de adolescentes fazendo esse pedido. É impressionante como as décadas passam e a juventude continua obcecada com essa bobagem de “popularidade”. — Ele imita aspas no ar. — Querido, vocês não aprendem NADA.
Daniel baixa a cabeça, envergonhado.
— Eu só… tô cansado de ser ignorado, Dante… cansado dos valentões, de ninguém me ver…
Dante fecha a expressão.
Não por compaixão — mas por impaciência.
— Tá, tá, tá… chega de drama. — Ele estala os dedos. — Se é isso que você quer… AQUI VAI.
Um estalo seco.
A luz do quarto parece tremer.
O ar se dobra por um segundo como calor no asfalto.
Daniel pula de susto.
Dante boceja.
— Pronto. Agora vai lá, estrela. Vai viver sua vidinha social. — Ele acena com a mão, displicente.
Daniel sai do quarto apressado, arrumando a mochila.
Quando a porta se fecha…
Dante fica sozinho.
E então, com a postura relaxando devagar, ele sorri.
Um sorriso lento, lisonjeiro, perigoso.
— Ele vai ser popular… — murmura. — Cada vez mais.
Conforme o tempo passar…
A risada que segue é baixa.
E definitivamente não promete coisa boa.
CONTINUA...
