Olá, meu nome é Bruno, tenho 21 anos, altura médio, branco e morei numa cidade de São Paulo quase a vida inteira. Mas, cansei e em 2022, resolvi mudar de cidade e aluguei uma casa.
No primeiro dia, em outra cidade, um caminhão de mudança chegou trazendo os móveis e parou em frente á minha casa. Os vizinhos ficaram olhando. Uns saíram do portão sem falar nada, uma outra velha fofoqueira olhando pela janela, o outro olhando dentro do portão e assim vai...
Ao atender o motorista do caminhão, ele puxou abrindo as portas de trás e foi descarregando móveis. Fiquei esperando, vendo aquele homem barbudo, de óculos escuros, chapéu de cowboy e usando uma camisa marcando o peito e fedendo a cigarro.
- Motorista: Vai ficar aí, parado, me olhando!? Eu não tenho muito tempo!
- Bruno: Ah, desculpa. Vou ajudar.
Carreguei os móveis, para dentro de casa e passando uns dez minutos, um rapaz, que parece ser outro vizinho, veio na minha direção, estendendo a mão para me cumprimentar.
- Raphael: Boa tarde. Prazer, me chamo Raphael. Precisa de ajuda para carregar?
- Bruno: Prazer, sou Bruno. E sim, gostaria de ajuda.
Os móveis acabaram, paguei e o motorista foi embora.
Raphael era um rapaz moreno claro, cabelo preto com franja, de olhos pretos e um bigode aparado. O rosto parecia pálido.
- Bruno: Obrigado, Raphael. Preciso organizar as coisas dentro de casa e descansar.
- Raphael: De boa... Se precisar, pode contar comigo.
Tranquei o portão e entrei pela cozinha, preparar meu lanche, antes de arrumar as coisas, assistir uma série e dormir.
Dia seguinte, fui ao ponto de ônibus, para ir ao centro da cidade, atualizar meus documentos e arrumar um emprego.
De repente, passou um carro e parou em frente. Era Raphael, e um homem mais velho do lado.
- Raphael: E aí, Bruno. Para onde você está indo?
- Bruno: E aí. Tô indo para o centro.
- Raphael: Ah, legal. Quer carona? Estamos indo pra lá.
Segundo dia na cidade e o vizinho me oferecendo ajuda e sendo gentil. Comecei a desconfiar. Quais intenções dele?
- Bruno: Ehh.. pode deixar. Não precisa.
- Raphael: Poxa. Entra aí, vamos só te deixar lá no centro.
Entrei no carro, no banco de trás e seguimos. Fiquei tímido, olhando para as paisagens. E um homem velho que dirigia, quebrou o silêncio, puxando umas conversas, o que fazia da vida, o que gostava, etc. Seu nome era Jorge, pai de Raphael.
- Raphael: Eu e meus pais viemos do Paraná recentemente.
- Jorge: O clima era complicado. Não estou adaptado.
- Raphael: Mudanças repentinas, choque térmico, sinusites.
- Bruno: É foda. Aonde eu morava, o tempo era doido também.
O carro parou e chegamos ao centro da cidade. O grupo se dispersou, fui resolver as minhas coisas, enquanto eles foram não sei para onde.
Mais tarde, peguei o busão do terminal e voltei para casa.
7 da noite, exausto, fui preparar o jantar. Quando escuto palmas no portão e os cachorros da vizinhança começaram a latir. Ao atender, a vista estava escura e acendi a luz da varanda. Era Raphael.
- Bruno: Oi, boa noite... - respondi seco.
- Raphael: Meu pai me pediu para te convidar ir á minha casa. Podemos todos jantar. Topa?
Por que Raphael está sendo tão gentil comigo? Vizinho mal me conhece e no segundo dia, me convidando para a casa dele. Fiquei parado com uma cara de desconfiança e pensativo.
- Raphael: E aí, topa?
- Bruno: Ah, s... sim. P-pode ser.
Ao sair de casa e trancar o portão, Raphael mostrou um sorriso largo. E os olhos escuros, as pupilas ficam mais dilatadas no meio do breu.
Que sorriso bonito...
Na casa deles, ao passar pelo portão, fui recebido pelo Jorge, que me aguardava, me cumprimentou e dentro da casa vinha um cheiro forte de comida, que fez meu estômago roncar alto.
- Jorge: Caramba, está com fome, meu amigo.
- Raphael: Parece que não comeu nada hoje.
Na cozinha, todos sentados, a mãe de Raphael trouxe as panelas com bastante comida.
- Raphael: Mãe, esse é o Bruno, nosso novo vizinho que acabou de se mudar!
- Marieta: Seja bem-vindo, meu filho. Hihi. Prazer, sou Marieta... Fique á vontade, tá!?
Achei a mãe de Raphael muito simpática e carismática. Ela tinha um cabelão, toda arrumada, corpo de modelo, com vestido comprido, com avental por cima.
E Jorge, pai de Raphael, era um daqueles coroas pançudos, barbudo e cara de safado.
Toda vez que a Dona Marieta ia para o lado do marido, servir comida e retirar os pratos, ele apertava na bunda dela.
Enquanto eu estava jantando, na mesa de frente com Raphael, ele parecia mais confortável com a minha presença.
- Raphael: Bruno, quero te mostrar meu quarto, tenho várias coleções e video game.
- Marieta: Filho, ainda vou servir a sobremesa.
- Raphael: Ah, depois mãe!
- Marieta: RAPHAEL!
Dona Marieta aumentou o tom de voz e todos ficaram em silêncio. Eu só queria ir embora.
Depois do jantar e da sobremesa, enfim, fui para o quarto de Raphael.
- Bruno: Caramba. Você tem muita coisa legal aqui.
- Raphael: Eu gosto. Até video game, jogo até hoje.
Era 10 da noite, e eu estava começando a ficar cansado de jogar e com sono.
- Raphael: Bruno, você quer dormir aqui?
Olhei pra cara dele por uns segundos em silêncio.
- Bruno: Somos vizinhos, esqueceu? Minha casa fica do lado. - disfarcei com uma risadinha.
Raphael fez uma cara de triste e disse em voz baixinha, segurando minha mão.
- Raphael: Fica só mais um pouquinho, cara... Depois, você vai...
- Bruno: Você tá bem?
Raphael se aproximou de mim e colocou sua mão no meu ombro.
Fiquei paralisado, sem reação, somente meus olhos fixados pra ele.
- Bruno: O que você quer?
Raphael não disse nada.
Tirou sua mão de mim e fez gesto, me pedindo um abraço.
Abracei o Raphael e senti o coração dele acelerar.
Abraçado por uns segundos, percebi que ele estava começando a ficar excitado. Com as mãos sobre minhas costas, Raphael lentamente virou-se e beijou meu rosto.
Fiquei sem reação.
- Bruno: Tenho que ir!
Deixei Raphael para trás. Despedi de Jorge e Marieta, que me conduziu até o portão e fui embora.
Em casa, tomei banho e fiquei deitado na cama. Não consegui dormir direito. Fiquei confuso, pensando e lembrando dos toques de Raphael, do beijo, do abraço, do cheiro do perfume dele...
