O plano de Ricardo era milimetricamente arquitetado. Aos 55 anos, ele conhecia cada centímetro de Sandra. Ela exibia a beleza plena de uma mulher de cinquenta e poucos anos: curvas generosas, quadris largos e uma pele morena, de tom canela, que parecia ter absorvido décadas de sol. Para ela, as sessões de cócegas nos pés que o marido fazia eram apenas uma "mania boba" que a fazia relaxar. Mas Ricardo queria mais. Ele queria o risco da partilha visual.
Naquela manhã, em uma enseada quase deserta, ele a convenceu a brincar de "enterrar na areia". Com paciência, cavou o buraco, acomodando o corpo de Sandra de forma que apenas sua cabeça — com os cabelos presos em um coque prático e fios grisalhos brilhando sob o sol — ficasse de fora em uma extremidade. Na outra, seus pés estavam perfeitamente expostos: eram pés grandes, de arcos altos e elegantes, com solas de pele macia e morena, terminando em dedos longos e bem cuidados.
— "Está confortável, amor?" — Ricardo perguntou, passando os dedos levemente pelas solas dos pés dela, apenas o suficiente para fazê-la dar um chute curto e rir.
— "Está ótimo, Ricardo! Mas não demora com essa bebida," — ela respondeu, fechando os olhos sob o chapéu, entregue ao calor.
Ricardo se afastou, escondendo-se atrás de uma duna a cinquenta metros. Ele observava. Viu quando Maya, a filha de 19 anos de seus amigos, apareceu. Maya era uma universitária de biologia, fã de cultura pop e tecnologia, que sempre parecia analisar o mundo como se estivesse diante de um microscópio.
Maya parou diante dos pés de Sandra. Ela ajustou os óculos de armação grossa, os olhos brilhando com uma curiosidade súbita. Ricardo, de longe, viu a garota se inclinar, fascinada pela visão daqueles pés imobilizados.
— "Tia Sandra? É você aí?" — Maya perguntou, já se agachando.
— "Sou eu, Maya! O Ricardo foi buscar bebida e me deixou aqui," — Sandra respondeu, rindo preguiçosamente.
Maya não respondeu. Suas mãos, ágeis e curiosas, tocaram a lateral do pé de Sandra. Ela parecia hipnotizada pela textura da pele madura e pelo calor que emanava dali. Sem aviso, Maya começou a usar as unhas curtas para traçar caminhos rápidos e precisos no centro do arco da sola do pé esquerdo.
— "A-AH! Hahaha! Maya! O que é isso? Hihihihi!"
— "Nossa, Tia... a resposta nervosa aqui é fascinante!" — Maya murmurou, os olhos fixos no pé que se contorcia. — "É como se houvesse um interruptor bem aqui no meio do arco."
Ela agora usava as pontas dos dedos em um movimento frenético de "aranha" que subia do calcanhar até a base dos dedos. Maya estava deleitada. Ver aquela mulher madura, sempre tão centrada, perder o controle motor por causa de um toque leve era algo que a preenchia de uma euforia nova.
— "HAHAHAHAHA! P-PARA! Hihihihi! Maya, socorro! HAHAHAHA! EU VOU... HAHAHA... EU NÃO CONSIGO PARAR! HAHAHA!"
Maya não parava. Pelo contrário, ela acelerava, usando as duas mãos agora, uma em cada pé, "tocando" as solas de Sandra como se fossem o teclado de um computador potente.
— "GYAHAHAHA! HIHIHI! MAYA! HAHAHAHA! CHEGA! HAHAHAHA!"
— "Olha isso!" — Maya exclamou, a voz subindo de tom, visivelmente excitada com a descoberta. — "Se eu pressiono aqui, seus dedos abrem em leque... se eu arrasto a unha aqui, seu arco vira um arco de violino! É incrível como o seu corpo reage, Tia! Você é muito sensível!"
— "HAHAHAHA! EU... HIHIHI... EU VOU MORRER DE RIR! HAHAHAHA! SOCORRO! HAHAHA!"
O riso de Sandra era agudo, descontrolado, uma melodia de puro desamparo que Ricardo raramente conseguia extrair. Maya, a "nerd" analítica, havia descoberto seu novo brinquedo favorito: o poder absoluto de transformar a seriedade de uma mulher adulta em um caos de espasmos e gargalhadas, apenas com a ponta dos dedos.
Ricardo se aproxima, fingindo surpresa, com as bebidas nas mãos. Ele encontra Sandra em um estado de exaustão prazerosa, o rosto corado de tanto rir, enquanto Maya continua agachada, agora usando um pequeno graveto que encontrou na areia para riscar, com precisão cirúrgica, os vincos profundos no arco do pé da tia.
— "Opa! O que está acontecendo aqui?" — Ricardo pergunta, com um sorriso contido.
Maya olha para ele, os olhos brilhando por trás dos óculos, a respiração um pouco acelerada.
— "Tio, eu descobri que a Tia Sandra é um 'sistema' incrível! Eu não consigo ver uma sola assim, exposta, que me dá uma vontade incontrolável de testar os limites. É instintivo!"
Sandra, ainda tentando recuperar o fôlego, reclama rindo:
— "Essa menina... hihihi... é uma pestinha, Ricardo! Ela não parou um segundo!"
Maya, ignorando os protestos, pega duas folhas secas de uma árvore próxima e as encaixa habilmente entre os vãos dos dedos dos pés de Sandra. Ela usa o graveto para girar as folhas, criando um toque arrepiante e cócegas profundas em uma área que Sandra nem sabia ser tão sensível.
— "NÃÃÃO! HAHAHAHA! Maya! Aí não! Hihihihi! SOCORRO! HAHAHA!"
— "Só mais esse teste de estresse, Tia!" — Maya diz, rindo com uma euforia que ela mesma não entende bem. — "Adoro ver como você perde o controle. É fascinante!"
Depois de mais alguns minutos de "estudos", Maya se levanta. Ela se despede para voltar para a casa principal, caminhando pela areia com uma energia nova, os ombros tensos e um sorriso constante. Ela sente uma excitação estranha, uma descarga de dopamina que nunca sentiu em seus jogos ou livros. Ela mal pode esperar para encontrar Sandra vulnerável novamente.
Ricardo ajuda Sandra a sair do buraco de areia. Enquanto limpa a pele morena da esposa, ele observa Maya sumindo ao longe. Sua mente já está trabalhando: ele pensa em outras formas de "expor" Sandra — talvez um descanso de pés "acidental" na varanda ou uma rede estrategicamente armada. Ele sabe que criou a armadilha perfeita e que Maya, com sua curiosidade nerd e obsessiva, será a carrasca mais dedicada que sua esposa já teve.