"O cobertor escorregou do meu colo quando o primeiro gemido atravessou a parede—aquele som úmido, rouco, que já não tentava se disfarçar." Fiquei imóvel na poltrona, os dedos suspendendo meu celular enquanto a voz da minha filha se espalhava pelo apartamento como um rio transbordando. Não era mais aquele suspiro contido de meses atrás, mas uma respiração ofegante e aberta, quase performática, como se ela soubesse que eu contava cada pausa entre seus estremecimentos.
O apartamento cheirava a chuva antiga e óleo de cozinha, mas agora um novo aroma se misturava ao ar—algo salgado e vivo, que grudava na garganta. A madeira do corredor rangeu sob meus pés descalços quando me aproximei, não por voyeurismo, mas por uma espécie de devoção maternal invertida: quem vigia a vigia? A porta do quarto dela estava entreaberta, não por descuido, mas como um convite malicioso que ambas entendíamos sem jamais discutir.
Dentro, o espetáculo era quase litúrgico: Lívia arqueada sobre a cama, as pernas abertas em um ângulo que deixava tudo à vista—a mão esquerda enterrada entre suas coxas úmidas, a direita torcendo o mamilo direito através do pano fino da camiseta. Seu corpo jorrava, não gotas, mas fios grossos de líquido leitoso que salpicavam o ventre e escorriam até o lençol manchado. Ela gemeu meu nome, não "mãe", mas "Clarissa", e foi então que percebi que seus olhos estavam abertos, fixos na minha sombra na porta.
Minhas próprias pernas tremeram, não de desejo, mas daquela estranha cumplicidade que nasce quando se testemunha um segredo que não deveria existir. Lívia sorriu—aquele sorriso de canto de boca que herdou do pai—e esfregou os dedos lentamente na própria umidade antes de levá-los à boca. "Você sempre soube que eu era molhada assim", sussurrou, e o quarto inteiro pareceu contrair-se em torno daquela confissão.
Seu abdômen pulsava visivelmente, os músculos se contraindo em ondas cada vez que sua palma pressionava o clitóris inchado. O cheiro agora era inescapável: uma mistura de maresia e algo mais doce, como fruta madura prestes a apodrecer. Quando arrancou a camiseta ensopada de suor, seus seios saltaram livres, os mamilos tão eretos que pareciam doer—e ela confirmou, beliscando um com força suficiente para fazer um gemido estrangular-se em sua garganta.
Foi então que percebi a garrafa plástica no chão, meio cheia de um líquido opalescente. Lívia seguiu meu olhar e riu, um som rouco e cheio de dentes. "Terceira hoje", anunciou, erguendo a garrafa com orgulho pervertido antes de deixá-la cair com um baque úmido. Seus dedos então escavaram mais fundo, dois, depois três, e o som de carne molhada sendo penetrada encheu o quarto como um aplauso úmido.
Quando ejaculou dessa vez, foi com um jorro que atingiu seu queixo—líquido espesso escorrendo em fios lentos pelos seios enquanto seu corpo se contorcia em espasmos quase violentos. Ela gritou, não meu nome, mas algo entre um palavrão e uma oração, enquanto a cama rangia sob seu peso como um animal morrendo. Eu só consegui pensar: quantas garrafas já se encheram assim, no silêncio da tarde, enquanto eu estava do outro lado da parede?
Seu corpo desabou sobre os lençóis encharcados, os músculos ainda tremendo, os dedos escavando o colchão como se tentasse se agarrar à terra firme depois de uma tempestade. A respiração dela ecoava no quarto, úmida e rouca, e quando virou o rosto para mim, os lábios estavam tão inchados que pareciam sangrar. "Quer ver de perto?", murmurou, arrastando dois dedos pela poça leitosa em seu ventre antes d estendê-los na direção. O cheiro era denso, azedo, como leite azedo misturado com alguma coisa que não tinha nome.
Meus joelhos dobraram-se sozinhos—não me ajoelhei, mas quase—e foi então que notei o panfleto na mesa de cabeceira: um anúncio de academia circulado em vermelho, "AUMENTE SUA PRODUÇÃO EM 300%". Lívia seguiu meu olhar e soltou uma risada afônica, esfregando a palma suja contra a coxa. "Três meses de exercício pélvico", ofegou, os olhos brilhando com um orgulho obsceno. "Você não faz ideia do que essa buceta consegue segurar."
O último jorro escorreu dela como um suspiro, um fio lento e preguiçoso que escorregou pela coxa direita até formar uma poça no chão. Lívia olhou para aquilo como quem olha para um troféu, a língua percorrendo os lábios ressecados, e então—com um movimento que parecia ensaiado—ergueu os quadris e deixou escapar um arroto úmido de dentro da vagina, um som nojento e íntimo que fez o ar entre nós vibrar de uma cumplicidade quase insuportável.
Seus dedos, ainda brilhantes de fluido, desenharam círculos preguiçosos ao redor do clitóris inchado, e pela primeira vez notei as veias salientes na parte interna de suas coxas—azuladas e pulsantes como rios subterrâneos. "Tá vendo isso aqui?", ela sussurrou, beliscando a pele fina onde o sangue parecia prestes a romper a superfície. "Fica assim depois da quarta vez... Parece que vou explodir."
O cheiro agora tinha camadas: por cima, o ácido familiar, mas por baixo algo mineral, quase metálico, como o ar depois de um relâmpago. Quando ela se virou de lado, a luz da tarde pegou a umidade escorrendo de sua entrada em fios transparentes que balançavam com cada respiração—um colar de gotas suspenso no ar antes de se desprender e cair no colchão com um leve *ploc*.
Foi então que Lívia pegou a garrafa meio cheia e, sem quebrar o contato visual, levou-a à boca como um cantil. O líquido escorreu pelos cantos de seus lábios quando ela engoliu com vontade, os músculos da garganta se contraindo em movimentos cômicos e obscenos. "Quer?" Ela estendeu a garrafa, ainda pingando, e eu notei pequenos pedaços de muco flutuando no fundo—pequenas nuvens brancas em um céu leitoso.
Seus músculos abdominais se contorceram de repente, como se algo vivo se debatesse dentro dela, e um novo jorro brotou espontaneamente, sem que suas mãos sequer a tocassem. O líquido saiu em um arco perfeito, atingindo o espelho do guarda-roupa com um estalo molhado antes de escorrer em linhas sinuosas que refletiam a luz do fim de tarde. Lívia arquejou, surpresa pela própria capacidade, e seus dedos se enterraram na carne macia da barriga como quem tenta conter um vazamento.
A umidade já tinha invadido o carpete, deixando manchas escuras que avançavam em direção aos meus pés descalços. Cada movimento de seus quadris fazia um som de esguicho, como sapatos molhados em um piso de concreto, e o ar estava tão carregado que eu podia sentir o gosto na língua—salgado e acre, com um fundo adocicado que grudava nos dentes. Lívia passou a palma da mão entre as pernas e depois esfregou os dedos na auréola do seio direito, deixando um rastro brilhante que formava pequenos riachos pelos sulcos da pele.
Quando ela finalmente cruzou as pernas, o som foi inconfundível—um estalo úmido, como duas superfícies molhadas se separando depois de muito tempo coladas. A pressão devia ser insuportável, porque seus olhos se reviraram por um segundo antes que um suspiro profundo escapasse, seguido por um pequeno jato que manchou o chão entre seus pés. "Caralho", ela murmurou, olhando para baixo como quem descobre uma nova função do próprio corpo. "Acho que agora saiu até do umbigo."
Seus dedos exploraram a barriga molhada, encontrando de fato um filete saindo do pequeno orifício—uma gota perfeita que balançou na ponta antes de cair. Lívia riu, um som rouco e desgrenhado, enquanto esfregava o dedo indicador e polegar como quem prova um molho. "Salgado", anunciou, e estendeu a mão para mim sem cerimônia, os dedos brilhantes sob a luz amarelada do abajur. "Quer provar ou vai só ficar aí plantada como uma estátua?"
O cheiro no quarto agora tinha textura—dava para sentir o peso no ar, como se cada respiração trouxesse para os pulmões não apenas o aroma, mas partículas microscópicas dela, flutuando como névoa depois de uma tempestade. Quando ela se deitou de bruços, os seios se espalharam contra o lençol já encharcado, e um novo fluxo escorreu, formando uma poça que avançava devagar em direção à beirada do colchão.
Foi então que notei os músculos pélvicos dela trabalhando—contrações visíveis sob a pele, ritmadas como ondas, empurrando para fora algo que não deveria existir em tal quantidade. Lívia pegou a garrafa vazia e, com um sorriso que era metade desafio, metade convite, colocou a abertura contra si mesma. O som que saiu quando começou a ejacular diretamente dentro foi obscenamente preciso, como água de uma torneira bem regulada enchendo um recipiente.
"Quer tentar?", ela perguntou, tirando a garrafa já pela metade cheia e balançando-a diante de meus olhos. O líquido dentro girava lentamente, pegajoso e opalescente, refletindo a luz do quarto em padrões hipnóticos. Suas pernas tremiam ainda, os músculos da coxa se contraindo em espasmos involuntários, enquanto mais fluido escorria por dentro das garrafa, pingando no chão em gotas gorduchas que pareciam ter peso próprio.
Meus dedos se cerraram no tecido do meu vestido, a garganta seca de algo que não era sede. Lívia inclinou a cabeça, os cabelos grudados no rosto pela transpiração, e soltou um riso abafado quando percebeu minha hesitação. "Você sempre me ensinou tudo", murmurou, arrastando a ponta dos dedos pela própria barriga molhada antes de me alcançar. "Agora é minha vez. Deixa eu te mostrar como se faz."
O quarto pareceu girar quando aceitei sua mão—a pele dela quente e escorregadia, o cheiro nos meus dedos antes mesmo que eu os levasse ao próprio corpo. Lívia guiou meus movimentos com uma paciência pervertida, seus próprios gemidos se misturando às minhas tentativas desajeitadas, até que o primeiro jorro saiu—fraco, hesitante, mas inegavelmente real. Ela riu contra meu pescoço, o hálito quente e úmido, enquanto meus músculos aprendiam um ritmo novo. "Viu só, mãe?", sussurrou, os lábios pegajosos contra minha orelha. "Não é tão difícil."
Meu próprio corpo respondeu com uma violência que me deixou sem fôlego—um espasmo que começou no útero e explodiu para fora em jatos que pingaram dos meus joelhos tremendo no carpete. Lívia assistiu com olhos brilhantes, lambendo os lábios enquanto eu me contorcia, tentando segurar a torrente que parecia não ter fim. "Caralho", ela murmurou, os dedos explorando a poça que se formava entre minhas pernas. "Você guardou isso tudo por quanto tempo?"
A garrafa que ela enfiou entre minhas coxas encheu em segundos—o plástico ficou quente na minha mão, pesado como um segredo confessado. Lívia pegou das minhas mãos trêmulas e bebericou o conteúdo com um suspiro satisfeito, os cantos da boca molhados. "Melhor que caipirinha", gracejou, e eu senti um calor imundo subir pelo meu pescoço enquanto ela estendia o recipiente. "Quer?"
Quando nossas línguas se encontraram no gargalo da garrafa, o gosto era salgado e doce, metade ela, metade eu—uma mistura impossível que fechou o círculo de algo que nunca deveria ter começado. Lívia sorriu contra meus lábios, os dedos apertando meu quadril com uma posse que não admitia negação. "Agora você sabe", murmurou, e eu entendi que não era o fim, mas o primeiro passo de um caminho sem volta.
Continua