Quando a irmã de Murilo nasceu, sua mãe contratou uma cuidadora. Yara era jovial, de tez caramelo. Seus lábios traçavam arcos tentadores e os olhos castanhos carregavam uma inocência aparente. Seu corpo exibia formas hipnotizantes, de curvas moldadas como um violão, com pernas robustas e um traseiro firme que logo dominou os pensamentos do rapaz.
Ela percebia suas abordagens, ao contrário da patroa, sempre ausente ou distraída demais. Isso apenas o deixava ainda mais à vontade. Compartilhavam a maior parte do tempo a sós, junto a pequena Amélia, infante demais para ser testemunha dos gracejos do rapaz para cima da babá.
De início, Yara preferiu ser educada: oferecia sorrisos sutis como resposta, fingia confusão ante os galanteios, ignorava-os para evitar constrangimento no novo emprego. Com o passar dos dias, entretanto, aquelas investidas descaradas começaram a diverti-la. Aos poucos, o empenho persistente do rapaz foi lhe conquistando.
No fim das tardes, levava a bebê para passear na praça em frente ao prédio onde morava, aproveitando para tomar um banho de sol no calor ameno do outono. O jovem insistia em acompanhá-la, abandonava qualquer tarefa — até mesmo os estudos para o vestibular — para ficar mais tempo com ela, se oferecia a guiar o carrinho ao seu lado. Na rua, ele mantinha o decoro, embora escapassem elogios. Certa vez, enquanto a babá ria de uma piada, o pôr-do-sol iluminou seu rosto, dando à pele um tom dourado radiante. Encantado, ele murmurou:
— Seu sorriso é lindo, Yara. E essa pinta o deixa ainda mais charmoso.
— Obrigada. — respondeu a moça, com as bochechas tingidas de um rubor inesperado. Raros eram os elogios àquele sinal perto dos lábios, o que a convenceu de que o rapaz nutria uma paixão genuína. Lisonjeada e, pela primeira vez, animada com o elogio, resolveu retribuir à altura: — Tenho outra igual em um lugar secreto, mas não posso dizer onde.
A revelação o deixou atônito. Podia imaginar uma centenas de possibilidades para o local da marca misteriosa, regiões por onde ele adoraria explorar no corpo da cuidadora, à procura.
Yara não previra o impacto daquela insinuação. Tampouco esperava ter se entretido tanto naquilo — não somente em ser provocada, como também provocar. Adotou, então, o hábito de instigá-lo durante a rotina.
Quando o notava fitando sua bunda enquanto brincava com Amélia, ajustava o uniforme, expondo mais alguns centímetros das coxas firmes. Quando a mãe não estava por perto, desabotoava descia fecho da blusa, para lhe dar um decote generoso que atraía os olhares do rapaz, de inevitável. Ele persistia na pergunta, queria saber de qualquer jeito o paradeiro da pinta, mas ela se negava a revelar, acrescentando sempre uma provocação a mais:
— Não posso, mas talvez um dia você a descubra por si mesmo.
Gradualmente, suas artimanhas inflamavam a curiosidade do jovem rapaz, que se via cada vez mais obcecado pelo enigma. Quanto mais ela o observava sua agitação, maior se tornava seu entretenimento. Resolveu, então, ir mais a além. Ao encerrar o turno, dirigiu-se sorrateiramente ao quarto dele e escondeu a própria calcinha sob o travesseiro. Quando ele a encontrou, se extasiou. Soube de quem era na hora e não hesitou ao aproximá-la do nariz. Inspirou fundo, o perfume agridoce de suor saturava o tecido — era denso, robusto e inebriante. O membro se enrijeceu por instantâneo. Pôs para fora e agarrou com vigor, movimentou a mão em um ritmo acelerado, com a face afundada na peça.
A imaginação o transportava a cenários sórdidos, sempre com Yara como protagonista. Visualizava-a despindo-se devagar, a vestimenta caindo aos pés, os cabelos negros — antes presos em um coque rígido — desatando em cachos sedosos sobre os ombros. E finalmente, a revelação da marca oculta. Localizá-la era sua obsessão maior.
Para prolongar, ele interrompeu o movimento ritmado e traçou os dedos pela extensão do membro, sentia a veia pulsar sob a pele aquecida. A lingerie ainda pressionada contra o nariz o mantinha imerso no aroma da babá, como se sua presença preenchesse o quarto inteiro. Ele imaginou as mãos dela em vez das próprias, deslizando com uma lentidão torturante, as unhas curtas arranhando levemente para intensificar o formigamento que subia pela espinha.
Umedeceu os dedos com saliva e circulou a glande, misturando-o ao suor que já perlava ali, criava uma lubrificação que tornava cada carícia mais escorregadia e intensa. A respiração acelerou, o peito subia e descia em arfadas curtas, enquanto a fantasia evoluiu na mente para toques mais íntimos. Ele se via penetrando-a devagar, sentindo o calor úmido envolvê-lo, e a mancha secreta finalmente ao alcance de sua boca faminta. Planejava beijar a marca com paixão, guiando a moça a êxtases profundos, explorando cada centímetro de sua pele com toques ávidos e ósculos ardentes.
Deitou-se na cama, espalhando as pernas para maior conforto, e envolveu a peça íntima ao redor do membro. Movimentou os quadris em um vai-e-vem sutil, sincronizado aos punhos cerrados, o atrito do tecido gerava uma sensação entorpecente, que se irradiava pelo abdômen. Gemidos baixos escapavam pela garganta, ecoando pelo quarto.
Pressionou mais a peça contra a própria carne, friccionando o material tenro contra o membro pulsante. O contato o levou ao ápice. Ejaculou em jorros quentes, encharcando o item, enquanto emitia suspiros prolongados, seguidos de arfadas irregulares. O suor brotava na testa e peito, o corpo se estremecia com os resquícios do orgasmo. Após recuperar o fôlego, escondeu a calcinha ainda lambuzada em uma gaveta no criado-mudo ao lado da cama, onde sabia que a mãe jamais vasculharia.
No dia seguinte, nenhum comentário surgiu sobre o ocorrido. Yara prosseguiu com suas tarefas habituais, mas algumas troca de olhares entregavam as segundas intenções. Murilo sabia que estava em um jogo pervertido, iniciado por ela, e que antecipava qual seria o desfecho.
Na semana seguinte, a babá deixou o sutiã. Mais uma vez, a peça incendiou seus pensamentos. Masturbou-se inalando o aroma impregnado na peça, como se os seios dela roçassem seu rosto. Na outra semana foram as meias, e o ritual se repetiu. O rapaz ansiava pelo momento em que, com o conjunto completo em mãos, ela finalmente se entregaria a ele.
Na semana vindoura, contudo, Yara não apareceu para o serviço. Sua mãe esclareceu:
— Ela telefonou ontem à noite, se demitiu. O pai sofreu um derrame e ela vai precisar se mudar para cuidar dele.
A notícia o abateu por completo. A dúvida o devorava, gerava uma angústia insuportável. Tentou contatá-la de todas as formas, sem sucesso. A inquietude de não descobrir onde a maldita marca ficava o levava à loucura.
Em uma madrugada insone, atormentado por sonhos inquietos, levantou-se da cama. Estava febril, e consumido pela ânsia de respostas. Escapuliu de casa e vagou pelas ruas da cidade, perambulou de prostíbulo em prostíbulo, lugares onde nunca visitava, nem sonhava em visitar. Finalmente, em um bordel próximo ao porto, encontrou uma mulher com traços semelhantes ao de Yara.
Chamou-a para um quarto. À sós, entregou-lhe as peças abandonadas e pediu que as vestisse. A prostituta assim o fez. Trajada, ela evocava a imagem perfeita de Yara: a mesma tez cor de mel, os mesmos cabelos escuros, até mesmo as formas voluptuosas. Mas não havia pinta alguma. Ele desabou em prantos ao perceber que jamais descobriria onde ela ficava.
