Corpos, Desejos e Silêncio... Historias que Nunca Ousamos Dizer. Capítulo 6 — Quando o Corpo Decide Antes da Razão

Um conto erótico de Bernardo
Categoria: Gay
Contém 5141 palavras
Data: 11/01/2026 16:21:39

Senti o vazio quando seu peso foi removido do meu corpo, mas logo em seguida, senti seus dedos em minha pele, limpando parte da sua porra que ainda estava sobre a nossa pele.

Arthur começou a passar os dedos cobertos de porra pelo meu pau latejante, que ainda não tinha gozado.

Meu corpo pulsava e fazia de tanto desejo acumulado, implorando por atenção. Mas então, quando seus dedos tocaram meu pau sensível, não pude evitar uma careta de sensibilidade e desaponto.

— Arthur entendeu meu olhar e meu gemido abafado, e mudou de estratégia.

Senti seus dedos deslizarem pela minha barriga, descendo cada vez mais até chegarem à base do meu pau novamente.

Com um sorriso safado, Arthur levou os dedos até a minha bunda, traçando as curvas das minhas bandas com um toque provocador. Meu corpo estremeceu de antecipação, meu pau pulando em expectativa. Arthur começou a deslizar os dedos pela fenda entre as minhas nádegas, subindo e descendo, provocando e me deixando louco de tesão.

Então, de repente, senti um dedo penetrar meu ânus apertado. Meu corpo ficou tenso por um segundo, surpreso com a intrusão repentina. Mas logo me entreguei à sensação, sentindo o dedo de Arthur penetrar fundo em mim, explorando meu interior. Ele começou a movimentar o dedo para dentro e para fora, em um ritmo lento e constante, me provocando e me deixando à beira do de gritar de tanto tesão.

— Isso, Arthur... — Gemi baixinho, sentindo meu pau latejar contra meu estômago. — Continua assim...

Arthur olhou de volta para mim, aumentando a velocidade de seus movimentos. Introduziu um segundo dedo em mim, esticando ainda mais meu ânus apertado. Senti uma dorzinha no começo, mas logo fui dominado pelo prazer intenso que inundava meu corpo inteiro.

— Você é tão apertado, Ber ... — murmurou Arthur, com uma voz rouca de desejo.

— Adoro sentir seu corpo reagindo ao meu toque...

Continuei gemendo e me contorcendo embaixo dele, sentindo meu pau pulsar e meu corpo inteiro queimado de tesão. Arthur continua estimulando meu ponto de prazer, fazendo meu corpo inteiro tremer em êxtase.

— Mais, Arthur... — implorei, sentindo meu orgasmo se aproximando rapidamente. — Quero sentir você dentro de mim...

Arthur enviou de volta para mim, com um olhar cheio de luxúria e desejo.

Então, ele retirou os dedos de dentro de mim e se posicionou entre minhas pernas. Senti a cabecinha do pau dele roçando contra meu ânus, me provocando e me deixando louco de tesão.

— Você quer isso, Ber ? — Perguntou Arthur, com uma voz rouca de desejo. — Quer que eu te foda agora?

Não ... aaaaah. Quer dizer.... SIM, uhhhh. Mas não hoje, Arthur... – respondi, gemendo baixinho.

— Quero sentir você dentro de mim, me preenchendo, apenas com os seus dedos. Eu estou em suas mãos... — respondi, gemendo baixinho novamente

Arthur enviou e, com uma estocada firme, penetrou fundo em mim, agora com três dedos. Senti uma dor aguda no começo, mas logo fui dominado pelo prazer intenso que inundava meu corpo inteiro. Arthur começou a movimentar as mãos, entrando e saindo de mim em um ritmo rápido e intenso.

— Isso, Arthur... — Gemi alto sem me importar com outras pessoas da casa, sentindo meu pau latejar contra meu estômago. — Continua assim...

— Arthur continuou me dedando com força e vontade, me levando cada vez mais perto do meu limite. Meu corpo inteiro estava em chamas, meu pau pulsando e meu interior sendo preenchido pelos dedos grossos e duros de Arthur.

— Goza para mim, Bernardo... — Pediu Arthur, com uma voz rouca de desejo. - Quero sentir você gozando com meus dedos fudendo você... Quero ver seu rosto no auge do seu prazer.

Meu rosto estava umido, meu cabelo molhado de suor, meus lábios entreabertos em um gemido constante. Eu pude sentir meu pau pulsando e meu corpo inteiro tremendo de prazer.

— Você é tão gostoso, Ber... — murmurou Arthur, com uma voz cheia de desejo. — Adoro te ver assim, no auge do seu prazer...

E logo comecei a esporrar um leite farto e gozando, sentindo meu corpo inteiro ser tomado por um orgasmo delicioso. Meu interior era tão sensível e hipersensível, que cada toque de Arthur me fazia gemer e me contorcer de desejo.

— Isso, Arthur... — suspirei, sentindo cada gota de porra caindo sobre meu corpo.

— Continue assim, me faz sentir tão bem...

— Você é incrível, Ber... — murmurou Arthur, com uma voz cheia de admiração.

— Nunca tinha visto alguém gozar tão gostoso e intenso quanto você...

Fechei os olhos por um instante — não para fugir, mas para sentir. O mundo se reduziu à presença dele. À proximidade. À forma como meu corpo reagia antes mesmo que eu tivesse tempo de organizar qualquer pensamento.

Minha respiração estava descompassada. O peito subia e descia rápido demais. Eu sentia o calor subir pelo corpo, a tensão acumulada sem saber exatamente onde descarregar. Havia algo cru ali. Algo que não passava pela cabeça.

Arthur estava atento.

Muito mais do que eu esperava.

Eu sentia o olhar dele em mim, percorrendo meu rosto, acompanhando cada reação involuntária. Ele observava como se estivesse aprendendo algo — não sobre sexo, mas sobre mim. Sobre o que meu corpo dizia quando eu já não conseguia falar.

— Respira… — ele murmurou, baixo, quase como se estivesse falando consigo mesmo.

Abri os olhos nesse momento. Nossos olhares se encontraram, e houve um segundo suspenso no ar. Um desses instantes raros em que nada precisa ser explicado, porque tudo já está exposto.

O som que escapou de mim não foi pensado. Foi instinto. Um reflexo que atravessou o corpo inteiro. Senti meu abdômen contrair, minhas mãos buscarem apoio em algo que não existia. Meu corpo respondeu por conta própria.

E Arthur viu.

Eu percebi a reação dele antes mesmo de olhar. O silêncio que se instalou foi denso. Quando abri os olhos de novo, ele estava ali, imóvel por um segundo, como se tivesse sido atingido por algo inesperado.

— Meu Deus… — ele sussurrou, quase sem voz.

Não havia pressa no olhar dele. Nem constrangimento. Só impacto. Admiração crua. Um tipo de atenção que me deixou exposto de um jeito diferente — não vulnerável, mas visto.

Quando meu corpo começou a desacelerar, senti Arthur se aproximar com cuidado. A testa dele encostou na minha. Não houve beijo naquele instante. Só respiração compartilhada. Um silêncio confortável demais para ser quebrado rápido.

Ficamos assim por alguns segundos. Talvez minutos. O tempo parecia impreciso.

— Eu… — Arthur começou, mas parou no meio da frase.

Sorri de leve, ainda tentando organizar o que sentia.

— Não precisa dizer nada agora — falei baixo. — De verdade.

Ele assentiu, como se aquilo aliviasse algo dentro dele. A mão dele repousou em mim com cuidado, sem pressa, como quem ainda aprende o próprio gesto.

— Eu nunca imaginei que fosse assim — ele disse, quase rindo de nervoso.

— Nem eu — respondi. — Mas foi.

Nossos olhares se cruzaram de novo. Houve ali um sorriso pequeno, cúmplice. Um desses que só existem quando algo muda de lugar por dentro.

Arthur respirou fundo antes de falar outra vez.

— A gente não precisa decidir nada agora, né?

— Não — respondi rápido demais, talvez. — Agora não.

Ele deitou ao meu lado com cuidado, respeitando o próprio corpo, a perna, o espaço. Primeiro nossos ombros se tocaram. Depois, naturalmente, ficamos mais próximos.

O quarto voltou a existir aos poucos. A luz baixa. O silêncio distante da casa. Mas nada estava exatamente como antes.

Eu encarei o teto por alguns segundos quando ouvi a voz dele, quase inaudível:

— Isso… não foi só físico, né?

Virei o rosto devagar, encontrando o olhar dele mais uma vez.

— Não — respondi. — E talvez seja isso que assusta, pensei...

Arthur sorriu, cansado, sincero.

— Então…

Deixei escapar um riso baixo. Quase um sopro, mais para aliviar o peso no peito do que por graça. Meu corpo ainda estava quente, sensível, como se tivesse acabado de atravessar algo que não dava para desfazer.

Foi ele quem quebrou o silêncio dessa vez.

— A gente… — começou, passando a mão pelo rosto, respirando fundo. — A gente precisa se limpar. E arrumar isso aqui.

Olhei em volta pela primeira vez desde que tudo tinha acontecido. O quarto voltava aos poucos a ser quarto. A cama, as roupas, o cheiro no ar. Tudo ainda denunciava o que tinha acabado de acontecer.

— É — concordei, a voz um pouco mais baixa. — É o quarto do Arthuro.

Arthur assentiu.

— Vamos tomar um banho rápido. Depois eu resolvo a roupa de cama.

Levantei devagar, ainda sentindo o corpo responder com atraso.

— E… como a gente faz com isso tudo? — perguntei, apontando de leve para a cama, tentando soar casual.

Ele sorriu de canto, aquele sorriso tranquilo que sempre teve quando queria passar segurança.

— Deixa isso comigo. A gente toma banho, volta aqui, eu troco tudo e levo pra lavanderia. Ninguém vai perceber nada.

— Tá bom — respondi.

Quando dei um passo em direção à porta, senti a mão dele me puxar de volta com cuidado. Arthur se inclinou e me beijou.

Não foi um beijo apressado.

Nem tímido.

Foi profundo, inteiro, como se ele estivesse confirmando algo que ainda não tinha coragem de dizer em voz alta. A boca dele encaixou na minha com firmeza, e eu correspondi sem pensar, sentindo o corpo responder de novo, mas de um jeito mais calmo, mais consciente.

— A gente vai precisar conversar sobre isso — ele murmurou, os lábios ainda próximos aos meus.

Encostei a testa na dele.

— Na hora certa — respondi. — Sem pressa.

Ele assentiu, como se aquilo fosse exatamente o que precisava ouvir.

Seguimos para o banheiro juntos. Arthur foi apoiado nas muletas, e eu fiquei ao lado, atento, acompanhando cada passo. Dentro do banheiro, ajudei a tirar a bota ortopédica com cuidado, ajoelhando-me à frente dele, sentindo o peso daquele gesto simples.

— Obrigado — ele disse baixo.

— Sempre — respondi.

O banho foi silencioso no começo. A água caindo, o vapor subindo, o espaço pequeno demais para ignorar a presença um do outro. Em alguns momentos, nossos braços se tocavam. Em outros, nossos olhares se cruzavam pelo reflexo do espelho embaçado.

Não havia urgência ali.

Só intimidade.

Saímos do banheiro ainda em silêncio, mas era um silêncio confortável. Voltamos ao quarto e, juntos, começamos a tirar a roupa de cama. Arthur esticou os lençóis limpos com prática, mesmo com a limitação da perna, como se quisesse mostrar que tinha controle da situação.

— Eu levo isso lá fora depois — disse, juntando a roupa usada. — Pode deitar se quiser.

— Tá bom — respondi.

Ele parou na minha frente antes de sair. Pegou minha mão com delicadeza e beijou o dorso, depois a testa. Um gesto simples, mas que me pegou desprevenido.

Fiquei meio sem graça, senti o rosto esquentar.

Arthur percebeu. Sorriu.

Então me puxou de leve e deixou um selinho rápido na minha boca.

— Boa noite, Ber — disse baixo. — Dorme bem.

— Boa noite — respondi, a voz quase um sussurro.

Ele saiu do quarto apoiado nas muletas, e eu fiquei ali por alguns segundos, parado, ouvindo o som distante da casa retomando seu ritmo normal.

Deitei na cama ainda quente, puxei o cobertor e, pela primeira vez desde que tudo começou, deixei o corpo relaxar de verdade.

O sono veio rápido.

Pesado.

Sem sonhos.

E naquela noite, eu simplesmente dormi.

— Toc.. Toc...

A batida na porta entrou no meu sonho como um eco distante.

Não cheguei a abrir os olhos.

Na minha cabeça, eu ainda estava em casa.

Ainda era cedo.

Ainda era noite.

— Toc.. Toc...Toc.. Toc... Toc.. Toc...

A batida veio de novo. Mais próxima dessa vez.

Ignorei.

Foi então que a porta se abriu.

Senti antes de ouvir.

O colchão cedeu levemente, e logo depois uma mão tocou meu ombro, firme, quente demais para ser imaginada. Um toque que não era urgente, mas também não era neutro. Deslizou com naturalidade, como se já soubesse o caminho, descendo um pouco mais do que deveria antes de voltar.

— Bernardo… — chamou uma voz baixa.

Meu corpo reagiu antes da mente.

Abri os olhos num sobressalto, puxando o ar com força, o coração disparando.

— Você… — murmurei, ainda confuso, a voz rouca de sono.

O rosto dele estava ali, próximo demais.

— Bom dia — disse, com um meio sorriso tranquilo demais para quem acabara de invadir meu despertar.

Piscar foi o que me trouxe de volta à realidade.

— Você… Sr. Juan?

Ele arqueou a sobrancelha, divertido.

— Não. — corrigiu com calma. — Tio Juan.

Sorriu.

Passei a mão pelo rosto, tentando organizar os pensamentos.

— Que horas são?

— Nove e cinquenta. — respondeu. — Quase dez.

Sentei na cama de uma vez.

— Tudo isso? Eu tenho que…

— Ei — ele interrompeu, pousando a mão no colchão, perto da minha perna. — Fica tranquilo. Eu só vim te acordar porque não sei como vai ser sua rotina hoje. Às onze eu preciso sair.

Assenti, ainda tentando despertar por completo.

— Se você quiser ficar mais um pouco, descansar… — continuou. — Eu deixo a chave com você.

— Não, não — respondi rápido demais. — Eu preciso ir embora.

Juan me observou por um instante, avaliando.

— Só tem um detalhe — disse então. — O Arthuro saiu cedo. Levou o carro e foi com o outro Arthur ao hospital, pra uma revisão da perna.

Engoli em seco.

— Então, se você quiser ir de carro… — ele inclinou levemente o corpo pra frente. — Eu vou trabalhar agora cedo. Posso chamar um Uber, te deixo em casa primeiro, depois sigo pro trabalho.

— Não precisa — falei, já me levantando. — Eu só vou pegar minhas coisas, escovar os dentes e já vou.

Ele se levantou também, ficando à minha frente. Por um segundo, achei que ia insistir apenas com palavras. Mas ele encostou a mão no meu peito, de leve, como quem pede calma sem dizer.

— Não se preocupa. — disse. — Eu te levo.

Abri a boca para recusar, mas ele se antecipou:

— E não pense em recusar, tá bom, garoto?

O sorriso veio de novo. Calmo. Seguro. Definitivo.

Ele saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.

— Que saco… — murmurei sozinho.

Me arrumei rápido. Escovei os dentes ainda meio aéreo, joguei água no rosto, tentando afastar aquela sensação estranha que não era exatamente incômodo… mas também não era conforto.

Peguei minha mochila.

Na cozinha, Juan já estava organizando o café.

— Senta aqui — disse, apontando para a cadeira. — Come alguma coisa antes de sair.

O café foi simples. Rápido.

— Faz tempo que você não vinha — comentou. — Os meninos ficaram felizes em te ver. Eu também.

— Foi bom voltar — respondi. — Ainda mais pra ver todo mundo junto. Principalmente o Arthur… com essa lesão, eu não via ele há um tempo.

Sr. Juan assentiu.

— É. Ele vai ficar assim por um bom tempo. Não é grave, mas recuperação é lenta.

— Mas ele não tá sozinho — falei. — Tem você, tem o Arthuro… e eu também.

Ele me olhou por cima da xícara.

— Ele é cercado de boas pessoas — disse. — Sorte a dele.

Fez uma pausa curta.

— E parabéns pelo concurso. — acrescentou. — Você merece. Sempre foi esforçado.

Chegou um pouco mais perto ao falar. Perto demais.

— Obrigado… — respondi, sentindo o desconforto crescer de forma sutil.

Ele sorriu de um jeito difícil de decifrar.

— Fico feliz em ver você assim.

— Que horas vamos? — cortei, rápido.

— Já tô chamando o Uber.

O trajeto foi curto. Silencioso.

Sentamos os dois no banco de trás. Cumprimentamos o motorista, passamos o destino, duas paradas.

Foi quando senti.

A mão dele repousou sobre minha perna. Primeiro neutra. Depois, um leve movimento, quase imperceptível, como se testasse limites.

Olhei de lado.

Sr. Juan sorriu e fez um gesto discreto com os lábios, pedindo silêncio.

Afastei a mão dele com cuidado, sem dizer nada.

Ele levantou as mãos num gesto de rendição silenciosa. Como quem diz tudo bem.

O resto do caminho seguiu em silêncio.

Chegamos rápido.

— Obrigado, Sr. Juan — disse ao descer.

— Tio Juan — corrigiu, sério dessa vez.

— Tá bom… tio Juan. Obrigado.

— Até a próxima. — respondeu. — Não some lá de casa.

Levantei o polegar em resposta e entrei.

Só quando a porta se fechou atrás de mim é que soltei o ar que nem sabia que estava segurando.

O dia tinha começado.

E eu já sentia que aquela história estava longe de terminar.

Entrei em casa ainda com aquela sensação estranha grudada na pele, como se o dia tivesse começado antes de eu estar pronto pra ele.

Silêncio.

Nenhum barulho vindo da cozinha, nenhum ruído da televisão ligada, nenhuma conversa atravessando os cômodos. Meus pais já tinham saído. O relógio confirmava: manhã avançada demais pra encontrar alguém ainda ali.

Larguei a mochila no sofá e fui direto à cozinha.

O bilhete na geladeira estava preso com o mesmo ímã antigo de sempre. Reconheci a letra da minha mãe de longe.

“Bom dia, filho.

Deixei tudo organizado. Tentei te ligar, mas as mensagens não estavam chegando. Quando puder, me avisa.

Bom trabalho. Te amo.”

Sorri sem perceber.

Foi só então que me dei conta. Abri a mochila, enfiei a mão no bolso interno e puxei o telefone. Tela preta. Descarregado.

— Claro… — murmurei, balançando a cabeça.

Conectei o carregador e deixei o celular sobre a mesa. Assim que a tela acendeu, as notificações começaram a surgir, uma atrás da outra, rápidas demais pra acompanhar de imediato.

Respirei fundo e comecei a abrir.

A primeira mensagem era da minha mãe.

“Que horas você chega? Está tudo bem?”

Digitei com calma.

“Já cheguei em casa, mãe. Está tudo bem sim. Dormi lá na casa dos meninos, como tinha comentado. Tenha um bom dia de trabalho. Te Amo muito ❤️”

Não demorou nem alguns segundos para o coração aparecer na tela. Um coração simples, direto, do jeito dela.

Passei para a próxima conversa.

Yan.

Várias mensagens.

Abri.

“Bom dia. Já chegou?”

“Tá tudo bem?”

“As mensagens não estão indo?”

“Quando puder, me responde.”

“Fiquei preocupado.”

Meu peito apertou um pouco.

Comecei a digitar uma resposta, apaguei. Digitei de novo, apaguei outra vez. Suspirei.

— Melhor um áudio… — falei pra mim mesmo.

Apertei o botão e levei o telefone até a boca.

“Oi, bom dia… tá tudo bem, viu? Nada fora do normal. Dormi bem, cheguei em casa cedo. Meu telefone tinha descarregado, por isso não respondi antes. Fica tranquilo.”

Enviei.

Não demorou muito.

“Ufa… ainda bem. Fiquei aliviado. Vai rolar nosso treino hoje?”

Respirei fundo antes de responder.

“Posso pensar e te respondo até as duas.”

A resposta veio logo em seguida.

“Tudo bem. Se não quiser treino hoje, a gente pode fazer outra coisa.”

Sorri de leve.

Respondi com um joinha e, dessa vez, escrevi:

“Te respondo ao longo do dia. Bom trabalho. Fica bem 👀❤️💋”

A resposta veio quase instantânea, com os mesmos emojis.

Fechei a conversa e segui adiante.

Arthuro.

Tinha deixado um áudio.

Apertei o play.

“Cara, você demorou a acordar… precisei sair cedo pra trabalhar e levar o Arthur ao hospital. Foi muito bom ter você lá em casa ontem à noite. A gente precisa marcar alguma coisa. Hoje eu saio mais cedo da academia… o que acha de pegar praia no final da tarde?”

Sorri sozinho.

— Eu amo praia… — murmurei, quase rindo. — Acho que tô precisando pegar um bronze.

Respondi por texto:

“Topo sim. Que horas? Onde a gente se encontra?”

Deixei a conversa aberta e segui para a próxima.

Arthur.

A mensagem dele era simples, mas tinha um cuidado diferente.

“Bom dia. Dormiu bem?

Foi uma pena não ter conseguido me despedir de você hoje cedo.

Quando puder, a gente precisa conversar sobre aquilo… pessoalmente.

Boa semana. Um abraço.

Quando der, me responde.”

Li duas vezes.

Havia algo ali. Não explícito, mas presente.

Antes que eu respondesse, outra notificação surgiu.

Arthuro novamente.

“Passo aí às três da tarde. Te pego em casa e a gente vai pra praia. Só preciso antes levar o Arthur de volta.”

Respondi rápido.

“Beleza. Te espero às três.”

Voltei então para a conversa com Arthur.

Pensei por alguns segundos antes de digitar.

“Bom dia. Dormi bem, sim. Quando puder, a gente conversa. Estou disponível. Um abraço.”

Enviei.

Fechei o telefone e o deixei finalmente apoiado, carregando de verdade.

Encostei as costas na cadeira, sentindo o corpo pesar pela primeira vez desde que acordei. O silêncio da casa voltou a se impor, mas agora ele não era vazio — estava cheio de pensamentos, de nomes, de possibilidades.

Foi então que o celular vibrou novamente.

Uma nova mensagem.

Olhei para a tela.

Não era um nome.

Era um número.

Não estava salvo na minha agenda, mas era familiar demais para ser confundido. Meu peito apertou de leve antes mesmo de eu admitir para mim mesmo que sabia exatamente de quem era.

Sr. Juan.

A mensagem era curta.

“Está tudo bem?

Por que você está me tratando assim?”

Travei o celular por impulso.

Respirei fundo.

Ignorei.

Fechei os olhos e deixei as costas afundarem ainda mais no encosto da cadeira. Bastou isso para as lembranças começarem a vir, uma atrás da outra, como se alguém tivesse aberto uma gaveta que eu vinha mantendo fechada à força.

A primeira imagem veio rápida.

Arthuro:

O provador do shopping.

O espaço apertado, o espelho refletindo mais do que deveria, a respiração próxima demais. O toque que não deveria ter acontecido, mas aconteceu. O beijo — breve, urgente, carregado de uma tensão que nenhum de nós soube nomear naquele momento.

Depois, o quarto.

A mesma energia, só que mais densa. Mais consciente. O silêncio pesado entre uma aproximação e outra. A sensação clara de que algo estava sendo atravessado ali, mesmo sem palavras.

As imagens se dissolveram e deram lugar à festa.

Luzes, música, risadas.

Yan:

Lembrei do jeito fácil com que ele se aproximou, do sorriso aberto, da conversa fluindo como se a gente já se conhecesse há tempos. Lembrei de ter pensado, quase rindo de mim mesmo, isso não vai dar em nada.

Ri agora, sozinho.

Porque logo depois daquele pensamento veio outro, impossível de ignorar.

— Ele é um gostoso.

— E havia sido.

O tipo de presença que marca, mesmo quando a gente tenta minimizar. Aquela combinação de corpo, energia e olhar que deixa rastro.

Aquilo definitivamente não seria esquecível.

Mas foi quando a lembrança escorregou de volta Arthur que meu corpo respondeu diferente.

A noite.

O quarto.

O calor.

As mãos, os olhares demorados, o tempo perdendo o ritmo. Nada apressado, nada contido. Uma entrega construída em silêncio, em respirações compartilhadas, em toques que diziam mais do que qualquer frase dita em voz alta.

Engoli em seco.

Abri os olhos.

O celular vibrou de novo.

Sr. Juan.

Dessa vez, mais insistente.

“???”

“Você realmente não vai me responder?”

“Não quer falar comigo?”

Peguei o telefone num impulso e abri o gravador de áudio.

A voz saiu antes que eu pudesse pensar melhor.

“Acho que a gente não deveria manter contato. O tudo ficou pra trás.”

Parei.

Ouvi.

Meu estômago revirou.

Apaguei o áudio.

Fiquei alguns segundos olhando para a tela em branco, então digitei.

“A vida segue normal, como sempre.

Não precisa me perguntar sobre mudanças, tudo bem?

Bom dia e bom trabalho.”

Enviei.

Bloqueei a tela antes que pudesse reconsiderar.

Respirei fundo de novo.

Foi então que me lembrei de Yan.

Abri a conversa e escrevi:

“Sobre o treino de hoje, não vou te prometer. Acho que não vai rolar.

Mas vou à praia por volta das três.

Se quiser aparecer, será bem-vindo.

Devo chegar lá entre três e meia, três e quarenta. Te aviso quando chegar.

O que acha?”

Não demorou nem um minuto.

Yan sempre foi assim. Imediato.

“Com certeza eu vou!

Tô doido pra te ver de novo.”

Sorri, balançando a cabeça.

— Fofo… — murmurei.

A resposta veio antes mesmo de eu travar o celular.

Uma foto.

Yan, sem camisa, o corpo suado, músculos marcados pelo esforço recente. Não estava numa academia comum — era um box de crossfit. O fundo industrial, as barras, os pesos espalhados. Ele sorria para a câmera com aquele ar despreocupado que parecia saber exatamente o efeito que causava.

Meu olhar percorreu a imagem com calma.

Reagi com um coração.

“Também quero te ver.

Até mais tarde.”

Encostei o telefone novamente na mesa.

O dia ainda estava só começando.

E eu já sabia que nada seria simples dali em diante.

O relógio já se aproximava do meio-dia quando decidi ligar para o meu pai.

Era um daqueles impulsos simples, quase automáticos. A semana tinha sido cheia, o fim de semana passou rápido demais, e eu mal tinha cruzado com ele direito. Precisava ouvir a voz dele.

— E aí, meu filho — ele atendeu com aquele tom tranquilo de sempre. — Tá tudo bem?

Perguntei da saúde, do trabalho, dessas coisas que a gente pergunta mais para sentir do que para saber. Ele disse que estava tudo em ordem, que à noite todo mundo estaria em casa, jantar normal, rotina de sempre.

Respirei fundo antes de responder.

— Então… talvez eu chegue tarde hoje. Vou à praia.

Ele riu do outro lado da linha, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

— Aproveita. A gente se vê depois.

A ligação terminou simples, sem drama. Do jeito que as coisas deveriam ser.

O tempo correu rápido depois disso.

Quando vi, já eram quase duas e quarenta e cinco da tarde. Me arrumei sem muito ritual, no automático, como se meu corpo já soubesse exatamente o que fazer.

Peguei a ecobag, joguei o protetor solar dentro, bronzeador, o boné preto, o celular. Saí de casa com a camiseta jogada displicentemente sobre o ombro, o peito nu sentindo o ar quente da rua. O short preto leve batia contra as coxas a cada passo, o chinelo fazendo aquele som seco no chão. A barra da bermuda deixava à mostra o contorno discreto da cueca de praia preta por baixo — nada calculado, mas impossível de não notar.

A buzina soou.

Olhei para baixo da janela.

— Arthuro.

Ele abaixou o vidro devagar, me medindo de cima a baixo sem qualquer pudor. O olhar demorou mais do que deveria.

— Realmente… um príncipe — disse, com um sorriso enviesado.

Revirei os olhos, rindo.

— Para com isso.

Ele saiu do carro, contornou a frente e fez questão de abrir a porta para mim.

— Faço questão de abrir a porta pro príncipe — completou, teatral.

Entrei rindo, bati de leve no ombro dele, apertei sua mão num gesto rápido, quase íntimo demais para parecer apenas brincadeira. Ele fechou a porta, entrou do lado do motorista e ligou o carro.

— Partiu praia.

— Partiu — respondi.

Enquanto ele dirigia, mandei uma mensagem rápida para o Yan, avisando que já estava a caminho, enviando a localização. Guardei o celular e virei o rosto para Arthuro.

— Você também tá bem bonito hoje.

Ele estava só de short branco, daqueles de futebol, solto, confortável. Sem camisa. O corpo ainda carregava aquele aspecto de treino recente: músculos cheios, pele clara levemente corada, o abdômen bem marcado. O chinelo estava jogado no banco do passageiro — ele não dirigia com ele, claro.

Arthuro sorriu, daquele jeito que só ele sabia, jogando a cabeça de leve para trás antes de apoiar no meu ombro por um segundo rápido demais para ser casual.

— Não é nada — respondeu, fingindo modéstia.

O caminho até a praia foi curto, preenchido por música baixa e aquela sensação boa de antecipação.

O dia estava aberto, sol forte, mas não agressivo. A praia não estava cheia. O mar parecia mais calmo, quase convidativo.

Descemos do carro e dividimos as tarefas naturalmente. Eu peguei o guarda-sol e a cadeira; ele fez o mesmo. Montamos nosso pequeno espaço na areia, lado a lado.

Abri a bolsa, tirei o bronzeador e, sem cerimônia, comecei a passar nos braços, no peito, no abdômen. O toque da mão espalhando o produto fazia minha pele arrepiar levemente.

Tirei o short, ficando só de sunga — preta, cavada, simples. O boné continuava na cabeça.

Arthuro fez o mesmo. O short caiu, revelando a cueca box preta de praia, justa o suficiente para marcar o corpo que ele tinha. As coxas grossas chamavam atenção, o contraste da pele clara com o tecido escuro era quase gritante.

— Até que enfim — ele comentou, sentando na cadeira. — Só nós dois. Dá pra conversar.

— Dá — respondi, sorrindo. — Finalmente.

Virei de costas para ele, estendendo o frasco.

— Me ajuda aqui?

Senti as mãos dele nas minhas costas, firmes, quentes, espalhando o bronzeador com calma demais. O toque descia, subia, demorava onde não precisava. Ele falava enquanto fazia isso.

— Que bom que você veio… eu precisava falar sobre o nosso último beijo.

Engoli em seco.

— Que bom — respondi. — Agora dá.

Quando ele terminou, pediu o frasco de volta. Troquei de lugar com ele. Passei o bronzeador nos ombros largos, descendo pelos braços fortes, sentindo a pele quente sob meus dedos.

Foi quando olhei para a beira da praia.

— Yan.

Ele estacionava o carro, tirava a camiseta ainda dentro do veículo. Fiz sinal com a mão, indicando onde estávamos.

Arturo percebeu na hora.

O corpo dele deu um leve enrijecer sob minhas mãos — não de surpresa, mas de atenção. Ele seguiu meu olhar, reconhecendo o Yan sem dificuldade. Um meio sorriso surgiu no canto da boca dele, desses que não denunciam exatamente o que se pensa.

— Ele veio mesmo — comentou, num tom neutro demais para ser só casual.

— Eu avisei que ele iria aparecesse a qualquer momento. — respondi, tentando manter a naturalidade enquanto terminava de espalhar o bronzeador.

Yan se aproximou sorrindo, com aquela facilidade que ele tinha de ocupar o espaço sem parecer invasivo. O sol batia na pele clara dele, ainda marcada pelo suor recente do treino. O short preto, mais comprido, contrastava com o corpo definido. Ele não estava de sunga — claramente tinha vindo direto do box.

— Boa tarde — disse, animado. — Achei vocês rápido.

Arthuro o cumprimentou primeiro, com um aperto de mão firme, quase protocolar demais para dois homens que já se conheciam.

— Fala, Yan. Resolveu aparecer, então.

— Resolvi — respondeu ele, rindo. — Não resisti à ideia de praia.

Yan se aproximou de mim sem hesitar, a mão tocando de leve minha cintura num gesto que parecia natural demais para quem estava sendo observado.

— Você chegou rápido — falei.

— Fiz questão — ele respondeu, me olhando de um jeito direto, sem disfarçar.

Arthuro observava tudo em silêncio. Não havia hostilidade no olhar dele, mas havia atenção. Um tipo de leitura cuidadosa, como quem tenta entender uma dinâmica nova se formando diante dos próprios olhos.

— Não vai tirar a roupa? — Arthuro provocou, cruzando os braços. — Aqui ninguém morde.

Yan riu, meio sem graça.

— Ainda não criei coragem pra sunga.

— Besteira — comentei. — Mas relaxa, ninguém tá te pressionando.

Foi quando Yan se inclinou, me puxou suavemente pela cintura e me beijou.

O beijo foi rápido, quente, direto — suficiente para deixar claro que havia intimidade ali. Senti o contraste imediato: o toque confiante dele, o calor da boca, o jeito decidido.

Quando nos afastamos, notei Arthuro ainda olhando. Não havia choque no rosto dele. Havia cálculo. Observação. Um silêncio carregado de leitura.

O sol continuava alto, o mar calmo, a praia seguindo seu ritmo indiferente.

E eu sabia — com uma clareza quase incômoda — que aquele encontro deixava de ser apenas uma tarde de praia. Algo tinha se deslocado ali. Entre olhares, gestos e presenças.

E nada seria simples dali em diante...

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Comentários

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E tio Juan o que será que já aconteceu? Curioso. Arthuro X Yan até que ponto vale a pena confronta-los?

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Se eu comentar sobre vai ser um spoiler de futuros capítulos, então essa pergunta vai ter respostas em alguns dias...

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Que energia é essa que tu tem que atrai tanto macho? Passa o segredo rsrsrsrs. Quero saber do seu passado com tio Juan...fiquei curioso. Essa distância que você parece querer manter dele é meio estranha🤔. Fiquei feliz de receber a notificação de publicação.

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Mamãe literalmente passou açúcar em mim rs.

Vou abordador o passado em futuros capítulos, existem coisas serem aprofundadas, e já adianto que os três proximos capítulos são Intensos, principalmente o capítulo 8.

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