Corpos, Desejos e Silêncio... Historias que Nunca Ousamos Dizer. Capítulo 7 — Marcas de Sol

Um conto erótico de Bernardo
Categoria: Gay
Contém 5074 palavras
Data: 12/01/2026 17:30:03

O beijo do Yan ainda pairava na minha boca quando ele se afastou, sorrindo daquele jeito fácil que parecia não pedir permissão para existir. O sol refletia na pele dele, e por alguns segundos eu tive a sensação de que o tempo tinha desacelerado só para que eu pudesse observar.

Sem dizer nada, Ian puxou o short para baixo com naturalidade e ficou apenas de sunga.

— Branca.

A peça contrastava com o tom da pele dele, já dourada, e deixava pouco para a imaginação sem, de fato, mostrar demais. O corpo era bonito de um jeito direto, funcional. Musculoso, definido, mas não exagerado. Nada inflado. Abdômen marcado, peitoral firme, braços desenhados pelo treino constante. Um corpo que denunciava disciplina — academia, crossfit, rotina puxada — mas também leveza. Não era pesado como o do Arthur. Era mais ágil. Mais leve.

Arthur olhou.

Não disfarçou.

— Sunga branca… — comentou, inclinando levemente a cabeça, com aquele meio sorriso torto que eu conhecia bem. — Você gosta de provocar, né?

Yan riu, passando a mão pelo abdômen, quase num gesto automático.

— Ajuda a paixão — respondeu, sem cerimônia. — Ou atrapalha?

Arthur soltou uma risada baixa.

— Depende de quem está olhando.

Eu senti o calor subir pelo corpo. Estava deitado na canga, de bruços, deixando o sol trabalhar devagar na minha pele. A areia quente sob o tecido fino, o som do mar logo à frente, o vento ocasional quebrando o calor. A praia sempre foi meu lugar de refúgio. Meu santuário particular. Ali, eu baixava a guarda.

Yan se aproximou de mim, parando ao lado da canga.

— Você vai ficar aí o dia todo? — perguntou.

— Pretendo — respondi, fechando os olhos por um instante. — Estou cuidando do meu bronze. E da minha paz.

Arthuro estava sentado na cadeira de praia, pernas levemente abertas, óculos escuros, corpo relaxado demais para quem, eu sabia, estava atento a tudo.

— Ele leva isso a sério — disse Arthuro. — Bronze é quase um ritual.

— Eu respeito rituais — Yan respondeu. — Principalmente os bons.

Abri um olho e fiz um biquinho exagerado.

— Já que você respeita tanto… — falei. — Podia buscar alguma coisa pra beber.

Yan abriu os braços, teatral.

— O que o senhor deseja?

— Uma água de coco — respondi. — Acho que seria uma boa.

— Eu vou pedir uma caipirinha — Ian completou, animado.

Arthur ergueu o rosto na mesma hora.

— Se for, traz mais uma água de coco pra mim — disse. — E vê se acha alguma coisa pra comer também. Algo leve. Com esse sol, ninguém aguenta coisa pesada.

Yan assentiu.

— Fechado. Já volto.

Ele saiu em direção ao quiosque com passos largos, tranquilos. A sunga branca chamava atenção de quem passava, e ele parecia completamente alheio a isso. Ou talvez não fosse alheio coisa nenhuma — talvez soubesse exatamente o efeito que causava.

Assim que ele se afastou o suficiente, Arthuro tirou os óculos escuros e me encarou.

— Por que você chamou ele mesmo? — perguntou, direto. — Era pra ser um momento só entre nós dois. Pra gente conversar. Pra eu te explicar.

Suspirei, virando o rosto para encará-lo.

— Em algum momento a gente vai conversar — respondi. — Eu tô curioso pra saber o que você tem pra dizer. Mas agora… — dei uma pausa, olhando o céu. — Agora a praia é o meu santuário. É o meu momento de bronze, da minha marquinha. Eu não quero estragar isso.

Arthur inclinou a cabeça, avaliando.

— Sua marquinha tá ficando cada vez mais interessante — comentou, sem pudor algum. — Esse contraste… — fez um gesto vago com a mão. — Dá vontade de acompanhar bem de perto.

Ele sorriu de um jeito safado, lento, proposital.

Eu senti o rosto esquentar.

— Arthuro… — murmurei, meio rindo, meio constrangido.

— O quê? — ele respondeu. — Tô só apreciando a obra.

— Você não tem jeito — falei, balançando a cabeça.

— Tenho sim — ele disse, levantando-se da cadeira. — Só não uso agora.

Passou por mim devagar, os dedos roçando de leve na minha perna, como quem não quer nada e quer tudo ao mesmo tempo.

— Vou dar um mergulho — avisou. — Fica de olho nas coisas.

Observei enquanto ele caminhava em direção ao mar. O corpo dele era diferente do do Yan. Mais largo, mais imponente. Ombros fortes, costas amplas, passos seguros. Havia algo nele que ocupava espaço sem esforço.

Fiquei ali, deitado, sentindo o sol, a areia, o peso dos pensamentos e a leveza daquele momento estranho e cheio de camadas.

E, por alguns segundos, eu soube: aquela tarde ainda tinha muito para acontecer.

Yan voltou do quiosque caminhando com aquela tranquilidade de quem não tem pressa de chegar, mas sabe exatamente onde quer estar. A caipirinha vinha na mão direita, o copo já pela metade, o gelo tilintando a cada passo. Na outra mão, duas águas de coco e alguns potes de salada de frutas, simples, coloridos, refrescantes — combinavam com o clima da tarde.

— Aqui — disse, se abaixando perto de mim. — Água de coco pra você… e pra você o Arthuro também.

Deixando sobre a cadeira cadeira as coisas do Arthuro, enquanto eu pegava a minha.

— Salvou — falei, sorrindo. — Esse sol pede isso.

Yan sentou-se na areia, perto demais para ser casual, mas natural o suficiente para não parecer forçado. Bebeu um gole da caipirinha e ficou me olhando, como se estivesse retomando uma conversa que nunca tinha terminado.

— Engraçado como é bom se reencontrar — comentou. — Mesmo quando não passou tanto tempo assim.

— É — respondi. — Tem encontros que parecem maiores do que o calendário.

Ele assentiu devagar.

— Eu senti saudade — disse, direto. — Não só de você… mas desse tipo de conversa. De sentar, olhar, trocar ideia sem barulho.

O tom dele era calmo, mas carregava intenção. Havia algo de intenso no jeito como Yan falava, como se cada frase fosse escolhida com cuidado, mas ainda assim honesta.

— Eu gosto disso — continuou. — De quando a conversa fica mais funda. Mais próxima.

Eu sorri, um pouco mais contido, talvez até defensivo.

— Você sempre foi assim — falei. — Intenso.

— E você sempre foge um pouco — respondeu, sem acusação. — Mas continua ali.

Peguei o celular da bolsa quase como um escudo, mas também como um pretexto. Abri a câmera frontal.

— Vem — falei. — Vamos tirar uma foto.

Yan se inclinou imediatamente, o corpo quente encostando de leve no meu. O sol batia forte, a luz estourando na tela. Inclinei o celular, ajustei o ângulo.

— Sorri.

Ele sorriu daquele jeito fácil, bonito, seguro.

Tirei a foto.

Olhei o resultado e mostrei pra ele.

— Ficou bonita, né?

Yan analisou a imagem por um segundo e depois levantou os olhos até mim, sorrindo de canto.

— Ficou linda — disse. — Acho que a gente daria um bom casal.

O comentário me pegou desprevenido. Ri, quase por reflexo, sentindo um pequeno aperto no peito.

— Você fala essas coisas assim, do nada… — brinquei, desviando o olhar.

— Eu falo o que eu sinto — respondeu, simples. — O sol deixa a gente mais honesto.

Antes que eu pudesse responder, uma sombra caiu sobre nós.

Arthuro havia acabado de voltar do mar.

O corpo dele ainda estava molhado, a água escorrendo pelos ombros, pelo peito, pela linha marcada do abdômen. O cabelo bagunçado, sendo sacudido de um lado pro outro, espalhando gotas em nós dois.

— Foi mal — disse, rindo. — O mar tava bom demais.

Era impossível não olhar.

Eu ainda estava com o celular na mão, vendo Arthuro de baixo pra cima, em pé, pegando a água de coco e um dos potes de salada de frutas. Os olhos verdes brilhavam sob o sol, e o contraste da pele molhada fazia tudo parecer ainda mais chamativo.

— Valeu, Yan — falou Arturo. — Salvou a fome.

— Imagina — respondeu Yan. — Segura aqui pra mim um segundo?

O celular de Arthuro começou a vibrar na cadeira.

Ele franziu a testa, olhou a tela e suspirou.

— Preciso atender — disse. — Segura pra mim?

Yan pegou a salada de frutas, e Arthuro se afastou alguns passos, levando o celular ao ouvido. A voz dele ficou mais baixa, séria, contrastando com o clima leve que estava ali antes.

Fiquei observando por um instante, sentindo aquela estranha mistura de sensações: o sol, o corpo quente, a conversa suspensa, os olhares cruzados.

A praia seguia viva ao redor. O som do mar constante, o vento leve, poucas pessoas espalhadas pela areia. Tudo parecia lento, quase suspenso no tempo.

E eu ali, entre dois homens, dois caminhos, sentindo que aquela tarde não era só sobre sol e mar — era sobre escolhas, presença e coragem de permanecer no que se sente, mesmo quando ainda não se sabe onde isso vai dar.

E, pela primeira vez naquele dia, eu não quis fugir disso.

Arthuro voltou com o celular ainda na mão, o semblante levemente alterado, mas tentando manter o sorriso de sempre. Ele se aproximou devagar, parou ao nosso lado e passou a mão pelos cabelos ainda úmidos do mar antes de falar.

— Era meu pai — disse, suspirando. — Reclamou que eu saí com o carro numa segunda-feira, como se fosse crime.

Ele riu sem humor. — Disse que, quando a gente sair daqui, eu vou ter que passar no trabalho dele pra buscar ele e umas coisas antes de ir pra casa.

Olhei pra ele por cima dos óculos escuros, semicerrando os olhos por causa do sol.

— Ah… — respondi, num tom neutro demais pra quem, no fundo, não tinha gostado muito da ideia.

Arthuro percebeu. Ele sempre percebia.

— É rapidinho — completou. — Mas você vai comigo. A gente passa lá antes de ir pra casa.

Assenti, mas meu corpo não acompanhou totalmente a concordância. Virei de lado na canga, ajeitando melhor o quadril, sentindo o calor da areia subir pelas costas.

Antes que eu dissesse qualquer coisa, Yan entrou na conversa com aquela prontidão que era tão característica dele.

— Ué, sem problema nenhum — falou, sorrindo. — Eu levo o Ber pra casa depois. Também tô de carro… e ainda ganhamos mais tempo juntos.

Ele disse isso olhando direto pra mim, com aquele brilho intenso no olhar que me deixava sempre meio sem chão.

Por um segundo, considerei. A ideia tinha algo de confortável… e perigoso.

Mas Arthuro foi mais rápido.

— O problema é que você mora bem fora do nosso caminho — respondeu, cruzando os braços. — Pra mim já é rota. Não faz sentido.

Senti o ar entre eles mudar levemente. Nada explícito. Só uma tensão fina, quase invisível.

Resolvi quebrar aquilo antes que criasse raízes.

— Gente… — falei, rindo. — Olha o privilégio. Tenho duas opções pra me levar pra casa.

Eles riram.

— No fim do dia a gente decide isso — completei. — O importante agora é aproveitar o momento… e todo mundo chegar bem em casa.

Yan concordou com a cabeça, mas não desistiu.

Ele se aproximou de mim, falou mais baixo, quase no meu ouvido.

— Eu pensei que, quando a gente sair daqui… a gente podia fazer alguma coisa. Só nós dois.

O tom era suave, mas carregado de intenção.

Olhei pra ele, incline o rosto um pouco.

— Talvez a gente fique cansado — respondi. — Mas… não é impossível.

— Faz um esforço — insistiu, sorrindo de canto. — Acho que você vai gostar do que eu pensei.

Antes que eu pudesse responder, Arthuro se intrometeu, claramente tendo ouvido parte da conversa.

— Ele só gosta se tiver sol, praia e água fresca — brincou. — Fora disso, é difícil convencer.

Yan riu.

— Então pensei em algo diferente — disse, olhando pra mim. — Depois eu te conto, Ber. Mas confia… você vai gostar.

— A gente vê isso no final do dia — falei, encerrando o assunto. — Agora deixa eu aproveitar meu bronze.

Fechei os olhos por alguns segundos, sentindo o sol bater no peito, na barriga, nas pernas. O cheiro de sal, protetor solar e fruta fresca misturava tudo.

Foi quando Arthuro pegou o celular novamente.

— Vou ligar pro Arthur — anunciou. — Ele vai morrer de inveja.

Atendeu em chamada de vídeo e virou a câmera pra mim.

— Olha quem tá aqui.

A imagem do Arthur apareceu na tela, expressão cansada, mas sorrindo ao nos ver.

— Vocês são cruéis — disse. — Eu preso em casa e vocês na praia.

Acenei pra ele.

— Como você tá? — perguntei.

— Com vontade de estar aí — respondeu. — Não aguento mais ficar de molho.

Arthuro riu.

— Tá perdendo muita coisa — provocou. — Praia vazia, mar calmo… tudo perfeito.

— Pelo menos aqui tem ar-condicionado — rebateu Arthur. — E tá tudo fresco.

— O importante é você estar bem — falei, num tom mais suave. — Logo a gente se vê de novo.

Arthur fez uma cara exageradamente manhosa.

— Olha isso — Arthuro apontou pra tela. — Sempre assim.

Rimos. Arthur riu do outro lado também.

— Depois a gente se fala — disse ele. — Aproveitem.

A chamada foi encerrada.

Fiquei deitado, olhos fechados novamente, enquanto Arthuro e Ian começaram a conversar. Falavam sobre academia, treino, corpo, carga, descanso. Um assunto simples, mas que, vindo deles, ganhava outro tom.

— O boxe tá indo bem — comentou Ian. — Tô trabalhando direto com crossfit agora.

— Dá pra ver — respondeu Arthuro, olhando o corpo dele sem nenhum pudor. — O resultado aparece.

Ian sorriu.

— Tô pensando em algo mais estável — Arthuro mencionou. — Talvez prestar concurso, dar aula. Meu pai vive cobrando.

Abri os olhos e entrei na conversa.

— Você tem perfil pra isso — falei. — Disciplina, foco… e sabe lidar com gente.

Arthuro me olhou como se aquela validação tivesse peso.

O sol seguia alto. Meus ombros já começavam a arder levemente. A pele dourada, os corpos expostos, os olhares cruzados.

Ali, naquela areia quente, eu sentia que não era só mais uma tarde de praia.

Era um ponto de virada silencioso.

Senti que o bronze já estava no ponto certo quando passei a mão pelo próprio abdômen, conferindo a textura da pele, a diferença de tom marcada pela sunga. O sol tinha feito o trabalho dele. Do jeito que eu gosto. Nem demais, nem de menos.

Levantei devagar da canga, sacudindo a areia das pernas.

— Vou dar um mergulho e depois passo no chuveirão — avisei, olhando para os dois. — Já volto.

Segui em direção ao mar sentindo o calor da areia contrastar com a brisa salgada. O barulho das ondas estava baixo, o mar parecia um convite silencioso.

— Ei, espera aí! — ouvi atrás de mim.

Era o Yan.

— Eu vou com você.

Olhei por cima do ombro e vi ele se aproximando, deixando o Arthuro para trás, cuidando das coisas. O corpo do Yan, agora sem camisa, com a sunga branca destacando ainda mais o bronze recente, chamava atenção sem esforço.

Entramos juntos na água.

O choque gelado subiu pelas pernas, pelo peito, arrancando um suspiro involuntário de mim.

— Gelada do jeito certo — comentei.

— Do jeito que você gosta — ele respondeu, sorrindo.

Ficamos ali, com a água batendo na altura da cintura, conversando baixo, como se o mar fosse cúmplice.

Foi então que ele virou o rosto um pouco mais sério.

— Vai embora comigo hoje? — perguntou. — Eu te deixo em casa. Prometo.

Hesitei.

— Mas eu vim com o Artguro… — falei. — Pode pegar mal.

Yan deu de ombros, tranquilo.

— Ele vai entender. O Arthuro é de boa. Não tem drama.

Olhei para o horizonte por alguns segundos antes de responder.

— Tá… — falei enfim. — Mas eu não posso chegar tarde. Quero jantar com meus pais. Amanhã acordo cedo.

— Perfeito — ele respondeu rápido. — A gente aproveita mais um pouco e depois vai.

— Então assim — completei. — A gente chegou aqui três e pouca. Dá pra sair umas cinco. Ou até um pouco antes.

— Combinado.

Saímos da água e seguimos até o chuveirão. A água fria caiu pelos ombros, levando o sal, o protetor, deixando a pele limpa e arrepiada. O Yan ficou ao meu lado, sem pressa, me olhando de um jeito que não precisava de palavras.

Voltamos para perto do Arthuro.

Ele já estava em pé, mexendo nas coisas.

— A gente vai ter que ir — disse. — Meu pai já vai sair do trabalho.

Peguei o celular só para conferir o horário.

— Ainda são quatro e meia — falei. — Fica mais um pouco.

— Queria — respondeu. — Mas não dá.

Yan entrou na conversa com naturalidade.

— Então faz como a gente combinou. Você vai buscar seu pai e eu levo o Ber pra casa.

Arturo estreitou os olhos, desconfiado, mas logo abriu um sorriso enviesado.

— Vou confiar — disse, em tom de brincadeira. — Mas olha… cuidado com ele.

Começou a recolher as coisas, vestiu o short, se despediu do Yan com um aperto de mão firme.

Depois veio até mim.

Me puxou para um abraço e, num gesto rápido e íntimo demais pra ser inocente, deixou as mãos escorrerem pelas minhas costas, apertando de leve antes de se afastar.

— A gente se vê — murmurou no meu ouvido. — O quanto antes.

Ri, empurrando ele de leve.

— Até, Arthuro. Manda um beijo pro Arthur… e melhoras pra ele.

Ele piscou e seguiu em direção ao estacionamento.

Fiquei ali, sentindo ainda o calor do toque.

Ian me olhou com satisfação.

— Que bom que você aceitou.

— Aceitei — respondi. — Mas é corrido.

— Dez minutos aqui e a gente vai.

Cumprimos. Recolhemos tudo, devolvemos o guarda-sol, a cadeira. Seguimos para o carro dele.

Quando abri a porta, notei o interior impecável. Espaçoso, cheiroso, confortável. Decidimos seguir só de sunga mesmo, as roupas jogadas no banco de trás para não molhar.

Yan me olhou de cima a baixo antes de entrar.

— Nossa… — disse, sorrindo. — Seu bronze ficou perfeito.

Ri, puxei ele pelo braço e dei um selinho rápido.

— Para — falei. — Você também tá impossível hoje.

Ele sorriu mais ainda, entrou no carro, ligou o som e o ar...

Enquanto o carro começava a se mover, puxei o celular.

Uma notificação do Arthur.

Abri.

Ele dizia que tinha adorado me ver na chamada de vídeo. Que aquele bronze deixava tudo ainda mais… bonito. Que a marca da sunga valorizava cada detalhe do meu corpo.

Ri sozinho.

Curti com um coração.

Respondi que falaria com ele mais tarde.

Bloqueei a tela, encostei a cabeça no ombro do Yan enquanto ele dirigia.

O sol ainda entrava pelo vidro.

E eu sentia que aquele dia estava longe de acabar.

A viagem seguiu em um ritmo quase hipnótico. O carro deslizava pela rua enquanto a música preenchia o espaço com uma batida suave, constante, como um segundo coração pulsando dentro do veículo. Minha cabeça repousava encostada no ombro do Yan, e eu me permitia aquele silêncio confortável — o tipo raro, que não pede explicações.

O sol ainda deixava marcas quentes na pele. Meu corpo estava salgado, bronzeado, relaxado demais para qualquer tipo de urgência. O cheiro de protetor solar misturado ao perfume discreto dele criava uma sensação estranhamente íntima, como se estivéssemos isolados do mundo ali dentro.

Foi quando percebi.

Levantei o rosto devagar, observando a rua pela janela, reconhecendo — ou melhor, não reconhecendo — aquele trajeto.

— Yan… — chamei, a voz baixa, quase preguiçosa. — Esse não é exatamente o caminho da minha casa.

Ele manteve os olhos na pista, mas um meio sorriso surgiu no canto da boca.

— E quem disse que a gente vai direto pra lá?

Inclinei um pouco mais o corpo em direção a ele.

— Então o que você pretende pra nós dois hoje?

Ele respirou fundo, como se escolhesse as palavras com cuidado.

— Só confia no processo. Confia no que eu tô fazendo. — fez uma pausa breve. — Eu sei que você vai gostar. Tenho certeza.

Ri baixo, aquele riso que sai mais pelo nariz do que pela boca.

— Você é uma coisa muito cara… — murmurei. — E você sabe que isso sempre tem um preço.

Ele virou o rosto de leve na minha direção, rápido demais pra tirar os olhos da estrada por muito tempo.

— Eu tô disposto a pagar qualquer valor. Tô confiando.

A frase veio simples, mas carregada de intenção.

Encostei os lábios de leve no ombro dele, um selinho rápido, quase inocente — quase.

— Então vamos ver onde isso vai dar…

Voltei a apoiar a cabeça, e poucos minutos depois ele avisou:

— Já estamos chegamos.

O carro entrou em um condomínio que imediatamente chamou atenção. A fachada era imponente, moderna, iluminada de forma elegante. Tudo ali parecia pensado para impressionar sem exagerar.

Descemos pela garagem subterrânea. O silêncio era outro. Mais controlado, mais sofisticado. Peguei minha ecobag, vesti o short ainda com a pele quente do dia, e ele fez o mesmo. Subimos pelo elevador — sem camisa, sem pressa, sem disfarces.

O espelho refletia dois corpos marcados de sol, músculos relaxados, pele ainda viva do dia de praia. Não era preciso dizer nada.

Sétimo andar.

Quando a porta do elevador se abriu, senti imediatamente: aquele lugar não era comum. O corredor amplo, o acabamento impecável, tudo exalava um padrão que eu não estava acostumado a frequentar.

— Você pretende me levar pra sua casa? — perguntei, meio provocativo.

Ele riu de leve.

— Calma. Tenho uma surpresa pra você.

— Tá bom… — respondi, desconfiado, mas curioso demais pra recuar.

Na porta do apartamento, ele pediu:

— Fecha os olhos.

Obedeci.

Ouvi o som da fechadura, a porta se abrindo.

— Pode entrar.

Quando abri os olhos, precisei de alguns segundos pra absorver.

O apartamento não era enorme, mas o espaço era inteligente, sofisticado. A cozinha integrada com a sala tinha linhas limpas, tons claros, iluminação quente. Tudo ali parecia combinar com ele: funcional, elegante, sem excessos.

E então vi a mesa.

Arrumada. Perfeita. Comida japonesa cuidadosamente disposta, duas velas artificiais acesas, criando um clima intimista, quase cinematográfico.

— Nossa… — fui até a mesa, passando os dedos pela borda. — Como você conseguiu fazer isso tudo?

Ele encostou no balcão da cozinha, cruzando os braços.

— Tentei agilizar enquanto a gente tava na praia. Pedi ajuda de alguém.

Olhei pra ele com falsa desconfiança.

— Alguém?

— Minha irmã mais nova. — respondeu com naturalidade. — Ela veio aqui, organizou tudo e saiu há pouco.

Sorri.

— Ah… que fofo. Gostei. Vou gostar de conhecê-la melhor.

Ele pegou o celular e abriu uma foto.

— Não seja por isso.

Quando vi a imagem, arregalei os olhos.

— Espera… — aproximei o rosto da tela. — Eu conheço a sua irmã. Essa é a Yuli.

Ele franziu a testa.

— Você conhece ?

— Sim, ela é minha aluna. Segundo ano, não é?

Ele riu, surpreso

— É… ela mesma. Minha irmã mais nova.

— Ela mora com você?

— Não. Mora aqui perto, com a minha mãe. Mas… — o tom ficou mais sério. — É uma das pessoas mais importantes da minha vida.

O jeito como ele disse aquilo me tocou.

Cheguei mais perto e beijei Yan. Um beijo calmo, firme, prolongado. Nossos corpos se alinharam naturalmente, pele contra pele, o calor retornando em ondas lentas. Não havia pressa. Só presença.

Quando nos afastamos, ele murmurou:

— Vamos?

— Mas essa não é a surpresa? — provoquei.

— Não. — sorriu. — A gente precisa tomar um banho antes.

Subimos por uma escada discreta que levava a um segundo nível. Lá em cima, uma cama de casal ampla, organizada, convidativa. Ao fundo, uma porta fechada chamava atenção.

Ele caminhou até ela.

— Vamos tomar um banho?

— Tudo bem… — respondi, já sentindo que aquilo era mais do que um simples banho.

Quando ele abriu a porta, precisei conter o sorriso.

O banheiro era amplo, elegante, e no centro, uma banheira generosa, moderna, reluzente.

— É aqui que a gente vai relaxar hoje. Antes do jantar.

Aproximei-me, observando a banheira.

— Isso tudo pra mim?

— Também é uma jacuzzi. — completou. — Pensei que antes da gente comer… a gente podia relaxar, receber uma massagem, aproveitar um pouco. Só nós dois.

Olhei pra ele, sentindo o clima mudar lentamente, como se o ar ficasse mais denso.

— Eu já tô aqui. — sorri. — Então vamos aproveitar.

Entramos juntos no banheiro. Yan segurou minhas mãos, e ali, em silêncio, começamos a nos despir, peça por peça, com calma, com intenção. Não havia urgência — só expectativa.

A noite ainda estava só começando.

A água já estava pronta quando entramos.

O vapor subia lentamente, criando uma névoa suave que tornava o ambiente ainda mais íntimo. A iluminação indireta refletia na superfície da banheira, desenhando sombras quentes sobre nossos corpos já despidos. Cada movimento parecia mais lento ali dentro, como se o tempo tivesse decidido nos observar em silêncio.

Yan entrou primeiro, afundando o corpo na água morna com um suspiro quase audível. Em seguida, estendeu a mão para mim.

Segurei.

Quando me sentei de frente para ele senti imediatamente o contraste entre o calor da água e o arrepio que subiu pela pele ao perceber o quão próximos estávamos. Nossos joelhos se tocavam. Nossos braços se encontravam de leve. Nenhum dos dois se afastou.

Yan me olhou com atenção, os olhos percorrendo meu rosto, meu pescoço, descendo devagar, sem pressa.

— Então… — a voz dele saiu baixa, carregada de intenção. — Hoje eu vou poder desfrutar de você. Só pra mim.

Sorri de canto, sentindo o peso daquela frase se espalhar dentro de mim.

— Cuidado com o que você promete… — respondi, provocando.

Ele apenas inclinou a cabeça, satisfeito.

A banheira começou a fazer seu trabalho. As bolhas surgiram aos poucos, massageando a pele, criando um efeito quase hipnótico. O som da água preenchia o espaço entre nós, mas não quebrava o silêncio — apenas o tornava mais denso.

Ao meu lado, embutido na lateral da banheira, havia um pequeno compartimento térmico. Yan se inclinou, estendeu a mão e retirou duas garrafas pequenas, elegantes, personalizadas.

Entregou uma pra mim enquanto abria a dele com facilidade.

Olhei pra garrafa e depois pra ele.

— Eu não quero beber. — falei com calma. — Você sabe que eu não bebo.

Ele me encarou com um sorriso tranquilo.

— Eu sei. Mas hoje é um momento especial. — aproximou um pouco mais o corpo. — Não vou exigir que você beba muito. Só pra gente brindar. Nós dois. Aqui. Agora.

Hesitei por um instante.

— Tá… — suspirei. — Não vou mentir. Eu gosto bastante de espumante. Mas amanhã eu trabalho cedo. Não vai passar disso.

— Eu prometo. — disse ele, sincero.

Ele se aproximou ainda mais e, com cuidado, abriu também a minha garrafa. O som suave do gás escapando pareceu ecoar mais do que deveria naquele espaço fechado.

Erguemos as garrafas.

— A nós dois. — disse ele.

— A esse momento. — respondi.

— A nós dois. — repetiu, olhando diretamente nos meus olhos.

Bebemos.

O sabor leve do espumante contrastava com o calor da água e com a tensão crescente entre nós. Yan parecia diferente. Mais solto. Mais ousado. O olhar dele mudou — ficou mais atento, mais presente.

A mão dele começou a se mover devagar, sem pressa, explorando o caminho com uma naturalidade que fez minha respiração mudar de ritmo.

A banheira estava quente e convidativa, o vapor subindo em ondas do líquido turvo e perfumado.

Eu, um homem grande e alto, bronzeado pela exposição ao sol durante o dia de hoje, estava totalmente entregue na água, sentindo a temperatura morna envolvendo minha pele. Meu corpo e meus musculos estavam relaxados naquele ambiente.

Yan, com aquele sorriso charmoso e olhar penetrante, um homem branco e loiro, também definido pelo exercício físico constante. Ele era alguns centímetros menor que eu, mas naquela ocasião eu sentia que o tamanho era indiferente. Seu corpo estava tão bem esculpido quanto o meu, com músculos abdômen bem definido e braços fortes reluzentes sobre aquele ambiente, calmo e relaxante...

Ele veio até mim, os movimentos fluidos e graciosos, seu pau já semi-ereto balançando com o movimento. Parou bem na minha frente, pousando no meio das minhas pernas, perto o bastante para que eu pudesse sentir o calor irradiando de seu corpo nu.

— Você demorou para aceitar um convite meu — Sussurrou Yan, com uma voz rouca de desejo.

Sua mão deslizou pela minha barriga, traçando os músculos definidos e subindo até meu peito.

— Tive que esperar o momento certo — respondi, com um sorriso malicioso nos lábios. Meu olhar estava fixo nos movimentos de sua mão, observando como ela se movia pelo meu corpo.

Yan transmitiu de volta, os dentes brancos brilhando sob a luz fraca do banheiro. Então, sua mão alcançou meu pescoço e deixou meu rosto em direção ao dele. Nossos lábios se chocaram em um beijo intenso e cheio de desejo, nossas línguas dançando uma com a outra.

— Com a bunda do Yan sobre meu pau, senti meu membro começar a suportar, crescendo dentro da água morna. Ao virar o pescoço e observar, a mão de Yan desceu pelo meu peito, meus músculos se contraindo sob seu toque. Ele chegou até meu pau e se envolveu com os dedos, me fazendo gemer dentro do beijo.

— Você está gostando disso, não é? — sussurrou Yan, com uma voz ainda mais rouca do que antes. Ele começou a movimentar a mão para cima e para baixo, me masturbando devagar.

— Você sabe que sim — respondi, com a voz entrecortada. Minha mão também deslizou pelo corpo dele, sentindo a pele macia e os músculos firmes. Cheguei até seu pau e o envolvi com os dedos, iniciando um movimento no mesmo ritmo que o dele.

Nossos gemidos ficaram mais altos, ecoando pelo banheiro. A água balançava com nossos movimentos, espirrando em nossas pernas e coxas. As mãos de Yan apertaram meu pau com mais força, me fazendo arquear as costas de prazer.

— Você está muito gostoso com esse bronzeado — murmurou ele, com uma voz compartilhando desejo. Sua outra mão deslizou pelas minhas costas, puxando meu corpo ainda mais perto do dele.

— Você também está Irresistível — respondi, com um sorriso safado nos lábios. Minha mão abre seu membro com mais força, sentindo-o pulsar dentro da palma da minha mão.

Continuamos nos beijando e nos acariciando, os filhos de nossas vozes e gemidos enchendo o ambiente. A banheira estava quente, nossos corpos estavam quentes, e a mistura de sensações era incrível.

Passei o braço ao redor dele instintivamente.

Nossos lábios se encontraram de novo.

O beijo agora era diferente. Mais intenso. Mais presente. Não havia pressa, mas havia vontade. A água continuava a se mover ao nosso redor, acompanhando o ritmo dos nossos corpos.

Quando nos afastamos um pouco, ele murmurou, ainda com a testa apoiada em mim:

— Eu tô gostando de tudo isso.

Respirei fundo antes de responder.

— Vamos com calma… — falei baixo. — Tá tudo acontecendo muito rápido. Mas… — um sorriso escapou. — Eu também tô curtindo bastante.

Ele levantou o rosto, me encarando com atenção.

— Então vamos deixar as coisas acontecerem. — disse com suavidade. — Enquanto for bom pra você, vai ser bom pra mim.

Assenti.

— Tudo bem.

Yan então se moveu, girando o corpo até ficar totalmente de frente pra mim. A proximidade aumentou ainda mais. A água subiu, ondulando ao redor dos nossos corpos.

Ele levou a mão até mim, encostando com firmeza suficiente pra deixar claro o que queria dizer, sem precisar falar demais. O olhar dele mudou completamente — mais intenso, mais atrevido, carregado de intenção.

— Você faz ideia do efeito que tem…? — murmurou, com um sorriso que não era nada inocente.

Sustentei o olhar, devolvendo na mesma medida.

O clima ficou suspenso.

Denso.

Quente.

E ali, naquele instante, tudo parecia prestes a ultrapassar um limite que nenhum dos dois ainda havia nomeado.

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Comentários

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Isso é maldade, parar assim e deixar a gente no suspense e ansioso pelo que vai acontecer.

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Calma, calma... vai valer toda espera.

O próximo capítulo haverá uma grande entrega, eu prometo!

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