Pecando com Johnny (Capítulo 1)

Um conto erótico de ♡♡♡
Categoria: Homossexual
Contém 809 palavras
Data: 13/01/2026 13:44:10
Assuntos: Gay, Homossexual

“Preocupação”

Fevereiro em Curitiba ainda carregava um restinho de calor úmido. O uniforme azul-marinho grudava um pouco nas costas de Tiago enquanto ele caminhava devagar pelo corredor principal do colégio. Último ano. Deveria ser um período de alívio, de contagem regressiva. Mas para ele era principalmente medo disfarçado de ansiedade.

Tiago tinha dezoito anos, pele clara que corava com facilidade, cabelo preto liso caindo um pouco sobre a testa, corpo macio, arredondado, completamente depilado — uma decisão que tomara sozinho, em segredo, porque gostava da sensação da pele lisa sob os dedos quando se tocava à noite pensando em coisas que nunca poderia contar em casa.

E então ele o viu.

Johnny estava parado perto da porta da secretaria, de costas, conversando com a coordenadora. Camisa social branca com as mangas dobradas até o meio do antebraço, calça cinza escura que marcava as coxas e o quadril de quem treinava com regularidade. Cabeça completamente careca reluzindo sob a luz fluorescente. Quando virou o rosto de lado, Tiago conseguiu ver os olhos azuis — hoje eles pareciam mais opacos, distantes.

Algo estava errado.

Tiago sentiu o estômago dar um nó familiar, aquela mistura perigosa de desejo e preocupação que só Johnny despertava nele. Respirou fundo, ajeitou a mochila no ombro e, num impulso que nem ele mesmo entendeu direito, mudou de direção.

Bateu de leve na porta entreaberta da sala da direção.

— Pode entrar — a voz grave de Johnny soou cansada.

Tiago empurrou a porta devagar.

— Oi, diretor… posso falar com o senhor um minutinho?

Johnny levantou os olhos do computador. Por uma fração de segundo seu rosto se suavizou ao reconhecer o garoto.

— Claro, Tiago. Senta aí. — Apontou uma das poltronas de couro preto em frente à mesa larga de madeira escura.

Tiago sentou, as coxas grossas abrindo um pouco mais do que o necessário na poltrona funda. Cruzou as pernas, depois descruzou. Sentia o coração batendo na garganta.

— Eu… eu que vim perguntar isso pro senhor, na verdade. — Ele engoliu em seco. — O senhor tá… diferente hoje. No corredor. Parecia que… sei lá. Que alguma coisa tava pesando.

Johnny arqueou uma sobrancelha, surpreso. Depois soltou um riso curto, sem humor, passando a mão pela nuca lisa.

— Tá me analisando agora, é? — brincou, mas a voz saiu fraca.

— Não é isso… — Tiago baixou o olhar um segundo, depois ergueu os olhos castanhos grandes direto para os azuis dele. — É que o senhor sempre tá bem. Sempre sorrindo pros outros. Pra mim também. E hoje… não sei. Parecia que alguém tinha te machucado.

Silêncio.

Johnny recostou na sua cadeira de couro atrás da mesa, os braços fortes cruzados sobre o peito. Olhou para o teto um instante, como quem decide se vale a pena falar.

— Casamento, Tiago. Às vezes o casamento cansa a gente. — Ele deu de ombros, tentando soar casual. — Coisas de adulto.

Tiago sentiu uma pontada de ciúme tão forte que quase doeu fisicamente. Sabia que Johnny era casado. Todo mundo sabia. Mas ouvir ele falar disso em voz alta era diferente.

— O senhor merece alguém que te faça sorrir de verdade — disse baixo, quase sem pensar.

Johnny o encarou por tempo demais.

— Cuidado com o que fala, garoto… — murmurou, mas não havia bronca na voz. Havia algo mais perigoso: curiosidade.

Tiago se inclinou um pouco para frente, os antebraços apoiados na borda da mesa. A camisa do uniforme abriu o primeiro botão por causa do movimento. A pele clara do peito apareceu, macia, sem nenhum pelo.

— Eu falo sério. — A voz saiu mais rouca do que pretendia. — O senhor é tão… tão bonito quando tá leve. Quando sorri de verdade. Eu fico olhando pro senhor todo dia no corredor. Todo dia.

O ar dentro da sala pareceu ficar mais denso.

Johnny descruzou os braços devagar. Seus olhos desceram pelo rosto de Tiago, pelo pescoço, pelo peito entreaberto, e voltaram rápido para os olhos castanhos, como se tivesse se dado conta do que estava fazendo.

— Tiago… — começou, voz mais grave ainda. — Você é um aluno. Eu sou o diretor. E tenho quase o dobro da sua idade.

— Eu sei. — Tiago não desviou o olhar. — Mas eu não sou mais uma criança. E o senhor não parece tão velho quando me olha do jeito que tá me olhando agora.

Johnny fechou os olhos por um segundo, respirou fundo pelo nariz.

— Vai pra sala, Tiago. — A frase saiu baixa, quase um pedido. — A aula já vai começar.

Tiago se levantou devagar da poltrona. Antes de virar para a porta, parou, olhou por cima do ombro.

— Se o senhor precisar conversar… de verdade… eu tô aqui. — E então, num tom quase inaudível: — Qualquer hora. Qualquer lugar.

Johnny não respondeu.

Mas quando Tiago abriu a porta e saiu, sentiu claramente que os olhos azuis continuaram grudados nas suas costas — e um pouco mais abaixo — até o momento em que a porta se fechou.

Continua…

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Comentários

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Muito interessante, despertou minha curiosidade. Gostaria de acompanhar.

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