# Capítulo 4: Propriedade Comum
A água do chuveiro bateu nas minhas costas, quente o suficiente pra deixar a pele vermelha, mas não o suficiente pra lavar a sensação de sujeira. Ou talvez não fosse sujeira. Talvez fosse clareza. Enquanto a espuma escorria pelo ralo, minha mente repassava as últimas 24 horas como um filme acelerado, cada frame queimando na minha retina com uma nitidez dolorosa. A Raquel na praia, rindo enquanto a areia caía dos seios. A Raquel nua no strip poker, girando pra exibir o corpo como uma mercadoria na vitrine. A Raquel sentada no colo do André, esfregando a bunda no pau dele com a naturalidade de quem nasceu pra isso. E então, o pensamento me atingiu. Não foi um soco. Foi um clique. Frio. Metálico. Definitivo. Eu não a conheço. Eu achei que namorava uma menina doce, um pouco tímida, que eu precisava proteger e conquistar, construir um futuro, apresentar pra mãe. Mas essa mulher lá embaixo? Essa que mostra os peitos pra três homens com um sorriso no rosto? Essa que deixa meu melhor amigo massagear a bunda dela na minha frente? Essa não é a *minha* namorada. Essa é pública.
Desliguei o chuveiro, sentindo o silêncio do banheiro amplificar a batida seca do meu coração. O vapor encheu o espelho, transformando meu reflexo num fantasma borrado. Limpei o vidro com a mão, encarando as olheiras fundas, a tensão na mandíbula. Mas vi algo novo também. Um sorriso cínico, torto, que eu não reconhecia. Se ela não é minha, então por que eu estou sofrendo tentando mantê-la só pra mim? Por que estou lutando contra a correnteza, me afogando em ciúme e insegurança, quando posso simplesmente nadar a favor? Ela quer ser desejada por todos? Ótimo. Ela quer ser a "puta da casa"? Perfeito. Mas putas não são pra casar. Putas são pra curtir. Enxuguei o rosto com a toalha áspera. A dor no peito sumiu, substituída por um vazio gelado e excitante, uma dormência narcótica. Acabou o "namoro sério". Acabou o "futuro juntos". Agora, é só fim de semana. É só carne. É só diversão. E se ela quer brincar, eu vou jogar. Mas do meu jeito. Não vou ser o corno manso que assiste do canto choramingando. Eu vou ser um dos usuários. Vou pegar minha parte dessa carne pública antes que ela estrague.
Saí do banheiro, a toalha enrolada na cintura. Raquel estava sentada na cama, também de toalha, passando creme nas pernas longas e bronzeadas. O cheiro de coco e pele limpa encheu minhas narinas, mas não senti ternura. Senti fome. Ela parou quando me viu, os olhos azuis cheios de uma cautela irritante. "Melhor?", ela perguntou, a voz mansa de quem sabe que fez merda mas espera ser perdoada porque é bonita. "Muito", respondi, e sorri. Não aquele sorriso forçado de namorado compreensivo. Um sorriso real. De predador. "Que bom", ela relaxou visivelmente, soltando o ar. "Achei que você ia ficar bravo por causa da praia. Por causa... de tudo." Ri, vestindo uma bermuda sem pressa, deixando ela ver meu corpo relaxado. "Bravo? Por que ficaria bravo? Você estava gostosa pra caralho. Todo mundo achou. E honestamente? Eu cansei de ser o único a não aproveitar." Ela piscou, surpresa com a resposta direta, a confusão nublando o rosto bonito. "Como assim?" "Assim", apontei pro corpo dela. "Você gosta de mostrar. Eles gostam de ver. E eu... eu gosto de ver você sendo o que você realmente é."
Raquel sorriu, aquele sorriso de gata que acabou de ganhar creme, misturado com um alívio perverso. "Viu? Eu disse que podia ser divertido." "Divertido", repeti, testando a palavra na língua. "É. Vai ser divertido. Mas tem uma coisa, Raquel." Caminhei até ela, parei na frente da cama, olhando de cima. "Se você vai ser a diversão do fim de semana, você vai ser *de verdade*. Sem essa de provocar e recuar. Sem essa de 'só olhar'. Se você quer ser puta, seja puta completa." O sorriso dela vacilou um pouco, mas o brilho nos olhos aumentou. Tesão e medo. A combinação perfeita. "O que você quer dizer?" "Quero dizer que o acordo mudou. Eu mudei." Me inclinei, segurando o queixo dela com força, obrigando-a a me encarar. "Você quer dar pra eles? Dar de verdade?" Ela engoliu em seco. "Brian... eu..." "Não minta pra mim. Eu vi como você olhou pro pau do Miguel ontem. Eu vi como você esfregou a buceta na perna do André. Você quer." Soltei o rosto dela. "E eu quero que você dê. Quero ver você sendo fodida por eles. Quero ver você engasgar com o pau deles. E depois... depois eu quero meter nessa buceta arrombada e misturar minha porra com a deles."
Ela ficou paralisada, a respiração presa, o rosto corando violentamente. Eu tinha acabado de verbalizar a fantasia mais suja e secreta dela, e ao mesmo tempo, destruído qualquer chance de romance que ainda restasse. "Você... tá falando sério?" "Mortalmente sério. Sem calcinha hoje. E sem limites." Ela mordeu o lábio, os olhos vidrados. Assentiu devagar. "Sem calcinha." "Ótimo. Vamos descer. Os clientes tão esperando."
O jantar foi churrasco. O Miguel estava na grelha, cercado de fumaça cheirosa e garrafas de cerveja vazias. O André arrumava a mesa na varanda. O Caio... bem, o Caio tinha sumido de novo, a consciência moral dele incapaz de lidar com a nossa degeneração. Azar o dele. Mais carne pra nós. "Chegou a estrela da noite", o Miguel saudou quando Raquel entrou na área externa, usando um vestido branco soltinho, sem nada por baixo. A luz da varanda fazia o tecido ficar translúcido, revelando a sombra dos mamilos e o triângulo escuro entre as pernas. "E o dono da estrela", o André completou. "Correção", eu disse, pegando uma cerveja gelada e encostando no balcão. "O *gerente* da estrela. Hoje a estrela é de domínio público." Os caras pararam. O silêncio caiu pesado, cortado apenas pelo chiar da gordura na grelha. Raquel se encolheu levemente ao meu lado, mas não negou. "Como é que é?", o Miguel perguntou, largando o pegador de carne, um sorriso incrédulo começando a se formar. "É isso aí", tomei um gole longo, sentindo o álcool queimar agradavelmente. "Cansei de ser o chato que estraga a festa. A Raquel tá com tesão. Vocês tão com tesão. Eu tô com tesão de ver a putaria rolar solta. Então... liberou geral."
O André olhou pra mim, depois pra Raquel, depois pra mim de novo. "Geral? Tipo... tudo?" "Tudo", confirmei. "Buraco que tiver vago, pode ocupar." Raquel soltou um gemido baixo, audível no silêncio. O rosto dela estava vermelho, mas ela não fugiu. Ficou ali, exposta, oferecida. "Vem cá, Raquel", o Miguel chamou, a voz rouca, os olhos fixos nela como um lobo. "Vê se essa linguiça tá boa." A piada de duplo sentido foi óbvia, vulgar, perfeita. Ela foi. Caminhou até ele, o quadril balançando sob o vestido fino. O Miguel não ofereceu carne nenhuma. Ele simplesmente colocou a mão na nuca dela e a puxou pra um beijo. Não foi um beijo técnico. Foi um ataque. Ele enfiou a língua na boca dela, a mão livre descendo pra apertar a bunda com força, puxando o corpo dela contra o pau dele. Raquel gemeu contra a boca dele, as mãos subindo pra agarrar os ombros largos dele. Fiquei assistindo, bebendo minha cerveja. Senti uma pontada de ciúme? Talvez. Mas foi esmagada por uma onda massiva de excitação voyeurística e desprezo. Ali estava ela. A mulher que eu amava. Beijando meu amigo como se a vida dependesse disso, segundos depois de eu dar a permissão. Tão fácil. Tão barata. Tão gostosa.
"Minha vez", o André disse, levantando da cadeira. Ele foi até eles, quebrando o beijo. Raquel olhou pra ele, lábios inchados, olhos turvos de luxúria. O André não beijou a boca. Ele se ajoelhou na frente dela, ali mesmo no chão de pedra da varanda. Levantou a barra do vestido branco. Raquel abriu as pernas instintivamente. Não tinha calcinha. A buceta dela estava ali, exposta, os lábios inchados e brilhantes de umidade. "Puta merda", o André sussurrou, e enterrou o rosto nela. Raquel gritou. Jogou a cabeça pra trás, as mãos agarrando o cabelo do André, os quadris empurrando contra o rosto dele. O Miguel ficou atrás dela, beijando o pescoço, as mãos apertando os seios por cima do vestido até puxar o tecido pra baixo e liberar os mamilos duros. Fiquei assistindo a cena grotesca e magnifica. Minha namorada sendo devorada nas duas pontas pelos meus amigos. O som das chupadas do André se misturava com os gemidos dela e o estalar dos beijos do Miguel. Caminhei até eles. Parei ao lado do Miguel. "Gostoso, Raquel?", perguntei, a voz fria cortando o calor do momento. Ela abriu os olhos, focando em mim com dificuldade. "Sim... sim, Brian... é muito bom..." "Você é uma vadia suja, sabia?", disse, tirando meu pau pra fora da bermuda. "A maior vadia que eu já conheci." "Sou... eu sou sua vadia..." "Minha não. Nossa. Chupa aqui." Apontei pro meu pau.
O Miguel entendeu o recado. Ele se afastou um pouco, dando espaço. Raquel, ainda com o André com a cara no meio das pernas dela, se inclinou pra frente e abocanhou meu pau. A boca dela estava quente, úmida, experiente. Ela chupou com vontade, com fome, enquanto o André lambia o clitóris dela lá embaixo. A sensação foi avassaladora. Ter a boca da minha mulher no meu pau enquanto outro homem fazia ela gozar com a língua... era a definição de poder absoluto e degradação total. Eu não estava sendo deixado de lado. Eu estava no comando da orgia. Eu estava usando a boca dela como um buraco utilitário enquanto permitia que meus amigos usassem o resto. "Isso", rosnei, segurando a cabeça dela, fodendo a boca dela no ritmo das lambidas do André. "Chupa essa porra. Mostra pra eles como você é boa de serviço." O Miguel, não querendo ficar de fora, tirou o pau pra fora também. "Tem espaço pra mais um aí?", ele perguntou, esfregando a cabeça do pau na bochecha dela. Raquel soltou meu pau com um som de "pop", olhou pro pau do Miguel, depois pro meu. O sorriso dela era de pura insanidade luxuriosa. "Tem... tem espaço pra todos..."
Ela tentou chupar os dois ao mesmo tempo, mas era demais. Então ela alternou. Uma chupada no meu, uma no do Miguel. O André lá embaixo acelerou o ritmo, os dedos agora entrando e saindo dela, fazendo barulhos molhados que ecoavam na varanda. "Vou gozar!", ela gritou, o corpo inteiro retesando. O André não parou. Ele sugou o clitóris dela com força. Raquel convulsionou, gozando violentamente na boca dele, enquanto as mãos dela apertavam nossos paus freneticamente. Quando ela terminou, caiu de joelhos no chão, ofegante, o vestido branco manchado de suor e fluidos, o cabelo bagunçado, a maquiagem borrada. Parecia uma boneca quebrada. Uma boneca sexual usada e descartada. "Levanta", ordenei. "A noite tá só começando."
Levamos a festa pra sala. Música alta, garrafas de vodka na mesa, clima de bacanal romano. Raquel não vestiu nada. Ficou nua, servindo bebidas, dançando pra nós, sendo apalpada e beijada a cada vez que passava perto de um sofá. O Caio desceu em algum momento pra pegar água. Viu a Raquel de quatro no tapete enquanto o Miguel dava tapas na bunda dela. Viu meu pau na mão, batendo uma punheta preguiçosa enquanto assistia. Ele ficou pálido, deu meia volta e correu pro quarto, batendo a porta. Rimos dele. Rimos da moralidade dele. Quem precisa de moral quando se tem prazer ilimitado? "Brian", o Miguel chamou, a voz embargada de tesão e álcool. "Posso comer o cu dela? Sempre quis comer o cu dessa mulher." Olhei pra Raquel. Ela estava deitada no sofá, pernas abertas, o André chupando os peitos dela. Ela me olhou, esperando a permissão. O veredito do dono. "O cu?", fingi pensar. "O cu é apertado, Miguel. Tem certeza que você aguenta?" "Aguento até o talo." "Então vai. Arromba ela."
Raquel arregalou os olhos. Talvez esperasse que eu protegesse pelo menos esse limite. Mas não havia mais limites. Havia apenas buracos e vontades. O Miguel não esperou. Virou ela de bruços no sofá. Cuspiu na mão, passou no pau dele, passou no buraco dela. E empurrou. Raquel gritou de dor e surpresa, mas o grito logo virou gemido quando ele começou a meter com força. O André saiu dos peitos e veio pra frente dela, oferecendo o pau pra ela chupar. E eu? Eu fui pra trás do Miguel. "Vai com força", incentivei, dando um tapa nas costas dele. "Faz ela sentir quem manda." O Miguel metia como um animal, grunhindo, suando. A Raquel gemia abafado com o pau do André na boca. A visão daquelas duas bundas se chocando, da minha namorada sendo usada como um pedaço de carne por dois amigos... foi o ápice. Tirei meu pau, me posicionei na cara do André. "Sai daí", disse. O André tirou o pau da boca dela. Eu enfiei o meu. "Chupa o meu enquanto ele te arromba", ordenei.
Ficamos assim por horas. Ou minutos. O tempo perdeu o sentido. Era só carne, suor, cheiro de sexo, gemidos, tapas. Revezamos. O André comeu a buceta dela enquanto eu comia o cu. O Miguel chupou os peitos enquanto o André metia na boca. Eu gozei na cara dela. O Miguel gozou dentro do cu. O André gozou nos peitos. No final, Raquel estava jogada no tapete, coberta de porra, suor e marcas vermelhas. Exausta. Destruída. E sorrindo. "Satisfeitos?", perguntei, vestindo minha bermuda, sentindo aquele vazio pós-orgasmo preencher meu peito. "Caralho, Brian", o Miguel disse, deitado no sofá, braço sobre os olhos. "Isso foi... a melhor foda da minha vida." "A minha também", o André concordou. Olhei pra Raquel. "E você, putinha? Gostou de servir seus donos?" "Gostei...", ela sussurrou, a voz rouca. "Gostei muito..." "Ótimo. Agora vai se limpar. Você tá nojenta."
Ela levantou com dificuldade, as pernas tremendo, escorrendo porra de todos os buracos. Caminhou cambaleante até o banheiro de baixo. Não senti pena. Senti orgulho do meu novo brinquedo. Ela funcionava perfeitamente.
O dia seguinte, domingo, amanheceu com uma ressaca moral inexistente e uma ressaca física brutal. Mas o clima na casa tinha mudado. Não havia mais tensão, nem segredos, nem "será que pode". Havia uma camaradagem suja. Raquel desceu pra cozinha usando apenas uma camiseta minha, sem calcinha, obviamente. Ninguém desviou o olhar. O Miguel deu um tapa estalado na bunda dela quando ela passou pra pegar café. O André puxou ela pro colo enquanto comia torrada, enfiando a mão por baixo da camiseta pra brincar com os peitos dela. Eu assisti tudo tomando meu café preto, sentindo como se fosse o imperador de Roma observando seus gladiadores. "O que vamos fazer hoje?", o Miguel perguntou, mão na coxa da Raquel. "Praia", decidi. "Quero ver ela dando na areia. Ontem foi só preliminar."
Na praia, o sol estava implacável. Raquel tirou a camiseta assim que pisamos na areia. Ficou nua. Ninguém se importou em olhar pros lados pra ver se tinha vizinhos. A propriedade era isolada, e mesmo se não fosse, quem se importa? O exibicionismo fazia parte do pacote agora. Entramos na água. Transei com ela boiando, segurando ela pela cintura enquanto o Miguel segurava os peitos e o André assistia de baixo d'água com óculos de natação, vendo meu pau entrar e sair dela. Depois, na areia, fizemos o que eu prometi. Ela de quatro na toalha. O André metendo na buceta. O Miguel na boca. E eu sentado numa cadeira de praia, bebendo cerveja, filmando tudo com o celular. "Olha pra câmera, amor", eu disse. "Diz pro vídeo o que você é." Ela tirou o pau do Miguel da boca por um segundo, olhou pra lente, os olhos vazios e cheios de luxúria. "Eu sou uma puta... a puta dos amigos do Brian..." "Isso mesmo. Continua chupando."
O dia passou num borrão de sexo e sol. Ela foi usada em todas as posições, em todos os buracos, múltiplas vezes. Ela não reclamou. Não pediu pra parar. Pelo contrário, parecia se alimentar da degradação. Quanto mais a tratávamos como objeto, mais ela gemia, mais ela se entregava. Era como se ela tivesse esperado a vida toda pra alguém tirar o peso da "decência" dos ombros dela. E eu fui o libertador. O libertador cruel que a entregou aos leões. No final da tarde, estávamos todos esgotados, queimados de sol, saciados. Raquel dormiu na areia, enrolada numa toalha, parecendo um anjo caído. O Miguel sentou ao meu lado, abriu duas cervejas, me passou uma. "Mano... vou te falar", ele disse, olhando pro horizonte. "Eu nunca achei que você tivesse coragem pra isso." "Nem eu", admiti. "Mas a gente muda." "E agora? O que acontece quando voltarmos pra São Paulo?" Olhei pra Raquel dormindo. "Nada muda. A gente continua. Talvez a gente chame mais gente. Talvez a gente vá numa casa de swing. O céu é o limite quando você não tem mais alma." O Miguel riu, brindou com a garrafa na minha. "Saúde à falta de alma então." "Saúde."
Arrumamos as malas ao pôr do sol. A viagem de volta foi silenciosa, mas não tensa. Raquel dormiu no banco de trás, a cabeça no colo do André, os pés no colo do Miguel. Eu dirigia, ouvindo um rock clássico baixo, sentindo uma paz estranha. Eu tinha perdido minha namorada "decente", sim. Mas tinha ganhado algo muito mais interessante. Uma cúmplice. Uma escrava. Um passaporte pro mundo do prazer sem consequências emocionais. Quando deixamos o Miguel e o André em casa, eles se despediram da Raquel com beijos na boca e apertões na bunda, na minha frente, na rua. "Até a próxima, putinha", o Miguel disse. "Tchau... donos", ela respondeu, tímida mas sorrindo. Entrei no carro com ela. O silêncio durou até chegarmos no nosso prédio. No elevador, apertei o botão do nosso andar. Raquel me olhou pelo espelho. "Você ainda me ama?", ela perguntou, a voz pequena. Virei pra ela, analisei o rosto cansado, os lábios inchados, a marca de chupão no pescoço. "Amar é uma palavra forte, Raquel", respondi, calmo. "Eu gosto de você. Gosto de como você fode. Gosto de como você obedece. Isso é suficiente pra mim agora. É suficiente pra você?" Ela pensou por um momento. As portas do elevador se abriram. "Sim", ela disse. "É suficiente."
Entramos em casa. Nossa casa. Mas parecia diferente agora. As paredes pareciam saber o que tínhamos feito. O sofá parecia esperar as próximas orgias. Joguei as chaves na mesa. "Vai tomar banho", ordenei. "Quero você limpa na minha cama em dez minutos. E traz o lubrificante. Ainda não acabei com você hoje." "Sim, senhor", ela disse, e foi pro banheiro sem questionar. Sentei no sofá, liguei a TV, coloquei num canal qualquer. A vida continuava. As notícias passavam. O mundo girava. Mas eu sabia que, pra nós, nada seria como antes. Tínhamos cruzado a linha vermelha, queimado a ponte, e estourado o dique. E a inundação estava apenas começando. Peguei meu celular, abri o vídeo que fiz na praia. Dei play. O som dos gemidos dela encheu a sala. Sorri. É. Vai ser divertido.
*[Capítulo 4 - Fim]**