O Experimento - Dia 1

Um conto erótico de Ramon66
Categoria: Heterossexual
Contém 3382 palavras
Data: 14/01/2026 09:38:49

Gabriel sempre foi pé no chão, mas tinha topado na hora. E não ia se arrepender.

Um brother de um amigo tinha contado sobre o experimento.

"Você tem tudo a ver com isso," disseram.

No começo pareceu meio furada. Cinquenta dias isolado. Sem contato nenhum com o mundo lá fora, mas a grana era absurda e a universidade realmente estava bancando. Era parada séria.

A primeira entrevista esclareceu algumas coisas, mas não tudo.

Ele seria levado para uma casa no interior e ficaria trancado lá com outros seis participantes. Falaram que o lugar tinha piscina, biblioteca, sauna, academia e várias outras paradas de lazer. A comida seria fornecida, mas eles mesmos teriam que cozinhar, e não haveria interação direta com os observadores. Os participantes não seriam informados sobre a pergunta de pesquisa do experimento, para não interferir. Fazia sentido.

Gabriel aceitou, assinou os papéis e ficou na maior expectativa. Foi buscado e trazido na noite passada, onde recebeu as últimas instruções de um pesquisador. Ganharia um tablet com funções limitadas. Teria acesso a música, apps de streaming, uma plataforma de mensagens para falar com os outros participantes e com os pesquisadores - essa última opção só em caso de extrema necessidade. Também tinha um app para pedir coisas para a casa (dentro do razoável) e solicitar comida, um app de pesquisa onde teria que responder um questionário todo dia antes de dormir. Por fim, também poderia acionar emergência pelo tablet. Antes de ser liberado, Gabriel foi informado que não havia câmeras nem microfones na casa. Foi instruído a colocar o despertador para as oito da manhã, quando deveria ir à área comum conhecer o pessoal.

**DIA 1**

Seguindo direitinho as instruções, Gabriel agora se via de camiseta branca, calça de moletom cinza e chinelos confortáveis, parado na sala comum diante da primeira grande surpresa.

Todas as outras seis participantes eram mulheres.

Todas de mesma roupa, reunidas conversando em volta da bancada da cozinha. Uma mulher alta de rabo de cavalo loiro escuro foi a primeira a cruzar o olhar com ele.

"Opa," ela riu, "Agora ficou bem mais claro sobre o que vai ser esse experimento."

A maioria das outras riu junto.

"Sou a Fernanda," ela continuou, "Curtiu dormir até mais tarde?"

Gabriel não sabia como responder.

"É... Sou o Gabriel. Como assim? Acordei no horário que falaram. Oito horas."

"Espertinho," uma morena de corte assimétrico pintado de vermelho comentou. "Todas nós fomos instruídas a acordar às sete e meia. Sou a Larissa, por sinal."

Ela estendeu a mão, que ele apertou.

Fernanda assumiu de novo.

"Por que você não toma café também? Tem café e ovos. A gente pode se apresentar rapidinho."

Gabriel só assentiu e montou um prato.

"Então, de novo, sou a Fernanda. Tenho trinta anos. Trabalho com marketing e tô treinando pra uma maratona, então espero que tenha esteira na academia."

Gabriel resistiu em olhar para o peito dela enquanto se apresentava, o que estava longe de ser fácil.

Fernanda olhou para a mulher ao lado, mais velha com uma trança ruiva, esperando.

"Sou a Isabel, 50. Dou aula de yoga. Entrei nesse experimento querendo me conectar com pessoas."

A próxima foi sua vez. Era Larissa.

"Tenho 25. Acabei de me formar em arquitetura. Tô aqui porque pareceu massa fazer antes de começar a trampar."

"Sou a Valentina. Tenho 40. Trabalho como detetive particular," a loira platinada ao lado de Larissa falou com um sotaque que Gabriel não conseguiu identificar bem. "Acho que tô aqui porque tem a ver com meu trabalho?"

Valentina teve que cutucar a ruiva ao lado para ela falar.

"Ah. Sou a Clara. Tenho 20. Tô na faculdade."

Todo mundo esperava que ela dissesse mais, mas nada veio.

"Obrigada, Clara," a última mulher quebrou o silêncio. "Sou a Daniela. Tenho 45. Sou enfermeira. Gosto de experimentar coisas novas. Tenho gêmeos. Um menino e uma menina. Eles têm sua idade, Clara."

Doze olhos fixos no Gabriel.

"Sou o Gabriel. Tenho 30. Sou professor. Achei que seria massa passar as férias assim. Um brother de um amigo me contou."

"Então temos 7 pessoas de 20 a 50 anos com intervalos de 5 anos?" Valentina observou, "E só um homem."

Isabel entrou na conversa: "Sugiro não esquentarmos muito a cabeça com o experimento. A gente tá num lugar lindo. Que tal darmos uma volta?"

O grupo topou animado. A sala comum era toda integrada. Tinha cozinha e área de refeição, mesa grande de jantar e um salão com som, TV e lareira. A escada pros quartos dava direto nessa sala. O lado sul tinha janelões do chão ao teto mostrando o jardim com piscina e uma área gourmet, além de uma vista linda do interior.

O grupo foi em direção a uma das portas fechadas, liderado por Fernanda. Daniela e Gabriel fechavam a fila.

Ela pegou no pulso dele.

"Olha, não te conheço, mas vou deixar claro," ela encarou ele nos olhos. "Você não encosta um dedo na Clara, senão vai ter que se entender comigo. Não tô nem aí que estamos trancados aqui por cinquenta dias. Tenho certeza que vai ter outras mulheres disponíveis pra você."

Gabriel ficou pregado no chão.

"Ã... eu..."

Daniela já tinha atravessado a porta antes dele conseguir dizer algo que fizesse sentido.

Entraram no que ele imaginou ser a biblioteca. Cheio de livros. Um toca-discos e vinis. Vários pufes e poltronas Chesterfield.

"Opa," Larissa disse pegando o álbum dos Engenheiros do Hawaii da prateleira.

A outra porta da biblioteca levava à caldeira e lavanderia. Não tinha muito para ver.

A trupe voltou pra sala principal, achou uma porta que dava num depósito ao lado da cozinha. Outra sala levava ao porão onde acharam a academia, que empolgou Fernanda, e uma sauna. O porão tinha uma segunda escada que dava direto lá fora. Pra piscina e jacuzzi.

O único cômodo que faltava no térreo tinha vários boxes de banheiro.

O primeiro andar tinha um corredor e nove cômodos. Sete eram quartos, todos com cama king e área de estar. O quarto do Gabriel ficava bem no meio. Os outros dois no final do corredor eram os banheiros compartilhados.

"Bem mais bonito que minha casa," Daniela brincou.

"Acho que devíamos fazer uma reunião. Definir umas regrinhas básicas, sabe?" Fernanda sugeriu.

E assim rolou. Antes de qualquer um explorar o lugar sozinho, estavam reunidos em volta da mesa enorme pra primeira reunião. Daniela tomou a frente. Alguns combinados práticos óbvios foram feitos primeiro. Horários de banheiro e forma de dividir as tarefas da casa. Larissa usou papel da biblioteca pra fazer isso e grudou na porta da geladeira. Clara sugeriu uma política de não-perturbação quando alguém estivesse no quarto com porta fechada, e todo mundo concordou. Isabel levantou a necessidade de um sistema de resolução de conflitos.

"Somos sete pessoas, cinquenta dias. Vai rolar hora que não vamos concordar. Acho que seria esperto ter um sistema pra não escalar os conflitos."

"Boa, Isabel," Valentina apoiou. "Acho que se rolar desacordo em algo que afeta todo mundo, a gente vota. Deixa cada lado defender sua posição e decide em grupo. Acho melhor ser votação anônima."

O grupo concordou.

"Não sei como lidar com treta pessoal, porém," Valentina continuou. "Sugestões?"

Gabriel olhou a mesa toda.

"Somos todos adultos, né? Devíamos conseguir resolver entre a gente, não?" Fernanda disse.

Gabriel não tinha tanta certeza. Cinquenta dias no mesmo teto ia ficar tenso em alguns momentos.

"E se a gente deixasse as pessoas resolverem sozinhas até gente suficiente dar um toque pra começar mediação?" ele sugeriu.

"Como assim?" Daniela respondeu.

"Tipo, se a maioria aqui, quatro pessoas, concordarem que precisa fazer algo, a gente se reúne pra conversar? Faz sentido?"

Os outros acenaram.

"Mais alguma coisa?" Daniela perguntou.

Ninguém falou.

"Que tal outra reunião daqui dois dias?" Larissa sugeriu. "Pode ter aparecido umas paradas até lá."

Todos concordaram e Daniela encerrou.

Era hora do almoço, e como ainda não tinham pedido comida pelo app, tinha ingredientes no depósito e na geladeira pra fazer salada. Gabriel decidiu ir de leve e anotou mentalmente pedir abacate pro dia seguinte.

Depois do almoço, galera se espalhou pela casa. Gabriel decidiu dar um rolê do lado de fora, olhou a piscina e jacuzzi de perto e descobriu que tinha um pomar do lado da casa. Não tinha muitas casas por perto. A mais próxima, Gabriel sabia, tinha alguns dos pesquisadores.

Depois de explorar lá fora, foi pra biblioteca onde pegou um livro e um pufe. Não tinha mais ninguém até uns quinze minutos depois.

"Ah, tá aqui," Fernanda cumprimentou. A loira energética se jogou num pufe na frente do Gabriel, que não conseguiu não reparar que ela tinha tirado o sutiã. Os mamilos marcavam claramente no tecido da camiseta branca.

"E aí," ela continuou, "o que você andou fazendo?"

Gabriel descreveu o jardim e o pomar enquanto Fernanda contou que testou a academia e tomou um banho rápido. Aparentemente tinha várias funções pra escolher pressão e temperatura exatas. "Melhor banho da minha vida," foi a avaliação dela.

Gabriel não conseguia resistir dar uma olhada nos seios dela agora se movendo soltos toda vez que Fernanda mudava de posição. Tentava ser respeitoso, mas ela não facilitava.

"Gostou do que viu, taradinho?" ela pegou ele no flagra.

Gabriel travou. Era o primeiro dia e já tinha deixado alguém desconfortável. Porra.

A expressão séria de Fernanda amoleceu.

"Relaxa, mano. Só tô zoando. Cara, eu ia ficar ofendida se você não olhasse."

Ele ainda não sabia o que dizer. Fernanda continuou.

"Você tem alguma teoria sobre o experimento?"

Ela baixou a voz.

"Seis mulheres e um homem isolados. Tem que ser algo sexual, né?"

Gabriel desviou do assunto.

"Sei lá. Pode ser sobre dinâmica de gênero? Ou só dinâmica de grupo mesmo. Talvez tenham feito o mesmo com grupo mais equilibrado? Ou o contrário? Ou só homens? Ou só mulheres?"

"Pode ser."

Pausa.

"E aí, Gabriel, como é sua vida lá fora? Tem namorada? Namorado?"

Ele riu.

"Solteiro. E hétero, se é isso que quer saber."

"Ótimo," ela disse.

Gabriel não soube lidar com essa resposta.

"E você?"

"Também solteira. E hétero. Faz tempão que não fico cinquenta dias sem transar, vou te falar. Não tô animada pra isso não."

"Vai ser uma experiência interessante. E a galera parece legal. Na real tô até animado."

"Sabe, esses caras nos tentam com piscina e jacuzzi, mas revirei meu quarto e não achei biquíni nem sunga. Só tem moletom, camiseta, blusa, chinelo, tênis e roupa íntima. Você recebeu mais coisa?"

"Mesma coisa no meu armário," Gabriel respondeu. "Vai ter que pedir no app, imagino."

"Já tenho uma lista do que quero. Espero que não sejam muito chatos."

A conversa morreu e Fernanda colocou um fone e ouviu podcast enquanto Gabriel voltou a ler.

Ficaram em silêncio até o podcast acabar. Fernanda levantou e esticou os braços, levantando a camisa o suficiente pra mostrar um pedaço da barriga sarada. Dessa vez Gabriel nem tentou esconder que tava conferindo. Jurava que viu um sorrisinho maroto no rosto dela antes de sair.

Logo depois ele voltou pra sala principal. Deu oi pra Clara, Valentina e Daniela jogando jogo de tabuleiro e conferiu a lista de tarefas. Não podia fazer nada ainda já que sua tarefa era lavar roupa na semana e ainda era só o primeiro dia. Viu que Daniela estava encarregada do jantar, então se ofereceu pra ajudar.

"Ah, que gentil, Gabriel. Dei uma olhada mais cedo no que tem. Tem ingrediente pra fazer macarrão à bolonhesa então podia usar alguém pra ajudar a cortar legumes. Entendo que tem vegetarianos aqui, então vamos ter que dividir o trabalho."

"Beleza, me chama quando precisar. Ou manda mensagem. Vou ficar no quarto."

Com isso subiu pro corredor do primeiro andar onde esbarrou com Larissa saindo do banheiro enrolada na toalha.

"Ah, o cromossomo Y. Tá curtindo?"

"Tô. E você?"

"Tô de boa. Aposto que tá ansioso né. Isolado e cercado por, vamos ser sinceros, um monte de mulher gata."

Gabriel sentiu que estava sendo testado.

"Só espero que a gente se dê bem."

"Você é tão cuidadoso, é fofo. Acho que não devemos subestimar a Isabel. Instrutora de yoga? Ela me dá vibe forte de amor livre."

Gabriel riu nervoso.

"Vamos ver né."

Os dois foram pros quartos.

Era só o primeiro dia e já rolava várias conversas cutucando ele. Gabriel sentia que tinha que ser bem cauteloso. Não queria que a casa parecesse insegura pra nenhuma das participantes. O aviso da Daniela sobre a Clara veio rápido, mas ela estava certa.

Relaxando na cama, o tablet fez 'ping' umas 18h. Devia ser Daniela chamando pro jantar.

Não era.

Gabriel abriu o app de mensagens pela primeira vez, clicou no aviso de que os pesquisadores não tinham acesso aos chats e achou uma mensagem da Fernanda.

Era uma foto. Selfie dela no espelho de corpo inteiro do quarto. Mesma roupa de antes mas agora descalça, olhos azuis fixos na câmera. Parecia que tinha ligado o ar condicionado no máximo, ou era só iluminação boa.

Dava pra ver que ela tava tentando algo.

"Foto dura mais tempo 😉"

Caralho.

Começou a digitar resposta mas não conseguiu chegar em algo pra mandar.

Antes que pudesse, segunda mensagem chegou.

"Cadê meu ajudante?" Daniela tinha mandado.

Fechou o app sem responder nenhuma das duas e desceu correndo. Todo mundo menos Daniela, já na cozinha, e Fernanda.

Gabriel seguiu as instruções da Daniela direitinho, Fernanda chegou pra se juntar às outras na sala, e logo estavam de novo em volta da mesa de jantar. Larissa, Isabel e ele sentados juntos numa ponta já que compartilhavam a versão vegetariana.

Perto do fim da refeição, foi Clara quem surpreendentemente deu uma sugestão pra noite.

"Então, conheço esse jogo quebra-gelo. Achei que seria legal pra gente se conhecer melhor. A gente pode jogar hoje?"

Olhou em volta da mesa tipo pedindo permissão pra continuar.

"Todo mundo escreve dois fatos curiosos sobre si, aí coloca tudo num pote e tira um por um. Tem que adivinhar de quem é. Se acertar, ganha ponto. Claro, você escreve seu nome se for seu, mas não ganha ponto."

"Legal," Larissa apoiou na hora.

"Podia ter prêmio pro vencedor," Valentina sugeriu.

"Vencedor decide o menu de amanhã," Isabel sugeriu.

Fernanda revirou os olhos.

"Chato. Que tal o vencedor poder fazer uma regra besta que todo mundo menos ele tem que seguir amanhã?"

Rolou votação. Sugestão da Fernanda ganhou.

Larissa liderou lavando louça enquanto Clara e Daniela foram pra biblioteca cortar papel em tiras pra todo mundo escrever.

Galera se reuniu na sala e os cartões foram feitos. Daniela apresentou uma tigela da cozinha pra depositar.

O grupo decidiu que adivinhação seria escrevendo no tablet.

Clara tirou a primeira e leu em voz alta.

"Tenho pavor de golfinhos."

Todo mundo olhou em volta tentando ler rostos antes de rabiscar no tablet.

Gabriel não fazia ideia. Podia ser qualquer uma. Foi de Daniela.

"Três, dois, um..."

Todos mostraram tablets.

Larissa rabiscou "EU!" em negrito no tablet.

Clara e Valentina acertaram.

Daniela anotou pontuações e Clara leu a segunda.

"Tenho tatuagem logo abaixo da linha da cintura."

Resposta óbvia seria Larissa já que tinha várias tatuagens visíveis. Isabel tinha umas sutis também. Hesitou um momento já que duas de Larissa seguidas parecia improvável mas foi nela.

Resposta certa era Fernanda.

Só Isabel acertou.

Larissa animou.

"Mostra!" instruiu Fernanda.

A loira fingiu resistência por meio segundo e levantou, ergueu a camisa mostrando barriga sarada de novo e puxou o moletom ligeiramente pra baixo. Tatuagem pequena de estrela apareceu.

Cobriu e sentou.

Terceira.

"Posso portar arma legalmente."

Óbvio. Valentina era detetive. Gabriel acertou, assim como todo mundo.

"Sei 'Cidade de Deus' de cor."

Gabriel imaginou que devia ser Clara ou Larissa. Alguém mais novo. Chutou Clara e acertou. Larissa, Fernanda e Valentina também.

"Meu prazer culpado é assistir reality de confeitaria."

Podia ser qualquer uma de novo. Chutou Isabel.

Larissa e Isabel acertaram que era Daniela. Clara tinha chutado ele. Parecia envergonhada.

"Tenho pavor de falar em público."

Era dele. Ninguém acertou.

"Ué, você não é professor? Não é falar por profissão?" Valentina comentou.

Gabriel deu de ombros.

"Nunca tive televisão."

Faria sentido se fosse Clara de novo. Só tem vinte.

Raciocínio tava errado porque a resposta era Isabel, a mais velha. Clara e Daniela acertaram.

"Nunca tive relacionamento sério que durasse mais de quatro meses."

De novo algo mais provável pra alguém jovem. Chutou Clara. Combinava com ela também.

Não estava sozinho. Quase todo mundo chutou Clara, menos Clara que chutou Larissa, e Larissa que escreveu "eu".

Clara interrompeu o jogo.

"Bem, isso é verdade pra mim também. Então todo mundo ganha ponto?"

"Menos a Larissa!" Fernanda riu.

"Coleciono globos de neve mas só de lugares que nunca fui."

Gabriel teria chutado Larissa pra algo esquisito assim se ela não tivesse acabado as declarações. Parecia materialista demais pra ser Isabel, então chutou Daniela.

Acertou. Isabel e Valentina também.

"O que acontece quando você vai num lugar que já tinha globo?" Isabel perguntou.

"Sai da coleção. Geralmente dou de presente."

"Uma vez saí com alguém que hoje é celebridade mundial."

Segunda dele. Todo mundo menos Fernanda acertou.

"Quem?" pelo menos três mulheres perguntaram ao mesmo tempo.

"Anitta," Gabriel admitiu meio sem graça. "Mas isso foi há muito tempo atrás."

"E aí," Valentina continuou, "o que rolou?"

"Foi encontro às cegas. Amigo de amigo de amigo, sabe como é. Nenhum dos dois deu bola depois. Simplesmente não rolou química."

"GABRIEL, SEU TROUXA!" Larissa gritou antes de cair na risada.

Ele balançou a cabeça.

"Eu sei, eu sei, eu sei."

"Meu pelúcia de conforto é uma raposa de pelúcia chamada Senhor Bigodes."

Gabriel sabia que as opções eram Clara, Fernanda, Valentina e Isabel. Parecia resposta óbvia de Clara.

Estava certo. Só Isabel errou.

"Mantenho um diário de gratidão."

Difícil. Gabriel chutou Fernanda. Era Isabel. Parecia óbvio em retrospecto. Clara, Larissa e Daniela acertaram.

"Consigo fazer 50 flexões de braço sem parar."

As únicas opções eram Valentina e Fernanda e Gabriel sentiu que se aplicava às duas. Chutou Fernanda, que era a resposta, mas todo mundo ganhou ponto já que Valentina confirmou que conseguia também.

"Ei," Valentina protestou, "A última é basicamente ponto de graça pra todo mundo menos eu. Não é justo."

"Vamos só ler e manter essa como pontuação final," Daniela sugeriu.

"Tenho alergia a gatos," foi a última de Valentina.

Clara anunciou a vencedora. Era Valentina.

"E então," Daniela perguntou, "qual a regra pra amanhã?"

Valentina pensou um momento.

"Preciso pensar nisso. Aviso vocês amanhã de manhã."

Pra fechar a noite, Larissa sugeriu assistir "Simplesmente Acontece" juntos. Vinho e pipoca foram desenterrados do depósito pra garantir uma noite de filme bem-sucedida.

Depois do filme, Isabel trouxe de novo o tópico mais popular da casa.

"Alguma teoria nova sobre o que exatamente tão pesquisando aqui?"

"Ainda acho que tem que ser algo sexual. Esse equilíbrio de gênero não pode ser acidente."

Valentina franziu a testa.

"Por que você acha isso?"

"Qualé, Valentina. Um homem trancado com seis mulheres. O que mais preciso falar?"

"Nem todo mundo é hétero, Fernanda. Não é pessoal, mas teria que rolar um milagre literal pra eu ficar com o Gabriel."

"Hmm," foi tudo que Fernanda conseguiu dizer.

"E nem todo mundo é solteiro também. Não seria ético da parte dos pesquisadores colocar alguém aqui com isso em mente se a pessoa tivesse num relacionamento."

Fernanda decidiu desafiar isso.

"Alguém aqui não é solteira?" ela perguntou.

Só Isabel levantou a mão.

"Sou casada. Mas não é o tipo restritivo de relacionamento, então a Fernanda pode ainda estar certa."

A discussão morreu e todo mundo percebeu que estava ficando tarde. Depois de alguns boa noites e até abraços de Fernanda, Daniela e Isabel, Gabriel voltou pro quarto.

Fez o pedido de itens incluindo abacate e sunga antes de ir pro questionário.

A maioria das perguntas era esperada. Eram geralmente sobre dinâmica de grupo. Em algumas tinha que ranquear os colegas de casa segundo algumas qualidades. As duas últimas perguntas pegaram ele de surpresa.

"Por qual dos seus colegas de casa você se sente atraído?" e "Qual a probabilidade de você experienciar intimidade física com um dos outros residentes antes do fim do experimento?"

Gabriel decidiu responder com sinceridade.

Sentia atração por Clara, Larissa, Fernanda e Isabel.

Colocou a probabilidade da última pergunta em 90 por cento.

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[FIM DO DIA 1]

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