O Silêncio da casa antiga

Um conto erótico de Capasoli
Categoria: Heterossexual
Contém 2954 palavras
Data: 14/01/2026 10:49:25

O silêncio da casa antiga

Ana voltou à cidade como quem pisa num chão que já foi seu, mas que

agora rangia sob os pés. As ruas eram menores, o tempo parecia mais lento,

e o ar carregava aquele cheiro de noite quente do interior, mistura de

poeira, jasmim e lembrança. Havia vindo por causa da tia doente, mas sabia

— mesmo sem admitir — que também fugia de algo. Ou de si mesma.

Casada há mais de trinta anos, Ana já não lembrava quando o próprio corpo

tinha sido centro de alguma coisa. O desejo havia se tornado educado,

discreto, quase inexistente. Não era tristeza exatamente. Era silêncio.

Naquela noite, voltou tarde da casa da prima. A rua estava quase deserta

quando ouviu passos apressados atrás de si. Antes que pudesse se virar,

sentiu um corpo se aproximar rápido demais. Um susto curto, o coração

disparando.

— Calma… sou eu Dona Ana, Fred— sussurrou uma voz masculina, jovem,

baixa, nervosa.

Ele entrou junto com ela pelo portão, fechando-o com cuidado. Estava perto

demais. Muito perto. Ana sentiu o calor do corpo dele, a respiração

acelerada, o cheiro de cerveja misturado a sabonete barato. Por instinto, ela

levou a mão ao peito. Ele, percebendo o medo, afastou-se meio passo.

— Desculpa… eu só… não podia deixar meus amigos me verem. O bar ia

fechar, e era a minha vez de pagar a conta inteira.

Ela o reconheceu então. Os olhos. O sorriso torto, ainda ali, apesar do

tempo.

— Você é o filho da Lúcia… — disse, surpresa. — Meu Deus… como você

cresceu Fred.

Ele riu baixo. Agora o nervosismo era outro.

— Cresci, sim. E você… continua igual. Só mais bonita.

Ana sentiu algo se mover dentro de si, como um músculo esquecido sendo

chamado de volta. O corredor que ia para os fundos casa era estreito. O

silêncio, absoluto. Eles estavam próximos de novo, quase inevitável. Não

havia toque explícito, mas havia eletricidade. Uma tensão antiga e nova ao

mesmo tempo.

Ele não a encostou de fato — foi o contrário. Foi Ana quem não recuou.

Quem percebeu, com surpresa, que ainda era capaz de sentir o próprio

corpo responder: a pele mais atenta, a respiração menos controlada, um

calor que não vinha do clima.

— Você devia ir embora — ela disse, mas a voz não tinha força.

— Eu sei — respondeu ele. — Mas… posso ficar só um minuto?

Ele falou sussurrando no ouvido, com seu peito pressionando assuas costas

e com a mão segurando o quadril enquanto ela se apoiava com as duas

mãos na parede do corredor que tinha ficado mais estreito

Ela assentiu.

Naquele minuto, não houve nada além de proximidade. Um olhar

sustentado por tempo demais. Um silêncio que dizia coisas que nenhum dos

dois ousava nomear. Ana sentiu, talvez pela primeira vez em décadas, que

ainda existia ali uma mulher — não apenas uma esposa, uma sobrinha, uma

visitante de passagem.

Quando os amigos do Fred passaram em frente ao portão, ele a pressionou

ainda mais contra a parede, que fez Ana ficar na ponta dos pés sentindo o

corpo de Fred agora grudado no seu.

Ana ficou parada no corredor escuro. O corpo ainda desperto. O coração

fora do ritmo.

Ana sempre acreditou que o desejo morria por cansaço.

Descobriu, tarde demais, que ele apenas se cala quando não encontra

permissão.

A casa estava escura demais para aquele encontro improvável. O corredor

estreito funcionava como um ventre antigo: abafava sons, suspendia o

tempo, obrigava os corpos a se reconhecerem antes que a razão pudesse

intervir. Quando ele colou seu corpo ao dela, não foi apenas o espaço que

se reduziu — foi o mundo.

O susto inicial durou segundos. O que veio depois foi mais perturbador: o

corpo de Ana respondeu antes da consciência. Um calor baixo no ventre,

involuntário, quase ofensivo. Como se algo nela — soterrado por décadas

de casamento correto, rotina, previsibilidade — tivesse sido acordado à

força.

Ela pensou no marido. Pensou nos filhos. Pensou na tia doente dormindo a

poucos metros.

E, ainda assim, não se afastou.

A culpa veio primeiro como ideia. Depois como peso.

O desejo, ao contrário, veio como sensação — sem pedir licença.

O jovem percebeu. Não pela coragem, mas pela respiração dela, que já não

era neutra. Pela forma como Ana manteve o corpo ereto demais, rígido

demais, denunciando o esforço para não ceder. O simples fato de Fred estar

ali, colado à sua presença, ativava nela uma memória corporal que não

passava pela palavra. Era isso que a assustava, não era ele.

Era ela.

Ana sempre vivera sob o domínio de um juiz interno que inibe os impulsos

— essa voz educada que diz “não convém”, “não agora”, “não para você”. O

casamento havia sido uma extensão disso: segurança em troca de renúncia.

O prazer, quando existira, fora cedo domesticado. O orgasmo se tornara

lenda, algo pertencente à juventude, à ousadia que ela aprendera a chamar

de imaturidade.

Mas ali, no escuro, o instinto— bruto, pulsional, esquecido — exigia escuta.

Ela sentiu o cheiro dele. Jovem. Vivo. Imperfeito.

Sentiu ódio de si mesma por gostar.

— Isso é errado — pensou.

Mas o pensamento não tinha força de comando.

A culpa começou a erotizar o momento. Não como perversão, mas como

intensificador. Quanto mais errado parecia, mais real o corpo se tornava. A

excitação vinha menos da possibilidade de um ato e mais da quebra interna:

Ana já havia atravessado uma fronteira só por permanecer.

O jovem se inclinou levemente, como quem pergunta sem palavras. Ana

sentiu o ar tocar seu pescoço. Um arrepio longo, lento, quase doloroso. Era

o corpo dizendo sim enquanto a moral gritava não.

E foi ali que Ana entendeu algo devastador: ela não desejava o jovem.

Desejava a si mesma como mulher desejante.

O corpo dele era apenas o espelho onde ela se via de novo inteira, pulsante,

indecente, viva.

A culpa tentou agir como freio, mas falhou. Em vez disso, tornou-se vigilante

silenciosa — prometendo cobrança futura, arrependimento, noites em

claro. Ainda assim, Ana aceitou o preço. Não em gesto explícito, mas em

entrega interna.

Quando Fred começa lentamente a movimentar o quadril e se esfregar

segurando na cintura de Ana e parou por um instante se afastou,

obedecendo ao limite que ela não verbalizou, Ana sentiu uma perda

imediata. Um luto estranho por algo que quase foi — e, ao mesmo tempo,

já tinha sido. Em um instante se sentiu sozinha no corredor, apoiou a mão

na parede fria. O corpo ainda vibrava. Não havia acontecido nada.

E, no entanto, tudo havia acontecido. Ela sentiu vergonha.

Sentiu culpa. Sentiu excitação. E, acima de tudo, sentiu-se acordada.

Percebeu que o desejo não havia morrido no casamento — havia sido

empurrado para o inconsciente, onde aguardava um descuido, uma cidade

antiga, um corpo jovem cruzando o caminho.

O retorno do recalcado nunca pede desculpas.

Ele apenas retorna.

E Ana sabia: depois daquela noite, o silêncio não voltaria a ser o mesmo.

Dizia a si mesma que era apenas curiosidade, mas o corpo sabia. O desejo

já não precisava do jovem presente; bastava a antecipação. A energia do

desejo deslocada para a espera.

Ela começou a depender. Não dele exatamente, mas do efeito que ele

produzia nela: o retorno da mulher que havia sido interditada. O casamento,

agora, parecia um pacto com a moral: previsível, higiênico, sem risco. O

jovem, ao contrário, era a pulsão em estado bruto — não por quem era, mas

pelo que autorizava.

Ana sentiu o choque do gesto como quem recebe uma confissão. O corpo

respondeu antes do juízo. O corredor novamente estreito, novamente

cúmplice. Sentiu Fred beijando seu pescoço e alisando seu peito. Deixou a

alça do seu vestido cair.

Havia menos roupa. Não por intenção erótica consciente, mas porque o

calor pedia descuido. Ana percebeu, com uma lucidez quase cruel, que ser

vista com mais de cinquenta anos era parte central do que a excitava. Não

o toque. O olhar. O gozo não está no ato, mas na tensão que o precede.

Ana não recuou. O limite se tornou espesso, quase palpável. Ela sentiu o

próprio poder — não o poder juvenil da beleza óbvia, mas o poder maduro

da mulher que sabe o efeito que causa. Aquilo a atravessou como uma

revelação tardia: ela ainda podia excitar, especialmente os mais jovens,

porque ali ela não representava rotina — representava transgressão.

Foi então que o imprevisto aconteceu. Uma sombra no quintal. Um passo

em falso. Um amigo do Fred — cúmplice do acaso — viu pela fresta do

portão o que não devia: dois corpos muito próximos, respirações

descompassadas, pele à mostra o suficiente para não restar inocência.

O olhar do terceiro foi o verdadeiro abalo.

Ana sentiu algo novo, mais perigoso que a culpa: o gozo do olhar alheio.

Não o gozo sexual explícito, mas como o gozo além do princípio do prazer

— excessivo, vertiginoso, quase doloroso. O prazer de ser objeto do desejo

sem precisar agir.

Ela não interrompeu a cena, mas também não avançou. Permitiu. Permitiu

ser vista. Permitiu que o jovem soubesse que fora visto. Permitiu que o

limite tremesse.

O amigo desviou o olhar rápido demais, mas não rápido o suficiente para

apagar o que já havia sido inscrito. Ana sentiu o corpo reagir à ideia, não ao

fato. Era ali que morava o perigo: a fantasia agora tinha testemunha.

A dependência se consolidou naquele instante.

Ana não precisava mais do toque — precisava do risco. Da vertigem. Da

culpa que, paradoxalmente, alimentava o desejo. Esse julgamento prometia

punição futura; seu instinto exigia continuidade imediata. E a moral, frágil,

tentava negociar o impossível.

Naquela noite, sozinha, Ana compreendeu algo irreversível:

o gozo que experimentara não vinha do corpo do outro, mas da suspensão

de suas leis internas. Do instante em que deixou de ser apenas esposa,

parente, mulher correta — e voltou a ser mulher desejante, mesmo que isso

lhe custasse o sono, a paz e a identidade.

O desejo não queria satisfação. Queria repetição. E Ana sabia: dali em

diante, não seria mais uma escolha. Seria uma estrutura.

Havia intervalos de excitação e queda. Havia momentos de calma aparente

— quando a moral reassumia o comando, quando o casamento lhe parecia

novamente habitável — e havia os outros: instantes breves, porém intensos,

em que o corpo se antecipava ao pensamento.

Ana deixou seu vestido cair ficando só de calcinha fazendo que Fred

aproveitasse todo o seu corpo, Ana sentia a inquietação.

Fred aparecia em sua mente como um ser objetificado, não como pessoa.

Ele não era um homem específico, mas o lugar onde o desejo dela se

apoiava. Ana não desejava o jovem; desejava o estado que ele provocava.

E a culpa vinha sempre antes. Era ela quem anunciava o gozo. A culpa surgia

ao acordar, antes mesmo do pensamento. Um peso leve, quase doce. Um

aviso: hoje algo pode acontecer. Ana tentava restaurar a ordem lembrandolhe da idade, da cidade pequena, da tia doente, do marido distante. Mas

essas imagens já não funcionavam como interdição — funcionavam como

cenário. O desejo se alimentava do risco.

Ana começou a perceber algo mais perturbador: o prazer maior não estava

em ser desejada por ele, mas em ser desejável em público, ainda que o

público fosse mínimo, quase acidental. O olhar do amigo naquela noite

havia inaugurado um novo circuito pulsional.

Ela precisava ser vista. Não tocada. Vista. O olhar do outro funcionava como

prova de existência. Como se, durante décadas, Ana tivesse vivido sob um

pacto silencioso: existir sem perturbar. Agora, o simples fato de provocar

um desvio no olhar masculino — especialmente jovem — era vivido como

o amor-próprio, quando retorna não da própria imagem, mas do reflexo no

desejo do outro. O amigo — do olhar proibido — estava ali, presença muda,

desconfortável. Ana percebeu imediatamente: o limite não estava apenas

perto de ser cruzado. Ele já havia sido deslocado.

Ela sentiu a culpa subir como febre. O corpo respondeu. A culpa precedia o

gozo como um ritual. Ana entendeu, naquele instante, algo fundamental:

o desejo não queria satisfação — queria encenação, queria viver. Ela não

precisava fazer nada. Bastava permitir o olhar. Permitir a fantasia circular no

ar, espessa, carregada. O silêncio era obsceno. Os gestos mínimos — um

movimento de cabelo, um passo lento — tornavam-se excessivos.

Ela viu nos olhos dos dois homens não exatamente desejo, mas algo mais

primitivo: desorganização. A ordem simbólica tremia. E isso a excitava

profundamente. Não por perversão. Mas por poder.

O poder de saber que ainda era capaz de deslocar o outro do lugar seguro.

De ser causa de desejo. Do gozo — não todo, não fechado, não resolvido no

ato, mas difuso, interminável, perigoso.

Ana permitiu ficar. Permitiu ser presença. Permitiu que a fantasia deles se

completasse sem que ela precisasse agir. Ali estava o ponto mais alto da

dependência: quando o corpo do outro já não era necessário — bastava a

imaginação que ela provocava.

Depois, em um flash de pensamento solitário, veio a queda. Náusea moral.

Vergonha. Promessas internas de que seria a última vez. Mas Ana já sabia:

essas promessas faziam parte do ciclo. A culpa não era o fim do desejo —

era sua condição. Ela não se perguntava mais se aquilo era errado.

Perguntava-se quanto ainda podia sustentar.

O desejo havia se tornado um modo de existir. E Ana intuía, com lucidez

dolorosa, que não se tratava de escolher entre cruzar ou não o limite. O

verdadeiro limite já havia sido ultrapassado: ela havia se reconhecido como

mulher desejante. E disso não há retorno. O colapso não veio como

explosão. Veio como silêncio interno.

Ana percebeu que já não se perguntava se devia. A pergunta moral — essa

que durante décadas organizara seus gestos, suas roupas, seus horários —

simplesmente falhou. Não foi vencida; foi abandonada, como um objeto

que já não serve.

Naquela noite, havia dois olhares. Dois corpos jovens. Duas presenças que

não pediam explicações. O desejo já não precisava de justificativa simbólica.

A culpa, não desapareceu — transformou-se em presságio. Ana reconheceu

o sinal: quando a culpa não paralisa, ela anuncia o gozo.

Ela sentiu algo se romper dentro de si — não como dor, mas como queda

de estrutura. A mulher recatada, casada, religiosa, mãe dedicada, não foi

traída. Foi deixada para trás. Como uma pele antiga que não acompanha

mais o corpo que cresce. Ana não pensou no marido. Nem nos filhos. Nem

em Deus. Pensou apenas no corpo — não como carne, mas como lugar de

inscrição do desejo. Pela primeira vez, não queria ser boa, correta ou inteira.

Queria ser atravessada.

Os dois jovens a desejavam, e isso já não era espelho: era confirmação. Ana

sentiu o narcisismo se dissolver em algo maior, mais perigoso — o gozo,

aquilo que excede o prazer, que não se organiza, que não educa, que cobra

depois.

Não houve mais encenação. O limite não foi cruzado — foi ignorado.

O que se seguiu não pertence à narrativa moral, nem ao detalhe descritivo.

Pertence ao campo do indizível: aquele instante em que o corpo assume o

comando e a linguagem falha. Ana não estava mais representando nada.

Não era esposa, mãe, pecadora ou exemplo. Era apenas corpo em

demanda.

O orgasmo — quando veio — não foi celebração. Foi colapso.

Não libertação, como prometem os discursos fáceis, mas um instante sem

nome, sem história, sem futuro, foi a suspensão momentânea do sujeito.

Um curto-circuito entre pulsão e descarga.

Fred e o amigo a dominavam, ela beija os dois a o mesmo tempo, se

revezando, os dois a tocando, beijando simultaneamente seus seios e os

dedos que a penetravam completamente molhada, completamente

entregue, experimentava seu gosto no dedo de ambos. Queria sentir o

sabor deles. Se agachou e colou na boca todo o desejo que Fred demostrava

por ela, hora chupava o Fred, hora o amigo. Mas ela precisava de mais,

mandou que Fred a penetrasse enquanto chupava o amigo. E continuou

nesse movimento até o seu orgasmo esquecido enferrujado, mais ainda

vivo. Quis que os dois gozazem juntos em seu rosto em seu peito acabando

de vez com toda a culpa.

O mundo parecia distante, quase artificial. Os jovens ainda estavam ali, mas

já não ocupavam o mesmo lugar em sua mente. Tinham sido meio, não fim.

Instrumentos do colapso, não sua causa. Quando eles finalmente saíram,

levando a noite e a juventude, ela não teve um orgasmo naquela noite.

Mas teve algo que julgava perdido: a certeza de que ainda podia sentir

desejo. E isso, para Ana, foi o começo de tudo.

O que retorna quando o silêncio falha. Veio o vazio. Ana sentiu

imediatamente o preço. Não arrependimento — isso viria depois — mas

uma espécie de luto antecipado. Algo havia sido perdido para sempre: a

possibilidade de fingir que não sabia. O desejo, agora, tinha memória. O

corpo, agora, tinha prova.

Ela vestiu-se em silêncio. Ao se olhar no reflexo da janela, Ana não viu culpa

nem glória. Viu algo mais inquietante: lucidez. Sabia que não havia retorno

ao ponto anterior. Não porque tivesse “pecado”, mas porque havia tocado

um saber proibido — o de que sua identidade sempre fora uma construção

defensiva. O desejo não destruiu Ana. Revelou-a. E isso era mais perigoso

do que qualquer ato.

Naquela madrugada, Ana entendeu que o verdadeiro castigo não é a culpa,

mas a consciência. O gozo cobra caro porque exige algo em troca: a

impossibilidade de voltar a ser ingênua sobre si mesma. Ela não sabia ainda

como viveria depois. Sabia apenas que o silêncio tinha acabado.

Naquela noite, Ana não dormiu. Reviveu o instante repetidas vezes, não

para se punir, mas para se reconhecer. Apartir desse dia. Ela passou a

escolher roupas não para seduzir, mas para ser possível de ser vista. Nada

ostensivo. O erotismo, agora, estava na sugestão: um tecido mais fino, um

botão que não precisava estar aberto, mas que poderia. Descobriu, com um

misto de prazer e horror, que o desejo não exige nudez — exige

disponibilidade simbólica.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive Jtrader a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários