O silêncio da casa antiga
Ana voltou à cidade como quem pisa num chão que já foi seu, mas que
agora rangia sob os pés. As ruas eram menores, o tempo parecia mais lento,
e o ar carregava aquele cheiro de noite quente do interior, mistura de
poeira, jasmim e lembrança. Havia vindo por causa da tia doente, mas sabia
— mesmo sem admitir — que também fugia de algo. Ou de si mesma.
Casada há mais de trinta anos, Ana já não lembrava quando o próprio corpo
tinha sido centro de alguma coisa. O desejo havia se tornado educado,
discreto, quase inexistente. Não era tristeza exatamente. Era silêncio.
Naquela noite, voltou tarde da casa da prima. A rua estava quase deserta
quando ouviu passos apressados atrás de si. Antes que pudesse se virar,
sentiu um corpo se aproximar rápido demais. Um susto curto, o coração
disparando.
— Calma… sou eu Dona Ana, Fred— sussurrou uma voz masculina, jovem,
baixa, nervosa.
Ele entrou junto com ela pelo portão, fechando-o com cuidado. Estava perto
demais. Muito perto. Ana sentiu o calor do corpo dele, a respiração
acelerada, o cheiro de cerveja misturado a sabonete barato. Por instinto, ela
levou a mão ao peito. Ele, percebendo o medo, afastou-se meio passo.
— Desculpa… eu só… não podia deixar meus amigos me verem. O bar ia
fechar, e era a minha vez de pagar a conta inteira.
Ela o reconheceu então. Os olhos. O sorriso torto, ainda ali, apesar do
tempo.
— Você é o filho da Lúcia… — disse, surpresa. — Meu Deus… como você
cresceu Fred.
Ele riu baixo. Agora o nervosismo era outro.
— Cresci, sim. E você… continua igual. Só mais bonita.
Ana sentiu algo se mover dentro de si, como um músculo esquecido sendo
chamado de volta. O corredor que ia para os fundos casa era estreito. O
silêncio, absoluto. Eles estavam próximos de novo, quase inevitável. Não
havia toque explícito, mas havia eletricidade. Uma tensão antiga e nova ao
mesmo tempo.
Ele não a encostou de fato — foi o contrário. Foi Ana quem não recuou.
Quem percebeu, com surpresa, que ainda era capaz de sentir o próprio
corpo responder: a pele mais atenta, a respiração menos controlada, um
calor que não vinha do clima.
— Você devia ir embora — ela disse, mas a voz não tinha força.
— Eu sei — respondeu ele. — Mas… posso ficar só um minuto?
Ele falou sussurrando no ouvido, com seu peito pressionando assuas costas
e com a mão segurando o quadril enquanto ela se apoiava com as duas
mãos na parede do corredor que tinha ficado mais estreito
Ela assentiu.
Naquele minuto, não houve nada além de proximidade. Um olhar
sustentado por tempo demais. Um silêncio que dizia coisas que nenhum dos
dois ousava nomear. Ana sentiu, talvez pela primeira vez em décadas, que
ainda existia ali uma mulher — não apenas uma esposa, uma sobrinha, uma
visitante de passagem.
Quando os amigos do Fred passaram em frente ao portão, ele a pressionou
ainda mais contra a parede, que fez Ana ficar na ponta dos pés sentindo o
corpo de Fred agora grudado no seu.
Ana ficou parada no corredor escuro. O corpo ainda desperto. O coração
fora do ritmo.
Ana sempre acreditou que o desejo morria por cansaço.
Descobriu, tarde demais, que ele apenas se cala quando não encontra
permissão.
A casa estava escura demais para aquele encontro improvável. O corredor
estreito funcionava como um ventre antigo: abafava sons, suspendia o
tempo, obrigava os corpos a se reconhecerem antes que a razão pudesse
intervir. Quando ele colou seu corpo ao dela, não foi apenas o espaço que
se reduziu — foi o mundo.
O susto inicial durou segundos. O que veio depois foi mais perturbador: o
corpo de Ana respondeu antes da consciência. Um calor baixo no ventre,
involuntário, quase ofensivo. Como se algo nela — soterrado por décadas
de casamento correto, rotina, previsibilidade — tivesse sido acordado à
força.
Ela pensou no marido. Pensou nos filhos. Pensou na tia doente dormindo a
poucos metros.
E, ainda assim, não se afastou.
A culpa veio primeiro como ideia. Depois como peso.
O desejo, ao contrário, veio como sensação — sem pedir licença.
O jovem percebeu. Não pela coragem, mas pela respiração dela, que já não
era neutra. Pela forma como Ana manteve o corpo ereto demais, rígido
demais, denunciando o esforço para não ceder. O simples fato de Fred estar
ali, colado à sua presença, ativava nela uma memória corporal que não
passava pela palavra. Era isso que a assustava, não era ele.
Era ela.
Ana sempre vivera sob o domínio de um juiz interno que inibe os impulsos
— essa voz educada que diz “não convém”, “não agora”, “não para você”. O
casamento havia sido uma extensão disso: segurança em troca de renúncia.
O prazer, quando existira, fora cedo domesticado. O orgasmo se tornara
lenda, algo pertencente à juventude, à ousadia que ela aprendera a chamar
de imaturidade.
Mas ali, no escuro, o instinto— bruto, pulsional, esquecido — exigia escuta.
Ela sentiu o cheiro dele. Jovem. Vivo. Imperfeito.
Sentiu ódio de si mesma por gostar.
— Isso é errado — pensou.
Mas o pensamento não tinha força de comando.
A culpa começou a erotizar o momento. Não como perversão, mas como
intensificador. Quanto mais errado parecia, mais real o corpo se tornava. A
excitação vinha menos da possibilidade de um ato e mais da quebra interna:
Ana já havia atravessado uma fronteira só por permanecer.
O jovem se inclinou levemente, como quem pergunta sem palavras. Ana
sentiu o ar tocar seu pescoço. Um arrepio longo, lento, quase doloroso. Era
o corpo dizendo sim enquanto a moral gritava não.
E foi ali que Ana entendeu algo devastador: ela não desejava o jovem.
Desejava a si mesma como mulher desejante.
O corpo dele era apenas o espelho onde ela se via de novo inteira, pulsante,
indecente, viva.
A culpa tentou agir como freio, mas falhou. Em vez disso, tornou-se vigilante
silenciosa — prometendo cobrança futura, arrependimento, noites em
claro. Ainda assim, Ana aceitou o preço. Não em gesto explícito, mas em
entrega interna.
Quando Fred começa lentamente a movimentar o quadril e se esfregar
segurando na cintura de Ana e parou por um instante se afastou,
obedecendo ao limite que ela não verbalizou, Ana sentiu uma perda
imediata. Um luto estranho por algo que quase foi — e, ao mesmo tempo,
já tinha sido. Em um instante se sentiu sozinha no corredor, apoiou a mão
na parede fria. O corpo ainda vibrava. Não havia acontecido nada.
E, no entanto, tudo havia acontecido. Ela sentiu vergonha.
Sentiu culpa. Sentiu excitação. E, acima de tudo, sentiu-se acordada.
Percebeu que o desejo não havia morrido no casamento — havia sido
empurrado para o inconsciente, onde aguardava um descuido, uma cidade
antiga, um corpo jovem cruzando o caminho.
O retorno do recalcado nunca pede desculpas.
Ele apenas retorna.
E Ana sabia: depois daquela noite, o silêncio não voltaria a ser o mesmo.
Dizia a si mesma que era apenas curiosidade, mas o corpo sabia. O desejo
já não precisava do jovem presente; bastava a antecipação. A energia do
desejo deslocada para a espera.
Ela começou a depender. Não dele exatamente, mas do efeito que ele
produzia nela: o retorno da mulher que havia sido interditada. O casamento,
agora, parecia um pacto com a moral: previsível, higiênico, sem risco. O
jovem, ao contrário, era a pulsão em estado bruto — não por quem era, mas
pelo que autorizava.
Ana sentiu o choque do gesto como quem recebe uma confissão. O corpo
respondeu antes do juízo. O corredor novamente estreito, novamente
cúmplice. Sentiu Fred beijando seu pescoço e alisando seu peito. Deixou a
alça do seu vestido cair.
Havia menos roupa. Não por intenção erótica consciente, mas porque o
calor pedia descuido. Ana percebeu, com uma lucidez quase cruel, que ser
vista com mais de cinquenta anos era parte central do que a excitava. Não
o toque. O olhar. O gozo não está no ato, mas na tensão que o precede.
Ana não recuou. O limite se tornou espesso, quase palpável. Ela sentiu o
próprio poder — não o poder juvenil da beleza óbvia, mas o poder maduro
da mulher que sabe o efeito que causa. Aquilo a atravessou como uma
revelação tardia: ela ainda podia excitar, especialmente os mais jovens,
porque ali ela não representava rotina — representava transgressão.
Foi então que o imprevisto aconteceu. Uma sombra no quintal. Um passo
em falso. Um amigo do Fred — cúmplice do acaso — viu pela fresta do
portão o que não devia: dois corpos muito próximos, respirações
descompassadas, pele à mostra o suficiente para não restar inocência.
O olhar do terceiro foi o verdadeiro abalo.
Ana sentiu algo novo, mais perigoso que a culpa: o gozo do olhar alheio.
Não o gozo sexual explícito, mas como o gozo além do princípio do prazer
— excessivo, vertiginoso, quase doloroso. O prazer de ser objeto do desejo
sem precisar agir.
Ela não interrompeu a cena, mas também não avançou. Permitiu. Permitiu
ser vista. Permitiu que o jovem soubesse que fora visto. Permitiu que o
limite tremesse.
O amigo desviou o olhar rápido demais, mas não rápido o suficiente para
apagar o que já havia sido inscrito. Ana sentiu o corpo reagir à ideia, não ao
fato. Era ali que morava o perigo: a fantasia agora tinha testemunha.
A dependência se consolidou naquele instante.
Ana não precisava mais do toque — precisava do risco. Da vertigem. Da
culpa que, paradoxalmente, alimentava o desejo. Esse julgamento prometia
punição futura; seu instinto exigia continuidade imediata. E a moral, frágil,
tentava negociar o impossível.
Naquela noite, sozinha, Ana compreendeu algo irreversível:
o gozo que experimentara não vinha do corpo do outro, mas da suspensão
de suas leis internas. Do instante em que deixou de ser apenas esposa,
parente, mulher correta — e voltou a ser mulher desejante, mesmo que isso
lhe custasse o sono, a paz e a identidade.
O desejo não queria satisfação. Queria repetição. E Ana sabia: dali em
diante, não seria mais uma escolha. Seria uma estrutura.
Havia intervalos de excitação e queda. Havia momentos de calma aparente
— quando a moral reassumia o comando, quando o casamento lhe parecia
novamente habitável — e havia os outros: instantes breves, porém intensos,
em que o corpo se antecipava ao pensamento.
Ana deixou seu vestido cair ficando só de calcinha fazendo que Fred
aproveitasse todo o seu corpo, Ana sentia a inquietação.
Fred aparecia em sua mente como um ser objetificado, não como pessoa.
Ele não era um homem específico, mas o lugar onde o desejo dela se
apoiava. Ana não desejava o jovem; desejava o estado que ele provocava.
E a culpa vinha sempre antes. Era ela quem anunciava o gozo. A culpa surgia
ao acordar, antes mesmo do pensamento. Um peso leve, quase doce. Um
aviso: hoje algo pode acontecer. Ana tentava restaurar a ordem lembrandolhe da idade, da cidade pequena, da tia doente, do marido distante. Mas
essas imagens já não funcionavam como interdição — funcionavam como
cenário. O desejo se alimentava do risco.
Ana começou a perceber algo mais perturbador: o prazer maior não estava
em ser desejada por ele, mas em ser desejável em público, ainda que o
público fosse mínimo, quase acidental. O olhar do amigo naquela noite
havia inaugurado um novo circuito pulsional.
Ela precisava ser vista. Não tocada. Vista. O olhar do outro funcionava como
prova de existência. Como se, durante décadas, Ana tivesse vivido sob um
pacto silencioso: existir sem perturbar. Agora, o simples fato de provocar
um desvio no olhar masculino — especialmente jovem — era vivido como
o amor-próprio, quando retorna não da própria imagem, mas do reflexo no
desejo do outro. O amigo — do olhar proibido — estava ali, presença muda,
desconfortável. Ana percebeu imediatamente: o limite não estava apenas
perto de ser cruzado. Ele já havia sido deslocado.
Ela sentiu a culpa subir como febre. O corpo respondeu. A culpa precedia o
gozo como um ritual. Ana entendeu, naquele instante, algo fundamental:
o desejo não queria satisfação — queria encenação, queria viver. Ela não
precisava fazer nada. Bastava permitir o olhar. Permitir a fantasia circular no
ar, espessa, carregada. O silêncio era obsceno. Os gestos mínimos — um
movimento de cabelo, um passo lento — tornavam-se excessivos.
Ela viu nos olhos dos dois homens não exatamente desejo, mas algo mais
primitivo: desorganização. A ordem simbólica tremia. E isso a excitava
profundamente. Não por perversão. Mas por poder.
O poder de saber que ainda era capaz de deslocar o outro do lugar seguro.
De ser causa de desejo. Do gozo — não todo, não fechado, não resolvido no
ato, mas difuso, interminável, perigoso.
Ana permitiu ficar. Permitiu ser presença. Permitiu que a fantasia deles se
completasse sem que ela precisasse agir. Ali estava o ponto mais alto da
dependência: quando o corpo do outro já não era necessário — bastava a
imaginação que ela provocava.
Depois, em um flash de pensamento solitário, veio a queda. Náusea moral.
Vergonha. Promessas internas de que seria a última vez. Mas Ana já sabia:
essas promessas faziam parte do ciclo. A culpa não era o fim do desejo —
era sua condição. Ela não se perguntava mais se aquilo era errado.
Perguntava-se quanto ainda podia sustentar.
O desejo havia se tornado um modo de existir. E Ana intuía, com lucidez
dolorosa, que não se tratava de escolher entre cruzar ou não o limite. O
verdadeiro limite já havia sido ultrapassado: ela havia se reconhecido como
mulher desejante. E disso não há retorno. O colapso não veio como
explosão. Veio como silêncio interno.
Ana percebeu que já não se perguntava se devia. A pergunta moral — essa
que durante décadas organizara seus gestos, suas roupas, seus horários —
simplesmente falhou. Não foi vencida; foi abandonada, como um objeto
que já não serve.
Naquela noite, havia dois olhares. Dois corpos jovens. Duas presenças que
não pediam explicações. O desejo já não precisava de justificativa simbólica.
A culpa, não desapareceu — transformou-se em presságio. Ana reconheceu
o sinal: quando a culpa não paralisa, ela anuncia o gozo.
Ela sentiu algo se romper dentro de si — não como dor, mas como queda
de estrutura. A mulher recatada, casada, religiosa, mãe dedicada, não foi
traída. Foi deixada para trás. Como uma pele antiga que não acompanha
mais o corpo que cresce. Ana não pensou no marido. Nem nos filhos. Nem
em Deus. Pensou apenas no corpo — não como carne, mas como lugar de
inscrição do desejo. Pela primeira vez, não queria ser boa, correta ou inteira.
Queria ser atravessada.
Os dois jovens a desejavam, e isso já não era espelho: era confirmação. Ana
sentiu o narcisismo se dissolver em algo maior, mais perigoso — o gozo,
aquilo que excede o prazer, que não se organiza, que não educa, que cobra
depois.
Não houve mais encenação. O limite não foi cruzado — foi ignorado.
O que se seguiu não pertence à narrativa moral, nem ao detalhe descritivo.
Pertence ao campo do indizível: aquele instante em que o corpo assume o
comando e a linguagem falha. Ana não estava mais representando nada.
Não era esposa, mãe, pecadora ou exemplo. Era apenas corpo em
demanda.
O orgasmo — quando veio — não foi celebração. Foi colapso.
Não libertação, como prometem os discursos fáceis, mas um instante sem
nome, sem história, sem futuro, foi a suspensão momentânea do sujeito.
Um curto-circuito entre pulsão e descarga.
Fred e o amigo a dominavam, ela beija os dois a o mesmo tempo, se
revezando, os dois a tocando, beijando simultaneamente seus seios e os
dedos que a penetravam completamente molhada, completamente
entregue, experimentava seu gosto no dedo de ambos. Queria sentir o
sabor deles. Se agachou e colou na boca todo o desejo que Fred demostrava
por ela, hora chupava o Fred, hora o amigo. Mas ela precisava de mais,
mandou que Fred a penetrasse enquanto chupava o amigo. E continuou
nesse movimento até o seu orgasmo esquecido enferrujado, mais ainda
vivo. Quis que os dois gozazem juntos em seu rosto em seu peito acabando
de vez com toda a culpa.
O mundo parecia distante, quase artificial. Os jovens ainda estavam ali, mas
já não ocupavam o mesmo lugar em sua mente. Tinham sido meio, não fim.
Instrumentos do colapso, não sua causa. Quando eles finalmente saíram,
levando a noite e a juventude, ela não teve um orgasmo naquela noite.
Mas teve algo que julgava perdido: a certeza de que ainda podia sentir
desejo. E isso, para Ana, foi o começo de tudo.
O que retorna quando o silêncio falha. Veio o vazio. Ana sentiu
imediatamente o preço. Não arrependimento — isso viria depois — mas
uma espécie de luto antecipado. Algo havia sido perdido para sempre: a
possibilidade de fingir que não sabia. O desejo, agora, tinha memória. O
corpo, agora, tinha prova.
Ela vestiu-se em silêncio. Ao se olhar no reflexo da janela, Ana não viu culpa
nem glória. Viu algo mais inquietante: lucidez. Sabia que não havia retorno
ao ponto anterior. Não porque tivesse “pecado”, mas porque havia tocado
um saber proibido — o de que sua identidade sempre fora uma construção
defensiva. O desejo não destruiu Ana. Revelou-a. E isso era mais perigoso
do que qualquer ato.
Naquela madrugada, Ana entendeu que o verdadeiro castigo não é a culpa,
mas a consciência. O gozo cobra caro porque exige algo em troca: a
impossibilidade de voltar a ser ingênua sobre si mesma. Ela não sabia ainda
como viveria depois. Sabia apenas que o silêncio tinha acabado.
Naquela noite, Ana não dormiu. Reviveu o instante repetidas vezes, não
para se punir, mas para se reconhecer. Apartir desse dia. Ela passou a
escolher roupas não para seduzir, mas para ser possível de ser vista. Nada
ostensivo. O erotismo, agora, estava na sugestão: um tecido mais fino, um
botão que não precisava estar aberto, mas que poderia. Descobriu, com um
misto de prazer e horror, que o desejo não exige nudez — exige
disponibilidade simbólica.