30 Dias (Dias 17 e 18)

Da série 30 Dias
Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Gay
Contém 2194 palavras
Data: 15/01/2026 11:19:50
Assuntos: Anal, Gay, Oral, Sexo

Dia 17

Mais uma manhã acordando ao lado do Alisson, e eu estou amando isso. Ele desperta com a cara mais fofa do mundo. Estamos de conchinha; ele me aperta forte e não sinto a menor vontade de sair do seu abraço, mesmo com o calor que faz. Alisson precisa trabalhar, e só depois de me beijar pela quarta vez é que finalmente consegue sair da cama.

Continuei deitado, observando-o. Ele foi para o banho e depois voltou, apenas de toalha, para se arrumar. Não me canso de admirar o quanto ele é lindo. Tudo nele me parece esculpido e irresistível; estou completamente apaixonado. Após a conversa de ontem, sinto-me mais confiante de que nossa relação dará certo. Precisaremos de paciência, mas logo estaremos morando perto, com um lugar só nosso para namorarmos à vontade.

Fui à cozinha tomar café com ele antes de ele partir para o trabalho com um selinho rápido. Subi ao quarto do Ande para pegar minha nécessaire e tomar banho. Meu amigo dormia profundamente. A tatuagem em sua nuca ainda estava protegida por papel-filme; ele realmente fez a Marca do Sacrifício de Berserk. Ficou bonita, mas eu jamais teria essa coragem.

No banho, acabei me perdendo em pensamentos sobre o Alisson. Ele está se superando em tudo; as lembranças dos nossos momentos íntimos já estão em outro nível. Voltei para o quarto e Ande começou a dar sinais de vida. Liguei o computador para tentar finalizar The Last of Us.

— Cara, que noite... — murmurou Ande, com voz de ressaca.

— Nem me fale — respondi, sem tirar os olhos da tela.

— Desculpa ter provocado outra enxaqueca em você.

— Sem problemas, já estou melhor.

— O Alisson deixou você dormir no quarto dele de boa? Se ele tiver reclamado de algo, me avisa.

— Ande, seu irmão é legal comigo — defendi.

— Falsidade. O Alisson não gosta de pessoas, o cara quase não tem amigos.

— Ser antissocial não quer dizer ser uma pessoa ruim, Ande.

— Se você está dizendo... Cara, você acredita que a Júlia pagou logo três tatuagens para mim?

— Três?! — Olhei para ele, chocado.

Ele me mostrou: além da marca na nuca, ele tatuou o Dragão da Ira (Nanatsu no Taizai) no meio das costas e o Ouroboros (Fullmetal Alchemist) no braço.

— Ande, você ficou maluco? E se se arrepender?

— Por isso escolhi as melhores. Sabia que não tinha erro.

Fiquei incrédulo. Não era nem pela reação da mãe dele, mas pela impulsividade de fazer três de uma vez. Quando ele desceu para tomar café, fez questão de ir sem camisa. Eu esperava que a gritaria começasse a qualquer momento, mas houve apenas um silêncio ensurdecedor lá embaixo. Fiquei no quarto, temendo que o clima estivesse pior do que eu imaginava.

Recebi uma mensagem do Alisson: "Renan, pode ir no meu computador e mandar um arquivo para mim, por favor?". Ele me passou a senha: 2309. Na hora, percebi que era o dia do aniversário do Anderson. Mesmo com as brigas, Alisson ainda tinha esse gesto de consideração silenciosa.

Fui ao quarto dele fazer o favor.

— Não sei como ele te pediu isso. O Alisson tem uma frescura monstra com esse computador — comentou Ande, encostado na porta.

— Vai ver ele não conseguiu falar com você — desconversei.

— Fala sério, ele não me diz nem a senha.

Enviei os arquivos e, antes de sair, deixei um post-it escondido no monitor: "Adorei a noite de ontem".

Na academia, o clima pesou. Ande fechou a cara ao ver Júlia conversando com outro cara. O ciúme bateu forte e ele a tratou com indiferença e grosseria. Tentei intervir, mas ele me deu um corte. Deixei que ele estragasse a própria relação sozinho. Fui falar com o John, que estava radiante por causa de uma garota com quem estava saindo. Ele me contou que eles têm um acordo de relação aberta, onde podem ficar com homens e mulheres, juntos ou separados. Parecia que o John finalmente encontrara alguém que o entendia.

Inacreditavelmente, Júlia acabou pedindo desculpas ao Ande pelo mal-entendido, e eles combinaram de ele dormir na casa dela. Eu não conseguia entender como ele revertia essas situações a favor dele, mas não reclamei: seria mais uma noite livre com o Alisson.

Saímos da academia e Ande prometeu que jantaríamos juntos antes de ele ir para a casa dela. Aceitei, para não dar bandeira sobre meu lance com o irmão dele. À tarde, Ande saiu para resolver coisas para o pai — favores pagos, como ele mesmo disse. A calmaria na casa continuava; a indiferença dos pais parecia estar afetando o juízo do Ande mais do que os gritos afetariam.

Às seis horas, vi o Ande todo perfumado e arrumado.

— Esqueceu que me convidou para jantar? — perguntei, vendo-o pronto para sair.

— Não... é que a Júlia quer que eu vá com ela em um evento do trabalho. Foi mal, esqueci de te avisar.

Senti-me deixado de lado, de novo.

— Anderson, tínhamos um combinado, cara.

— A gente sai amanhã, prometo! Vai ter festa em Camocim, já confirmei e paguei nossos lugares na van. Não tem reembolso, então você vai.

Ele se despediu e saiu. Mandei mensagem para o Alisson contando que estava "livre". Quando ele chegou do trabalho e soube que o irmão me dera um perdido, ele me convidou para sair.

— Quer sorvete? — ele perguntou.

— Você vai me levar?

— Vou.

— Mas e se alguém nos ver?

— Que fiquem com inveja — ele respondeu, com aquele sorriso que me desmonta. — Tenho sorte de ter você.

Fomos tomar açaí. Parecíamos um casal — ou melhores amigos para quem olhasse de fora —, mas para mim, era um encontro real. A noite foi tão perfeita que, quando voltamos, dormi no quarto dele e esqueci completamente de voltar para a cama do Ande antes de amanhecer.

Dia 18

O despertador do Alisson tocou. Ele me abraçou como fizera ontem e ficamos nos beijando por um tempo, até que ele tivesse que se levantar. Eu estava com muita preguiça; acho que estava chovendo, pois o quarto estava frio — um milagre para essa região. Alisson sorriu ao me ver todo manhoso na cama dele e, sem resistir, veio me dar outro beijo. No momento em que nossas bocas se uniram, a porta se abriu e a voz do pai dele ecoou chamando seu nome.

— Alisson, filho, você pode... — Ele parou de falar assim que nos viu. Meu coração acelerou e fiquei sem reação, completamente estático.

— Oi, pai. O que o senhor quer? — Alisson perguntou com uma calma impressionante.

— O que é isso agora, Alisson? — O pai dele entrou e fechou a porta atrás de si.

— Pai, eu sempre respeitei o senhor e espero o mesmo — Alisson disse, com a voz séria e firme.

— Alisson... — Eu ainda não conseguia olhar para ele, nem sequer conseguia falar nada.

— Pai, o Renan e eu estamos juntos. Não planejei isso e nem posso explicar como aconteceu, mas estou feliz. Feliz de verdade, pai.

— Mas, filho... e a sua noiva? — O pai dele parecia estar escolhendo as palavras com cuidado.

— Não vou viver uma mentira, pai — Alisson segurou minha mão e continuou. — Espero que o senhor entenda. Afinal, estou vivendo minha vida da maneira que aprendi com o senhor.

O pai dele respirou fundo.

— Alisson, você é meu filho e quero o seu bem. Se esse rapaz é o que você quer para sua vida, por mim, tudo bem. Só tenha paciência com o seu pai, porque isso não é o "normal" para mim.

Meus olhos ficaram marejados. Senti um amor genuíno vindo dele. Alisson levantou-se, foi até o pai e o abraçou. Eles são muito parecidos: o jeitão sério esconde um coração enorme. Já o Ande é a cara da mãe. Antes de sair, o pai pediu apenas que não contássemos nada ao irmão nem à mãe por enquanto, para não abalar ainda mais os ânimos da casa.

Quando ficamos sozinhos, eu ainda processava o fato de ter sido assumido. Aquilo me deu a certeza de que o que sentíamos era real. Levantei-me e enlacei o pescoço do Alisson, beijando-o com uma intensidade nova. Nossas línguas se encontraram e ele me apertou contra seu corpo, tirando meu fôlego.

— O que foi isso? — ele perguntou, sorrindo entre os beijos.

— Eu quero você, Alisson. Agora.

Alisson me ergueu nos braços, segurando minhas coxas, e me levou de volta para a cama. Ele tirou meu calção delicadamente, deixando-me nu sob seu olhar concentrado. Ele contemplou meu corpo por um momento antes de se entregar ao desejo.

— Sou seu — sussurrou ele.

Os beijos dele desceram pelo meu pescoço, peito e abdômen até chegar ao meu membro. A boca dele, quente e úmida, me envolveu por completo. Ele colocou minhas pernas sobre seus ombros e, enquanto me estimulava, eu apertava seus cabelos, em completo êxtase. Alisson sabia exatamente como me deixar fora de órbita.

Ele me virou de quatro e eu afundei o rosto no travesseiro para abafar os gemidos. O toque de sua língua me causava arrepios intensos. Estávamos em um ritmo frenético, em um "meia-nove" onde eu explorava o corpo dele com a mesma fome. Quando não aguentei mais, gozei sem nem me tocar, e senti Alisson explodir em minha boca logo em seguida.

Ainda pulsando de desejo, sentei-me sobre ele. A dor não veio, apenas um prazer avassalador que me fez quicar com força, com as mãos apoiadas em seu peito e os olhos revirando. Ele segurou minha cintura com virilidade, socando contra mim enquanto tentávamos, em vão, conter o barulho. Alisson gozou dentro de mim, e ficamos ali, abraçados e trêmulos, até o pau dele amolecer completamente.

— Você me faz muito feliz — disse ele, com um sorriso largo.

— Você também me faz feliz.

Ele beijou minha mão, um gesto simples que me aqueceu por dentro. Ele foi para o banho e saiu para o trabalho sem tomar café, mas parecia radiante.

Mais tarde, Ande chegou para tomarmos café. Ele estava animado com a festa em Camocim.

— A Júlia vai encontrar a gente lá ou você vai buscá-la? — perguntei.

— Ela não vai. Vai ser um rolê de amigos.

— Ela concordou com isso?

— Não tem o que concordar, não devo satisfações a ela — ele respondeu, curto.

— Acho que ela deveria saber que você vai para outra cidade.

— Ela só ia encher o saco.

Não me meti. Fomos à academia e o John também estava pilhado. Pelo jeito, seria algo grande. Vi o Alisson chegando enquanto saíamos, e me doeu não poder ficar ali com ele.

À tarde, cochilamos para aguentar a madrugada. A van sairia às seis da noite e só voltaria às seis da manhã. Antes de ir, passei no quarto do Alisson.

— De quem é esse gatinho? — ele brincou, me vendo arrumado.

— Todo seu — respondi, dando-lhe um selinho. — Posso usar seu perfume? Quero sentir seu cheiro a noite toda.

— Claro, pega no guarda-roupa.

Fomos para o ponto de encontro. Éramos doze pessoas. O pessoal levou coolers cheios de cerveja, energético, uísque Black & White e vodca Absolut. Vi também maconha e pó com um dos caras. Fiquei desconfortável; sou nerd demais para essas paradas.

— Relaxa, Renan, o pessoal é do bem — disse Ande.

Na praça da festa, o som do Wesley Safadão estava no talo. Todos dançavam, menos eu. Ande bebia como se não houvesse amanhã e fumava um baseado atrás do outro. Ele me disse que já estava acostumado a fumar com a Júlia — agora eu entendia a resistência da mãe dele.

Ande sumiu de vista. Quando o reencontrei, ele estava beijando uma das meninas da van, depois outra, e logo estava em um beijo triplo. Ele estava completamente louco.

— Ande, pega leve — tentei avisar.

— Me deixa, Renan!

Perto das três da manhã, eu estava exausto. Procurei por ele perto dos banheiros químicos e o vi em uma área escondida. Fiquei estático: Ande estava aos beijos de língua com o John. Eles se pegavam com força. Em choque, vi o Ande se ajoelhar na frente dele e não quis ver mais nada. Saí correndo e mandei uma mensagem para o Alisson: "Por favor, vem me buscar".

A resposta foi imediata: "Estou a caminho, manda a localização".

Sentei na calçada e esperei. Quarenta minutos depois, a Hilux do trabalho apareceu. Achei estranho ele chegar tão rápido; ele deve ter voado na estrada. Ele me abraçou e percebeu que eu estava mal, mas ele também parecia estranho. Fomos até a praia para conversar.

— Preciso te contar algo — ele disse, e meu coração gelou.

— Pode falar.

— A Carolina foi lá em casa hoje... Ela está grávida.

Senti minha alma sair do corpo. O silêncio se instalou entre nós, apenas com o som das ondas. Pensei que ele ia terminar comigo ali mesmo.

— Então... acabou? — perguntei, sem coragem de olhá-lo.

— Não. Renan, você me faz tão feliz. Vou ter um filho e vou ajudá-lo, mas não vou ficar com a mãe dele. Nada muda o que sinto por você.

Ficamos ali, um ao lado do outro, até o sol nascer. Alisson me olhou nos olhos e me beijou.

— Eu quero você. Vou ter um filho, mas isso não muda nada. Agora, mais do que nunca, vou precisar de você do meu lado.

— Nada no mundo muda o que temos — repeti.

Sabia que seria difícil, mas, juntos, íamos superar.

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Comentários

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Rapaz o Andy e o John surpresa total, como será o retorno para casa e encontrar o Renan.

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você escreve não só as melhores histórias como as mais fodásticas reviravoltas...

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