## Mariana
Acordei na manhã seguinte me sentindo úmida e totalmente satisfeita. Ontem à noite tinha gozado mais vezes do que conseguia contar. O Miguel tinha me dado quase tudo que precisava, e as memórias de nós acasalando juntos trouxeram uma nova umidade pra minha buceta dolorida.
Mas foi o ato final com meu marido que vou guardar dessa noite.
Não sabia se ter a Alice e o Miguel primeiro foi o que deixou tão bom e certo entre o Júlio e eu. A resposta pra esse quebra-cabeça ainda estava por ser descoberta.
Durante o café da manhã do serviço de quarto, perguntei sobre isso.
— Amor, por que acha que conseguiu me foder tão lindamente ontem à noite?
Ele só me olhou e balançou a cabeça.
Ele não queria falar sobre isso.
Merda.
Não ia deixar isso pro acaso. Precisava saber. — Foi a Alice? Você fez primeiro com ela. Ela gozou com você dentro dela. Isso ajudou?
Acho que percebeu que não escaparia disso. Ele largou o garfo e suspirou. — Honestamente, não sei, Mariana. Ela me deu confiança. Ela confiou em mim pra dar o que ela precisava e cavalgamos isso juntos pra - não sei - fazer acontecer.
— E o Miguel? Como você se sentiu com eu transando com o Miguel?
Um lampejo de dor varreu o rosto dele. — Não posso mentir, Mariana. Fiquei com ciúmes. Horrivelmente com ciúmes. Que você ia foder aquele troglodita por quatro horas. Como você podia querer ele assim?
Suspirei. Ele não tinha me ouvido todo esse tempo? — Você sabe por quê.
— Ok, você disse. Mas é diferente agora, certo? Quebramos um impasse. Tivemos sexo incrível, você e eu.
O sexo foi... bom. Mas nós dois precisamos de um aquecimento pra fazer funcionar. Era a conexão emocional com o Júlio através do sexo que eu precisava dele. E isso, consegui de monte.
— Júlio, amor, foi incrível. Sim. Mas... — Ele estremeceu naquela palavra final. Segui em frente. — Mas, meu amor, não posso te dizer como isso vai ser. Se você e eu conseguirmos conectar como fizemos ontem à noite, então 'Sim', nunca vou procurar outro. Você tem minha palavra nisso.
— Mas uma noite não conta a história da nossa vida, Júlio. Tenho necessidades. Necessidades desesperadas. Ontem à noite você atendeu, mas só depois de nós dois... bom, você entende. Mas agora sabemos que você pode. Nós podemos. Você tem isso em você. Nós dois sabemos que você é capaz. Então aqui vai o que proponho.
— Nunca mais vou te dizer que vou pegar um amante. Não se preocupe, não vou pelas suas costas também. Não, de agora em diante, Júlio, vai ser sua ideia. Sua decisão.
O rosto dele nublou com ceticismo.
— Você tá se perguntando. 'Por que eu diria pra você foder alguém como o Miguel?' Por que mesmo?
— Tô confiando em você, Júlio, pra estar focado a laser no nosso relacionamento. Como estamos juntos. Como tá o sexo? Tô conseguindo o que preciso de você na cama? Você tá?
— Você tem que estar sintonizado comigo, com nós o suficiente pra saber. Preciso que perceba quando tô ficando frustrada e mal-humorada, como fico quando não tô conseguindo o que preciso.
— Você sabe o quão alto é meu impulso sexual. Sou um inferno de vadia furiosa quando engreno, e leva MUITO pra apagar esse fogo. Mas nunca vou procurar outro pra me foder, a menos que você me diga.
— Mariana, isso é loucura. Tá me pedindo pra ser corno de mim mesmo. Por que eu faria isso?
— Pensa, amor. Quando fico tão excitada, mal consigo ver direito. Minha necessidade de sexo é básica. É uma parte de mim que não posso simplesmente eliminar. Você tem que entender isso. Preciso que você esteja sintonizado comigo. Preciso que reconheça quando minhas necessidades são provavelmente vastamente maiores que sua capacidade de satisfazer. Posso parecer distante. Ou posso ser curta com você. Ou posso estar te agarrando constantemente. E se você não conseguir matar minha sede, quero que me diga que tá tudo bem. Quero que diga: 'Tire isso do seu sistema e volte pra mim'. Confia em mim, Júlio. Nunca mais vou te dizer que tô pegando um amante.
— Você vai me dizer isso. Você vai saber quando é a hora. Não vai ser toda semana. Não vai ser todo mês. Duas a quatro vezes por ano, talvez. E nunca duas vezes com o mesmo homem. Você vai ver a verdade do nosso amor e saber que sempre vou voltar pra você. E Júlio, se você mesmo precisar pegar uma amante, se quiser uma mulher que possa te dar aquilo que eu não pareço conseguir te dar, bom, você pode tomar essa decisão também. Confio em você.
— Consegue viver com isso, amor? Me ama tanto assim?
Parei aí. Tinha terminado minha proposta pra ele.
Sentei com as mãos no colo e esperei.
***
## Epílogo ##
**4 meses depois.**
**Mariana**
O Júlio e eu sentamos juntos no bar do Baretto, no Fasano. Eu tava vestida pra matar e pronta pra ação. As ligas das minhas meias com costura espiavam pela barra da minha minissaia de couro vermelha na coxa. Meus stilettos escarlates com saltos de doze centímetros gritavam "Me fode", enquanto a blusa de seda preta abotoada mal segurava meus seios 350ml sem sutiã, a apenas um botão esticado e tensionado de estourar e mostrar meus atributos pro mundo.
Minha maquiagem tava escura e esfumaçada. Meu batom brilhante e vermelho. Meu cabelo tava selvagem e caía em cachos desgrenhados pelo meu corpo até minha cinturinha.
Meu marido tomou um gole do whisky e me cutucou com o cotovelo. Baixando o Martini dos meus lábios, meu olhar seguiu o dele pro homem caminhando pra mesa dele, tendo acabado de voltar do banheiro.
— Que tal ele? — disse. Observei o homem enquanto sentava com os companheiros e pegava a bebida. Ele riu e disse algo que os amigos acharam engraçado.
Balancei a cabeça.
O Júlio escaneou a sala de novo e apontou pra outro. Um garanhão grande e forte com queixo quadrado e terno alfaiatado. Ele tava sentado com um grupo misto, o centro das atenções. As duas mulheres na mesa dele estavam admiradas com ele, mas nenhuma delas era dele. Ainda.
Balancei a cabeça.
Depois de anos de prática, eu sei. Sempre sei. — Encontramos um prospecto lindo pra você, amor — disse. — Você não tá tendo tanta sorte com os homens.
Júlio deu de ombros e apontou mais dois, mas ambos eram um 'não'.
***
O rosto dele traiu perplexidade e entendi por quê. É quase impossível pra um homem ver outros homens da perspectiva de uma mulher.
Guerras seriam evitadas se esse truísmo pudesse ser revertido.
— Deixa comigo — disse, escaneando a sala. Virei pra olhar atrás de mim e avistei três homens sentados em diagonal a nós no bar. Dois estavam sentados nos bancos giratórios do bar de costas pra nós, e um tava em pé, de frente pra eles. O rosto dele revelava uma confiança altíssima. Ele ouvia os amigos e conversava com eles de forma justa e atenciosa. Era em forma e alto e charmoso, mas não charmoso demais. Tinha uma aspereza distinta nas bordas que achei sedutora.
— Aquele ali — disse. — Aquele é o homem que poderia me foder a noite toda.
Júlio sorriu. — Acho que sim. Você gosta dele, não é?
Simplesmente dei um tapinha na mão dele.
Júlio me presenteou com um sorriso brilhante. — Fico feliz que não precisamos dele hoje à noite.
Correspondi o sorriso e me inclinei pra um beijo, empolgada com o uso da palavra "precisamos".
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**FIM**
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Pronto! Pessoal a história está finalizada! Por favor, comentem, podem me xingar, opinar, elogiar. Se curtiu a série, por favor, dê as estrelas e deixe seu comentário! Eles são muito úteis para minhas histórias que virão!