## ATO I – O FIO QUE ELA PUXA
[Apartamento de dois quartos no Brooklin, São Paulo, 15 de janeiro de 2026, 22:30]
O suor escorre devagar pela minha nuca. Gotícula única, quente, descendo pela coluna vertebral até sumir na curva das costas onde a camisola de seda está grudada na pele. Devia levantar, tomar banho, lavar o cabelo que ainda cheira ao condicionador caro que comprei porque a vendedora da Sephora disse que "realça o brilho natural." Mentira. Nada em mim é natural faz anos.
Mas não me mexo.
O lençol — algodão egípcio seiscentos fios, investimento em "qualidade de vida" segundo Rafael — raspa contra a minha coxa direita. Movimento dois centímetros. O tecido arrasta, gruda de novo. Repito. Uma compulsão idiota, mas pelo menos é algo que consigo controlar. Diferente do resto. Diferente da umidade crescente entre as minhas pernas que nenhum ar condicionado quebrado consegue secar.
Rafael ronca. Não alto, nunca é alto — ele é educado até dormindo, porra. Um ronco suave, rítmico, seguro. Som de homem que trabalha direito, paga as contas em dia, transa nas quartas e sábados com a esposa em duas posições aceitáveis, goza educadamente sussurrando "eu te amo" antes de rolar pro lado e apagar.
Quero vomitar.
Não, espera. Quero *mais* que vomitar. Quero gritar. Quero socar meu próprio rosto até as sardas desaparecerem sob hematomas. Quero correr pelada pela Marginal Pinheiros às três da manhã até alguém me parar do jeito errado. Quero... *caralho*, eu quero tanto que meu corpo dói fisicamente de desejo não realizado.
Pego o celular. Tela rachada — caiu no banheiro da academia semana passada enquanto eu stalkeava o perfil dele pela décima vez. Nunca consertei. Pra quê? As rachaduras parecem apropriadas. Mapa das minhas falhas internas vazando pra fora.
O aplicativo abre devagar, wi-fi meio morto porque Rafael ainda não renovou a internet de fibra mesmo eu pedindo três vezes. Sempre tem algo mais importante. Sempre.
**VITOR**. Sem sobrenome. Foto borrada: torso tatuado, caveira tosca com faca atravessando o crânio diretamente no centro. Músculos sem definição fitness, só força bruta de quem carrega peso de verdade. Sem descrição fofa. Sem "curto praia e séries, procurando algo sério." Apenas: *"Não pergunto duas vezes."*
Três semanas desde a primeira mensagem. Eu tinha acabado de voltar da corrida noturna — dez quilômetros pelo Ibirapuera, fones no ouvido tocando alguma merda pop que não lembro, mas principalmente esperando. Sempre esperando alguém me puxar pra trás das árvores, me arrastar pro escuro, me *usar* antes que eu conseguisse dizer sim. Porque se eu disser sim, se eu concordar, não vale. Precisa ser tirado. Roubado. Forçado.
Ele respondeu em doze minutos: *"Você quer de verdade ou tá só brincando?"*
Coração acelerou tanto que tive que sentar no meio-fio. Dedos trêmulos digitando: *"De verdade."*
*"Então para de enrolar. Manda teu endereço ou apaga meu número."*
Não apaguei.
Deslizo pelo histórico de mensagens. Nenhuma é doce. Nenhuma pergunta "como foi teu dia" ou manda meme idiota. Só coordenação logística de um crime que ainda não aconteceu. Até agora.
Mordo o lábio inferior. Pele já ferida abre de novo — gosto metálico, familiar, quase reconfortante. A dor pequena acalma a grande. Por três segundos.
*Se eu mandar a mensagem, ele vem. Se ele vem, acontece. Se acontece... o que exatamente? Eu gozo tão forte que apago? Eu morro? Eu finalmente entendo por que meu corpo respondeu daquele jeito quando eu tinha 16 e o primo me segurou contra a pia do banheiro enquanto "Macarena" tocava na sala?*
Digito: **"Hoje à noite."**
Pauso. Cursor piscando. Meu reflexo distorcido na tela rachada parece outra pessoa. Olhos fundos, cílios úmidos — sempre úmidos, como se eu estivesse perpetuamente à beira de chorar ou gozar. Às vezes as duas coisas ao mesmo tempo.
Apago.
Digito de novo: **"Hoje à noite. Sem parar."**
Não. Ainda não é suficiente. Ele precisa saber. Precisa entender que não é teatro, não é CNC com safeword amarela e vermelha, não é "para se eu bater três vezes na cama." É real. Eu quero que seja real.
Termino: **"Mesmo se eu chorar."**
Dedo paira sobre o "Enviar" por dez segundos inteiros. Rafael se mexe — pânico instantâneo congela meu sangue —, mas ele só vira de costas, puxa o edredom, continua dormindo. Claro. Nada perturba o sono do homem justo.
Envio.
A mensagem sai. Marca "entregue" em cinza claro. Depois: "lida" em azul.
Conto. Um Mississippi. Dois Mississippi. Três... Quarenta e sete Mississippi.
O celular vibra contra minha palma suada.
**"Endereço. 1h. Deixa a porta entreaberta."**
Meu útero se contrai. Literalmente. Uma cãibra doce rasgando do colo até o clitóris, tão intensa que minha perna esquerda espasma involuntariamente, calcanhar batendo no colchão. Rafael não acorda. Nunca acorda.
Solto um gemido — baixo, estrangulado, patético — e enfio a mão na boca pra abafar o resto. Meus mamilos estão duros, raspando contra a seda fina da camisola que vesti depois do banho sem nem pensar em sutiã. Por quê? Eu já sabia. Meu corpo sempre sabe antes do meu cérebro admitir.
*Ele vem de verdade. Vai atravessar a cidade, subir no meu prédio, entrar no meu apartamento onde minha filha dorme a dez metros, onde meu marido ronca tranquilo ao meu lado. Vai me foder. Não, espera — não é isso. Ele vai me ESTUPRAR. Mesmo que tecnicamente eu esteja convidando. Porque a partir do momento que ele entra, eu não controlo mais nada. E é exatamente isso que me deixa tão molhada que sinto escorrer até o ânus.*
Respondo rápido, antes de desistir: **"Rua [...]"** — envio endereço completo, número do apartamento, até o código do porteiro que nunca funciona direito.
Dois segundos.
**"1h."**
É só isso. Nenhum "tá bom," nenhum emoji. Apenas confirmação militar de uma operação que vai mudar tudo ou me destruir. Talvez os dois.
Travo o celular. A tela escurece. Meu reflexo desaparece. Fico olhando pro teto. Mancha de umidade no canto esquerdo que o síndico prometeu consertar faz seis meses. Forma parece vagamente com um cachorro. Ou um demônio. Depende do ângulo, da luz, do quanto você já está quebrada por dentro.
Tenho cinquenta e dois minutos.
***
[Quarto, 22:37]
Primeiro: respirar. Dentro pelo nariz — cheiro de Dior Sauvage do Rafael misturado com o creme La Roche-Posay que passei após a depilação de ontem. Marquei depilação a laser, coxas e virilha completa, como se já soubesse. Como se estivesse me preparando pra ser consumida.
Fora pela boca. Ar quente. Mãos tremem tanto que preciso sentar na cama, costas curvadas, cabeça entre os joelhos.
*Calma, Clara. Você fez isso antes. Não exatamente ISSO, mas... não, nunca fiz nada parecido. As outras vezes foram só... passeios perto do abismo. Corridas noturnas em lugares errados. Aquele uber em dezembro que percebi me olhando no retrovisor enquanto eu "acidentalmente" deixava a saia subir. O porteiro novo que peguei me tocando no elevador e sorri em vez de me denunciar.*
*Mas isso? Convidar um estranho — não, um PREDADOR — pra dentro da minha casa, da minha cama conjugal, com meu marido AQUI?*
O pensamento deveria me apavorar. Deveria me fazer apagar a mensagem, bloquear o número, tomar banho gelado e agendar terapia de emergência amanhã.
Em vez disso, passo a mão por baixo da camisola. Entre as pernas. Dedos encontram calor úmido, lábios inchados, clitóris latejando. Toco de leve. *Ahh* — minha cabeça joga pra trás sozinha. Mais um toque. Outro.
Paro. Não posso. Se eu gozar agora, antes dele chegar, vou voltar à realidade. O feitiço quebra. A coragem evapora. E amanhã eu acordo no mesmo inferno educado de sempre.
Tiro a mão. Dedos brilhando. Limpo na coxa.
Levanto devagar. O piso de madeira range — *nhec* — e congelo, olhando pra Rafael. Ele não se mexe. A filha dele. Não, NOSSA filha. Sofia, cinco anos, quarto ao lado, dormindo abraçada com a Elsa de pelúcia que ganhou no aniversário. Cabelo castanho igual ao meu, sardas começando a aparecer no nariz. Tão perfeita que dói olhar.
*Que tipo de mãe faz isso?*
*A mãe que gozou quando foi estuprada aos 16. A mãe que casou achando que sexo gentil curaria a doença. A mãe que descobriu que gentileza só alimenta o câncer.*
Saio do quarto.
***
[Cozinha, 23:15]
A luz amarela da coifa transforma tudo em hospital abandonado. Tudo aqui está limpo, organizado, morto. Geladeira de inox que Rafael escolheu porque "valoriza o imóvel" — ele sempre fala assim, como se a gente fosse vender amanhã. Cooktop que uso três vezes por semana pra fazer comida que ninguém elogia de verdade. Fruteira com bananas passadas e uma maçã murchando.
Abro a garrafa de vinho. Resto do Cabernet de domingo. Sirvo um copo. Bebo metade de uma vez. O líquido desce queimando, azedo, tânico. Não ajuda. Sirvo mais. Bebo tudo. Derramo um pouco na pia — mancha roxa se espalhando no aço escovado como sangue diluído.
Minhas mãos ainda tremem. Espalmo na bancada fria. Granito cinza com veios pretos. Lembro do dia que escolhemos: eu grávida de seis meses, Rafael animado falando de "plano de dez anos," eu fingindo interesse enquanto pensava se a cesariana ia doer menos que parto normal.
Cheiro de alho do jantar ainda prega no ar. Refogado de frango com arroz integral e brócolis no vapor que Sofia recusou ("tá verde, mamãe!"). Rafael comeu tudo, mastigando metodicamente enquanto scrollava LinkedIn no iPad, respondendo "hm-hm" quando eu tentava conversar.
Devia ter jogado fora. Devia ter tocado fogo na casa inteira.
Levanto a camisola. Seda desliza sobre minha barriga — lisa, linha alba visível quando contrair o abdômen, cicatriz fina da cesariana que passo os dedos quando estou sozinha. Vestigio de quando eu ainda achava que ser mãe ia me completar. Spoiler: não completou.
Enfio os dedos no elástico da calcinha. Rosa-clara, algodão, comprei num kit de três na Renner porque "roupa íntima não precisa ser cara se ninguém vai ver." Rafael nunca comenta. Nunca diz "gostei dessa" ou "tira pra mim." Só levanta quando tá pronto, penetra, goza, dorme. Casamento.
A calcinha está encharcada. Completamente. Tecido pesado de tanta umidade. Empurro pra baixo — desce pelas coxas, pela panturrilha, para nos tornozelos. Chuto pro lado. Pousa perto da lixeira.
Pego ela. Aperto na mão. Sinto a textura molhada, o calor ainda preso no tecido. Cheiro de excitação — almíscar doce, levemente ácido. Cheiro de verdade, não de perfume caro ou mentira.
Jogo no fundo da máquina de lavar. Entro as camisas sociais engomadas do Rafael, as meias executivas pretas, a calça de moletom da Sofia com estampa da Frozen. Escondo minha podridão embaixo da vida normal.
Fecho a tampa. O *clec* soa final.
Agora estou nua debaixo da seda. Ar circula entre as minhas pernas — sensação estranha, vulnerável, excitante. Sinto cada centímetro: pelos que deixei (faixa fina, depilei o resto), dobras dos lábios maiores grudando levemente, clitóris exposto roçando a costura interna da camisola quando ando.
Cada passo até a porta da frente é uma decisão. Posso voltar. Trancar tudo. Bloquear o número. Fingir que foi só fantasia.
Giro a chave. *Click*. Destravada.
Puxo a maçaneta. A porta abre devagar — cinco centímetros, dez, para em quinze. O corredor está escuro, vazio, silencioso. Cheiro de produto de limpeza industrial sobe das escadas. Qualquer um pode entrar agora. Ladrão. Assassino. Vitor.
*Principalmente Vitor.*
Minha mão solta a maçaneta. A porta fica ali. Entreaberta. Convite. Armadilha. Rendição.
Volto pro quarto. Coração batendo tão alto que juro que vai acordar Rafael. Mas não acorda. Nunca acorda pra mim.
Deito na minha metade da cama. De lado. De costas pra ele, de frente pra porta. Puxo a camisola pra cima — sobre os quadris, sobre a bunda, até a cintura. Ar condicionado sopra direto na pele exposta. Arrepio percorre da lombar até a nuca.
Dobro a perna direita levemente. Deixo a esquerda esticada. Posição que abre. Que mostra. Que oferece.
Fecho os olhos. Abro de novo. Fecho. Minha respiração está errada — rápida demais, rasa, quase hiperventilando. Tento controlar. Quatro segundos dentro, sete fora. Técnica de meditação que aprendi no YouTube e nunca funcionou.
Não funciona agora também.
Olho pro relógio digital da mesinha de cabeceira: 23:47.
Treze minutos.
Minha mão se move sozinha — desliza pela barriga, contorna o umbigo, desce. Para. *Não. Espera.* Se eu tocar agora, se eu aliviar a pressão nem que seja um segundo, posso enfraquecer. Posso desistir.
E eu não quero desistir.
Quero que doa. Quero que rasgue. Quero acordar amanhã sentindo ele ainda dentro de mim, mesmo depois dele ir embora.
*Por favor, Deus que eu não acredito mais, faz ele chegar logo antes que eu perca a coragem.*
***
[Sala, 00:11]
Silêncio.
Depois: som.
Distante primeiro. Portão do prédio — rangido metálico inconfundível. Passos. Não no elevador. Escada. Subindo devagar, pesados, confiantes. Cada degrau uma condenação.
Meu corpo inteiro trava. Músculos congelam — mandíbula, ombros, coxas. Até minha respiração para.
*Ele veio. Puta que pariu, ele veio MESMO.*
Parte de mim — a parte idiota, a parte que ainda acredita em finais felizes e homens gentis — esperava que fosse blefe. Que ele cancelasse última hora. Que eu acordasse amanhã frustrada mas intacta.
Mas ele veio.
Os passos ficam mais altos. Mais pertos. Corredor do prédio. Aproximando do apartamento 304.
Param.
Silêncio de novo. Cinco segundos. Dez. *Ele foi embora? Desistiu? Percebeu que é loucura e—*
A porta range. *Nheeeeeec* — som longo, agudo, puxando até o fim da dobradiça. A fresta de quinze centímetros vira trinta. Cinquenta. Aberta.
Ar muda. Pressão atmosférica shift como antes de tempestade. Cheiro novo invade — tabaco barato, suor ácido de quem trabalhou o dia todo, graxa velha, testosterona pura. Masculinidade bruta que nenhum perfume de shopping consegue imitar.
Meu estômago revira. Minha boceta aperta, lubrificando mais ainda — sinto escorrer pela coxa interna.
Não ouço a porta fechar. Ele deixou aberta? Ou entrou e fechou tão devagar que não fez som? Não sei. Não consigo pensar. Sangue latejando nos ouvidos abafa todo o resto.
Passos de novo. Na sala. Vindo pra cá. Pro quarto onde meu marido dorme a dois metros. Onde eu estou deitada, bunda exposta, esperando.
Ele aparece na porta.
Silhueta primeiro. Grande. Ombros largos bloqueando a luz fraca do corredor. Altura — 1,82? Mais? Difícil saber de lado, mas ele domina o espaço apenas existindo.
Depois: detalhes. Camiseta preta — Corinthians, símbolo desbotado até virar fantasma cinza. Grudada no peito largo, nos braços grossos. Músculos sem definição fitness. Força funcional. Braços de quem carrega, levanta, quebra.
Bermuda jeans surrada. Tênis All Star rasgado na lateral. Sem meias.
Rosto: anguloso, barba malfeita de três dias, cicatrizes velhas na testa (briga? acidente?). Cabelo curto crespo, entradas nas têmporas. Idade — trinta e poucos? Quarenta? Difícil dizer. Rosto de quem viveu rápido.
E os olhos.
*Caralho, os olhos dele.*
Escuros. Quase pretos. Vazios de empatia mas cheios de fome. Olhando pra mim como... como presa. Não, pior. Como *propriedade*. Como coisa que já é dele só porque ele decidiu.
Ele não fala. Não pergunta "tem certeza?" Não verifica "tudo bem?" Não faz nenhuma encenação de cuidado.
Só avança.
Quero falar. Minha boca abre — lábios secos rachando, língua colada no céu da boca. *Espera. Calma. Vamos... vamos só conversar um segundo, eu preciso—*
Nada sai. Porque eu não quero que saia. Porque se eu falar, se eu pedir, se eu *negociar*, vira outra coisa. Vira consensual. E consenso estraga tudo.
Ele está na beira da cama. Joelho subindo no colchão. O peso — facilmente cem quilos, talvez cento e dez — faz o colchão afundar, desequilibrando meu corpo na direção dele como gravidade.
Viro de costas. Automático. Instinto animal de fuga. Tento rastejar pro outro lado.
Dedos cravando na minha cintura me puxam de volta. Força absurda — ele me arrasta pelos quadris como se eu pesasse nada. Barriga bate no colchão. Ar sai dos pulmões. *Oof*.
Mão enorme tampa minha boca. Palma calejada, grossa, gosto de sal e cigarros. Aperta. Não violento, mas firme. Definitivo. Meu nariz fica livre pra respirar — entrada de ar em pânico, fungando —, mas a boca está selada.
Peso dele desaba nas minhas costas. Esmagando. Camiseta áspera raspando na seda da minha camisola. Calor corporal dele irradia — febre de desejo ou só temperatura normal de alguém vivo demais?
Algo duro pressiona contra minha bunda. Grosso. Longo. Pau dele. Já totalmente ereto.
Ele se inclina. Lábios roçam minha orelha — não beijo, apenas proximidade. Voz rouca, baixa, um rosnado subterrâneo:
— Faz barulho e eu paro. Entendeu?
Minto. Balanço a cabeça — sim, entendi, vou ficar quieta.
Mentira. Eu quero gritar. Quero que os vizinhos liguem pra polícia. Quero que Rafael acorde e veja quem eu realmente sou por baixo da esposa exemplar.
A mão dele solta minha boca. Desce. Agarra meu seio direito por cima da seda. Aperta. Forte — dedos afundando na carne, mamilo esmagado contra a palma. Dor afiada rasga do peito até o útero.
Solto um gemido. Abafado, patético.
Ele ri. Grave. Sem humor. Som de quem já venceu.
— Você tá encharcada, né?
Não é pergunta. É afirmação. Porque a outra mão já está entre minhas pernas, afastando as coxas com força, invadindo, encontrando calor e umidade humilhante.
Dois dedos enfiados de uma vez. Sem aviso. Sem preparação.
*AHHHH—*
Meu corpo arqueaia, bunda empinando involuntariamente ao encontro da invasão. Os dedos dele são grossos — muito grossos, grossos como o pau do Rafael mas mais ásperos, calejados, curvando lá dentro encontrando o ponto G que eu mesma nunca alcanço direito.
Ele bombeia. Rápido. Brutal. Dentro, fora, dentro, fora — ritmo mecânico, sem carinho. Som obsceno — *schlip schlip schlip schlip* — molhado demais, alto demais. Rafael vai acordar. *Vai* acordar. *Por favor acorda, por favor não acorda*—
Gozo.
Rápido. Violento. Onda elétrica subindo pela espinha, explodindo atrás dos olhos, pernas tremendo fora de controle. Aperto nos dedos dele — útero contraindo, boceta pulsando, molhando mais ainda. Mancho a mão dele, o lençol, tudo.
A vergonha é tão intensa quanto o prazer. *Eu gozei. Nos dedos dele. Em trinta segundos.*
Ele tira os dedos. Devagar. Quase gentil. Depois — limpa na minha coxa. Espalha meu próprio gozo pela pele como tinta. Marca de propriedade.
Ouço metal. Zipper descendo. *Zzzzip*.
Meu sangue congela e ferve ao mesmo tempo.
— Nem começou ainda — ele murmura contra minha nuca.
*Deus me perdoe.*
*Não. Não me perdoa. Eu não mereço. E não quero.*
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Nota: contarei essa história em 3 atos. Esse foi o primeiro. Mas disponibilizarei o restante apenas se tiver boa aceitação e comentários. Pois se trata de um tema polêmico e bem pesado! Não sei se vocês vão gostar… então me deem o feedback que dependendo eu libero as outras duas partes que já estão escritas! Não esquece de dar o like também!