# Dívida Interna – O Preto Burguês e a Loira Troféu
Tem preto que sobe na vida e acha que pode riscar o passado com caneta branca, como se a história fosse quadro negro que apaga fácil. É tipo árvore que cresce alta, mas corta a raiz pra não lembrar que nasceu no meio do mato seco. Troca o barraco fedendo a esgoto pelo apê na Barra com vista pro mar que a gente limpa mas nunca nada. Troca o orgulho de ser preto retinto pelo terno justo que aperta o peito e sufoca a voz verdadeira. Acha que, casando com loira de olho claro e silicone que brilha mais que ouro falso, virou homem novo, limpou o sangue da senzala que ainda lateja nas veias como tambor que não cala. Eu conheço um desses irmão. Doutor Eduardo Vasconcelos. Formado em Harvard, sócio da construtora que derruba morro inteiro pra levantar torre de vidro onde só entra quem já nasceu com sobrenome de dono. Fala inglês fluente como se fosse leite materno, e português só quando precisa posar de “raiz” na entrevista da Globo, com aquele sorriso ensaiado que diz “olha como eu venci o sistema, mas sem sujar a sola do sapato italiano”.
A mulher dele é o carimbo final da vitória. Gabriela. Loira platinada que parece ter sido fabricada em laboratório europeu, olho verde-água que nunca viu lágrima de enchente, corpo esculpido por personal trainer que cobra mais que o salário de um mês inteiro na obra. Pele que não pega sol sem filtro 100, unha que não quebra carregando saco de mercado. Ela desfila de braço dado com ele em evento de gala, sorrindo como troféu vivo na prateleira, pra provar pros antigo senhor que agora ele pode comprar o que antes só via de longe pela grade. Troféu que brilha, mas não aquece. Troféu que valida a cor da pele dele perante os olho branco que ainda manda no dinheiro. Porque no fundo, irmão, ascensão de preto no Brasil é sempre com selo de aprovação do antigo dono da casa-grande.
Eu vi os dois numa vernissage no Jockey Club, daqueles lugar onde o champanhe custa mais que o barraco inteiro e as conversa são sobre arte que ninguém entende mas todo mundo finge. Ele apresentando ela como “minha princesa”, voz cheia de posse, mão na cintura dela como quem marca território. Ela rindo com riso de taça de cristal que nunca rachou, nunca quebrou, nunca sentiu o peso de nada real. Eu tava lá de segurança disfarçado — convite que consegui com um irmão que varre o chão daqueles lugar depois que os rico vão embora, deixando garrafa vazia e ego cheio. Smoking apertado que pinicava a pele, mas o cheiro da favela não sai nunca, gruda como marca de ferro que não apaga. Ela me olhou. Não foi olhar de desprezo tipo “quem deixou esse aqui entrar?”. Nem olhar de pena tipo “coitado do projeto social”. Foi olhar de quem sente falta de algo que o dinheiro não compra: o gosto do proibido que ainda tem terra vermelha debaixo da unha, o cheiro de suor que não vem de academia, o perigo que lembra que a vida não é só fachada polida.
Duas semanas depois, ela mandou mensagem no número que deixei cair “sem querer” no bolso do paletó dele, daqueles paletó que custa mais que carro popular. Mensagem curta, direta, sem emoji de coraçãozinho: “Quero conhecer o outro lado do Rio. Sozinha.” Eu ri sozinho no barraco, riso que ecoou no zinco quente. Preto burguês acha que controla tudo, até o desejo da mulher que ostenta como prova de sucesso. Acha que o dinheiro compra obediência, compra silêncio, compra até o tesão. Mas mulher troféu, quando é loira de olho claro casada com preto que esqueceu a raiz, sempre sente um vazio que o marido não preenche. Falta o perigo que lembra que ascensão sem memória é só castelo de areia que a maré leva. Falta a raiz que o dinheiro poda, mas não mata de vez. Ela queria provar o que o Eduardo enterrou fundo: o preto de verdade, o que não pede licença pra ser quem é.
Marquei no mesmo barraco de cobrança. O de sempre, parede de zinco que aquece como forno no calor de julho que só castiga quem não tem ar-condicionado pra fugir. Cheiro de mofo misturado com esgoto que sobe do valão, mas eu boto incenso de alfazema pra lembrar que pobreza também tem classe, tem dignidade que não se compra. Ela chegou num Porsche Cayenne branco, brilhando como se tivesse vergonha de sujar na lama da rua sem asfalto. Estacionou duas quadras pra não dar na vista, pra não manchar a imagem perfeita. Vestido branco justo, abraçando as curva como se tivesse medo de deixar escapar o que foi pago a preço de ouro. Salto alto que afundava na terra batida como quem nunca pisou em chão que não seja mármore. Cabelo solto, perfume caro brigando com o cheiro real da favela, perdendo feio.
Ela bateu na porta de zinco, som seco como tiro abafado. Abri só de cueca preta, corpo suado do calor que não dá trégua pro pobre, músculo marcado de obra pesada, cicatriz que conta história sem precisar de palavra. Ela olhou pra cima — eu com 1,92m de altura que Deus ou o diabo deu, ela com 1,70m no salto tentando alcançar — e sorriu. Sorriso de quem já sabe o preço da curiosidade e tá disposta a pagar.
“Você é o André,” ela disse, voz baixa como quem guarda segredo que pode explodir tudo. “O Eduardo fala de você às vezes. Diz que você é… perigoso.”
Eu ri, riso grosso que veio do peito. “Perigoso é quem troca a história pela fantasia, sinhazinha. Perigoso é quem acha que pode comprar brancura com dinheiro e casamento troféu. Perigoso é preto que esquece que a vitória sem raiz é só ilusão que o vento leva. Entra.”
Ela entrou. O cheiro bateu forte — mofo, esgoto, comida queimada de algum vizinho, pobreza crua. Dessa vez ela não torceu o nariz como as outra branquela que vem de turismo. Estava preparada. Estava querendo sentir o que o marido enterrou fundo pra poder dormir tranquilo no apê com vista pro mar.
“Senta,” mandei, apontando pro colchão de mola velha que reclama de peso real, roupa de cama limpa porque ser pobre não é ser sujo, é ser cobrado todo dia por quem é sujo de alma.
Ela sentou. Pernas cruzadas devagar, vestido subindo na coxa branquinha que nunca viu sol sem protetor, olho verde me medindo como quem avalia mercadoria proibida que sempre quis provar.
“Você sabe quem eu sou,” ela falou, voz tremendo leve. “Sou a mulher do Eduardo.”
“Eu sei,” respondi, me aproximando devagar, passo pesado no chão de cimento rachado. “E você sabe quem eu sou. Sou o espelho que ele tenta quebrar toda manhã. Sou o preto que ele finge que não existe mais, mas que ainda mora no fundo do olho dele quando ele olha pro reflexo e vê que o terno não apaga tudo.”
Ela mordeu o lábio inferior, dente branco perfeito mordendo carne rosada. “Ele acha que me controla. Que eu sou o selo que prova que ele venceu o sistema. Mas eu quero saber… como é o lado que ele escondeu, que ele matou pra poder sentar na mesa dos antigo dono.”
Eu parei na frente dela, perto o suficiente pra ela sentir o calor do meu corpo, o cheiro de homem que não vem de frasco. Meu volume já marcando forte na cueca, pau que não pede licença pra endurecer. Ela olhou. Olhou sem vergonha, olho verde brilhando.
“O outro lado não pede licença, Gabriela. O outro lado lembra. Lembra que ascensão que esquece raiz é só árvore podada que um dia tomba com vento forte. Lembra que troféu de loira não lava o que a história sujou.”
Ela abriu as pernas devagar, vestido subindo mais, revelando que não tinha calcinha. Buceta raspadinha a laser, loira como o cabelo da cabeça, já brilhando de um desejo que o marido nunca despertou de verdade, só simulou.
“Então lembra pra mim,” ela sussurrou, voz rouca agora, sem filtro de champanhe.
Não esperei mais. Peguei no cabelo dela — aquele cabelo loiro que custa mais que aluguel de um ano aqui na Maré, manutenção mensal que daria pra sustentar família inteira — e puxei pra trás com firmeza. Ela gemeu alto, não de dor pura. De alívio. Alívio de quem finalmente sente algo que não vem com nota fiscal, algo que não é pose.
“Você acha que traindo o preto burguês você tá se vingando dele?” perguntei, mão grande descendo pro pescoço dela, apertando leve como quem segura coleira invisível que ela mesma quis usar. “Não, loira. Você tá traindo é a mentira que vocês dois vivem todo dia. Tá admitindo que o troféu dele é só enfeite vazio, e que o que você quer é o que ele tentou matar dentro dele mesmo: o preto que não se curva, que não pede licença pros antigo senhor.”
Ela tentou falar, boca abrindo pra soltar palavra rica. Tapei com a mão calejada, mão que já carregou tijolo pra construir condo de rico, já segurou arma pra defender o que é nosso, já limpou sangue de irmão baleado.
“Você não fala agora. Você sente. Sente o que é ser comida por quem seu marido despreza na frente dos amigo, mas inveja no escuro da alma dele.”
Tirei a cueca devagar, deixando ela ver. Meu pau saltou livre. 25 centímetros de memória viva, grossura de cano de obra, veias pulsando como raiz que não se deixa cortar, cabeça inchada roxa de tudo que a história guardou e não perdoa. Ela arregalou os olhos verdes. Não de medo. De reconhecimento. Reconhecimento de que o marido dela tem pau de executivo: educado, rápido, sem história. O meu tem história pra caralho.
Empurrei ela pra trás no colchão, mola velha reclamando alto. Rasguei o vestido branco com as duas mão, som de tecido caro se rendendo ao real. Silicone perfeito saltou livre, peitos grandes, firmes, mamilos rosados já duros de expectativa, apontando pro teto de zinco como quem pede atenção. Chupei um com força, dente marcando leve, língua rodando. Ela arqueou as costas inteira, ponte que quer desabar de vez.
“Você é casada com preto que virou branco por dentro,” eu disse, voz baixa no ouvido dela enquanto descia a boca pro outro peito, mordendo o bico até ela gemer mais alto. “Acha que o dinheiro lava tudo, mas só encobre o mofo. Agora vai ser comida por preto que nunca se vendeu, que nunca trocou a raiz pela gravata que sufoca. Preto que lembra que vitória sem memória é só fantasia de quem tem medo do espelho verdadeiro.”
Ela abriu mais as pernas, coxa tremendo. Eu posicionei a cabeça do pau na entrada da buceta dela, sentindo o calor, o molhado que já escorria. Entrei de uma vez só. Seco no sentido de sem camisinha, mas ela tava encharcada de desejo proibido. Ela gritou alto, grito que ecoou no barraco, grito de quem finalmente sente algo vivo, algo que não é performance.
A buceta dela — apertada de pilates caro, paredes lisas de quem nunca pariu, quente de tesão que o marido nunca alcança de verdade — engoliu tudo devagar, se contraindo forte como quem tenta segurar o que sempre escapou na vida dela. Eu senti cada centímetro sendo apertado, cada pulsação.
“Você sente a diferença, sinhazinha?” perguntei, socando fundo agora, ritmo lento no começo pra ela sentir o peso. “O pau do seu marido é de quem aprendeu a pedir licença pros antigo dono da casa-grande. É pau educado, rápido, que goza e dorme. O meu é de quem nunca se curvou. O meu é de terreiro que chama ancestral, de funk que não toca na rádio dele.”
Ela gozou rápido, primeiro gozo vindo como onda que quebra forte. Corpo tremendo inteiro, unha cravando no meu braço como quem quer deixar marca permanente, buceta apertando meu pau como mão que não quer soltar. Eu não parei. Continuei socando, ritmo aumentando, bola batendo na bunda dela com som molhado.
E aí, no meio da foda, enquanto ela rebolava desesperada tentando acompanhar o tamanho, eu comecei a cantar baixinho, voz rouca no ouvido dela, adaptando o Racionais pra cena, fazendo a letra dançar com o que tava acontecendo ali no colchão:
“Ei, loira... escuta aqui... 'Da favela pro mundo, mas o mundo não quer saber...'” — eu socava fundo, parando um segundo dentro dela pra ela sentir o peso — “...mas você quer saber, né? Você veio da Barra pro barraco pra sentir o que o Eduardo enterrou. 'Negro drama, entre o sucesso e a lama...' — sucesso dele é você no braço, lama é o que ele esqueceu. Mas agora você tá na lama comigo, e tá gostando pra caralho.”
Ela gemeu mais alto, olho verde revirando. Eu continuei, ritmo da soca seguindo o flow da música:
“'Dinheiro, poder, mas a alma vendida...' — alma do seu marido vendida pra sentar na mesa do branco. 'Mas a loira troféu quer o pau que lembra...'” — ri baixo, socando mais forte — “'Capítulo 4, versículo 3: quem trai a raiz, trai a si mesmo. Você traindo ele? Não, loira. Você traindo é a mentira que ele construiu. 'Vida loka, parte 2: a loira da Barra na Maré, pagando com o corpo o que o preto burguês deve à história.'”
Cada verso saía no tempo da estocada, pau entrando fundo como ponto final na frase. Ela gozava de novo, segundo gozo, buceta piscando forte em volta do meu pau, molhando o colchão inteiro.
“'Jesus chorou, mas o diabo riu...' — diabo rindo agora porque a princesa do doutor Eduardo tá aqui, de pernas abertas pro cobrador da favela. 'Do asfalto pro morro, do morro pro asfalto...' — mas ele foi pro asfalto e esqueceu o morro. Você veio do asfalto pro morro pra lembrar por ele.”
Ela gritava agora, “André... porra... mais...” Eu virei ela de bruços, empinando aquela bunda perfeita de academia cara, redonda como fruta que nunca apodrece. Entrei por trás, mão no cabelo puxando, outra no quadril marcando dedo.
Continuei cantando, voz mais alta agora, flow perfeito com o ritmo da soca:
“'Eu vi negro drama, negro drama...' — drama do preto que sobe e esquece os irmão. 'Mas a mulher dele quer o drama real, quer o pau que não esquece.' 'Mil favelado preso, mas o doutor livre...' — livre pra despejar morro, livre pra ostentar loira. 'Mas a loira quer o preso, quer o que o sistema odeia.'”
Ela gozou terceira vez, corpo convulsionando, gritando no travesseiro pra não vazar pra rua. Eu sentia o pau latejando, perto do fim.
“Último verso pra você, Gabriela: 'A vida é loka, mas a foda é justiça. O preto de raiz cobrando o que o preto de terno deve.'”
Gozei forte, puxando pra fora no último segundo, virando ela de frente. Jatos grossos, quentes, caindo no rosto perfeito, no olho verde, na boca que sorri em foto de revista ao lado do preto que esqueceu. Marca visível, recibo que não apaga.
Ela ficou lá, ofegante, coberta de porra, cabelo grudado, maquiagem borrada total. Loira troféu virando mulher de verdade, nem que seja por uma noite só. Sorriu. Sorriso de quem descobriu que o vazio tem forma, tem gosto, tem cheiro.
“Você vai voltar,” eu disse, limpando o pau na coxa dela devagar. “Porque agora você sabe. O preto burguês pode ter dinheiro pra comprar loira de vitrine, pra construir torre em cima do nosso morro. Mas o preto de raiz tem o que ninguém vende: a memória que não se apaga, o pau que lembra, a justiça que cobra.”
Ela se levantou trêmula, pernas moles, vestido rasgado pendurado como bandeira rendida. Porra escorrendo na coxa, no rosto. Pegou o celular com mão tremendo. Tirou uma selfie. Sem eu pedir.
“Pro Eduardo nunca ver,” ela disse, voz rouca de grito. “Mas pra eu lembrar que nem tudo que brilha é ouro de verdade. Que tem ouro que vem sujo de lama, mas é ouro mesmo assim.”
Saiu cambaleando pro Porsche, salto quebrado agora, chão real marcando o pé. E eu fiquei no barraco, zinco esfriando devagar, sabendo que a dívida — essa dívida que vem de dentro da própria raça — também estava sendo cobrada, parcela por parcela.
Porque tem preto que esquece pra poder dormir tranquilo no apê com vista. Esquece os irmão que ficaram, esquece o morro que ainda sangra. E tem mulher de preto que lembra por ele, mesmo que seja no escuro do barraco, mesmo que seja com porra na cara.
E eu? Eu só cobro. Porque lembrar também é forma de justiça. E justiça, na favela, não vem com terno. Vem com pau que não esquece.
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Nota: Gostaram do Racionais? Hahaha