A saga do Jom | 11º capítulo (Dessa vez tudo terminou!)

Um conto erótico de Sarawat
Categoria: Gay
Contém 3339 palavras
Data: 16/01/2026 10:36:34
Última revisão: 26/01/2026 12:45:53

— O... Ai-Kumsan — chamo o nome dele nesta vida, com os olhos fixos em seu rosto.

— Você se lembra de mim. — Ohm tenta sorrir, mas seus lábios estão rachados e seus olhos cheios de desespero. Seu sorriso é amargo e desprovido de felicidade. Suas palavras fazem meu peito pesar. Ele não tem ideia de que, por mais que eu tente esquecer, nunca é fácil.

— Você está servindo aqui agora? — ele pergunta. Eu me levanto e me aproximo dele.

— Sim. Fui expulso de lá porque fui acusado de aceitar suborno para ser vigia enquanto Fongkaew fugia com o amante na noite em que você foi vê-la. A pulseira que Fongkaew pretendia te devolver foi a prova da acusação.

Ohm engole em seco, baixando os olhos em culpa. Olho para ele em silêncio. Parte de mim deseja jogar sal em sua ferida, mas outra parte sabe que eu me arrependeria se fizesse isso. Após um momento, ele levanta o olhar.

— Sinto muito.

Sinto um nó estranho no peito. Suas feições ainda possuem a beleza do Ohm que eu conhecia, mas a aspereza e a miséria o desgastaram a ponto de ele perder o esplendor que me era familiar. Solto um suspiro.

— Não importa. Ficou no passado. Estou servindo aqui agora.

Ohm faz uma pausa e fala em voz baixa:

— Como está a Fongkaew agora? Você sabe?

— Por que está me perguntando? — Minha voz se torna ríspida. — Eu fui expulso. Você quer que eu mostre meu rosto lá apenas para ser enxotado como um cão mais uma vez?

O rosto de Ohm cai.

— Não sei a quem perguntar.

Sua expressão e suas palavras evaporam meu ressentimento. Balanço a cabeça.

— Eu também não sei. Desde que saí, não falei com ninguém daquele lugar.

Os ombros de Ohm caem em melancolia. Olhando para sua disposição fúnebre, sinto uma pontada no coração. Não porque ele não me ame, mas porque ele já foi a pessoa com quem eu mais me importava.

— Que tal isto? — digo, finalmente. — Amanhã, vou remar até o cais de lá. Talvez eu consiga perguntar a alguém como ela está.

O rosto de Ohm se ilumina instantaneamente. Antes que eu perceba, ele avança e segura minhas mãos.

— Muito obrigado... Jom. Muito obrigado.

Meus olhos caem sobre minhas mãos presas em suas palmas grandes e ásperas. Um sentimento se aglomera em meu peito, e minha voz sai mais fria do que eu pensava: — Você se esqueceu? Independentemente de como Fongkaew esteja, não há esperança de vocês ficarem juntos. Naquela noite, eu estava esperando por você para entregar a mensagem dela de que ela queria cortar os laços contigo.

A dor se reflete nos olhos dele novamente. Ele assente sem dizer uma palavra. Retiro minhas mãos das dele. — Depois de amanhã, ao entardecer, espere por mim aqui. Se eu tiver alguma notícia, te aviso.

Ohm concorda, com olhos agradecidos, e rema para longe em silêncio. Assim que ele se vai, sento-me e suspiro no pavilhão. Meu desenho está sobre a mesa. Com os olhos no fluxo do rio, acaricio meu peito suavemente. Odeio o que estou sentindo agora. Não é exatamente tristeza, mas se parece com ela. Uma tristeza sem lágrimas.

Aparentemente, Khun-Yai tem negócios fora durante toda a tarde. Ele diz que vai ao clube, e não pergunto mais nada. Os assuntos do patrão não devem ser questionados, não são algo em que um mero servo deva bisbilhotar. Além disso, minha mente ainda está fixa no incidente à beira do rio.

Khun-Yai chega em casa à noite. Ele entra na sala de piso de teca polida vestindo seu uniforme de tênis branco. Sua toalha pequena está encharcada de suor.

— Por que o senhor não descansa um pouco antes do banho? — Pego a toalha de sua mão.

Khun-Yai sorri para mim e senta-se à mesa de madeira adornada com madrepérola.

— Parece que nossa casa realizará uma cerimônia auspiciosa em breve, Poh-Jom — diz Khun-Yai.

— Hum...? Que cerimônia? Não me diga que o senhor vai se casar.

— Eu não. — A voz de Khun-Yai é uma mistura de diversão e firmeza. — É a Prim, minha irmã. Você viu o convidado à tarde?

— Não vi. Estava esperando pelo senhor no pavilhão.

— Phra Soradej trouxe o filho, que se formou recentemente na Alemanha, para conhecer meu pai. O nome dele é Sak. Mas suponho que a verdadeira intenção tenha sido um encontro de casamento com a Prim. Se ela não se opuser, os mais velhos de ambos os lados ficarão satisfeitos.

Um encontro de casamento. Soa super ultrapassado. Se isso acontecesse na minha era, os filhos fariam um escândalo. Nesta era, por outro lado, é normal que os pais selecionem parceiros adequados. Não consigo deixar de me sentir feliz por eles.

— É uma boa notícia.

— Espero que a data seja antes da minha partida para a Inglaterra.

— Quando o senhor vai?

— Em três meses.

— Em três meses. Que rápido. — Meu coração afunda. Não sei se é porque ele estará longe ou por algum outro motivo.

— Seu rosto escureceu. Está com medo de ficar solitário?

— Não — respondo, mas me corrijo e falo em voz baixa: — Um pouco.

Khun-Yai esboça um sorriso leve; sua voz e seu olhar demorado são gentis.

— Ficarei fora por apenas alguns anos. Espere por mim aqui.

— Eu... ah, eu não sei — gaguejo.

Embora aprecie sua bondade, não posso prometer isso. Khun-Yai ficará fora por anos. E se a fenda no tempo abrir durante esse período? O que eu farei? Terei o direito de escolher?

— Onde você estaria, Poh-Jom? — Khun-Yai se vira ao ouvir minha resposta.

— Bem... em San Kam Paeng. Minha casa é lá — minto.

— Eu não permito — diz Khun-Yai suavemente, mas com firmeza na voz.

— Hum...? Eu só estaria visitando meus parentes e conhecidos por lá.

— Não quero que você os visite.

— Hein...? — Fico chocado novamente.

— Se você fugir e nunca mais voltar, quem será meu mordomo?

Não consigo evitar um sorriso.

— Oh... Khun-Yai, o senhor pode encontrar um novo mordomo. Não deve ser difícil me substituir por alguém. Há inúmeras pessoas alfabetizadas por aí.

— Eu não vou encontrar ninguém novo.

Uau... que teimoso. Quando ele age assim, fico sem saber o que fazer. Se ele quer algo, nunca cede.

— E se... — Engulo em seco, decidindo testá-lo. — E se eu realmente precisar partir porque não tenho escolha, por ser o destino? Quero dizer, e se eu tiver que estar em um lugar tão distante que não sei se algum dia voltarei?

— Que lugar é esse?

Encaro seus olhos, com os punhos cerrados sobre o colo. Eu queria poder abrir meu coração para ele.

— E se for uma cidade em um mundo diferente, um mundo que se passa em uma era diferente desta? E se eu for daquele lugar e tiver que voltar, e nunca mais nos virmos?

Desta vez, ele gira e me encara de frente.

— Do que você está falando?

Suas sobrancelhas escuras franzidas e seu olhar me trazem de volta à realidade. Rapidamente, digo:

— Khun-Yai, foi apenas minha imaginação. Eu estava brincando.

— Não brinque assim. Eu não gosto. — Sua voz escurece visivelmente.

Faço um sorriso sem graça e prometo timidamente:

— Tudo bem, não farei de novo.

À noite, levo meu travesseiro e cobertor para dormir ao lado da cama de Khun-Yai, como prometido. Ele me observa estender o colchão. Ele age com calma, mas seus olhos brilhantes revelam o quanto ele está se divertindo ao me ver sem outra opção a não ser obedecer.

— Coce minhas costas como prometeu — ele me lembra.

— Tá bom — prolongo a voz, revirando os olhos secretamente.

Um momento depois, Khun-Yai deita-se de lado, esperando que eu o sirva. Ajoelho-me no chão de madeira ao lado da cama dele e digo:

— O senhor poderia se aproximar da borda? Se ficar no meio da cama, eu não alcanço.

— Suba na cama, então — ele diz.

— Não acho uma boa ideia. Sou um servo. Se eu ficar rolando na cama do patrão, serei castigado se descobrirem.

— Quem descobriria? É desconfortável coçar minhas costas do chão. Você vai se cansar logo. Apenas sente-se na cama comigo. Não será cansativo, e assim você poderá coçar minhas costas por muito tempo.

Com um argumento tão forte, como eu poderia discutir? Murmuro um pedido de desculpas e sento-me na cama ao lado dele. Khun-Yai observa com satisfação, com olhos límpidos, brilhantes e bastante afetuosos.

— Se você se virar para cá, não consigo coçar suas costas — digo.

— Você tem razão. — E assim, ele vira para o outro lado, ficando de costas para mim.

Solto um suspiro suave. Ah... Ele agia como um adulto esta tarde, me dando bronca e mais bronca até eu ficar cabisbaixo. Agora, age como uma criança.

— Com licença — peço.

Levanto a camisa dele até a metade e começo a coçar suas costas. Sou um mestre nisso. Khun-Yai chega a soltar um gemido baixo de prazer quando acerto os pontos certos. Todo mundo sabe que, mesmo que não esteja coçando, ter alguém fazendo isso é tão prazeroso que a pele parece coçar por inteiro.

Enquanto minha mão se move, penso na conversa que tivemos. Em três meses, Khun-Yai estará estudando na Inglaterra e provavelmente ficará lá por anos. Minha mente viaja para os eventos históricos que virão. Estou em 1928 (B.E. 2471), o que significa que, nos próximos quatro anos, a monarquia absoluta será deposta e substituída pela democracia.

Isso significa que o pai do Khun-Yai subirá na hierarquia até se tornar um Phraya. Minha suposição baseia-se no que ouvi do meu veterano no escritório quando fui designado para reformar este lugar; ele disse que o dono era um Phraya. No entanto, após a democratização, todos os títulos serão congelados. Os Khuns, Luangs e Phrayas permanecerão em seus cargos sem promoções, e os títulos virão apenas nomes. Muitos funcionários civis serão exonerados devido à crise econômica da época e perderão o poder. Muitos terão que vender seus bens para sobreviver.

Preocupado com isso, faço uma pergunta:

— Khun-Yai, já que sua família se mudou de Bangcoc, isso significa que o Luang possui casas e propriedades na província, não é?

— Na província? — Khun-Yai vira a cabeça.

Dou um tapa na minha própria boca em sinal de irritação. Bangcoc nesta era provavelmente é referida como a Capital ou a Região de Bangcoc.

— Desculpe. Foi um erro. O que quero dizer é: sua família veio da Capital?

Khun-Yai me olha com uma leve suspeita, mas responde:

— Sim. Meu pai possui muitas terras na Capital. Minha mãe também tem centenas de terras em Thonburi e Nakhon Pathom. Meu avô transferiu a propriedade para ela antes de ela nascer. Por que pergunta?

Oh... então os pais dele sempre foram abastados. Respiro fundo e falo com toda a seriedade:

— Mantenha as terras seguras. Se não for necessário, nunca as venda. O preço das terras em Thonburi será mais alto que o ouro em pouco tempo. Invista nas fazendas e arrozais. Se não lucrar muito alugando-as, cuide delas você mesmo. Quanto às propriedades na Capital, espero que as proteja com sua vida. Construa residências ou casas germinadas para alugar e receba mensalidades. Você ganhará mais dinheiro do que o salário de um funcionário público.

Pensei em tudo com ambição. Não deixarei Khun-Yai se tornar um nobre empobrecido. Ele precisa de um negócio com renda mensal estável. Eu mesmo desenharei o projeto das casas de graça. Estou tão absorto no meu plano que não percebo Khun-Yai se virando e sorrindo.

— Você sabe com quem está parecendo? —

Ao ver seu olhar brincalhão, pergunto logo:

— Com quem?

— Você parece uma esposa preocupada com os bens do marido, ansiosa sobre como lucrar com eles — ele enfatiza cada palavra, alto e claro.

— Khun-Yai!!! — exclamo em choque, arregalando os olhos.

— Sim...? — ele responde com um som prolongado.

— Não fale com essa voz tão doce.

Minha cabeça dói como se eu tivesse uma enxaqueca, mas um sorriso satisfeito estampa o rosto dele.

— Por favor, não diga isso. É inapropriado. Além disso, sou um homem. Não posso ser uma esposa.

— O que seria apropriado, então? Devo pedir a bênção dos seus pais para ter o filho deles administrando meus bens pelo resto da vida?

— Khun-Yai, eu imploro. Não brinque assim. Vou ter um ataque cardíaco. Meu coração é frágil. Por favor, vire-se para eu terminar de coçar suas costas.

Vendo minha expressão séria, ele cede e se vira, não sem antes me lançar um último olhar flertante. Respiro fundo e arranho as costas dele com irritação.

— Oh... Poh-Jom, se você coçar com tanta força, minhas costas vão quebrar — Khun-Yai resmunga.

No dia seguinte, Khun-Yai avisa que irá a uma festa de boas-vindas para Khun-Sak na casa de Phra Soradej. A família toda irá. Aproveito a chance quando todos saem e os servos se dispersam para executar meu plano.

Remo pelo rio até a casa do Sr. Robert. Pedi permissão ao Khun-Yai para visitar um "velho amigo". O vento sopra forte; esta noite será mais fria que ontem. Atraco o barco perto do alojamento dos servos e vejo Ming.

— Ming! — chamo. Ele me vê e nada imediatamente em minha direção.

— Ai-Jom! — ele grita, alegre, agarrando a borda do meu barco. — É você mesmo? Pensei que uma artista de teatro tivesse se perdido aqui. Seu rosto está branco como um ovo cozido.

Eu rio. Sei que ele está apenas me provocando.

— Estou servindo na casa de Luang Thep Nititham, não fazendo teatro.

Ming assente. Pergunto sobre a patroa Ueang Phueng e ele diz que a barriga dela cresce a cada dia. Então, chego ao ponto principal:

— E a Fongkaew? Como ela está? Está bem?

Ming acena com a mão:

— Não se preocupe. Quem seria tão abençoada quanto a Fongkaew? O patrão estrangeiro deu a ela joias de ouro para usar no corpo todo. A mãe dela se gaba nos mercados. — Ming baixa a voz. — Ouvi as servas fofocando que ela está vomitando há dias. O patrão estrangeiro deve ter outro bebê a caminho.

Meu coração cai, pensando na expressão de Ohm quando eu der a notícia.

— É sério?

— Não sei ao certo.

Converso mais um pouco e decido voltar. Quando chego ao cais da casa do Luang, vejo uma figura sombria em um barco perto do pavilhão. É o Ohm. Ele parece ansioso demais para esperar até amanhã.

Atraco e subo na margem. Ohm me segue. Como eu esperava, a cor foge do rosto dele ao saber de Fongkaew por mim.

— Fongkaew está grávida... — ele repete em transe, parecendo que seu coração acabou de ser arrancado.

— Desista, Ai-Kumsan. Aceite que vocês não foram destinados um ao outro — digo. Ohm não responde. Fica parado, cabisbaixo. Ele fica em silêncio por tanto tempo que me sinto inquieto.

— Jom. — Ele agarra meus braços. O aperto forte me faz estremecer. — Eu amo a Fongkaew. Eu a amo ao ponto de que, mesmo que você me diga para desistir, eu não consigo.

Fico ainda mais chocado quando lágrimas rolam por seu rosto bronzeado.

— Ohm... Ai-Kumsan — chamo, sem saber o que fazer. Ver o Ohm chorar é algo totalmente desconhecido para mim.

— Eu sei que ela não quer mais nada comigo. Sei como ela é abençoada por estar com o patrão estrangeiro. Mas eu realmente a amo. Mesmo que eu caia morto aqui agora, eu ainda a amarei. Mesmo que ela não me ame mais e tenha dado o coração a outro homem, como você disse que ela escreveu naquela cartinha.

Meu coração afunda. Não é verdade. Fongkaew me pediu para entregar a carta de término e a pulseira, mas foi tudo uma mentira que doeu mais nela do que em qualquer um. Olho para o rosto de Ohm e para suas lágrimas masculinas escorrendo pela dor de um amor que ele tem por outra pessoa, e não por mim.

Naquele momento, percebi a verdade em meu coração mais claramente do que em qualquer dia desde que fui jogado para o passado.

— Ai-Kumsan, escute — digo com uma voz gentil, porém clara, usando o dialeto central para dizer aquilo a ele e a mim mesmo. — A carta foi uma mentira. Não é verdade que ela não te ama mais. A situação a deixou de mãos atadas e ela teve que fazer coisas contra a própria vontade. Não adianta lutar uma batalha perdida contra um poder desses. Vocês podem nunca ficar juntos, mas o coração da Fongkaew, eu acredito, é seu e nunca será de mais ninguém.

Os joelhos de Ohm cedem. Seus ombros tremem enquanto soluços escapam de sua garganta.

— Se você permanecer fiel e continuar a amá-la, eu não julgarei se isso é certo ou errado. Mas, por favor, não cause problemas a ela. Embora vocês dois sejam desafortunados e destinados a ficar separados nesta vida, acredite em mim: Fongkaew e você ficarão juntos nas próximas vidas.

Quando digo a última frase, minha voz treme incontrolavelmente. Ohm olha para mim, com o rosto úmido de lágrimas.

— Jom, muito obrigado. Não sei como retribuir sua compaixão e bondade.

Engulo uma amargura peculiar na garganta.

— Você já me retribuiu. Só não sabe disso ainda.

Digo essas palavras porque são a verdade. Ele não tem ideia de que, cerca de cem anos no futuro, ele me retribuirá mais do que eu mereço. Ele estará perto de mim, cuidará de mim e me cobrirá de amor. Mesmo que dure apenas um certo tempo antes de ele me ferir profundamente ao quebrar meu coração, os sentimentos dele por mim antes disso serão reais — o tipo de realidade que nunca pode ser fingida.

Caminho de volta para a casa pequena em transe, trazendo comigo uma flor de Lantom inconscientemente. Coloco-a ao lado do meu travesseiro e tento terminar minhas tarefas, como faço todos os dias. Khun-Yai volta um pouco depois. Ele toma banho e veste suas roupas de dormir antes de se sentar na cama e olhar para mim. Após um breve momento, ele percebe que tenho algo na cabeça.

— Você parece verdadeiramente triste hoje, Poh-Jom. Sua expressão é a de um homem com o coração partido. O que o aflige?

— Nada. Estou apenas um pouco cansado. — Balanço a cabeça, forçando um sorriso rígido.

— Está pensando no seu antigo amor? Essa pessoa feriu seu coração?

— Não é isso, Khun-Yai. Estou pensando no meu trabalho de amanhã. Quero podar os galhos da árvore de jasmim-laranja. Ela cresceu tanto que os galhos estão passando por cima da escada. — Finjo arrumar meu colchão, que já estava perfeitamente organizado. — Quer que eu coce suas costas como ontem?

— Hoje não — diz Khun-Yai gentilmente. — Você está cansado, então vá dormir. Está ventando lá fora hoje. Use dois cobertores.

Agradeço por sua gentileza. Se fosse qualquer outro dia, eu teria recusado; não aceitaria um cobertor extra do meu patrão. Mas, esta noite, meu coração parece estranhamente frágil. Embora seja apenas um cobertor, quero me segurar nele e confiar em seu calor.

Deito-me de lado, de costas para Khun-Yai, ouvindo o som constante do vento soprando entre as folhas lá fora.

Eu e o Ohm terminamos de verdade. A única coisa que resta é o apego à pessoa que eu costumava ser naquele relacionamento. Nosso vínculo foi tecido por fios de sentimentos mútuos, pouco a pouco, dia após dia, até se tornar amor. E agora, embora ainda não tenha sido rasgado — porque eu não o odeio —, esse vínculo parou de ser tecido.

Eu não odeio o Ohm, mas também não o amo como antes.

Mais importante ainda: desejo não ter futuro com ele. Apesar do vazio no meu coração neste momento, sei que, quando eu pensar no Ohm um dia, não sentirei tristeza ou raiva. Sentirei calma e paz, como água limpa e fria, sem nenhuma turbidez no fundo. Será uma espécie de lembrança, a memória de que um dia estivemos apaixonados.

Enquanto fico ali deitado, de olhos abertos e sem conseguir dormir, ouço Khun-Yai falar na escuridão:

— Esqueça essa pessoa... Poh-Jom.

Sua voz é baixa e suave, como se ele estendesse a mão para me abraçar com palavras. Um ponto de calor floresce em meu peito e se espalha por todo o corpo. Em meio ao assobio do vento e ao estalar dos galhos que se esfregam uns nos outros fazendo as folhas caírem, ouço a mim mesmo responder:

— Sim... Khun-Yai.

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