O quarto ainda cheirava à tempestade que tínhamos acabado de causar, mas o silêncio já começava a se assentar, pesado e úmido.
Eu estava deitado de costas, o corpo relaxado, naquele estado de torpor que só um gozo bem dado proporciona.
Mas Ayandara não me deu trégua. Ela subiu em cima de mim, as pernas abertas, o peso do quadril dela pressionando minha bacia.
Ela não encaixou. Apenas esfregou.
Com um movimento lento e preguiçoso, ela começou a roçar a buceta — inchada, sensível e ainda úmida dos nossos fluidos — contra o meu pau, que descansava sobre a barriga.
Mesmo adormecido, meu corpo reagiu com um espasmo àquela provocação, o sangue voltando a circular devagar.
— Você não cansa? — perguntei num sussurro, as mãos subindo para segurar a cintura dela, sentindo a pele quente e suada sob meus dedos.
— A fome mudou de lugar, Malik... — ela murmurou, mordendo o lábio inferior enquanto rebolava devagar, espalhando a umidade entre nós como se quisesse marcar minha pele com o cheiro dela para sempre. — Saciamos uma. Agora a outra acordou.
O estômago dela roncou alto, vibrando contra o meu abdômen. Rimos baixinho, cúmplices daquela necessidade biológica.
— Aquele pão... — ela sussurrou contra meu pescoço. — Ainda tá na mesa. E agora ele deve estar frio, gorduroso e perfeito.
— Vamos lá — concordei.
Ayandara saiu de cima de mim, deixando um rastro frio onde antes havia calor. Acompanhei com os olhos enquanto ela caminhava pelo quarto na penumbra. Ela não procurou o vestido. Abaixou-se e pegou a minha camisa, que estava embolada no chão perto da porta.
Vestiu.
O tecido branco ficou enorme nela. Cobriu os seios fartos, escondeu a barriga marcada, mas deixou as pernas grossas e a intimidade exposta. Ver minha roupa no corpo dela foi um golpe visual. Era uma bandeira hasteada. Ela vestia meu cheiro, minha proteção.
— Vem — ela chamou, ajeitando a gola. — Mas silêncio absoluto. O pequeno acabou dormindo na sala vendo TV. O sofá é campo minado.
Saímos do quarto como dois intrusos. O corredor estava escuro. A cada passo, o assoalho parecia querer ranger. Chegamos à entrada da sala. A luz azulada da televisão ligada sem volume iluminava o ambiente. No sofá, encolhido sob uma manta, o filho dela dormia profundamente.
Congelamos.
Ayandara olhou para mim, levou o dedo indicador aos lábios e apontou para a cozinha, que ficava logo adiante, sem porta, apenas um arco separando os ambientes. Estávamos a três metros do menino. A adrenalina de estar nu (eu, apenas de cueca) e ela vestindo minha camisa, tão perto da inocência dele, era elétrica.
Deslizamos para a cozinha na ponta dos pés. A luz da geladeira e o reflexo da TV da sala eram a única iluminação.
O pão com mortadela estava lá, no prato, esquecido.
Ayandara pegou o prato, mas não se sentou na cadeira. Ela olhou para mim, depois para a cadeira onde eu havia sentado horas antes.
— Senta — ela gesticulou com os lábios, sem emitir som.
Obedeci.
Ela veio até mim e, com cuidado extremo para não fazer a cadeira ranger, sentou-se no meu colo, uma perna para cada lado, a camisa subindo e deixando a pele das coxas em contato direto com as minhas. O calor dela era imediato.
— Agora sim — ela sussurrou, tão baixo que eu tive que ler os lábios.
Ela pegou um pedaço do pão frio com a mão e levou à minha boca. Comi. O pão estava murcho, a mortadela fria e gordurosa, mas naquele momento, com ela no meu colo, o cheiro dela me envolvendo e o perigo logo ali na sala, parecia o melhor banquete da minha vida.
Ela comeu o resto. Observei a boca dela, inchada dos meus beijos, mastigando com vontade. Um pouco de manteiga sujou o canto do lábio. Limpei com o dedo e levei à boca, provando o sal e a pele dela.
De repente, o menino se mexeu no sofá. A manta caiu um pouco.
Travamos. Ayandara parou de mastigar. Eu segurei a cintura dela com força. O silêncio da madrugada amplificava tudo. O menino suspirou, virou de lado e voltou a dormir.
Ayandara soltou o ar devagar, encostando a testa na minha. O medo tinha virado excitação pura.
— Perigo... — ela sussurrou no meu ouvido.
Senti a mão dela descer.
Não foi um toque casual. A mão de Ayandara escorregou para baixo da mesa, encontrou o elástico da minha cueca e invadiu. Os dedos dela, engordurados de manteiga e quentes, envolveram meu pau, que já estava meio acordado pela proximidade.
Ela apertou.
Fechei os olhos, mordendo a língua para não gemer. O contraste da mão suja de comida com a sensibilidade da minha pele era insano. Ela começou a fazer movimentos lentos, firmes, bombando o sangue de volta para a cabeça do meu pau.
— Você disse que estava com fome de comida, Ayandara... — sussurrei, a voz falhando.
Ela sorriu no escuro, aproximando o rosto do meu, enquanto a mão lá embaixo acelerava o ritmo, transformando o meu colo em uma armadilha deliciosa.
— Eu sou gulosa, Malik — ela respondeu, roçando o nariz no meu, enquanto o polegar dela passava na cabeça do meu pau, me fazendo arquear as costas. — E a sobremesa... a gente come em silêncio.
Em razão de alguns problemas técnicos com a plataforma esse conto terá dois capitulos.
Capitulo : X A Marca da Fêmea (E a noite que acolhe)
A cozinha estava imersa num silêncio perigoso, quebrado apenas pelo som úmido e ritmado da mão de Ayandara trabalhando no meu colo.
O relógio na parede marcava pouco mais de dez da noite, mas ali, com o filho dela dormindo a três metros de distância no sofá da sala, o tempo parecia suspenso. O perigo era um afrodisíaco violento. Eu estava à mercê da minha Rainha, que me alimentava com uma mão e me dominava com a outra.
A mão dela, ainda untada com a manteiga do pão, deslizava pelo meu pau com uma técnica cruel. Ela sabia exatamente onde apertar, onde torcer. Ayandara me olhava nos olhos, desafiadora, mordendo o próprio lábio para conter o gemido.
A safada domava meu pau, fazendo sua extensão verter líquidos de pré-gozo. Eu estava sensível ainda, a cabeça inchada, envolvido naquela mão quente e entregue à brincadeira dela, enquanto ela mordia meus lábios, silenciando meu gemido.
— Shiii... — ela sussurrou, roçando o nariz no meu pescoço, sentindo meu corpo retesar como uma corda prestes a arrebentar. — Aguenta, Malik. Não ousa gozar agora. O pequeno tá logo ali.
Eu estava no limite. O prazer se misturava com o terror de acordar o menino. Minha respiração estava presa, o gozo subindo pela espinha, uma onda incontrolável...
De repente, um barulho.
Não foi um suspiro. Foi o som do controle remoto escorregando do braço do sofá e batendo no chão da sala.
Pah!
Congelamos.
O coração de Ayandara disparou contra o meu peito. A mão dela parou abruptamente no meu pau, apertando a base com força, bloqueando o gozo num doloroso e delicioso "quase". O menino se mexeu na sala, resmungou algo sobre desenho animado e virou para o outro lado, puxando a manta.
O alívio e a frustração colidiram no meu sangue.
— Pro quarto... — ela ordenou num fio de voz, levantando-se do meu colo com a agilidade de uma gata assustada. — Agora.
Saímos da cozinha praticamente correndo nas pontas dos pés, tropeçando na própria urgência, dois adultos fugindo da autoridade de uma criança adormecida.
Entramos no quarto. Ayandara trancou a porta e encostou as costas na madeira, ofegante. A risada nervosa morreu na garganta quando nossos olhares se cruzaram. A interrupção não tinha matado o desejo; tinha jogado gasolina nele.
— Você me deixou na beira, Ayandara... — rosnei, caminhando até ela.
— Então cai — ela desafiou, puxando-me pela nuca.
Prensei seu corpo contra a madeira da porta. Nossos corpos colidiram de forma magnética, quase uma necessidade de pertencimento. O gosto da boca dela, sua língua selvagem invadindo a minha sem pedir licença. Apertei sua cintura contra a minha, beijei seu pescoço, explorando com a língua cada milímetro de sua pele.
O som do beijo molhado atravessava o silêncio. O gemido contido, a respiração falha, o descontrole. Meus dedos marcaram a cintura dela, avançaram para a bunda, e minha boca desceu rapidamente pelo pescoço até o encontro dos seios. Minha língua circulou o bico escuro, meus dentes se atreveram a raspar de leve, causando arrepios notáveis. O corpo dela era uma harmonia ao meu toque.
Comecei a sugar seu peito, tomando-o em meus lábios. Minhas mãos ousaram explorar, descendo pelo ventre e, com a ponta dos dedos, brincaram em seu monte de Vênus, sentindo cada fio dos pelos que guardavam sua buceta. Invadi seus lábios e desbravei seu interior: quente, úmido, vertendo líquidos de gozo e desejo.
Ousado, querendo afirmar a cada gesto que ela era minha fêmea, minha mulher, tomei seu corpo em meus braços e a levei para a cama.
A "fome da noite" virou voracidade. Joguei Ayandara na cama, o colchão rangendo e gemendo baixo com o impacto dos nossos corpos. Ela abriu as pernas e me recebeu com uma impaciência que beirava a raiva.
Entrei nela de uma vez só, fundo, brutal.
— Isso! — ela gritou abafado no travesseiro. — Termina o que começou na cozinha!
Foi um sexo de sobrevivência. Rápido, suado, intenso. Eu estocava com força, descontando o susto, descontando a vontade de ficar. Ayandara arranhava minhas costas, as unhas desenhando mapas de posse na minha pele. Meu pau entrava e saía mergulhado em seu gozo, com o desejo de socar cada parte de mim nela.
Sentia seu interior ferver, grudar e agarrar meu pau, retribuindo a chupada em seu peito. A cabeça do meu pau explodia, inchada, sensível ao toque, mas envolvida naquela baba, naquele som molhado misturado ao gemido e ao ranger da cama, entregando nosso envolvimento.
Quando o gozo veio, foi uma explosão que me deixou cego por alguns segundos. Gozamos juntos, num silêncio gritado, os corpos tremendo em uníssono sob a luz prateada da lua que entrava pela fresta da cortina.
Caí ao lado dela, exausto. O quarto girava.
O silêncio voltou, mas agora era pacífico. A luz das estrelas e a iluminação da rua lá fora desenhavam padrões na pele preta de Ayandara, que brilhava de suor.
Respirei fundo, tentando recuperar a noção da realidade. Olhei para o relógio digital na mesa de cabeceira: 22h45. Ainda era cedo. Dava tempo de pegar a estrada, chegar em casa de madrugada, manter a rotina intacta.
— Eu preciso ir... — sussurrei, a voz pesada, testando a reação dela. — Ainda é cedo. Se eu sair agora, chego em casa antes da uma.
Fiz menção de levantar. Apoiei o cotovelo na cama, fingindo estar pronto para deixar aquele paraíso e voltar para a minha realidade.
Foi quando ela atacou.
Ayandara se moveu rápido. Passou o braço ao redor do meu pescoço e me puxou de volta para o colchão com uma força surpreendente. Antes que eu pudesse reagir, senti os dentes dela cravarem na pele sensível, bem na junção entre o pescoço e o ombro.
— Ai! — reclamei, surpreso pela dor aguda.
Ela não soltou. Mordeu com vontade, segurando a pele entre os dentes por um segundo eterno, antes de lamber o local machucado, acalmando a ardência com a saliva quente.
Ela se afastou milímetros, os olhos brilhando na penumbra, selvagens e possessivos.
— Não disse que você seria inteiro pra mim? — ela sussurrou, a voz carregada de uma emoção que ia muito além do sexo. — Então leva. Fique com a marca da sua fêmea. Pra você olhar no espelho amanhã e lembrar quem é a dona do território.
Toquei o pescoço. Estava pulsando. A marca ficaria ali por dias. Uma aliança de pele e sangue.
Olhei para ela. Ayandara me encarava com uma vulnerabilidade que ela raramente mostrava. Havia desafio, sim, mas havia também um pedido silencioso. Cruzamos os olhares e, naquele instante, a estrada, a distância e a lógica deixaram de importar.
Puxei-a para um beijo. Não foi um beijo de luxúria. Foi um beijo apaixonado, lento, com gosto de promessa cumprida e de futuro incerto. Nossas línguas dançaram a valsa da rendição.
Quando nos separamos, nossas testas ficaram coladas.
— Fica — ela disse. Não foi uma ordem dessa vez. Foi um convite.
— Mas a estrada... — comecei, sem convicção nenhuma.
Ayandara sorriu, aquele sorriso de canto que me desarmou no primeiro dia no WhatsApp.
— A estrada não vai sair do lugar. Mas o café da manhã... esse sim. — Ela beijou a marca que fez no meu pescoço. — Fica pra dormir. O pão com mortadela na chapa é muito melhor quando a gente acorda junto e não precisa fugir.
Deitei a cabeça no travesseiro de novo, puxando-a para o meu peito. O carro ficaria na garagem. O GPS ficaria desligado. A noite ainda era uma criança, e eu tinha escolhido ser o pai dela.
— Eu fico — respondi, fechando os olhos e sentindo o cheiro dela me inundar. — Eu fico pro café. E pro resto da noite, minha Rainha.