A noite foi um borrão de pensamentos conflitantes. Eu me revirava na cama, sentindo o peso da declaração de amor da Mariana ainda ecoando nos meus ouvidos, misturada ao gosto do beijo da Ana Beatriz e à violência com que ela me expulsou do quarto. Eu olhava para o teto e sentia uma náusea estranha; era como se a minha bússola moral tivesse sido estraçalhada e eu estivesse apenas flutuando em um pântano de desejos proibidos com as minhas próprias irmãs. O caçula rebelde que eu achava ter dominado em Curitiba estava de volta, mas agora ele não queria quebrar vidros, ele queria quebrar todos os laços de sangue daquela casa.
O café da manhã seguinte foi uma aula de tortura psicológica. Sentamos os quatro à mesa, e o silêncio era tão denso que o barulho da faca cortando o pão parecia um tiro. Ana Beatriz estava em modo sentinela máxima; ela mantinha o olhar fixo na xícara de café, a postura rígida demais, e nem sequer respirava na minha direção. Mariana, com aquele faro apurado para o caos, percebeu o clima imediatamente. Ela me olhava com uma posse agressiva e logo em seguida desviava para a Ana com um sorriso irônico de quem sabia que a irmã "perfeita" estava escondendo algo.
— Nossa, o café hoje está com gosto de velório — disparou Mariana, jogando uma fatia de queijo no prato. — O que foi, Ana? O Direito Civil te deu um nó na cabeça ou o João não foi um aluno tão aplicado assim ontem à noite?
Ana Beatriz nem piscou, mas notei que a mão dela, que segurava o iPad, tremeu por um milésimo de segundo. Minha mãe, Camila, levantou os olhos do jornal, preocupada com a tensão que emanava da filha mais velha. — Está tudo bem, Ana? Você parece pálida, nem tocou na fruta. Se estiver doente, é melhor não ir para o escritório hoje.
— Estou ótima, mãe. Só dormi mal — respondeu Ana, com uma voz seca e metálica que não admitia réplicas. Ela se levantou sem me olhar e saiu da cozinha. Tentei segui-la pelo corredor para tentar uma palavra, qualquer sinal de que o beijo não tinha sido um delírio meu, mas ela entrou no quarto e trancou a porta com um estalo definitivo. Eu estava sendo ignorado pela sentinela, enquanto a Mariana me caçava em cada canto. Mariana passava por mim e roçava o corpo com força, sussurrando obscenidades sobre o que faria comigo quando estivéssemos sozinhos, sempre no limite de sermos pegos pela Camila ou pela vigilância da Ana.
A faculdade de Direito tornou-se meu único refúgio de sanidade. Lá, eu era apenas o João, o calouro que discutia teses com os amigos e trocava olhares com a Vitória. Estar perto dela era como respirar ar puro fora de uma câmara de gás; ela era leve, inteligente e o flerte com ela era a única coisa que me lembrava de como era uma vida normal. Mas bastava eu colocar os pés no apartamento da Tijuca para que a eletricidade estática daquelas mulheres me puxasse de volta para o abismo.
O estopim aconteceu em uma tarde de mormaço. Eu e Mariana estávamos flertando escondidos no canto da lavanderia, aproveitando que a casa parecia silenciosa. Eu a prensava contra a parede e ela ria baixo, provocando, quando a sombra da Ana Beatriz surgiu na porta. Ela estava possessa, com os olhos verdes brilhando de um ódio que misturava julgamento e um ciúme que ela jamais admitiria.
— Mas o que é isso?! De novo vocês dois?! — Ana gritou, a voz trêmula de indignação. — Eu avisei! Eu disse que ia vigiar cada passo de vocês! Mariana, você não tem vergonha na cara? E você, João? É um animal?
Mariana não recuou. Ela ajeitou a blusa com um desprezo absurdo e encarou a irmã. — Você é uma hipócrita, Ana! Uma infeliz que vive de leis pra esconder que é seca por dentro! — Mariana saiu batendo a porta do próprio quarto com tanta força que o som pareceu ecoar por todo o prédio, deixando apenas eu e Ana Beatriz naquele corredor carregado.
Ana caminhou para o seu quarto, as pernas trêmulas, mas eu não a deixei fechar a porta. Entrei logo atrás, adotando uma postura que eu nunca tinha tido com ela. A fragilidade dela agora era a minha arma. — Para com o teatro, Ana. Chega de falar em incesto, em erro, em moralidade. Eu consigo ver nos seus olhos. Você não está com raiva da gente... você está com raiva porque queria estar no lugar dela. Você me quer, e essa verdade está te matando.
— Cala a boca, João! — ela sibilou, virando-se para mim com o rosto transfigurado pela fúria. — Como você ousa falar assim comigo? Eu sou sua irmã, eu te criei quando o papai foi embora enquanto você fumava maconha e jogava a sua vida no lixo! Isso que você está fazendo é uma doença, é um crime contra a nossa família!
Ela tentou passar por mim para abrir a porta e me expulsar, mas eu segurei seu braço, prensando-a contra a parede do quarto. O lado rebelde que eu tinha enterrado em Curitiba assumiu o controle total. Meus olhos azuis encontraram os verdes dela com uma intensidade animal.
— A lei não funciona aqui dentro, Ana. Você pode citar o Código Penal, pode falar de moralidade, mas o seu corpo está me entregando. Por que você está tremendo? Por que o seu peito está subindo e descendo desse jeito? — sussurrei, aproximando meu rosto do dela até sentir o calor da sua pele. — Eu sei que você não é uma santinha, Ana. Você é uma mulher com necessidades, uma mulher que precisa de um homem que te coma de verdade, sem medo dessa sua máscara de gelo.
Ana tentou desviar o olhar, mas eu a segurei pelo queixo, forçando-a a me encarar. — Eu vi você, Ana. Naquela noite, pela fresta da porta. Vi você na ligação de vídeo com o seu ex, se derretendo de tesão, implorando pelo pau dele enquanto se masturbava freneticamente. Eu vi tudo. Vi a advogada rígida sumir e dar lugar a uma mulher desesperada por prazer. Você não é tão santinha quanto parece, você só precisa de um pau que não tenha medo de você, e eu posso te dar isso.
O choque dela foi paralisante. O rosto de Ana passou do vermelho de raiva para um pálido cadavérico. — Você... você viu... — ela balbuciou, a voz quase sumindo. — Você é um monstro...
— Sou o monstro que sabe exatamente o que você gosta — comecei a deslizar a mão pela cintura dela, sentindo a rigidez da armadura desmoronar sob o meu toque. — Você odeia a Mariana porque ela teve a coragem de fazer o que você passa a noite inteira imaginando no escuro. Você quer o João rebelde, Ana. Aquele que vai te tirar dessa redoma e te mostrar o que é prazer de verdade.
— Não... João, por favor... é errado... é muito errado... — ela balbuciou, os olhos marejados, a cabeça balançando negativamente enquanto eu encurtava a distância.
Eu não dei tempo para a razão dela vencer. Puxei-a para um beijo devastador. Ana reagiu com violência no início, tentou fechar os dentes, tentou empurrar meus ombros com os punhos cerrados, mas a resistência durou segundos. O ódio se transformou em uma fome desesperada. Ela soltou um gemido de choque que logo se tornou um suspiro de entrega, as mãos dela se abrindo e se enterrando no meu cabelo, puxando-me para mais perto, como se quisesse fundir nossas peles. A sentinela da Tijuca finalmente tinha caído.
Eu a joguei na cama com um baque surdo e, antes que ela pudesse processar a queda, eu já estava por cima, prendendo seus pulsos acima da cabeça. Meu pau latejava contra o jeans, uma pedra rígida implorando para ser libertada. Eu arranquei a blusa dela em um movimento bruto, expondo aqueles peitos fartos e firmes que eu tanto desejei. As aréolas eram rosadas, e os bicos já estavam eretos, traindo cada palavra de negação que ela ainda tentava formular. Eu os agarrei com força, sentindo a maciez da carne sob meus dedos, enquanto ela arqueava as costas e soltava um gemido sujo, um som que não tinha nada da advogada impecável que o Rio de Janeiro conhecia.
— Você é minha agora, Ana. Esquece o Direito, esquece o papai... foca só no que eu vou fazer com você — rosnei, descendo o beijo pelo pescoço dela até abocanhar um dos bicos, sugando com uma voracidade que a fazia tremer inteira.
Minha mão desceu para o short dela, abrindo o botão com pressa e puxando o tecido para baixo junto com a calcinha de renda. O cheiro dela me atingiu como um soco: era o cheiro de uma fêmea pronta, transbordando desejo. A buceta da Ana era uma obra de arte, impecavelmente depilada, com lábios carnudos e rosados que brilhavam, completamente encharcados. Eu enfiei os dedos nela sem aviso, sentindo o calor e a pressão das paredes internas me esmagarem. Ela soltou um grito abafado, os olhos revirando enquanto eu a trabalhava com uma força que beirava a crueldade.
— Olha como você está, Ana... você está encharcada para o seu irmão! — sussurrei no ouvido dela, enquanto minha língua encontrava o clitóris dela.
Eu mergulhei ali com uma fome animal. Chupava com força, a língua firme rodeando o botãozinho inchado enquanto ouvia os gemidos obscenos dela ecoarem pelo quarto. Ana Beatriz não era mais uma sentinela; ela era uma mulher entregue ao próprio pecado, balançando o quadril contra o meu rosto, implorando por mais. Eu a fazia gozar com a boca, bebendo o suco dela que jorrava sem parar, sentindo os espasmos daquela buceta apertada contra os meus dedos. Ela gozou de forma devastadora, as mãos enterradas no meu cabelo, mas quando eu ia penetrá-la para selar a nossa perdição, três batidas fortes na porta cortaram o ar.
— Ana? Você está aí? Preciso falar com você sobre um contrato — era a voz da minha mãe.
O pânico foi instantâneo. Me escondi atrás da cortina pesada enquanto Ana, com as mãos trêmulas, vestia a roupa e tentava recompor o rosto vermelho. Camila entrou, perguntou algo trivial sobre o trabalho e, por milagre, não notou o cheiro de sexo que pairava no ar.
Assim que Camila saiu do quarto, Ana Beatriz se virou para a cortina com um olhar de puro asco e desespero.
— Sai daqui! Agora! — ela sibilou, me empurrando para fora com violência. Ao abrir a porta do corredor, dei de cara com a Mariana. Ela estava parada ali, com os braços cruzados, observando eu sair do quarto da "General" com a roupa desalinhada. O olhar dela foi de uma desconfiança mortal, e naquele silêncio, eu soube que a guerra entre as duas irmãs tinha acabado de declarar seu primeiro combate real.
