Capítulo 04 – ENTRE O CONHECIMENTO E A INSEGURANÇA

Um conto erótico de NASSAU & ID@
Categoria: Heterossexual
Contém 5161 palavras
Data: 19/02/2026 12:48:27

E sempre muito bom quando aprendemos alguma coisa. Mostra que somos seres capazes de evoluir. Melhor ainda é quando esse CONHECIMENTO se refere a nós mesmos. Aprendermos algo sobre nós. Contudo, novas perspectivas sempre vem atreladas a INSEGURANÇA. E isso também é inerente ao ser humano.

Principais Personagens:

Blanche Leblanc (https://postimg.cc/9rXksqfr)

Bernard Leblanc (https://postimg.cc/y31fqwsL)

Pierre Leblanc (https://postimg.cc/3471pP4Q)

Gerard Durant (https://postimg.cc/5H5qxnPp)

Aimée Durant (https://postimg.cc/qgFnHPJy)

Michel Durant (https://postimg.cc/HcxJf2FM)

Grace Hudson (https://postimg.cc/Bj0jqsdj)

Hamdi Moreau (https://postimg.cc/7JzLkQ9P)

Continuando ...

Tarnos, França, 1938

Se a repentina aparição de Blanche na sala de jantar da mansão da Família Leblanc naquela ceia de Natal surpreendeu a todos, a forma que ela passou a agir a partir daquele dia surpreendeu muito mais.

Todos imaginaram, naquele momento, que ela estava fazendo uma simples concessão a pedido de seu tio Pierre e que, a partir do dia seguinte, voltaria a se trancar em seu quarto, aparecendo raramente diante dos outros ou, quando aparecesse, evitasse qualquer espécie de diálogo, respondendo com monossílabos a todos que se dirigiam a ela.

Entretanto, não foi o que ocorreu e Blanche deixou clara a sua mudança de comportamento quando fez questão de se desculpar pela forma como vinha agindo até aquele dia, o que provocou em cada um deles uma reação diferente. Mas ela soube lidar com essas diferenças.

Com seu tio não foi preciso lidar com nada, pois eles tinham uma relação de amor parental desde que se conheceram. Pierre era um exemplo para ela desde menina e ela adorava os momentos que passava em sua companhia. O que chamou mesmo a atenção foi a alegria manifestada por ele quando viu a sobrinha se juntando aos demais.

Gerard, um homem um pouco mais velho que Pierre, loiro, olhos azuis e que andava sempre vestido de forma impecável, com seus ternos feitos sob medida e cuja calvície já adiantada não prejudicava em nada sua aparência, demonstrou ser muito educado e recebeu Blanche com uma gentileza exemplar. Sua voz grave, porém, calma e tranquila, lhe dava uma aura que parecia proteger quem se aproximava dele. Gerard era o tipo de pessoa que todos querem estar junto e que, mesmo nunca se furtando a dizer a verdade, sempre encontrava uma forma suave de fazê-lo para nunca ofender alguém.

Quando Gerard se via em uma situação em que precisava chamar a atenção de alguém sobre algum erro, ele não o fazia diretamente. Em vez disso, ele ia conduzindo a conversa de forma tal que não demandava muito tempo para que seu interlocutor entendesse que tinha cometido um equívoco e normalmente era a outra pessoa quem os reconhecia. Pierre brincava com essa característica do homem dizendo que ele já teria sido um padre em vidas passadas.

Além dos dois homens, ainda havia Michel e Aimée, filhos de Gerard. O rapaz era um pouco mais baixo que o pai e, apesar de seus vinte e três anos, exibia sempre uma expressão infantil, principalmente quando era contrariado e demonstrava isso ficando amuado em um canto. Apesar dessa característica, ele era um jovem gentil e demonstrou a mesma alegria que seu pai e Pierre ao ver Blanche entrando naquela sala. Ele possuía uma compleição física de quem se dedica muito mais aos estudos do que à prática de esportes. Seus cabelos eram o oposto do pai. Uma vasta cabeleira com cabelos castanho claro e cacheados emoldurando seu rosto.

Aimée também tinha vinte e três anos. Ela e Michel eram gêmeos, não idênticos. Loira, lembrava ao pai na cor dos cabelos e nas linhas de seu rosto, com lábios finos e nariz aquilino, o que não tirava sua beleza. O que incomodava nela eram seus olhos azuis e frios que pareciam sempre invadir a alma de seu interlocutor para tirar dali os mais guardados segredos. Blanche achava que ela poderia parecer mais bonita se não se esforçasse tanto para mostrar aquela expressão de mulher fria e severa.

O que Blanche logo iria descobrir era que ela era muito mais que severa. Aimée era exigente, acreditava que pertencia a uma raça superior e tratava às pessoas que estavam abaixo dela com desdém, não escondendo sua tendência preconceituosa. Conforme Hamdi se referiu a ela mais tarde, Aimée se sentiria mais à vontade se vivesse na Alemanha de Hitler do que na França.

Bernard, sentado em uma poltrona um pouco afastado dos outros e com o olhar perdido no infinito, a princípio não percebeu a presença de sua filha que precisou se aproximar dele para receber sua atenção. Eles tiveram um breve diálogo, se é que se pode chamar de diálogo uma conversa em que apenas um fala e o outro responde com resmungos.

Ao ver o pai naquele estado, lembrou-se que nos últimos tempos, a única pessoa que conseguia fazer com que ele ficasse mais à vontade era Hamdi e, quando olhou à sua volta procurando pela garota, percebeu que ela não estava e perguntou:

– E a Hamdi? Onde ela está?

A reação de todos foi uma mostra de que ninguém, até aquele momento, tinha se preocupado com a jovem africana. Quer dizer, quase todos, porque a de Aimée foi diferente e foi ela que respondeu:

– Ah! Ela falou que preferia ir dormir mais cedo.

– De jeito nenhum ela vai deixar de participar da ceia. – Falou Blanche para todos e depois em particular para Pierre: – Tio, o senhor se importa de aguardar mais um pouco para iniciar a ceia? Vou buscar a Hamdi.

Para Pierre, um pedido de Blanche era quase uma ordem e ele concordou com um aceno de cabeça.

Blanche subiu às escadas que levavam ao andar superior e quando chegou ao topo se lembrou de perguntar para Pierre onde ficava o quarto de sua amiga. Ela tinha ficado tão alheia que nem esse detalhe sabia. Ao ser informada que era à esquerda, andou naquele sentido até encontrar o quarto que seu tio indicou ser ocupado por ela.

Bateu na porta e ouviu ruídos de alguém dentro do quarto, indicando que Hamdi estava fazendo alguma coisa que não queria que os outros soubessem o que era, pois até mesmo o arrastar de cadeiras ela percebeu. Só quando ela bateu pela segunda vez é que ouviu a voz da garota perguntando:

– Quem é?

– Sou eu, Hamdi. A Blanche.

– O que você quer?

Aquela pergunta soou estranha aos ouvidos de Blanche. Ela esperava que, ao saber que era ela, a garota logo abrisse a porta. Isso fez com que não falasse que tinha ido até ali para buscá-la para participar da ceia e inventou uma desculpa:

– Eu quero falar com você.

– Falar o que?

– Para com isso, Hamdi? Abre logo essa porta? Sou eu, sua amiga, Blanche. Que coisa ...!

Ela ainda não tinha terminado a frase e a porta foi aberta rapidamente. As duas ficaram se olhando e Blanche notou que Hamdi parecia estar magoada ao ver seus olhos vermelhos como se ela tivesse chorado. Então a abraçou e falou:

– O que foi, querida! O que está acontecendo?

– Nada, Blanche ... Não está acontecendo ...

Hamdi também não conseguiu terminar a frase porque foi dominada pelo pranto. Um choro sentido que deixou Blanche assustada, principalmente quando ela, entre soluços, falou:

– Eu ... quero ... eu ... vou ... vol ... tar para ... a ... Alemanha.

Ao ouvir aquilo, Blanche se afastou dela e segurou em seus ombros, começando a sacudi-la enquanto falava:

– Que maluquice é essa, Hamdi? Você sabe o que isso significa? Voltar para a Alemanha, com certeza, vai te levar à morte.

Controlando o choro e passando as mãos nos olhos para tirar as lágrimas que toldavam sua visão, Hamdi falou em voz sentida:

– Eu sei. Mas talvez seja melhor. Aqui ninguém gosta de mim, só seu pai. Mas coitado dele. Ele está precisando de ajuda e ninguém vê isso. Você fica trancada no seu quarto, não liga para ele e não quer mais me ver. E essas pessoas aqui não gostam de mim.

– Desculpe, Hamdi. Me perdoe. Eu estava tão assustada com o que aconteceu entre ... – Blanche percebeu que não era o momento de falar sobre o que tinha acontecido entre elas em Estrasburgo e mudou de ideia na hora: – ... é que essa fuga, a minha mãe, meu irmão. Tudo isso ainda me machuca muito. Eu devia saber que você precisava de alguém. Em vez disso fiquei trancada no meu quarto me preocupando só comigo. Me perdoa, vai. Eu não fiz por mal.

A medida em que falava, Blanche via a expressão de Hamdi ir se alterando. Ela foi ficando mais branda até que um sorriso tímido nasceu em seus lábios sensuais. Mas não foram os lábios que chamaram a atenção de Blanche que estava perdida naqueles olhos indefinidos da amiga, ora escuros, ora de um tom dourado.

Também não era a cor dos olhos que chamavam a atenção dela. Era um detalhe na garota que ela já tinha percebido antes, mas que, ainda não tinha entendido. Era a junção dos dois aspectos. Hamdi, ao sorrir, fazia isso não apenas com os lábios, mas também com os olhos. A mudança neles quando ela sorria era uma coisa notável. Mas ela foi arrancada dessa contemplação ao ouvir o pedido da amiga:

– Eu te perdoo se você me der um beijo.

Não era o que Blanche queria. Sua intenção era encerrar, de vez, aquela situação com Hamdi. Ela queria ter a garota por perto, queria sua amizade, não uma relação que incluísse sexo. Porém, ela tinha a intenção de fazer com que sua amiga a acompanhasse para participar da ceia e usou isso como pretexto, dizendo:

– Só se você me prometer que vai descer comigo para jantarmos juntas.

Não houve resposta. Em vez disso, a aproximação dos lábios de Hamdi em uma oferta para um beijo que, se não foi intenso, foi repleto de carinho. Em seguida, Blanche a ajudou a vestir uma roupa apropriada, aplicou nela uma maquiagem leve que apenas destacava sua beleza natural e depois desceram. No caminho, Blanche se lembrou de algo que a amiga lhe dissera e avisou:

– Amanhã nós vamos conversar e você vai me contar direitinho essa história de “ninguém gostar de você”.

– Isso quer dizer que você não vai voltar a se trancar no seu quarto?

– Lógico que não, sua boba.

– Ah! – Hamdi ficou pensativa por uns segundos e depois falou em tom de brincadeira: – Olha. Se você resolver ficar trancada lá de novo, me leva junto, tá bom?

Apesar de ser brincadeira, Blanche sentiu a reação de seu corpo àquela oferta. Sua pele se arrepiou, um calor desceu por seu ventre até atingir sua xoxota que respondeu ao estímulo ficando molhadinha.

Não foi preciso ter a conversa no dia seguinte para que Blanche soubesse o que Hamdi quis dizer sobre: “ninguém gostar dela”. A expressão de contrariedade de Aimée quando elas entraram na sala de jantar explicava tudo. Também o comportamento dela durante o jantar levava a essa conclusão, pois bastava alguém se aproximar da garota africana para que ela exigisse a atenção daquela pessoa e a afastava. E quando alguém tinha um gesto de gentileza para com Hamdi, Aimée abria uma carranca deixando claro que não aprovava aquela aproximação.

Isso até que Blanche resolveu agir e passou a monopolizar a atenção da amiga, porém, a mantendo ao seu lado ao conversar com os outros presentes na sala, evitando assim que Aimée boicotasse a relação dela com os demais. A ceia foi animada e Pierre surpreendeu ao entregar um presente para cada um dos convivas, prendas essas que ele havia comprado e mantido em sigilo.

Os dias vividos entre o Natal e o Ano Novo foram decisivos para forjar uma nova Blanche. No dia de Natal, um domingo, elas passaram o dia inteiro conversando e Hamdi aproveitou a disposição de Blanche para mostrar a ela os locais que já tinha explorado a deixando surpresa com a quantidade e a variedade deles. Na margem do rio ela descobriu uma diminuta praia que, para ser acessada, era necessário caminhar por uma trilha estreita e perigosa, o que logo fez dela um local privado da garota e que ela insistiu em compartilhar com Blanche.

As dimensões da praia, se fossem auferidas, não chegariam aos dezesseis metros quadrados, sendo uma faixa com aproximadamente três metros de largura por pouco mais de quatro de comprimento. Mas o que mais impressionou Blanche foi que, na parte esquerda dela, havia uma árvore que o vento havia tombado e o tronco ficou suspenso a uma altura de um metro da água e quando viu que havia uma corda amarrada ao tronco (Imagem: https://postimg.cc/MvbWmBFf), perguntou para sua amiga para que servia e ela explicou:

– É para que a correnteza não me arraste. – E diante do olhar assustado de Blanche, continuou a explicar: – Eu amarro na minha cintura e pulo na água. Na hora de sair basta puxar a corda que eu volto para a margem.

– Você só pode estar louca!

– Louca, por quê? É divertido. – Se defendeu Hamdi com cara de criança pega em meio a uma travessura.

– Não acredito nisso. Você não tem juízo, Hamdi? E se essa corda se solta? Como você ia fazer? Não foi você quem disse que não sabia nadar direito quando tivemos que atravessar o Rio Reno com os alemães nos perseguindo?

– Então. Era, né. Mas seu pai me jogou na água e eu perdi o medo.

– Além disso, estamos em pleno inverno. Como você consegue entrar na água com essa temperatura tão baixa?

– Mas é isso que eu mais gosto. A água é quentinha.

– Quentinha? E depois? Como você faz para ir daqui até em casa com a sua roupa molhada?

– Que roupa molhada? Não tem roupa molhada nenhuma!

– Ah não! Você só pode estar brincando. Você não está querendo me dizer que entra no rio totalmente nua.

Ao ouvir o comentário em tom de reprovação de Blanche, Hamdi resolveu ser mais cautelosa e não respondeu de imediato, só o fazendo quando a outra insistiu e ela explicou:

– Isso não tem problema, Blan! Nunca vem ninguém aqui.

Blanche se lembrou de outra vez que Hamdi usou apenas o início de seu nome e foi em um momento em que ela queria alguma coisa ou estava se explicando sobre algo que tinha feito. Ela não se lembrava direito, mas guardou aquela informação achando que poderia ser útil no futuro. Em seguida, resolveu encerrar o assunto e tentou arrancar dela a promessa de que não correria mais riscos:

– Tudo bem, então. Só me promete que você não vai mais fazer essa loucura de novo.

A resposta de Hamdi foi um simples movimento de cabeça assentindo, mas Blanche não ficou satisfeita e insistiu:

– Jure. Agora.

– Eu juro que nunca mais vou fazer isso.

– Assim, não. Mostre suas mãos.

– Eu já jurei!

– Quero ver suas mãos enquanto você fala. Vamos, Hamdi.

A insistência de Blanche era porque ela sabia que, enquanto jurava, sua amiga estava com os dedos cruzados, o que, por costume da época, dava permissão para mentir ao fazer uma confissão, uma promessa ou um juramento.

– Nossa. Como você é insistente! Tá bom, oh. – Estendendo as duas mãos para frente deixando-as diante do rosto de Blanche, repetiu o juramento. Só que no final acrescentou em um sussurro para que a outra não ouvisse: – Juro, sim, mas só se eu estiver sozinha.

Apesar disso, Blanche ouviu e falou:

– Eu ouvi isso, viu. Mas vou aceitar porque vou avisar a todo mundo para não deixar você fazer essa loucura.

– Por favor. Não faça isso. Eu nunca virei aqui com alguém que não seja você. Se você fizer o que disse, todos vão saber da existência desse lugar.

– Sendo assim, eu aceito. Mas fique avisada, não vou deixar você fazer isso.

– Sim, senhora. – Respondeu Hamdi usando o sorriso que sempre usava quando sentia que estava convencendo Blanche a fazer ou aceitar alguma coisa vindo dela.

Daquele local, visitaram outros, porém, desses, nenhum representava algum perigo. Quer dizer, aparentemente não, pois ao visitar um bosque, Hamdi evitou dizer à Blanche o quanto a vista de cima de uma árvore altíssima era bela. Hamdi falou também de outras descobertas, mas essas, ficavam distantes e era necessário selarem cavalos, o que fez Blanche, que nunca tinha andado em um, fizesse com que a amiga desistisse da ideia.

Na segunda-feira elas ficaram em casa. Isso porque o tio Pierre pediu ajuda de sua sobrinha para organizar alguns papéis, sem deixar que Blanche notasse que isso foi apenas um artifício para avaliar se ela tinha alguma aptidão para aquela tarefa e se surpreendeu, pois a jovem não apenas foi eficiente ao realizar a atividade, como também demonstrou interesse sobre os assuntos aos quais elas se referiam.

Já no final da tarde, as duas se encontraram e, como não havia mais tempo para se afastar da casa, se sentaram em uma varanda que era pouco usada pelos moradores, considerando sua localização distante da parte social da casa. Elas estavam conversando e Blanche viu o quanto Hamdi era ativa, pois ela demonstrou não ter se interessado apenas por paisagens e passeios, mas também pelas pessoas que moravam ou trabalhavam na propriedade. Não havia um funcionário que passasse próximo a elas que não parasse para trocar algumas palavras carinhosas com garota somali que respondia com alegria a todos eles, demonstrando que já os tinha conquistado.

Entretanto, não era só a amizade que ela tinha angariado. Com seu jeito engraçado, ela demonstrou que tinha prestado muita atenção nas pessoas e começou a relatar para uma Blanche que, se a princípio não parecia interessada, logo mudou de atitude e passou a se divertir enquanto Hamdi ia lhe dizendo quem entre os funcionários comia quem, chegando, inclusive, a dizer que tinha assistindo a uma transa entre o cavalariço e uma das camareiras e, ao notar que o assunto despertou o interesse da francesa, se aprofundou em sua narrativa contando os detalhes com uma entonação que variava entre o divertido e o excitado.

E foi ao ver a amiga empolgada com a história que Hamdi começou a ser mais explícita e, quando sentia que o que tinha visto não era suficiente, acrescentava por sua conta alguns detalhes que foram deixando Blanche cada vez mais animada.

Depois disso, foram avisadas que o jantar estava servido e entraram. Se alimentaram e logo foram dormir o que Blanche não conseguiu tão fácil. A narrativa de Hamdi permanecia em sua cabeça e ela só conseguiu pegar no sono depois de tocar sua bucetinha até atingir o orgasmo.

Na terça-feira a rotina do dia anterior se repetiu e Pierre surpreendeu à Blanche lhe perguntando sem nenhuma preparação para entrar naquele assunto:

– O que você acha de me ajudar a cuidar dos negócios?

– Ah, tio. O senhor já tem quem ajude. A Grace parece ser muito eficiente.

– Sim, ela é. Mas não é do tipo de ajuda que ela me dá que estou falando. Estou me referindo às decisões mesmo.

– Isso não é possível. Eu não tenho o menor conhecimento para poder ajudar o senhor nisso!

– É possível que não tenha mesmo. Mas conhecimento a gente adquire. Vamos fazer o seguinte. Você aceita e hoje mesmo eu chamo a Grace para vir passar uns tempos aqui. Ela é uma pessoa de confiança e está a par de tudo o que se passa, não só nas empresas, mas também com relação às demais propriedades de nossa família.

– Hum! Podemos tentar. Mas se a gente chegar à conclusão de que não vai dar certo, desistimos de tudo. Está bom assim?

Pierre apenas concordou e saiu. Logo ela ouviu o som do motor do carro dele se afastando da propriedade e ele voltou duas horas depois dizendo a ela, que esperava por ele, conversando com Hamdi:

– Tudo certo. Amanhã a Grace chegará aqui. Acredito que no final do dia.

– Mas ... A gente nem conversou direito sobre isso! O senhor não acha que está sendo precipitado?

– Não. E, se não der certo, a gente pode pensar em outra coisa. Como, por exemplo, você atuar como ajudante da Grace e não minha.

– Tá bom, então.

Naquela noite, depois do jantar, Blanche e Hamdi se agasalharam bem e voltaram para a mesma varanda, se afastando dos demais, no intuito de fofocar mais um pouco e, olhando para a neve que caía mansamente, Hamdi continuou a provocar o tesão na amiga contando histórias que não era possível saber se eram reais ou não, pois a intenção dela, que era deixar Blanche excitada, ela estava conseguindo.

Tanto é que, ao se despedirem diante do quarto de Hamdi, Blanche teve que se esforçar para não entrar com ela e se entregar ao prazer como acontecera na distante cidade de Estrasburgo. No final, o bom senso falou mais alto e ela se conteve, fugindo dali. Não sem antes dar um selinho nos lábios da garota.

A chegada de Grace ocorreu quando a quarta-feira terminava. Foi como se aquela casa tão tranquila fosse abalada por um furacão. Blanche nunca tinha se visto diante de uma mulher tão cheia de vida que, além de irradiar simpatia, fazia elogio a todos e não parava de dizer o quanto estava feliz em estar com eles naquele local.

Mas não foi apenas seu jeito de ser que impressionou a todos que ainda não a conheciam. Grace era linda, graciosa, desfilava e falava com uma classe de impressionar. Era o tipo de mulher que, quando falava, provocava o silenciar de todos e, quando se calava, seu silêncio obrigava todos a sonhar.

Morena de pele clara, cabelos pretos, olhos verdes e um rosto perfeito. Com um metro e sessenta e cinco de altura e cinquenta e oito quilos distribuídos de forma harmônica, portava o tipo de beleza atemporal, pois se era considerada bonita naquela época, teria ocorrido o mesmo em séculos passados e não ficaria nada a dever para as mulheres consideradas “padrão de beleza”.

Entretanto, Blanche logo desconfiou se todo aquele esforço em ser bem aceita não trazia escondido algum motivo escuso. Quando ela comentou isso com Hamdi, a jovem somali foi severa e disse que ela não podia ficar desconfiando de todo mundo. A conversa acabou ficando mais tensa e, com ambas irritadas, acabou em uma leve discussão, com Blanche lembrando à outra que o garoto que ela amava e que sempre foi tão gentil com ela, foi o mesmo que provocou a morte de sua mãe e de seu irmão.

Essa lembrança foi acompanhada pelo choro sentido de Blanche, o que acabou com a discussão, pois a vê-la chorar, a preocupação da amiga foi a de apenas consolar a outra. Mesmo assim, esse episódio as deixou um pouco distante e logo depois Blanche se retirou para o seu quarto.

O dia seguinte foi estafante para Blanche. Era uma quinta-feira e Grace estava provando que não era um furacão apenas ao se relacionar com as pessoas. A mulher demonstrava possuir uma memória fantástica e se lembrava de tudo. Bastava se recordar de um parceiro de negócios que ela dizia tudo sobre ele e com uma simples passada de olhos sobre um documento já podia discorrer sobre o que ele se referia, quem eram as pessoas envolvidas e a que cada uma delas se dedicava, não deixando de apimentar seus comentários acrescentando sobre aspectos pessoais, como se eram atraentes, inclusive, sexualmente e em alguns casos deixava nas entrelinhas a impressão de que já havia transado com alguns deles. E o que foi desarmando Blanche com relação à sua impressão da noite anterior era que, nos casos de transas ou interesses em transar, não importavam se eram homens e mulheres.

Aquilo, para ela que vivia o conflito interno de sentir atração por Hamdi sem nunca ter nenhuma inclinação para o lesbianismo causou nela a impressão de que isso não era tão anormal como ela imaginava.

E esse conflito voltou a incomodar quando, olhando pela janela, ela viu Hamdi e Michel, cada um cavalgando um cavalo, galopando em direção à floresta que cercava a propriedade (Imagem: https://postimg.cc/fSf6mcRM). Assim que os dois desaparecerem entre as árvores, Blanche se sentiu perdida ao ser consumida pela raiva que a invadiu e não percebeu que Grace tinha se aproximado dela e assistia a mesma cena.

Então ela viu Aimée entrar em seu campo de visão. A loira vinha caminhando em direção à casa com uma expressão que revelava o ódio que sentia, como se atraída pelo olhar de Blanche, levantou a cabeça e seus olhares se encontraram. No de Blanche havia apenas a confusão provocada por seu mal-estar em ver a amiga levando Michel para passear e a preocupação da reação da loira com relação isso. Mas no de Aimée o brilho intenso revelava todo o ódio que sentia. O contato visual foi quebrado quando Grace falou:

– Você precisa ter cuidado com essa garota. Ela pode ser um problema no futuro.

Sem saber a qual garota Grace se referia, Blanche dedicou a ela um sorriso amarelo e insistiu para que elas voltassem ao trabalho.

Mas a imagem de Hamdi e Michel em sua mente criou dificuldades e ela não conseguiu mais prestar atenção nas coisas que Grace falava. A todo momento vinha em sua mente a imagem de sua amiga se contorcendo nos braços de Michel e sentia suas entranhas serpenteando, sem saber o motivo de se sentir assim.

Naquela noite, depois do jantar, as duas voltaram a se isolar dos demais ficando na varanda e a conversa que começou amena logo mudou, quando Blanche comentou para Hamdi:

– E aí. Conta pra mim. Foi bom com o Michel?

– A gente passeou um pouco. Fomos até a nascente de um curso d’água que fica depois daquele bosque que fomos naquele dia. Eu queria mostrar para ele como a água que surge da terra é quentinha, só que hoje não deu. Estava muito frio, a água congelou e cobriu toda a nascente.

– Não é disso que estou falando.

– Então me fala do que você está falando, ué.

– Perguntei se foi bom transar com ele.

Surpreendida com o comentário de Blanche e, mais ainda pelo tom de acusação que sentiu existir naquele comentário, Hamdi ficou irritada e não se defendeu. Em vez disso, falou algo que a deixou surpresa por não estar esperando:

– Olha bem o que você está falando, Blanche. Eu nunca transei e nem tenho chance de transar com o Michel porque não é a mim que ele quer. – E ao ver que sua fala tinha despertado a atenção de Blanche que cruzou os braços e a encarou como quem está pronta para ouvir uma mentira, disparou: – Não é possível que você seja tão distraída que não percebeu. Olha aqui, Blanche. O Michel não me comeria porque é você que ele quer foder.

– Nem vem. Você quando não sabe o que dizer para se defender, começa a inventar histórias.

– Mas você é muito burra mesmo. Só você não percebe que o rapaz está caidinho por você.

– Isso é conversa sua, mentirosa! (Imagem: https://postimg.cc/9r8ck2cC)

– Para Blanche. O Michel fica te olhando com aquele olhar de gato diante da gaiola do passarinho. Se você faz qualquer comentário ele dá aquele sorriso idiota de quem está ouvindo sininhos de fada. E tem mais. Ele só não foi para cima de você porque ele é muito tímido e inseguro. Eu não duvido nada de que ele ainda seja virgem. E tem mais, ele se caga de medo da irmã dele. Até acho que, para você foder com ele, antes vai ter que pedir autorização para a megera loira.

– Para de inventar histórias, Hamdi. Você fica aí falando isso para não responder a minha pergunta. Foi bom transar com ele?

– Eu já falei que não transei com ele. E olha que estou subindo pelas paredes de vontade de gozar, mas não com ele.

Blanche já estava com a boca aberta para fazer mais acusações quando ouviu a frase de Hamdi, o que fez com que ela agisse como se estivesse congelada. Ainda com a boca aberta, olhou para a garota e viu aquela característica mudança na cor de seus olhos que, agora mais claros, refletiam a luz da lua que tinha aparecido em uma rápida brecha entre as nuvens. Olhou também para a boca dela e viu seus lábios sensuais entreabertos.

Aquela reação foi captada por Hamdi que, sem pensar, foi aproximando seu rosto do de Blanche e antes que as duas sequer pudessem saber o que se passava, suas bocas estavam espremidas, uma de encontro a outra, enquanto suas línguas disputavam espaço.

Sem reação nenhuma, Blanche sentiu suas vestes serem levantadas enquanto a mãozinha macia de Hamdi tateava suas coxas (Imagem: https://postimg.cc/56RM3mmd) procurando por sua xoxota e, quando finalmente chegou ao seu objetivo, afastou a calcinha para o lado e começou a esfregar o polegar em seu grelinho enquanto enfiava os dedos indicador e o médio dentro dela.

O toque gentil e ao mesmo tempo profano de Hamdi em sua buceta e a boca dela grudada na sua, fez com que Blanche gozasse em menos de dois minutos, tendo que ser amparada por sua amiga para não cair no chão. Feliz por ter obtido prazer com a ajuda daquela que estava desejando, Blanche não se conteve e, quando Hamdi retirou sua mão do meio de suas pernas, segurou o pulso dela e puxou em direção à sua boca, passando a chupar os dedos melados com seu próprio mel enquanto mantinha o contato visual com Hamdi que exibia um misto de surpresa e de prazer em seu rosto.

Permaneceram abraçadas por um longo tempo fazendo carinhos e com uma beijando o rosto da outra, até que Pierre as chamou dizendo que já estava tarde e que Blanche teria que acordar cedo no dia seguinte. Elas entraram e caminharam pelo corredor até chegarem ao quarto que Hamdi ocupava. Antes de continuar caminhando até chegar ao seu, Blanche olhou para os lados e, ao ver que Pierre já fechara a porta do seu, a beijou novamente.

Foi um beijo longo do qual ela se arrependeu, pois teve que usar toda a sua força de vontade para poder se separar dela e ir para seu próprio quarto. Quando lá chegou ainda se sentia tonta e, sem saber por que, se aproximou da janela ficando surpresa com o que viu.

Foi por mero acaso que ela viu um vulto caminhando quase invisível, pois estava vestida toda de branco e se confundia com a neve. Não fosse o fato de ela se deslocar na frente da vegetação, Blanche não a teria visto. Ao chegar no local onde a trilha que usava desaparecia entre as árvores, olhou para trás como se a conferir se não era observada e não notou Blanche a olhando na janela pois as luzes do quarto não estavam acesas e aquele gesto permitiu que fosse revelado quem se afastava da mansão como se estivesse fugindo.

O rosto pálido de Aimée era inconfundível para Blanche que, falando sozinha, se perguntou:

– Mas onde é que essa mulher vai numa hora dessas e com esse tempo horrível?

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Comentários

Foto de perfil de Hugostoso

Vou ler com calma, mas ansioso pelo capítulo!

Boraaaaaa!

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