35. A Surpresa
Eu queria muito descobrir qual era a surpresa para tentar apagar a lembrança de Murilo que acenderam tão forte, Rodrigo me deu um abraço quando cheguei, disse que Joel estava transmitindo a cerimônia para eles que não puderam ir, Renato estava de cama a dois dias com uma dor de cabeça forte e naquele dia estava bem melhor, sorria e tentava brincar um pouco, Caio estava preocupado com ele, foi lhe dar assistência, ambos foram para o quarto e eu me preocupei com o médico doente.
Também fui tomar meu banho, agora eu tinha o quarto azul só para mim, todo mundo era parte de um casal, se era verdade que poucas eram as vezes que eu tinha direito a solidão, tambeḿ era direito que naquele momento de banho eu me sentia muito só, Rodrigo me acompanhou, disse que colocou a roupa de cama para lavar e aproveitou e levou as toalhas também, ia buscar mais para mim, tirei a roupa e fui entrando no chuveiro, lavar cabelo, escovar as costas passar um óleo de banho depois de ter lavado bem o corpo, Rodrigo deixou o celular dele tocando uma música bem relaxante, eu adoro meu mano.
Ele retorna e diz que as toalhas estavam sobre a pia, mas eu peço para ele me dar uma delas, eu já havia acabado de tomar banho, o vapor no banheiro tinha cheiro de andiroba e erva doce, eu amo cheiro de limpeza e conforto, o vapor quente deixou todos os vidros foscos, ele me pergunta se eu não queria ficar sozinho um pouco, a voz dele parecia distante e eu peguei a toalha que ele estendeu bem próximo de mim, eu esfreguei meu rosto na toalha, já meio irritado com essa coisa esquisita dele, trocar as toalhas todas de uma vez e durante a noite, essa coisa de quem queria me dizer alguma coisa e estava dando voltas, “Rodrigo, desembucha o que porra está acontecendo”, quando olho para frente o fantasma estava ali, eu teria me urinado se não tivesse feito xixi minutos antes, ele estava vivo e era real.
Murilo tinha um cabelo em cornrows e suas tranças chegavam grossas até depois dos ombros, ele sorria para mim tímido, e estava mais largo, mais forte, usava uma camiseta preta por baixo de uma camisa branca de linho aberta, e tinha uma cavanhaque bem desenhado, e o mais lindo de tudo, ele estava sorrindo para mim com aqueles olhos que eram exatamente do jeito como os que eu lembrava, os olhos que eu imaginava fixos em mim quando eu estava sozinho e eu sempre estava com ele. E ele estava lindo e o melhor de tudo: ele estava vivo, e era a minha surpresa.
“Oi, branquelo, vai tomar o quê, ou vai ficar só olhando?”, foi a primeira frase que ele me disse quando a gente se conheceu, quando eu o vi pela primeira vez e não dei a menor importância para ele, mas agora ele estava ali e eu tinha medo de o perder pela segunda vez, eu me senti sozinho e órfão e sem confiar em ninguém como se eu tivesse acabado de fazer dezoito anos e ele fosse um garoto que tinha as piores avaliações. Mas ele estava ali com seus olhos que não desgrudavam de mim, e eu o via embaçado e eu deveria estar chorando, então ele se aproximou um pouco e eu o agarrei e chorei e molhei seu corpo inteiro, mas ele levou um segundo e me abraçou também, ele me disse que eu estava ainda mais lindo do que ele lembrava, eu disse que era um milagre, ele estava vivo e eu iria fazer o possível para que isso fosse uma verdade contínua por toda minha vida, ele deve ter sentido meu pau ficando duro, eu fingi que não era eu.
Ele cheirou meu cabelo molhado e disse que eu deveria terminar de me enxugar, eu sorri e beijei seu pescoço quente, me senti como um vampiro e tive vontade de mordê-lo, de sentir seu sangue e conhecer seus segredos, sua história, sentir sua presença dentro de mim como eu desejava entrar nele primeiro e logicamente isso era muito sensual, meu pau duro não podia ser mais ignorado e senti vergonha, ele parecia que conhecia meus pensamentos, “Eu quero sentir essa pica em minha boca novamente, já é uma história que vai para seu sétimo ano, estou com vontade de foder com você, quero seu cu no meu pau, chega de esfolar minha pica imaginando se você estava bem ou não.”
E a gente se beijou.
Caralho, o beijo mais doce, mais esperado, mais gostoso, mais…
O melhor beijo de minha vida.
Ele olha pra mim e diz que foi o melhor beijo da vida dele, melhor que os beijos que demos naquela noite de tanto tempo antes, eu estava de pau duro, eu queria, ele queria, senti o pau dele duro se estourando no jeans, Hélio abriu a porta e veio até nós dois, mandou eu me apressar para o jantar, ele se aproximou de nós dois, atrás de meu crush e encostou aquele corpão nas costas de Murilo que não ofereceu resistência, mas estava achando estranho, “Murilo, aqui todo mundo ama todo mundo, em todos os sentidos, e seu namoradinho é o nosso querido, Joel e eu nos amamos, mas amamos muito mais esse veadinho, a gente o ama, o protege, faz sexo e putaria com esse gostoso, e eu faço questão que ele tenha um parceiro um namorado, mas saiba que você tem sua liberdade, ele a dele, a sua fidelidade é para ser discutida com ele, mas a dele é nossa, porque su namoradinho tem dono.” Hélio já havia colocado seu corpo ao de Murilo, depois apertado seus mamilos por baixo da camiseta, colocado a mão de ‘meu namoradinho’ em minha pica e o beijado, Murilo continuava um putinho viciado em macho e rola - que bom.
Rapidinho Hélio pensou no mesmo que eu e mandou nós dois nos ajoelharmos, baixei o short de moletom dele e o pau dele pulou a meia bomba, Murilo sorriu animado, eu o deixei começar, sabia que iam tirar a roupa dele e comecei a despir o novato, ele abocanhava o caralho do meu ursinho como se dependesse desse boquete para a última garganta profunda dele, “Isso, putinho, tá mostrando para teu namoradinho que é um boqueteiro, né!?”, Hélio nm deixou ele responder lhe deu um e tadinha falso como nota de três reais, e empurrou o máximo que pode enquanto gritava para Joel vir e trazer todo mundo, “Mateus, ainda não é meu namorado”, foi tudo o que ele falou quando por fim foi liberado para respirar e a baba corria grossa por um dos cantos da boca.
“Veado babão, Mateus, chupa essa gosma da boca da boca de teu namorado”, eu fui me rastejando até a rola de meu macho e dei uma chupadinha antes, vi os outros se aproximando e sabendo que o jantar que esperasse… beijei a boca e chupei toda a saliva de Murilo, ele me beijava com um tesão meio pânico, mandei ele confiar em mim, eu ia compensar todos os anos em que eu não cuidei dele, mas aquele namorinho acabou com a pica de Benício e de Rodrigo se enfiando dentro da minha boca e da dele, Joel estava ali, excitado, mas com medo de chegar junto de Murilo, tudo bem, não era hora de forçar, imaginei que de alguma forma Murilo pudesse associar o monstro que matou a mãe dele com Joel e Caio (e isso tava rolando mesmo, levou algumas semanas para tudo fluir normalmente, mas vamos devagar).
Joel me puxou pelo cabelo me cuspiu e deu na minha cara, eu o beijei como um maníaco, meu macho favorito, meu dono, sou sua cadelinha, “Finalmente encontramos uma piranha pra te fazer companhia, uma vadia viciada em piroca e macho como você, Mateuzinho, um veadinho para outro”, ele me beijou e mandou eu abrir as pernas que ia me comer novamente, Ben disse que não ia me machucar e isso podia esperar por um dia ou dois, Joel concordou, Benjamim me fez o seguir e chupar seu cuzinho, disse que era para eu preparar bem para Joel, chamei meu namorado pelo nome e pedi ajuda.
Cu peludo de um tiozão, quem não gosta? Murilo se esbaldou, por acidente pegou na pica de Joel, mas era grande, grossa e ele hesitou um pouco antes de Joel tentar se afastar, mas seguro pela rola Joel ficou imóvel e depois sentiu a boca de Murilo na cabeça de sua piroca, na hora Ben entendeu o clima e se colocou de frango assado, “Joel, esse veadinho nunca comeu um macho só os boiolas como ele, manda ele meter em mim e tu arromba ele”.
Pronto. Em cinco segundos tava Murilo levando tapa de Benjamin, e sentido a voz grossa e baixa de Joel em seu ouvido, “Vai tomar rola nesse cu, seu merdinha, vai sonhar comigo te comendo e vai acordar pedindo minha galada na sua boca, meu arrombadinho”, seguro pela garganta logo Rodrigo e Hélio estavam disputando pela boca de Murilo, eu estava batendo uma de leve completamente inebriado pela visão da putaria, quatro machos parrudos ao redor daquele novinho que era fodido com paixão e brutalidade, era estranho ver aquilo que quem passava era eu, às vezes seis pra me arrombar na mesma tarde de sábado. Rodrigo se deita e diz que iam comer aquele cuzinho dois a dois, Murilo se vira pra mim preocupado e eu lhe garanto que ia ficar tudo bem, eu mesmo havia passado por aquilo na noite anterior. Ele cede sem relaxar, Hélio vem me beijar e me força ficar de quatro para lhe fazer um boquete, “Mateuzinho, você vai meter naquele cu quando a gente deixar macio como boceta e tão cheio de porra que você vai sentir a lubrificação”. Então tá.
E caramba… depois que Murilo estava destruído, depois que todos gozaram e se afastaram dele, eu me aproximei e fui, eu o comi e namorei com ele, ele estava sensível, cheio de marcas, havia sido maltratado quando confiou, e eu estava dentro dele, comia devagar, seu cu se recusava a fechar, arrombado me aceitava.
Prometi a Murilo que iria recebê-lo em minha casa, em meu caminho como meu namorado, se ele quisesse,Caio e Joel devem ter vasculhado a história dele, eu estava despreocupado e lhe oferecia a mim e meu pequeno harém. E ele disse sim, chorando de cansaço e dor pela orgia recente e pelos últimos anos. Cada um deles beijaram a mim e a ele depois disso enquanto eu o enrabava, ele gozou quando Joel o beijou, eu também. Joel foi o último a sair, apagou a luz e nós dois dormimos agarrados em lençois cobertos de esperma. Acordamos durante a madrugada, fomos direto para o chuveiro, como moleques que fizeram traquinagem, depois juntamos os forros de cama para os levar para a máquina, andando nus pela casa, “Ainda estou pagando, é minha casa, meu lindo, a escritura só conta eu como dono, literalmente eu mando em tudo aqui”, ele nem conseguiu acreditar, ainda tinha vergonha da própria nudez, como com aquela bunda perfeita e asas tatuadas em suas costas?
Murilo estava feliz, comemos o arroz com strogonoff que estava esperando por nós dois na geladeira, deixei os pratos na máquina de lavar, ele achou aquele o luxo máximo, eu não cansava de beijá-lo, ele me mordia o queixo dizia que ia tirar aquele bigodinho de mim assim que o dia amanhecesse, eu o levei para conhecer o interior da casa, falei que os quartos nunca ficam fechados, entramos nos quartos como vampiros sem sede, no terceiro, Caio estava dormindo de barriga pra cima e seu marido de lado, de frente para ele, ele acordou durante minha invasão, Murilo como se fosse um bandido teve ímpeto de sair correndo, mas eu esperava algo do tipo e o segurei, sem palavras o arrastei até a cama e ele estava suando frio pelas mãos, Renato acordou também e acendeu a luz da cabeceira da cama, me viu e sorriu, bateu no colchão entre ele e Caio, eu apertei firme a mão de Murilo antes de soltá-lo, me deitei sobre o corpanzil de Caio, meu tio adorado, meu verdadeiro dono, ele me beijou e perguntou se eu estava feliz com Murilo, sim, ele me pergunta se Murilo estava feliz, eu disse que achava que sim, mas estava com medo.
Renato perguntou a Murilo com cara de quem não estava acreditando, quem não via razão para isso, “Você sabe que eu jurei, salvar e nunca fazer o mal conscientemente? Se você acreditar em mim por vinte minutos, talvez a gente possa ser amigos, Murilo.” Murilo sorriu, mas vendo aquele urso grisalho, de peito largo e peludo batendo no colchão à sua frente enquanto Caio me mordia o pescoço… talvez, e isso é um pensamento meu, talvez os dois coroas tenham virado a cabeça do meu namorado como eles viram a minha. Renato beijou Murilo e colocou os dedos em seu cuzinho, disse que a enxaqueca o impediu de ser um dos que arrombou aquele rabinho, perguntou se quando estivesse mais cicatrizado, ele ia ser um bom garoto e dar para seu tio (Renato já estava se colocando como tio de Murilo, esse insiste nesse troço, primeiro Fernando, depois o outro Murilo e agora esse), Renato perguntou a história de Murilo, ouviu que ele já devia saber, “Sei, sei toda sua história, mas é bom ouvir o seu jeito de dizer, depois é bom também contar, além de tudo, Mateus não sabe…” Eu não sabia de nada.
Pobreza, delinquência, a mãe, depois a proposta de ser o amante pago do pai de Fernando, depois o sequestro, a mata, o estupro, a surra, a algema na cerca, a noite, o outro dia e a próxima noite, a chegada do casal de amanes e a ajuda para libertar-se, o hospital e a polícia, o aviso de que sua mãe havia feito um escarcéu por seu paradeiro e acabou morta, a depressão, a alta hospitalar, a vida de ajuda, o emprego de cuidador de idosos, a recuperação gradual, a notícia do cerco ao seu sequestrador, a comemoração por ele ter se suicidado na cadeia. A vida seguia no luto.
No albergue onde morava uns caras estavam estudando a noite, para melhorar de vida, fez o segundo grau no turno da noite, avançou muito, avançou rápido, uma professora dizia que ele iria longe, podia fazer faculdade de enfermagem, fisioterapia, farmácia; conseguiu para ele uma bolsa de estudos integral num cursinho. No segundo mês um cara o chama na diretoria, explica que é um dos donos e lhe mostra um vídeo no tablet, eu estava xingando todo mundo enquanto era “obrigado a cozinhar” numa cozinha luxuosa. Aos poucos ele foi dizendo o que havia acontecido e Hélio foi falando do que nós sabíamos, falou de Fernando e seu pai, reapresentou Joel. “Ele disse que você era deprimido, tomava remédios e tudo mais, que ficou sem comer dois dias quando soube que eu morri, mas não admitia que se importava com um estranho, ele disse que você ficava olhando para o nada quando ficava feliz, como se não tivesse direito.”