História de Carol - Pt. 2

Um conto erótico de Carol Neves
Categoria: Crossdresser
Contém 443 palavras
Data: 21/02/2026 00:59:54

Depois daquela primeira tarde, Carlos tentou seguir como se nada tivesse mudado.

Mas tinha mudado.

A curiosidade já não era apenas curiosidade — era expectativa. Ele passou a reparar mais na rotina da mãe: os horários em que saía, o tempo que demorava para voltar, o som do portão fechando. Não havia maldade nisso; havia um segredo crescendo.

Numa dessas tardes silenciosas, abriu o guarda-roupa dela.

O cheiro de perfume suave escapou junto com o ranger da porta. Entre vestidos de tecido leve e blusas cuidadosamente penduradas, havia uma gaveta que ele nunca tinha prestado atenção. Ao puxá-la, encontrou um universo novo: rendas, cetim, peças delicadas que pareciam feitas de outro tipo de coragem.

Ficou alguns segundos apenas olhando.

Não era só sobre vestir roupas. Era sobre sentir algo diferente na própria pele.

Com as mãos trêmulas, escolheu uma peça simples, discreta. Vestiu por baixo da própria roupa primeiro, como se precisasse se acostumar. O toque era inesperado — macio, ajustado, quase um segredo abraçando o corpo. Depois trocou tudo: colocou uma das saias da mãe, uma blusa mais ajustada, ajeitou o cabelo.

Foi até o espelho.

Ainda era Carlos.

Mas Carol estava mais próxima.

Sobre a cômoda havia uma pequena necessaire. Ele já tinha visto a mãe usando aqueles itens diante do espelho antes de sair. Abriu com cuidado, como quem mexe em algo sagrado. Base, pó, rímel… e um batom vermelho.

O vermelho parecia ousado demais.

Ficou segurando o tubo por alguns segundos, sentindo o coração bater forte. “Isso é errado?”, pensou. Não sabia responder. Só sabia que queria tentar.

Girou o batom devagar e passou nos lábios com cuidado desajeitado. A primeira tentativa ficou torta. Limpou. Tentou de novo. Quando terminou, encarou o próprio reflexo.

O vermelho transformava tudo.

Não era apenas estética — era atitude. O rosto parecia mais definido, o olhar mais vivo. Ele abriu um pequeno sorriso e viu que tremia, não de medo exatamente, mas de intensidade.

Sentou na cama.

Uma dúvida apertava o peito:

“Isso faz de mim alguém que eu não deveria ser?”

“Estou traindo alguma expectativa?”

Mas, junto com a dúvida, vinha algo impossível de ignorar: satisfação. Uma sensação de encaixe, de descoberta íntima. Não era sobre chamar atenção de ninguém. Era sobre se reconhecer em silêncio.

Naquela tarde, Carol ficou mais tempo diante do espelho.

Ela não era uma fantasia de carnaval. Não era uma brincadeira adolescente. Era uma parte real, ainda confusa, ainda insegura — mas viva.

Quando a mãe chegou, tudo já estava guardado novamente. O batom no lugar. As roupas dobradas. Carlos sentado na sala, como sempre.

Mas por dentro, ele sabia:

O segredo estava crescendo.

E, junto com ele, a coragem também.

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