Novembro começou com a ressaca moral do meu aniversário, mas a adrenalina do jogo duplo era um vício que eu não conseguia largar. Eu vivia em uma corda bamba perigosa, alimentando duas fomes diferentes com mentiras cada vez mais elaboradas. Minha vida era um cronômetro: eu saía do calor agressivo da Mariana para a entrega devota da Ana Beatriz, lavando o corpo e trocando o discurso como um ator profissional.
Ana Beatriz abaixou as armas de forma definitiva. Em uma noite de chuva torrencial, após o jantar, ela me chamou ao seu quarto sob o pretexto de revisar um caso. Assim que a tranca estalou, ela se despiu da armadura de advogada. Ela usava um conjunto de lingerie de renda preta por baixo do tailleur cinza, as meias 7/8 presas por uma cinta-liga que contrastava violentamente com sua pele pálida e coxas firmes.
— "João... eu sei que isso é um erro. É imoral, é doentio... eu sou advogada, eu deveria ser o exemplo dessa casa," — ela sussurrou, as lágrimas brilhando nos olhos verdes. — "Mas eu não consigo mais controlar. Eu acho que estou apaixonada por você. Mas eu tenho um medo que me corrói... você ainda fica com a Mariana? Você ainda toca nela desse jeito?"
Olhei nos olhos dela e menti com a precisão de um sociopata. — "Claro que não, Ana. Aquilo com a Mariana foi uma fase, uma curiosidade de moleque. Agora é você. Eu sinto o mesmo, eu só quero você." Ela sorriu, aliviada, acreditando que tinha vencido a irmã mais nova na disputa pelo meu sêmen e pelo meu afeto.
Depois eu a joguei sobre a mesa de mogno, espalhando processos pelo chão. Levantei suas pernas, encaixando-as nos meus ombros, e a possuí com estocadas lentas e profundas, sentindo cada dobra daquela buceta de elite me esmagar. — "Isso, João... me rasga todinha! Me mostra que eu sou sua, seu animal safado!" — ela gemia, com os olhos revirados, enquanto eu a esfolava sem piedade. Eu a virei de lado, com uma perna para o alto, e entrei até o talo, ouvindo o som úmido da carne batendo e os gritos abafados dela chamando por "seu homem". Gozei fundo na garganta dela minutos depois, sentindo a submissão total daquela mulher que antes me olhava com desprezo.
No dia seguinte, o cenário era outro. Mariana me esperava no quarto dela, vestindo apenas uma camisola de seda vermelha curtíssima. O corpo dela era uma explosão de curvas: o quadril largo, o bumbum monumental e os seios fartos que pareciam querer saltar do tecido.
— "Diz que eu sou a única, João. Diz que essa sua energia é só minha e que daquela geladeira da Ana e aquela vaquinha da sua faculdade você só quer distância," — ela sibilou, puxando minha mão para entre suas pernas já ensopadas. O ciúme dela era um veneno doce misturado ao amor proibido. — "Só você me deixa louco desse jeito, Mariana. Ninguém é como você," — respondi, puxando-a pelo cabelo e colando nossos lábios em um beijo que tinha gosto de urgência e suor.
— "Só você me deixa louco desse jeito, Mariana. Ninguém chega aos seus pés," — respondi, puxando-a pelo cabelo e colando nossos lábios em um beijo que tinha gosto de urgência e suor.
Eu a joguei na cama e a possuí na posição de frango assado, dobrando suas pernas até que os joelhos tocassem suas orelhas. O sexo com a Mariana era uma guerra de fluidos e palavras sujas.
— "Me fode, João! Me arromba com esse pau grosso! Eu te amo tanto que chega a doer, meu homem!" — ela gritava, as unhas cravadas nas minhas costas. Eu a usei com uma selvageria absurda, trocando para o estilo cachorrinho, puxando sua cintura enquanto via aquele bumbum monumental balançar a cada estocada violenta. Eu a via pelo espelho, o rosto contorcido de prazer, implorando por mais.
O desastre aconteceu na tarde de quinta-feira. Camila e Mariana tinham saído e eu estava no quarto da Ana Beatriz. O excesso de confiança me cegou. Eu a tinha colocado de quatro, com o rosto enterrado no travesseiro, enquanto eu a penetrava com uma fúria cega. Ana estava no auge, gritando: — "Sim, meu dono! Me usa como a sua cadela! Eu sou toda sua!
Nesse momento, a porta se abriu. Mariana, que já havia voltado silenciosamente, entrou sem bater, e o que ela viu foi o fim do meu império. O silêncio que se seguiu ao grito de horror dela foi devastador.
O flagra foi como uma granada explodindo em um quarto fechado. O som da porta batendo contra a parede pareceu um tiro, e o grito de Mariana cortou o ar, transformando o êxtase em um pânico gélido em menos de um segundo.
Eu travei, ainda conectado ao corpo da Ana Beatriz, sentindo o suor esfriar instantaneamente na minha espinha. Ana deu um pulo, o rosto pálido como um cadáver, os olhos verdes arregalados em um pavor absoluto enquanto tentava se cobrir com um lençol que parecia pequeno demais para esconder a sua vergonha.
— "SUA CADELA! SUA FILHA DA PUTA!" — O grito da Mariana veio do fundo da alma. Ela não ficou parada. Ela avançou como uma leoa ferida, os olhos injetados de um ódio que eu nunca tinha visto.
Eu pulei da cama, tentando inutilmente subir a calça enquanto me colocava entre as duas. — "Mariana, para! Calma, deixa eu explicar!" — Minha voz saiu trêmula, o pânico nublando qualquer raciocínio.
— "Explicar o quê, João? Que você está trepando com essa sonsa na cama onde ela dorme e finge ser a moralista da casa?" — Mariana tentava me empurrar para alcançar a irmã, as unhas prontas para rasgar. — "Eu te amo, seu lixo! Eu me dei inteira pra você! Você disse que eu era a única!"
O tempo parou. O silêncio que se seguiu àquela frase foi ensurdecedor. Ana Beatriz, que até então estava em choque, inclinou a cabeça, os olhos fixos em mim como lâminas.
— "A única?" — A voz da Ana saiu num sussurro metálico e mortal. — "O que ela quer dizer com isso, João? Você... você também estava com ela?"
Eu abri a boca, mas nada saiu. O "Dono da República" tinha acabado de ser descoroado. O jogo duplo ruiu.
— "Claro que ele estava comigo, sua idiota!" — Mariana cuspiu as palavras, o choro de raiva borrando seu rosto. — "A gente trepa em cada canto dessa casa faz meses! Ele me disse que você era só 'estudo', que você era uma geladeira que ele tinha que aturar!"
Ana Beatriz se levantou lentamente, ignorando a própria nudez, o ódio agora superando o pânico. Ela caminhou até mim, e eu juro que preferia que ela tivesse me batido. — "Você me olhou nos olhos ontem, João. Você ouviu o que eu sentia... você me fez acreditar que eu era a única. Você mentiu pra mim da forma mais suja que alguém pode mentir."
— "Ana, Mari... escutem..." — tentei, gesticulando freneticamente — "O clima na casa estava horrível, eu não sabia o que fazer, as duas queriam... eu me perdi, eu juro que gosto das duas, eu não queria machucar ninguém!"
— "CALA A BOCA!" — As duas gritaram em coro.
— "Você é um monstro, João. Um moleque doentio que usou a gente como se fôssemos brinquedos em uma vitrine," — Mariana disse, a voz agora carregada de um desprezo que doía mais que os gritos. — "Eu nunca mais quero sentir o seu cheiro. Se você encostar em mim de novo, eu juro que te mato. Pra mim, você morreu."
Ela deu as costas, pegou a bolsa que tinha caído no chão e saiu do quarto batendo a porta com uma força que fez os quadros do corredor tremerem. Ouvi o som da porta da frente batendo segundos depois. Ela tinha saído de casa, sem rumo.
Ana Beatriz continuou ali, me encarando. Ela não chorava como a Mariana; ela queimava por dentro. De repente, ela pegou um abajur pesado de cima do criado-mudo e arremessou contra a minha cabeça. Eu desviei por milímetros.
— "SAI DO MEU QUARTO! AGORA!" — Ela começou a pegar tudo o que via pela frente — livros de direito, porta-retratos, sapatos — e arremessar em mim com uma fúria cega. — "Some da minha frente antes que eu acabe com a sua vida! Você é um lixo, João! Um verme!"
Fui encurralado até o corredor sob uma chuva de objetos. Quando a porta do quarto dela se trancou, o silêncio que sobrou no apartamento foi o mais pesado da minha vida. Eu estava sozinho. Sem a submissão da Ana, sem o fogo da Mariana, e com a certeza de que o meu império tinha se tornado pó.
Eu tinha 19 anos, e naquele corredor escuro da Tijuca, percebi que o prazer que antes me fazia sentir o dono do mundo agora tinha gosto de cinzas. Olhei para as portas trancadas e entendi que tinha acabado de incendiar a única coisa que me restava no mundo. Eu era, novamente, o arquiteto da minha própria solidão.
