História de Carol - Pt. 9

Um conto erótico de Carol Neves
Categoria: Crossdresser
Contém 595 palavras
Data: 23/02/2026 00:50:10

Carol congelou por alguns segundos no meio da sala.

O coração, que antes estava calmo, agora batia forte demais.

Foi até o celular com as mãos levemente trêmulas. As notificações confirmavam:

**era ela.** Sua amiga de tantos anos. A pessoa que conhecia sua história, suas fases, suas inseguranças… menos aquela.

Olhou novamente para a câmera.

A amiga estava no portão, olhando ao redor, mandando outra mensagem:

— *“Você tá em casa? Tô te chamando faz tempinho!”*

O pensamento veio rápido e confuso:

*Não dá tempo de trocar.*

*Tirar maquiagem, roupa, tudo… ia levar uma eternidade.*

*Ela vai estranhar.*

*E se…*

Carol respirou fundo.

Talvez fosse o fim de semana inteiro vivendo aquilo.

Talvez fosse o cansaço de esconder.

Talvez fosse só… hora.

Digitou:

— *“Entra. Pode esperar na sala. Eu tô no quarto… já vou sair. Preciso te contar uma coisa.”*

Viu a amiga atravessar o portão.

Cada passo dela parecia ecoar dentro da casa.

Carol voltou para o quarto, olhou-se no espelho mais uma vez. O vestido florido. A sandália. A maquiagem leve. Nada exagerado. Nada fantasioso.

Era ela.

— Agora vai — sussurrou, mais para si mesma do que como incentivo.

Caminhou até a sala.

A amiga estava de pé, olhando alguns objetos distraidamente, até ouvir os passos.

Quando virou…

O choque veio primeiro.

Os olhos arregalaram. A expressão ficou parada, tentando entender o que estava vendo, como se o cérebro precisasse de alguns segundos para reorganizar tudo o que conhecia.

Carol parou a poucos passos, sem saber o que fazer com as mãos.

O silêncio pareceu enorme.

— Eu… — começou, a voz falhando — eu posso explicar…

Mas não precisou terminar.

A amiga atravessou a distância entre elas e a abraçou.

Sem hesitar.

Sem recuar.

Sem perguntar nada ainda.

Um abraço forte. Apertado. Real.

Carol demorou meio segundo para reagir — e então correspondeu, sentindo um peso que nem sabia que carregava começar a sair dos ombros.

— Você tá tremendo — disse a amiga, ainda abraçada, com a voz suave. — Calma… respira.

Carol soltou uma risada nervosa, quase emocionada.

— Eu achei que você ia… sei lá… surtar.

— Surtei por dentro nos primeiros três segundos — respondeu ela, se afastando só para olhar melhor. — Agora eu tô tentando entender… mas não é ruim. Só é novo.

Sentaram-se no sofá.

A amiga observava com curiosidade, não com julgamento. Reparou no vestido, no cuidado da maquiagem, no jeito que Carol se sentava — ainda um pouco tensa.

Então vieram as perguntas. Naturais. Uma atrás da outra.

— Isso… é de hoje?

— Faz tempo que você sente isso?

— Você tá bem?

— Você quer que eu te chame de Carol?

— Alguém mais sabe?

Carol respondeu devagar, às vezes procurando palavras que nunca tinha dito em voz alta. Contou do fim de semana. Da primeira vez que tentou. Da sensação de finalmente se reconhecer em pequenos momentos. Do medo de não ser aceita. Do quanto aquilo ainda era confuso… mas também importante.

A amiga ouviu tudo.

Sem interromper.

Sem apressar.

Quando Carol terminou, esperando talvez alguma conclusão definitiva, ela apenas deu de ombros, com um meio sorriso.

— Pra mim, você continua sendo você. Só que… agora eu conheço mais uma parte.

Carol sentiu os olhos marejarem.

— Eu não sei ainda o que isso significa — confessou.

— Não precisa saber agora — respondeu a amiga. — A gente descobre junto. Igual a tudo na vida.

O clima mudou.

O nervosismo virou conversa.

A conversa virou risadas tímidas.

E, aos poucos, aquele momento que parecia assustador se transformava em algo inesperadamente leve.

Lá fora, a tarde seguia.

E, dentro da sala, Carol percebia que dividir o segredo não tinha destruído seu mundo.

Tinha ampliado.

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