Na manhã seguinte à live do pijama, acordei com o celular vibrando ao lado do travesseiro. A luz do sol entrava pelas frestas da cortina, riscando o quarto de listras douradas. Pedro ainda dormia, a respiração leve, os óculos em cima da mesa de cabeceira.
Peguei o celular com cuidado. Era uma mensagem no direct, de um perfil que eu não conhecia. Nome aleatório, foto de paisagem.
*"Bom dia. Vi sua live ontem. Você é linda demais."*
Sorri, meio sem graça. Respondi com um "obrigada" seco e guardei o celular.
Mas ele respondeu na hora.
*"Por que não mostra mais? Você tem um corpo incrível, devia ter mais confiança."*
Ri sozinha. Mostrar mais? Eu mal tinha mostrado alguma coisa.
*"Não sei do que você tá falando, foi sem querer."*
*"Foi sim, mas combinou com você. Pensa no que eu disse."*
Guardei o celular e fui tomar banho, mas a mensagem ficou na minha cabeça.
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Nos dias seguintes, ele continuou mandando mensagem. Sempre educado, sempre elogiando. E eu, sem querer, comecei a responder.
*"Hoje vai ter live?"*
*"Vou, lá pelas nove."*
*"Que roupa vai usar? Alguma coisa mais solta?"*
*"Não sei ainda, por quê?"*
*"Porque você fica linda com roupas que mostram um pouco mais. Só uma dica."*
Na live daquela noite, sem pensar muito, escolhi uma blusa mais justa que o normal. Era uma blusa preta de malha, que antes eu usava larga, mas hoje resolvi colocar por dentro da calça. O tecido se ajustou ao meu corpo, marcando os seios grandes e a cintura fina. Quando me olhei no espelho, quase não me reconheci. As curvas estavam ali, evidentes.
Pedro, que estava atrás da câmera, arregalou os olhos.
— Nossa, Lena... você tá... diferente.
— É a blusa. Achei que podia tentar algo novo.
Ele engoliu seco. — Ficou... gostosa.
Sorri, nervosa, e liguei a transmissão.
O chat explodiu.
*"LENA DE BLUSA JUSTA"*
*"QUE CORPO"*
*"GOSTOSA"*
Passei a live toda consciente do meu corpo, dos movimentos. Cada vez que me inclinava, a blusa esticava nos seios. Quando me virava, a curva da cintura ficava evidente. Quinhentas pessoas.
Quando desliguei, Pedro veio me abraçar por trás, e eu senti ele duro contra minhas costas.
— Tá vendo? — ele sussurrou. — Eles tão todos doidos por você.
— E pra você, ta tudo bem? Ta gostando?
— Eu mais ainda.
Naquela noite, transamos com uma vontade nova.
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Na quarta, o anônimo mandou uma ideia.
*"Por que não faz alongamento na próxima live? É uma ótima desculpa para mostrar o corpo sem parecer forçado."*
*"Alongamento? Tipo, fazer exercícios?"*
*"Isso. Alongamentos simples, de yoga. O pessoal adora."*
Na live de sexta, coloquei um short mais curto. Era um short jeans que eu tinha esquecido no fundo do guarda-roupa, com a barra desfiada. Quando vesti, ele subiu nas coxas, mostrando as pernas quase inteiras. A blusa era a mesma justa, mas agora eu me sentia mais confiante.
Pedro me viu e quase derrubou a câmera.
— Lena... assim você vai matar o chat.
— Acha que estou exagerando?
— Jamais, quanto mais gostosa mais eu gosto.
— Hahaha, te amo seu bobo.
— Também te amo gostosinha.
Fiz alongamentos simples: pernas esticadas, tronco dobrado, o short subindo a cada movimento. Deitada de lado, a perna levantando, a curva da coxa e o começo da bunda aparecendo. O chat foi à loucura. Trezentas pessoas, depois quinhentas, depois oitocentas.
No final, mil e duzentas visualizações.
Quando desliguei, Pedro estava ofegante.
— Você viu o que fez?
— Acho que exagerei né amor.
— Tô duro há uma hora.
Ri, puxando ele pra cama. — Então vamos resolver isso.
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Na semana seguinte, o anônimo sugeriu um top cropped.
*"Hoje devia usar um top cropped. Mostra essa barriga lisa."*
*"Não tenho top cropped."*
*"Deveria comprar. Investir em você mesma."*
No dia seguinte, fui na loja e comprei um top cropped preto, bem curto, que deixava a barriga toda de fora. Quando experimentei em casa, fiquei paralisada diante do espelho. A barriga lisa, a cintura fina, os seios enormes quase saindo do tecido. A peça era tão pequena que mal cobria os bicos.
Pedro chegou do trabalho naquele momento e travou na porta.
— Meu Deus...
— Gostou amor?
Ele não respondeu. Só veio até mim, passou a mão na minha barriga, subiu até os seios.
— Você é a mulher mais linda do mundo.
Na live, usei o top cropped. Duas mil pessoas.
O chat enlouqueceu.
*"LENA DE CROPPED"*
*"QUE BARRIGA"*
*"GOSTOSA DEMAIS"*
Cada movimento que eu fazia, o top subia um pouco mais, ameaçando revelar os peitos. Eu provocava, me inclinava de propósito, via os comentários incendiarem.
Depois da live, Pedro me comeu como se não houvesse amanhã.
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Na live de quinta, usei um biquíni. O mais simples que tinha, preto, mas era a primeira vez que aparecia de biquíni na tela. As alças finas seguravam os peitos, a calcinha era pequena, marcando o quadril e o começo da bunda.
Três mil pessoas.
Pedro filmava, a respiração pesada. Depois da live, ele mal me deixou desligar a câmera.
— Assim você vai me matar.
— Hahaha seu bobo, vem pegar sua namoradinha putinha vem.
Transamos muito novamente.
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Na live de sábado, usei um body transparente. Era de renda preta, que mostrava a pele por baixo, os bicos marcando o tecido. A peça era colada no corpo, realçando cada curva.
*nossa como to gostosa* pensei, pela primeira vez na vida gostei de ser mulher, de ser gostosa, de provocar os homens e deixar eles babando por mim.
A live foi um sucesso. Quatro mil pessoas. Os comentários eram um delírio.
*"LENA"*
*"DEUSA"*
*"ESSE BODY"*
*"MOSTRA MAIS"*
Eu me sentia poderosa. Cada movimento era uma provocação, cada olhar para a câmera um convite.
Quando desliguei, Pedro estava ajoelhado no chão.
— O que você tá fazendo seu bobo?
— Te adorando minha Deusa.
Subi na cama, abri as pernas. — Então vem foder sua Deusa meu escravinho.
Ele veio igual um cachorrinho, tava adorando esse meu lado de poder, e dominar o Pedro estava cada vez mais prazeroso.
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Na faculdade, as coisas começaram a mudar.
Eu sempre fui uma aluna dedicada, daquelas que sentavam na frente e prestavam atenção em tudo. Mas agora, minha cabeça vivia longe. Nas aulas de macroeconomia, eu passava o tempo todo pensando na próxima live, nas roupas que ia usar, na reação de Pedro.
Numa tarde, o professor me chamou atenção.
— Helena, você está conosco? Já expliquei esse conteúdo três vezes.
Corri, sem graça. — Desculpa, professor. Estava distraída.
Ele balançou a cabeça, mas não disse mais nada.
Na saída, uma colega comentou:
— Você tá diferente, Lena. Parece que vive no mundo da lua.
— Só cansada. Muito trabalho.
Ela não questionou, mas eu sabia que não era só cansaço.
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No estágio, a situação não era melhor.
Eu passava horas na frente do computador, mas as planilhas se misturavam com pensamentos sobre o anônimo, sobre as roupas, sobre Pedro. Numa tarde, minha supervisora, dona Margarida, veio falar comigo.
— Helena, essa planilha de custos está cheia de erros. Você está bem?
— Tô sim, Margarida. Só um pouco cansada.
— Cuidado, menina. Erros assim podem custar caro.
Assenti, prometendo melhorar. Mas no dia seguinte, cometi outro erro. E outro.
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Na live de segunda, usei um biquíni fio dental. Era vermelho, pequeno, com a calcinha tão fina que mal cobria a bunda. Quando me olhei no espelho, vi as marcas do biquíni na pele, as curvas expostas, com um bundão engolindo a calcinha do binquini e os peitos querendo sair pra fora.
Cinco mil pessoas.
O chat foi à loucura.
*"BIQUÍNI FIO DENTAL"*
*"LENA"*
*"QUE BUNDA"*
*"MEU DEUS"*
Fiz alongamentos de quatro, de lado, de bruços. Cada movimento era um close na bunda, na pele, nas curvas. Eu me sentia uma deusa.
Depois da live, Pedro estava transtornado de tesão.
— Você não tem noção do que faz comigo.
— Tenho sim meu cachorrinho, vem aqui cuidar da tua dona vem.
Ele me comeu a noite toda.
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Na quarta, o anônimo mandou uma foto do rosto. Desfocada, de lado, mas bonito.
*"Pra você parar de imaginar. Agora você sabe que eu existo."*
Meu coração acelerou.
*"É você?"*
*"Sou sim."*
*"Até que é bonitinho mas não da pra ver muito nessa foto desfocada "*
*"Haha fica o mistério"*
Era engraçado, aquela foto mesmo desfocada me parecia familiar.
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Na live de sexta, usei um body ainda mais ousado. Renda transparente, quase nada. Seis mil pessoas.
Os comentários eram um delírio.
*"LENA"*
*"DEUSA"*
*"PUTA PERFEITA"*
Depois, mais uma transa com Pedro. Dessa vez, ele estava diferente. Mais intenso, mais entregue.
— Hoje quero que você seja ele — pedi.
— Ele quem?
— O anônimo do chat, o pauzudo.
— Quer que eu finja ser ele te comendo?
— É. Quero que você me coma como se fosse ele.
— Então vem aqui minha cadela.
Ele entrou no jogo. Me chamou de puta, de vadia. Eu gemia, pedia mais.
— Isso... assim... pauzudo...
— Gosta desse pauzão?
— Amo... adoro...
— Bem melhor que o do teu namorado né?
Fechei os olhos. — Siim, bem... bem melhor.
Pedro gemeu, acelerando.
— Então goza pensando nele. Goza pro pauzudo.
Gozei gritando.
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Na faculdade, mais uma prova. Dessa vez, quase repeti de ano.
Liguei para Fernanda, desesperada.
— Mana, tô perdendo o controle.
— O que houve?
— As lives tão bombando, mas a faculdade tá indo pro brejo. Tirei nota baixa de novo.
— Lena, você precisa equilibrar as coisas.
— Eu sei. Mas é tão bom ser desejada. Tão viciante.
Ela suspirou. — Cuidado, mana. Não se perde.
— Não vou.
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No estágio, fui demitida.
Dona Margarida foi direta:
— Helena, você é uma ótima menina, mas sua cabeça não está aqui. Precisa de um tempo para se encontrar.
Saí de lá com as lágrimas nos olhos, mas também com um alívio. Agora teria mais tempo para as lives. Mais tempo para o anônimo.
Na faculdade, tranquei o semestre.
Falei com Pedro:
— Tranquei a faculdade. Fui demitida.
Ele me abraçou. — Vai dar tudo certo. Agora você pode focar no que realmente importa.
— O que importa?
— Você. Sua felicidade. As lives.
Olhei para ele. — Você não tá bravo?
— Não. Se é o que te faz feliz, tô junto.
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Naquela noite, o anônimo mandou um vídeo.
Era ele se masturbando. O pau enorme, grosso, latejando. Assisti três vezes.
Respondi: *"É muito grande."*
*"Gostou?"*
*"Sim, muito."*
*"Quero ver você."*
*"Me ver como?"*
*"Como quiser. Qualquer foto sua já me deixa feliz."*
Mandei uma foto de lingerie. A mais ousada que tinha.
*"Perfeita."*
*"Agora quero ver você de novo."*
Ele mandou mais um vídeo.
Assisti. Meu corpo queimava.
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Na live de segunda, usei um biquíni minúsculo amarelinho. Sete mil pessoas.
Depois, mensagem dele:
*"Você é a mulher mais linda do mundo. Cada dia mais ousada."*
Respondi: *"Obrigada."*
*"Queria tanto realizar minhas fantasias com você."*
*"O que você faria se estivesse aqui?"*
*"Te comeria a noite toda. Te faria gozar tantas vezes que você perderia a conta."*
*"Só de pensar já gozo."*
*"Isso é tão erótico."*
Mostrei a mensagem pro Pedro. Ele leu, ficou excitado.
— Ele te deixa doida.
— Deixa.
— Então vamos. Vamos fazer de conta.
Naquela noite, a transa foi a mais intensa. Ele me comeu como se fosse o anônimo. Me chamou de puta, de vadia. Eu gemia, pedia mais, imaginava.
Gozei três vezes.
Depois, ele me abraçou.
— Lena.
— Hm?
— Eu to sentindo muito tesão nessa fantasia, mas sei que meu pau não chega aos pés dele.
— Que isso Pedro, seu pau é muito gostoso também.
Ele ficou em silêncio por um momento.
— Já pensou em comprar um vibrador? Um bem grande, do tamanho do pau desse cara?
— Um vibrador?
— É. A gente pode usar junto. Você pode fantasiar que é ele, eu posso te comer com ele. Ajuda na fantasia.
— Pedro...
— Eu quero te ver satisfeita, Lena. Se é isso que você precisa... a gente compra. A gente experimenta.
Olhei para ele, surpresa.
— Você faria isso?
— Faria. Por você.
Beijei ele, um beijo longo, molhado.
— Te amo, cachorrinho.
— Te amo, putinha.
— E vamos comprar sim. Um bem grande.
Ele sorriu. — Então tá combinado.
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Naquela noite, dormi pensando. Será que Pedro tinha razão, eu estava doida por um pau gigante? Acho que ele ta gostando dessa fantasia mais do que eu. Faria tudo por mim. Me comeria de tudo que é jeito. Até com um vibrador gigante, se precisasse. Mas eu nunca ia trair ele de verdade. Era só fantasia.
Só isso.