As primeiras semanas de março foram um exercício de paciência e espionagem. Trancados no quarto de Ana Beatriz, o clima era de um verdadeiro centro de inteligência. Para não levantarmos suspeitas, quando Vitória estava conosco, as reuniões eram em cafés discretos ou praças de alimentação lotadas. Ricardo jamais imaginaria que a "peça" que faltava no seu tabuleiro era a minha namorada.
Abril chegou com chuvas pesadas, mas dentro do apartamento na Tijuca, o clima era de uma trégua que eu nunca imaginei ser possível. O plano, que já durava dois meses, operou um milagre na nossa convivência. As reuniões secretas no quarto da Ana Beatriz deixaram de ser apenas estratégia de guerra para se tornarem momentos de descontração. Nós voltamos a rir juntos, a compartilhar piadas internas e a nos reconhecer como irmãos novamente.
A maior surpresa foi a relação da Vitória com a Ana e a Mariana. O gelo inicial derreteu por completo; elas passaram a admirar a inteligência da Vitória, e logo as três estavam trocando confidências e conselhos sobre Direito, psicologia e vida. Éramos um quarteto unido por um segredo. No entanto, mesmo com esse clima de amizade e o meu amor pela Vitória, era impossível ignorar a eletricidade que ainda pairava no ar. Durante as reuniões, entre mapas de rotas e planilhas, rolavam trocas de olhares discretas com as irmãs e toques de mãos que pareciam acidentais, mas que faziam aquele antigo friozinho na barriga retornar com força. Era uma atração latente que nem a presença da Vitória conseguia apagar por completo.
Enquanto isso, em casa, Ricardo se sentia o senhor do castelo. Humilhava minha mãe com "críticas construtivas" sobre sua aparência e "orientações" agressivas sobre a gestão da imobiliária. Mas a arrogância dele seria sua ruína.
O furo veio na quinta-feira. Vitória, com a discrição de uma sombra, seguiu o carro de Ricardo até um prédio residencial na Tijuca, a poucas quadras da nossa casa. Quando ela enviou a foto no nosso grupo secreto, o impacto foi um soco no estômago.
— "Não pode ser..." — Mariana murmurou, os olhos arregalados para a tela do celular. — "É a Helena. A melhor amiga da mamãe."
A investigação revelou uma sujeira profunda. Ricardo nunca parou de vir ao Rio durante os anos de Curitiba; ele viajava com frequência usando o pretexto de que viria nos visitar, mas nunca sequer nos ligava. Ele passava finais de semana inteiros com Helena — mulher que sempre visitava nossa casa quando éramos crianças — a poucos metros de onde seus filhos cresciam sem pai. Descobrimos que o término com a Inês foi um golpe de sorte: ela descobriu a existência da Helena e o escorraçou. Sem ter para onde ir, ele voltou para a Camila, fingindo ser o bom marido enquanto continuava a manter a amante.
Naquela tarde de abril, estávamos em um café distante quando Ana Beatriz abriu o Dossiê Final e nos deu o golpe de misericórdia. Como advogada, ela cruzou os dados da imobiliária e encontrou o rastro do dinheiro.
— "Ele não é só um traidor, João," — Ana Beatriz disse, a voz gélida enquanto batia com o dedo na tela do notebook. — "Ele é um ladrão. Ele está transferindo comissões da imobiliária direto para a conta da Helena, pagando o aluguel do flat dela com o suor da mamãe."
A euforia foi instantânea ao vermos as provas: fotos dos dois, extratos bancários e logs de conversas de WhatsApp onde ele ria da ingenuidade da minha mãe. Sabíamos que tínhamos o xeque-mate. Vitória queria muito ir conosco para ver a cara de derrota dele, mas precisou ir embora às pressas para um compromisso com a mãe dela. Seguimos para casa em um silêncio carregado de adrenalina. Quando entramos, Ricardo estava na sala, a imagem da arrogância, tomando vinho enquanto Camila folheava alguns documentos da imobiliária.
— "Acabou a farsa, Ricardo," — anunciei, jogando a pasta pesada sobre a mesa de centro.
O confronto foi violento. Ricardo tentou manter o cinismo, mas conforme Ana Beatriz lia os extratos e Mariana mostrava as fotos com a Helena, o ar no apartamento pareceu faltar. O grito que saiu da garganta de Camila quando ela leu as mensagens dele com a própria melhor amiga não foi um choro; foi um urro de ódio puro, um som de algo quebrando por dentro.
— "Com a Helena? Você me roubou para sustentar a Helena dentro da minha própria vizinhança?!" — minha mãe avançou para cima dele, os olhos injetados de fúria. — "Eu te dei a minha vida, e você me tratou como um caixa eletrônico para o seu lixo!"
Ana Beatriz interveio com a voz gélida: — "Estelionato e apropriação indébita. Se você não sair agora com o que tem no corpo, a próxima pessoa que entra aqui é a polícia com um mandado de prisão. Eu não estou brincando, Ricardo."
Humilhado e desmascarado, o banqueiro levantou-se. Ele não pediu perdão. Antes de pegar sua maleta, parou na minha frente e lançou um olhar de ódio que eu nunca esquecerei. — "Você acha que venceu, João Vítor?" — sibilou. — "Esqueça que eu existo. Não me procure nem para um pão. Você não vai ver um centavo meu para essa sua faculdade medíocre. Vocês vão se arrepender amargamente de terem cuspido na mão que os sustenta."
A porta bateu, e o silêncio que se seguiu foi devastador. Camila desabou no chão da sala, um vazio indescritível tomando o lugar da raiva. Nós três nos ajoelhamos ao seu lado, dando o suporte que podíamos, mas o estrago era profundo. Levamos minha mãe para o quarto, tentando confortá-la até que ela finalmente pegasse no sono, exausta de tanto chorar.
Após a mãe dormir, voltamos para a sala. A madrugada já avançava, silenciosa e pesada, carregada apenas pelo som da chuva lá fora. Sentamos os três, exaustos, mas com os nervos ainda vibrando.
— "Ver a mamãe destruída assim, acaba comigo. Maldito Ricardo!" — Mariana disse, quebrando o silêncio enquanto limpava o rastro de uma lágrima no rosto.
Ana Beatriz suspirou fundo, encostando a cabeça no sofá e fechando os olhos por um instante. — “Coitada da minha mãe, mas precisávamos ter feito isso. Precisávamos liberar ela das grades, mostrar a verdade antes que ele sugasse até a última gota de sanidade dela."
— "Verdade, nós a libertamos dele," — respondi, sentindo o peso da responsabilidade sobre os ombros. — "Mas agora ela estará um caco. Ela vai precisar do nosso suporte total pra sair dessa situação. A gente é tudo o que sobrou para ela agora."
Houve uma pausa longa. O olhar de Mariana vagou pela sala até encontrar a garrafa de whisky que o pai havia deixado aberta em cima da mesa de centro. Ela se inclinou, pegou a garrafa e observou o líquido dourado sob a luz fraca do abajur.
— "Bom," — começou Mariana, com um brilho desafiador e perigoso nos olhos. — "Já que o 'Carrasco' foi deposto, nada mais justo do que a gente brindar com as armas dele. Eu não vou conseguir dormir com essa adrenalina toda. A gente merece... por tudo o que a gente passou esses meses."
Ela serviu três copos generosos, sem gelo. O álcool desceu queimando, mas trouxe consigo um relaxamento imediato que as semanas de espionagem não haviam permitido. Com o passar dos minutos e as doses se repetindo, o clima de luto pela mãe começou a se misturar com a euforia da vitória. A cada gole, a figura do "Carrasco" ficava menor, mais insignificante.
— "Ele caiu... o carrasco caiu!" — Mariana riu, uma risada alta que ecoou pela sala silenciosa, enquanto girava o copo vazio. — "A mamãe vai ter paz. A gente vai ter paz."
— "Paz e silêncio," — Ana completou, mas seu rosto murchou ao ver que a garrafa tinha chegado ao fim. — "Acabou. Justo agora que o mundo começou a girar do jeito certo."
— " Mas, não seja por isso," — Ana Beatriz levantou-se com uma elegância ligeiramente prejudicada pelo whisky. — "Eu tenho uma reserva de emergência no meu armário. Uma garrafa que ganhei de um cliente e estava guardando para um caso especial. Acho que derrubar um ditador se qualifica, não?"
— "Olha ela! A nossa Sentinela Alcoólatra," — brinquei, rindo junto com Mariana enquanto nos levantávamos para segui-la.
— "Advogada prevenida vale por duas, João Vítor," — ela rebateu, tropeçando de leve na entrada do quarto, o que nos fez cair na gargalhada.
Nos acomodamos no tapete do quarto da Ana, cercados por travesseiros e a luz baixa do abajur. A segunda garrafa foi aberta com um estalo seco. O tempo começou a se dilatar. A cada dose, a língua ficava mais pesada e a guarda mais baixa. Estávamos completamente bêbados, mas a mente ainda insistia em cutucar as feridas.
— "Você é um idiota, João," — Mariana murmurou, encostando a cabeça no meu ombro, o hálito quente de whisky batendo no meu rosto e uma voz pesada que entregava sua embriaguez. — "Você traiu a gente. Sumiu... foi pra Curitiba, ficou com as duas irmãs escondido e depois ficou com aquela santinha. Você quebrou o nosso pacto."
Ana Beatriz, sentada do outro lado com as costas na cama, apontou o copo para mim, tentando manter uma pose de seriedade que o brilho turvo dos seus olhos traía. — "É errado. Isso tudo é muito errado," — ela disse, a voz arrastada. — "Somos irmãos. A gente devia estar aqui... sei lá... rezando pela mamãe. Não bebendo o sangue do inimigo e falando dessas coisas."
Senti o peso das palavras, mas a embriaguez trouxe uma honestidade brutal. — "Eu sei que eu errei," — confessei, olhando para as duas. — "Mas eu juro... se eu pudesse, se o mundo deixasse... eu ficaria com as duas. Eu amo vocês igualmente. Daria amor incondicional para as duas, sem precisar escolher."
Mariana soltou uma risada debochada, mas seus dedos apertaram meu braço. — "Olha o harém do garoto! É muita audácia."
— "É um absurdo," — Ana completou, rindo junto com a irmã enquanto balançava a cabeça. — "Você é louco, João Vítor."
Mas a risada de Mariana morreu quando ela virou o rosto para mim. O silêncio no quarto mudou. Sem aviso, ela me puxou pela nuca e me beijou. Um beijo voraz, com gosto de whisky e meses de raiva acumulada.
— "Ei! Para com isso!" — Ana Beatriz exclamou, a irritação subindo em sua voz embriagada. — "Na minha frente não! Eu disse que era errado! Vocês são irmãos"
Afastei-me de Mariana devagar, olhando para Ana. Seus lábios estavam entreabertos, a respiração curta. — "Não fica assim, Ana... tem pra você também," — sussurrei, puxando-a para perto.
Beijei Ana com a mesma intensidade. Ela resistiu por meio segundo, resmungando algo sobre moralidade, antes de se entregar e entrelaçar os dedos no meu cabelo.
— "João! Agora eu que não aceito!" — Mariana protestou, empurrando meu ombro, visivelmente brava, mas sem se afastar.
Puxei as duas para o centro, meus braços em volta dos pescoços delas. — "Eu posso dividir... eu posso dar conta das duas. A gente não precisa brigar hoje. Hoje a gente venceu tudo. Por que não podemos vencer isso também?"
A resistência, que já era frágil pelo álcool, desmoronou ali no tapete felpudo do quarto de Ana. Entre reclamações bêbadas e risadas abafadas que tentavam, em vão, manter o decoro, o clima de "proibido" tornou-se o combustível final
Começou de forma caótica e urgente. Eu estava no centro, cercado pela dualidade que sempre me perseguiu. De um lado, Mariana, a loira de olhos cor de mel, com seu corpo monumental e aquelas coxas grossas que mal cabiam no short jeans agora aberto; do outro, Ana Beatriz, a loira de olhos verdes, com sua elegância de advogada desmoronando sob o efeito do whisky, a camisa de seda branca entreaberta revelando os seios fartos e a pele muito clara.
— "A gente... a gente vai pro inferno," — Ana balbuciou, enquanto eu puxava sua camisa pelos ombros. Mas seus atos desmentiam as palavras: ela já ajudava a desequilibrar Mariana para que as duas ficassem deitadas lado a lado.
A embriaguez trazia uma lentidão pesada aos movimentos, mas uma sensibilidade absurda ao toque. Comecei explorando as duas simultaneamente. Minhas mãos alternavam entre as curvas generosas de Mariana e a cintura fina de Ana. Quando me abaixei entre as pernas delas, o cheiro de whisky misturado ao desejo feminino tomou conta do quarto. Eu lambia e chupava as duas com uma voracidade bêbada, ouvindo os gemidos abafados de Mariana enquanto Ana tentava morder o próprio travesseiro para não acordar a nossa mãe no quarto ao lado.
— "João... você é um desgraçado," — Mariana arquejou, puxando meu cabelo enquanto eu me perdia entre suas coxas grossas.
Logo, o jogo inverteu. Elas me queriam por inteiro. Em um tropeço desajeitado que nos fez rir no meio da tensão, elas me colocaram sentado na borda da cama. As duas se ajoelharam à minha frente. Foi uma sinfonia de luxúria: Ana Beatriz usava a língua com a precisão que usava as palavras no tribunal, enquanto Mariana era puro instinto, envolvendo meu membro com as mãos e a boca em uma urgência animal. Eu olhava para baixo e via as duas cabeleiras loiras — uma mais clara, outra num tom quase mel — unidas no mesmo objetivo.
O auge veio com as posições que o álcool nos permitia. Primeiro, coloquei Mariana de quatro no tapete, sentindo o aperto absurdo daquela bunda monumental. Enquanto eu a penetrava com estocadas fundas, Ana se posicionava à minha frente, oferecendo seus seios para que eu os mordesse, suas mãos explorando o corpo da irmã em um toque que nunca tínhamos ousado imaginar.
Depois, o trio se moveu para a cama em um emaranhado de lençóis e membros. Fizemos o "papai-mamãe" com Ana, enquanto Mariana montava no meu rosto, prendendo minha respiração com sua buceta ensopada. O som da carne batendo e os gemidos sibilados eram a trilha sonora da nossa libertação. Eu possuí as duas de todas as formas: de lado, de costas, sentadas sobre mim em um revezamento frenético que me deixava tonto. A cada troca, a preocupação com Camila voltava em flashes, nos fazendo congelar por um segundo antes de explodirmos em risadas baixas e voltarmos ao prazer.
No ápice da exaustão e do suor, eu as puxei para perto. Estávamos os três ofegantes, os corpos brilhando sob a luz do abajur. Com uma última estocada em Mariana enquanto Ana me beijava com língua, eu senti o jato quente subindo. Retirei-me e, com as duas deitadas de costas, gozei fundo sobre o peito delas. O sêmen quente escorria entre o decote de Ana e o abdômen de Mariana, selando aquele pacto de sangue e pecado.
Ficamos ali, jogados entre o tapete e a beirada da cama, o teto girando e o cheiro de suor e whisky impregnando o ar. O silêncio durou apenas o tempo de recuperarmos o fôlego, até que a ficha começou a cair de um jeito torto, regado pelo álcool que ainda corria nas veias.
— "Gente... o que foi que a gente fez?" — Ana Beatriz soltou, a voz saindo num fio arrastado. Ela tentou se sentar, mas acabou tombando para o lado, cobrindo o rosto com as mãos e começando a rir de uma forma histérica, uma risada de quem já perdeu qualquer filtro de realidade.
— "Gente, olha isso... a Ana está muito bêbada, ela não sabe nem onde está!" — Mariana rebateu, embora ela mesma estivesse lutando para manter os olhos abertos, com um sorriso bobo no rosto e o cabelo loiro todo emaranhado.
Eu tentei me levantar, sentindo o quarto balançar. O pânico moral tentou dar as caras, mas a embriaguez o empurrou para baixo. — "Será... será que a mamãe ouviu alguma coisa?" — sussurrei, olhando fixamente para a porta trancada, com a paranoia típica de quem sabe que passou de todos os limites.
Mariana soltou uma risada debochada, empurrando meu ombro com o pé de forma desajeitada. — "Tá querendo comer até nossa mãe agora, seu fdp? É por isso que expulsou o Ricardo?" — ela provocou, rindo da própria piada ácida. — "Quer a república inteira só para você, é?"
Ana Beatriz, ouvindo aquilo, perdeu de vez o controle. Ela deitou de costas no tapete, rindo sem parar, uma gargalhada solta e fora de hora que fazia seus seios balançarem ritmicamente. — "João Vítor... o Dono da República... o imperador das loiras!" — ela balbuciou entre os risos, ignorando completamente o fato de estar seminua e coberta pelo meu sêmen.
Ficamos ali por mais algum tempo, trocando frases desconexas e rindo da própria desgraça, até que o cansaço do álcool finalmente venceu as duas. Elas desabaram em um sono pesado ali mesmo, no quarto da Ana, um emaranhado de pernas e lençóis.
Horas depois, saí do quarto com a cabeça latejando para buscar água, tentando não tropeçar nos meus próprios passos. O apartamento era um mausoléu de mágoas em silêncio, apenas o eco da chuva lá fora. Foi quando ouvi: um choro baixinho, abafado pelo travesseiro, vindo do quarto da minha mãe.
O whisky ainda nublava meu julgamento, transformando a cautela em uma coragem impulsiva. Já amanhecia, e uma luz cinzenta começava a filtrar pelas janelas. Entrei no quarto dela sem bater. Camila estava encolhida, uma mancha branca de seda sobre o lençol, tremendo com a dor da traição. Sem dizer uma palavra, deitei-me atrás dela.
Minha mãe deu um solavanco, um susto físico que a fez prender a respiração. — "João? O que você..."
— "Shiii... eu estou aqui, mãe," — sussurrei, a voz arrastada, mas firme o suficiente para esconder a embriaguez profunda. — "Eu prometi que ia trazer a paz de volta. O Ricardo foi embora. Ele nunca mais vai te machucar."
Apertei-a contra mim, envolvendo sua cintura com força. Ela relaxou aos poucos, o corpo cedendo à necessidade de não estar sozinha naquela cama que agora cheirava a abandono. — "É tão difícil, João... me sinto descartável. Sozinha de novo," — ela murmurou, a voz quebrada.
— "Você nunca vai estar sozinha. Eu não vou deixar," — respondi, enterrando o rosto na nuca dela, onde o cheiro do perfume lutava contra o mormaço da pele suada.
No entanto, o calor do corpo monumental dela sob a camisola fina, o contato das minhas coxas com as dela e o relaxamento do álcool criaram uma reação que eu não pude controlar. Senti meu corpo responder violentamente àquela proximidade; meu pau endureceu contra a bunda dela, uma presença nítida e pulsante sob o tecido leve.
Camila congelou. Eu sabia que ela tinha sentido. O ar no quarto pareceu carregar uma eletricidade estática, perigosa. Eu esperava um empurrão, um grito de indignação, mas o silêncio que se seguiu foi absoluto. Ela não se moveu. Ficou ali, estática, sentindo a prova física do desejo do próprio filho contra seu corpo fragilizado.
O álcool finalmente me puxou para o abismo do sono. Caí no esquecimento ali mesmo, de conchinha com ela, com o pau duro roçando em sua pele, num sono pesado e pecaminoso. Do outro lado, Camila permanecia de olhos abertos na penumbra. O susto inicial deu lugar a uma confusão sensorial profunda. O conforto de ser protegida se misturava a uma excitação proibida e involuntária que começava a formigar em seu próprio ventre. Ela não se afastou. Deixou-se ficar ali, naquela fronteira borrada entre o luto e o desejo, até que a exaustão também a vencesse.
O carrasco finalmente havia sido escorraçado, e a Casa das Três estava livre da sombra dele. Mas enquanto o sol de abril começava a iluminar a sala vazia, o silêncio da casa trazia uma certeza nova: as regras ali dentro haviam mudado para sempre.
O jogo estava apenas começando.
