Eu ainda me lembro do som da fechadura se fechando. O banheiro do centro cirúrgico estava vazio naquela madrugada. A luz branca, impiedosa, desenhava o contorno do corpo dele contra os azulejos frios. Daniel ainda usava o jaleco aberto, as mangas dobradas até os antebraços, como se estivesse pronto para alguma emergência a qualquer momento. A calça branca do uniforme mostrava o contorno de seu pênis que repousava de lado (sempre de lado) semiereto.
Eu deveria ter saído dali. Aliás, nem deveria ter entrado. Porém, quando ele me olhou na recepção e fez sinal com a cabeça, indicando para o seguir, eu simplesmente o fiz. Entrei atrás dele e tranquei a porta.
Ele não disse “doutor”. Disse meu nome — Marco. A palavra me atingiu com uma intimidade indevida. Passei a vida inteira sendo chamado de “chefe”, “professor”, “doutor”. Naquela madrugada, ser apenas Marco me pareceu uma forma perigosa de existir.
O primeiro toque não foi urgente. Foi quase estudado. A mão dele pousou no meu peito como se procurasse um ponto anatômico preciso. Eu, que nunca tremi diante de um cérebro aberto, senti o pulso falhar por causa de um simples contato. Nos beijamos com tanta voracidade que a excitação foi quase instantânea. Ele enfiou a mão dentro da minha calça a procura do meu pau duro e começou a me masturbar, e eu coloquei minha mão dentro da calça dele e apertei sua bunda, tão redonda, tão durinha e sem pelos. Quando ele fez menção de tirar meu pau para fora da calça, eu o impedi e sussurrei em seu ouvido que me esperasse após o plantão, que se encerraria em uma hora.
A traição não começou ali naquele sarro no banheiro do hospital, mas meses antes, quando fiquei excitado não com a beleza de Daniel, mas com sua inteligência e perspicácia.
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Meu nome é Marco Venturini. Tenho quarenta e três anos. Sou chefe da cirurgia em um renomado hospital na capital do meu estado. Sou neurocirurgião, especialista em precisão, em cortes limpos, em decisões irreversíveis. Amo minha profissão, que na verdade vejo como vocação.
Sou loiro, de cabelos médios, corpo definido sem exageros, fruto mais de disciplina do que de vaidade. Ombros largos, braços fortes, postura reta — o tipo de homem que entra em uma sala e sabe que será observado.
Aprendi cedo a sustentar olhares. Sempre fui desejado tanto por mulheres quanto por homens: enfermeiros, médicos, pacientes agradecidos... Recebo os olhares com uma modéstia ensaiada, como se não soubesse o efeito que provoco. Gosto de ser admirado. Gosto de ser desejado.
Era casado até pouco tempo, mas minha fidelidade sempre foi uma narrativa conveniente. Fora do hospital, em outras cidades onde fui para operar, participar de congressos ou fazer coisas relacionadas ao trabalho, tive outros homens e mulheres. Encontros discretos, nem sempre planejados, mas seguros. Nada que ameaçasse minha reputação. Nada que ultrapassasse o limite da superfície, era apenas para sexo casual, saciar o tesão repentino. Eu nunca me apaixonei por nenhuma dessas pessoas...
Até conhecer Daniel.
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Isabel, minha ex-esposa, é diretora executiva de uma grande marca de cosméticos. Ela é uma linda mulher negra, alta, elegante, inteligentíssima, super respeitada. É o tipo de mulher que entra em qualquer ambiente com a serenidade de quem domina o ambiente. Ela tem o corpo em forma, resultado de exercícios físicos e dietas controladas. Tem seios fartos sem exagero, bunda grande e durinha e um belo par de coxas torneadas.
Estávamos casados há cinco anos. Ela foi meu quarto casamento. Com Isabel, tudo era estável. Conversas maduras. Viagens programadas. Jantares silenciosamente confortáveis. Apesar da seriedade, na cama, ela parecia outra pessoa: insaciável; te deixa sem fôlego e com as pernas bambas, principalmente no oral ou quando cavalga.
Ela nunca invadiu meu território profissional, nunca exigiu explicações desnecessárias. Raramente tivemos alguma discussão. Nosso amor era organizado, prático e seguro. Ela confiava em mim com a tranquilidade de quem acredita ter escolhido um homem sólido. Talvez eu fosse sólido demais.
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Conheci Daniel no início do ano letivo dos residentes. Vinte e quatro anos, ruivo de olhos azuis quase translúcidos e lábios vermelhos como que desenhados com cuidado. Corpo sarado, braços fortes, pernas grossas e um traseiro lindo que era motivo de conversas das enfermeiras pelos corredores do hospital; postura confiante e uma beleza que não pedia permissão, simplesmente se destaca.
Mas não foi isso que me chamou atenção em Daniel, foi a inteligência e perspicácia. Na primeira vez que observou uma cirurgia que eu realizei, dois meses depois de ter entrado no hospital, ele antecipou uma decisão antes mesmo de eu verbalizá-la. Fez comentários que nenhum de seus colegas residentes ali na sala foi capaz de formular. Ao falar, ele me encarou, não com desafio, mas com uma certa autoridade de quem sabia o que estava falando. Mesmo usando máscara, sorri para ele ao elogiar sua observação. Continuei a falar com eles, fazendo perguntas ou mostrando o procedimento, mas Daniel sempre tinha as melhores respostas. Fiquei excitado até o final daquela operação.
Desde aquele dia, passei a observá-lo. Estava sempre atento às minhas palavras, às minhas perguntas, aos meus movimentos enquanto eu operava. Ele passou a ficar depois do plantão, observar minhas mãos na sala cirúrgica como quem estuda um idioma raro, fazer perguntas que ultrapassavam o necessário. E foi se aproximando cada dia mais quando percebeu meu interesse por ele por causa de sua inteligência.
E quando o olhar dele passou a demorar meio segundo a mais sobre mim, eu entendi que ele sabia sobre mim, sobre meus gostos, sobre meus desvios discretos. A fofoca hospitalar é um organismo vivo.
Eu percebi isso... e esperei até que aconteceu naquele plantão.
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O beijo no banheiro não foi acidente, foi consequência de meses sendo provocado e instigado sutilmente. Além de me conquistar com suas observações sempre pertinentes e às vezes brilhantes, Daniel me provocou com seus olhares cheios de luxúria e com sua “mala” entre as pernas e o traseiro empinado. Ele usava um jaleco longo até os joelhos, mas quando estava perto de mim, ele o abria para mostrar o contorno do seu pênis colocado propositalmente de lado. Às vezes, ele pegava no membro como é normal de todo homem, ou talvez fosse provocação pura... Outras vezes, ele se virava de costas para que eu visse seu traseiro. Eu olhava e ele virava a cabeça para trás e nossos olhares se encontravam. Foram precisamente seis meses de tesão acumulado.
Naquela madrugada, após nosso beijo no banheiro e terminado o plantão, levei-o ao meu apartamento. Isabel estava viajando, já estava há duas semanas fora. A casa parecia ampla demais, silenciosa demais.
Eu tomei um banho rápido. Ele já havia se banhado no hospital. Saí do banho enrolado em uma toalha apenas. Daniel caminhava pela sala como se já tivesse decidido que pertencia ali. Tocou nos livros, analisou as fotografias, sentou-se no sofá onde Isabel costumava ler e onde adorava fazer sexo comigo, e me chamou.
Me aproximei e nos beijamos novamente, senti algo que não sentia há anos: vertigem. Eu me apaixonei naquela noite. Não apenas pelo corpo dele — embora fosse extremamente atraente —, mas pela coragem, pela ambição declarada, e pela forma como ele me fazia sentir promessa outra vez.
Ele puxou minha toalha — meu pau ereto balançou no ar — e me jogou no sofá. Então se ajoelhou e agarrou meu pau e me fez um boquete que há muito tempo ninguém fazia, nem mesmo Isabel que também era muito boa nisso. Meus 19 cm sumiam em sua boca e ele nem engasgava, apenas babava muito. Enquanto isso, suas mãos macias massageavam minhas bolas e minhas coxas.
Em seguida, Daniel se despiu também, e eu parei olhando para seu corpo nu pela primeira vez. Admirando-o de cima a baixo, eu me perdi em sua beleza e nos seus músculos. Quando se virou de costas, eu o puxei para mim e mordisquei sua bunda branca e lisinha, para então afundar minha língua em seu cuzinho cor-de-rosa. Daniel se contorcia e gemia sem pudor, sem vergonha, mas sem ser vulgar. Eu o coloquei de quatro no sofá e continuei a explorar seu cuzinho com minha língua preparando-o para o penetrar. Em seguida, chupei o pau dele até que ele quase gozou na minha boca. O pau dele é uma delícia: tem 18 cm, não muito grosso, reto mas aponta para o alto, a glande bem rosinha e o saco pequeno. Ele costumava raspar os pelos do corpo, diferente de mim que apenas os aparo.
Coloquei a camisinha que Daniel me entregou e lambuzei seu cu de gel. Penetrei-o de costas, ele de joelhos no sofá; a penetração não foi difícil, meu pau praticamente deslizou para dentro dele. Abracei-o e comecei com estocadas fortes e rápidas, como ele mesmo pediu. Depois, ele quis cavalgar sobre mim, e enquanto ele rebolava em meu pau, eu o masturbei até que ele chegou perto de gozar várias vezes. Finalmente, sem tirar meu pau de dentro dele, eu me levantei com ele e o coloquei deitado de costas no sofá. Soquei forte nele, olhando em seus olhos até que ele começou a gozar sem se tocar. Passei minha mão em seu pau e lambi sua porra em meus dedos. Quando senti que meu orgasmo estava chegando, eu o beijei até gozar. Deitei sobre o corpo dele. Ambos estávamos ofegantes e muito suados.
Dormimos juntos naquela noite, e transamos novamente ao amanhecer, antes de irmos para o hospital.
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O relacionamento cresceu rápido e intenso. Meio irregular. Comecei a favorecê-lo no hospital discretamente. Cirurgias mais complexas, indicações estratégicas, conversas reservadas. Convencia-me de que era mérito. Talvez fosse. Mas também era amor. Um amor que crescia como febre. Além disso, eu também precisava tê-lo por perto.
Eu esperava as mensagens dele com uma ansiedade adolescente. Observava o celular em reuniões. Inventava plantões extras para encontrá-lo. Minha vida, antes organizada em horários e protocolos, passou a girar ao redor da presença dele.
Isabel percebeu que eu estava distante. Não desconfiava. Apenas notava. E isso tornava tudo mais cruel.
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Um ano depois, o olhar de Daniel mudou. Não foi abrupto, foi como um sintoma inicial que só um médico atento e experiente perceberia. Mas então, ele já não me procurava com a mesma urgência. Já não ficava depois do plantão. As mensagens tornaram-se mais breves e secas. Descobri por acaso — ou destino — que ele estava envolvido com o chefe do hospital.
Não houve escândalo. Houve silêncio. Quando o confrontei, ele não negou.
— Eu preciso crescer. — Disse com a mesma serenidade com que discutia um protocolo cirúrgico.
— Mas e nós? Eu te amo, Dani! — Respondi.
Ele não disse que me amava. Disse que me admirava. A diferença é brutal.
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Ainda assim, eu o procurei várias vezes, na tentativa angustiante de manter o relacionamento. Um dia, quando estávamos em um bar após um congresso em outro estado, ele cedeu mais uma vez. Não me dando esperança, mas como despedida. Era um bar tranquilo, elegante, com pouca luz. Ficamos à vontade... até demais. Em seguida, fomos para o hotel e tivemos nossa última transa. Foi intensa, marcante, daquelas que te deixam realmente relaxado depois.
Quando voltei para casa, Isabel me esperava sentada à mesa. Havia fotos alinhadas diante dela, como exames conclusivos de um diagnóstico. Alguém tirou fotos de nós dois aos beijos no canto do bar. Até hoje não sei quem era. Só sei que conhecia Isabel. As fotos chegaram até ela antes que eu pudesse construir qualquer versão.
— Marco, você sabia, desde o início, que não tolero traição. – Foi a única coisa que ela disse.
Eu não formulei desculpas, eram inúteis... as fotos eram claras demais, capturaram a intensidade da nossa paixão naquele beijo.
Não houve escândalo, mas houve término amigável e civilizado.
Isabel é uma mulher admirável, sempre decidida e segura do que quer e do que não quer.
E houve também lágrimas de ambas as partes... muitas lágrimas.
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Depois da nossa última vez, Daniel também estava decidido a seguir em frente. Ao contar para ele o que houve, ele simplesmente deu de ombros. Voltou a me chamar de “doutor Venturini” e a me tratar como seu superior apenas. Meses depois pediu transferência para outro hospital, por indicação do chefe. Tempos depois, tornou-se cirurgião cardiovascular, e começou relacionamento com o chefe daquele hospital.
Três anos se passaram. Eu continuo chefe da cirurgia, continuo admirado, continuo sendo chamado de doutor. Mas às vezes, quando o hospital silencia depois do plantão, lembro da forma como ele disse meu nome naquela madrugada: Marco. Sem cargo, sem título, sem armadura.
Eu o amei. Amei de um jeito que me tornou dependente. No fundo eu sabia que ele era ambicioso. Sabia que eu era uma etapa. E permaneci. Aprendi a viver com essa ausência como se vive com uma dor crônica. Não incapacita, não mata, mas nunca desaparece.
Alguns homens perdem reputação. Outros perdem família. Eu perdi o único momento em que me senti verdadeiramente vivo.
E sigo funcionando...
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