Capítulo 19: O Homem da Casa

Um conto erótico de João Vitor
Categoria: Heterossexual
Contém 3680 palavras
Data: 25/02/2026 11:48:36

Acordei com a luz do sol de abril castigando meus olhos, atravessando as frestas da cortina com uma agressividade que fazia minha cabeça latejar. O relógio na parede marcava meio-dia. Tentei me mexer, mas meu corpo pesava uma tonelada. O lençol sob mim era de um cetim macio, mas o cheiro... o cheiro não era o do meu quarto. Era uma mistura de lavanda e aquele perfume suave que minha mãe usava há anos.

Olhei para o lado. O lugar dela estava vazio, mas o travesseiro ainda carregava o afundamento da sua cabeça. Foi então que as imagens da madrugada começaram a disparar na minha mente como flashes de um acidente. O whisky descendo queimando... a risada histérica da Ana Beatriz no chão... o corpo quente da Mariana se fundindo ao meu... o trio.

— "Meu Deus... aquilo foi real?" — murmurei, sentindo um calafrio percorrer minha espinha. A lembrança do prazer visceral com as minhas irmãs era tão nítida que eu ainda conseguia sentir o aperto daquelas coxas loiras.

Mas a pergunta seguinte foi o soco final: o que eu estava fazendo na cama da minha mãe?

Fechei os olhos com força e a memória voltou, turva pela embriaguez, mas dolorosamente física. Eu saindo do quarto da Ana, encontrando Camila chorando no escuro, deitando atrás dela... e a reação incontrolável do meu corpo. O constrangimento me atingiu em cheio. Eu tinha passado a noite "encoxando" minha mãe com uma ereção movida pelo sexo que acabara de ter com as filhas dela.

Levantei-me cambaleando, a boca seca como o Saara. Caminhei pelo corredor em silêncio absoluto. Ao passar pelo quarto da Ana, a porta estava entreaberta: as duas estavam apagadas, um emaranhado de lençóis e cabelos loiros, mergulhadas em uma ressaca que parecia um coma.

Segui para a cozinha. Camila estava de costas, mexendo algo no fogão. Ela usava um pijama de seda azul-marinho, curto o suficiente para revelar o início daquelas pernas torneadas que o pilates esculpiu com perfeição. Mesmo sob a luz crua do dia, o corpo monumental da minha mãe era uma afronta aos sentidos; a bunda firme desenhava o tecido a cada movimento que ela fazia com o braço.

— "Mãe?" — minha voz saiu rouca, quase um sussurro.

Ela se virou devagar. O choque visual me parou. O rosto dela estava abatido, os olhos azuis que sempre brilhavam agora estavam opacos e inchados de tanto chorar. Ela parecia ter envelhecido cinco anos em uma única noite.

— "Acordou, João..." — ela disse, a voz sem vida. Ela nem sequer mencionou o fato de termos dormido juntos, mas o jeito que ela desviou o olhar me disse que ela não tinha esquecido um milímetro daquela pressão nas suas costas.

— "As meninas ainda estão dormindo?" — perguntei, tentando quebrar o gelo.

"Estão. E eu gostaria de saber por que o seu quarto está trancado e elas estão jogadas no quarto da Ana como se tivessem sido atropeladas," — ela me encarou, e seus olhos caíram sobre a mesa de centro da sala, onde a garrafa de whisky vazia do Ricardo brilhava sob o sol. — "E eu gostaria de saber desde quando vocês acham que a saída do pai de vocês é motivo para festa."

— "Mãe, não é isso..."

— "Não é o quê, João Vítor?" — ela explodiu, a voz embargada novamente, as mãos trêmulas segurando o pano de prato. — "Eu estou aqui, com a minha vida em pedaços, descobri que minha melhor amiga me traía há anos, e meus filhos se trancam para beber e rir como se nada estivesse acontecendo? Vocês estavam celebrando em cima do meu sofrimento? É isso que eu significo para vocês agora que o Ricardo foi embora?"

Aproximei-me dela, ignorando a dor de cabeça. Segurei seus ombros, sentindo a fragilidade daquela mulher que sempre foi o meu pilar.

— "Escuta o que eu vou te dizer. Ninguém fez festa. A gente bebeu porque não sabia como lidar com o ódio que estava sentindo por aquele homem," — olhei fixamente nos olhos dela. — "Tudo o que a gente fez nos últimos meses, cada reunião secreta, cada briga, foi para livrar você dele. A gente não aguenta mais ver você ser humilhada, mãe. A gente te ama. O que aconteceu ontem não foi uma comemoração... foi um desabafo. A gente só queria que você fosse feliz de novo."

O lábio dela tremeu. A fúria desmoronou em segundos, dando lugar à carência que eu já conhecia. Ela desabou no meu peito, soluçando alto desta vez, escondendo o rosto no meu pescoço. Eu a abracei com força, sentindo o calor da pele dela através da seda do pijama, o perfume de lavanda me inundando. Naquele abraço, o papel de filho começou a se misturar, de novo, com o papel de único homem da casa.

— "Dói tanto, João... dói saber que eu vivi uma mentira por anos, que abri minha porta para quem me apunhalava pelas costas," — ela lamentava, o corpo trêmulo contra o meu. — "Como eu fui tão cega?"

— "Não se culpe, mãe. A culpa é toda dele. Mas acabou, entende? O carrasco não mora mais aqui," — respondi, apertando-a um pouco mais, tentando transmitir uma segurança que eu mesmo ainda buscava. — "Eu estou aqui para você. Nós três estamos."

Camila levantou o rosto, os olhos marejados fixos nos meus, revelando o seu maior pavor. — "O que mais me apavora, João... é ver vocês três assim. Ontem foi um caos, gritos, essa bebedeira agora... Eu tenho medo que esse ódio pelo pai de vocês acabe separando vocês também. Eu não suportaria ficar sozinha de novo, ver meus filhos se matando e cada um indo para um lado. Se vocês brigarem e essa casa esvaziar, eu juro que eu não aguento."

Segurei o rosto dela com as duas mãos, olhando no fundo do azul dos seus olhos, assumindo uma autoridade que a acalmou instantaneamente. — "Olha para mim. Isso não vai acontecer. Eu te dou a minha palavra que as brigas acabaram. A gente vai ser uma família de verdade agora, mais unidos do que nunca. Eu vou cuidar da Ana e da Mariana, e nós vamos cuidar de você. Ninguém vai te deixar sozinha, mãe. Nunca mais."

Ela respirou fundo, parecendo acreditar naquela promessa que eu acabara de fazer. Aos poucos, Camila foi se recompondo, limpando as lágrimas com o dorso da mão. O relógio da cozinha marcou: 13:00.

— "Bom... a vida não para, e vocês precisam comer," — ela disse, tentando forçar uma voz mais firme. — "Vá acordar suas irmãs, João. Elas precisam levantar, tomar um banho e vir almoçar. Quero o dia de hoje focado na gente. Preciso dos meus filhos perto de mim."

Assenti e segui pelo corredor. Se o clima com a minha mãe era de melancolia, o que me esperava no quarto da Ana era o puro caos da ressaca. Abri a porta devagar e a cena era digna de um filme de pós-guerra. Ana Beatriz estava atravessada na cama, com um pé para fora do lençol e o cabelo loiro parecendo um ninho. Mariana estava jogada por cima dela, abraçada a um travesseiro, roncando baixinho.

— "Ei... belas adormecidas. Hora de acordar," — anunciei, dando duas batidas na madeira da porta.

O efeito foi instantâneo. Ana Beatriz deu um solavanco, sentando-se na cama com os olhos esbugalhados, enquanto Mariana rolava para o lado, quase caindo no chão.

— "Ai, minha cabeça... que barulho é esse?" — Mariana resmungou, cobrindo os olhos com as mãos.

— "João?" — Ana Beatriz piscou várias vezes, tentando focar a visão. Ela olhou para a própria roupa desalinhada, depois para Mariana seminua ao seu lado, e o choque da memória começou a atingi-la. — "Espera... o que... o que aconteceu ontem à noite?"

— "O que aconteceu é que vocês beberam como se não houvesse amanhã," — respondi, tentando disfarçar o sorriso de canto. Eu estava constrangido, sim, mas a lembrança do trio ainda fazia meu sangue correr mais rápido.

Mariana finalmente sentou, o rímel borrado dando a ela um ar de ressaca épica. Ela olhou para Ana, depois para mim, e uma cor avermelhada subiu pelo seu pescoço. — "Deus... a gente... João, você não fez o que eu estou pensando que fez, fez?"

— "Nós fizemos, Mari," — eu disse, cruzando os braços no batente da porta.

O silêncio que se seguiu foi o ápice do constrangimento. Ana Beatriz enterrou o rosto nas mãos, soltando um gemido de pura agonia moral. — "Isso é impossível... nós não podemos... isso é errado, isso é imoral, é sem ética" — Ana Beatriz balbuciou, visivelmente entrando em curto-circuito. — "A gente estava bêbada, João! Isso não conta! Foi o álcool!"

— "Ah, para com isso, Ana," — Mariana rebateu, recuperando um pouco da sua acidez apesar da dor de cabeça. — "Você não estava tão preocupada com o Código de Ética quando estava gritando no ouvido dele."

— "CALA A BOCA, MARIANA!" — Ana gritou, jogando um travesseiro na irmã.

— "CHEGA!" — Intervi, com um tom de voz que as calou na hora. — "Escutem bem. A gente vai ter tempo para conversar sobre isso em outro momento. Agora, o assunto é a mamãe. Ela está na cozinha, está destruída, com o rosto inchado e morrendo de medo da gente se separar por causa dessas brigas de vocês. Levantem, tomem um banho, tirem essa cara de ressaca e ajam como seres humanos normais. O dia hoje é dela e eu não vou admitir nenhuma patada entre vocês na mesa. Entenderam?"

As duas me olharam com uma mistura de submissão e surpresa. Pela primeira vez, eu não era o caçula levando bronca; eu era quem ditava o ritmo da casa. Ana apenas assentiu silenciosamente, e Mariana me lançou um olhar que dizia que, apesar do choque, ela ainda era minha.

Saí do quarto e voltei para a sala. Era um domingo chuvoso de abril, e enquanto o cheiro do almoço começava a se espalhar, eu sabia que a trégua na Casa das Três estava selada, mas o preço dessa paz seria pago com segredos que apenas nós três carregávamos.

A promessa selou uma trégua sagrada naquela manhã. O almoço foi silencioso, mas não era o silêncio de guerra de antes; era um silêncio de reconstrução. As meninas apareceram na cozinha, ainda cambaleando pela ressaca, mas a autoridade que impus no quarto surtiu efeito. Passamos o domingo os quatro na sala, mergulhados em filmes e conversas banais, tentando blindar minha mãe do vazio que o Ricardo deixou. À noite, elas decidiram fazer uma "noite das garotas" no quarto da Ana, um movimento de apoio à Camila que me permitiu, finalmente, dormir no meu próprio quarto, processando o turbilhão que minha vida havia se tornado.

A segunda-feira trouxe o choque da realidade. A rotina não esperava pelo luto. Camila e Ana saíram para o trabalho, Mariana para a PUC e eu para a minha faculdade. No entanto, enquanto eu cruzava o campus, uma sombra nova me perseguia: a financeira. Ricardo, apesar de todo o sadismo, era quem mantinha meus custos. Sem a "ajuda" dele, eu estava no zero. Passagens, livros, almoços e até os encontros com a Vitória agora dependiam de um dinheiro que eu não tinha.

Os dias seguintes foram um exercício de equilibrismo. Minha mente era um campo de batalha: de um lado, os flashes do trio com minhas irmãs — as piadas ácidas que Mariana sussurrava no corredor e o jeito que Ana Beatriz desviava o olhar com o rosto queimando de vergonha. Do outro, o namoro com a Vitória, que era meu único respiro de normalidade. Mas, acima de tudo, havia a preocupação com a minha mãe.

Naquela quinta-feira, cheguei em casa mais cedo e a encontrei na mesa de jantar, cercada por pilhas de documentos e com o rosto escondido entre as mãos. A imobiliária era um caos. Ricardo não apenas a traíra; ele havia drenado a organização do negócio, deixando contratos vencidos, comissões atrasadas e uma desordem administrativa que Camila, no seu estado emocional, não conseguia resolver.

— "Não vou dar conta, João..." — ela soluçou, sem levantar a cabeça. — "Ele destruiu tudo. Até o meu trabalho."

Aproximei-me, vendo a fragilidade daquela mulher imponente. Uma ideia começou a ganhar forma. Eu precisava de dinheiro e ela precisava de ordem. Como estudante de Direito, eu já tinha uma noção de contratos e prazos que poderia ser útil.

— "Mãe, para de chorar. Me escuta," — disse, sentando ao lado dela e puxando uma pasta de documentos. — "Eu vou te ajudar com isso. Eu assumo a parte burocrática, organizo as contas e ajudo você com os fechamentos de contratos."

— "Mas e a sua faculdade, meu filho? Você não pode largar os estudos."

— "Eu não vou largar. Minhas aulas são pela manhã e começo da tarde. Eu posso usar o final do dia e parte da noite para organizar a imobiliária aqui de casa mesmo, ou ir ao escritório contigo nos intervalos. Em troca, você me paga uma ajuda de custo, como se fosse um estágio. É melhor o dinheiro ficar na família do que nas mãos de um estranho, não acha?"

Camila me olhou, e pela primeira vez em dias, vi um brilho de esperança atravessar a névoa de tristeza. Ela segurou minha mão com força. — "Você faria isso por mim?"

— "Eu faço tudo por você, mãe."

Dali em diante, nossa dinâmica mudou. João Vítor, o caçula rebelde, tornou-se o braço direito de Camila. Eu era uma "mão na roda": organizava o fluxo de caixa, revisava as cláusulas abusivas que o Ricardo tentou infiltrar nos papéis e dava o suporte que ela precisava para voltar a ter voz diante dos clientes.

As coisas na imobiliária começaram a melhorar rápido sob meu comando silencioso, e a gratidão de Camila se transformou em uma proximidade grandiosa. Passávamos horas da noite debruçados sobre a mesma mesa. No entanto, o elefante branco na sala era o que havia acontecido entre eu, Ana e Mariana naquela madrugada de whisky.

A oportunidade de "limpar a área" surgiu em uma noite de quarta-feira. Minha mãe tinha ido dormir cedo, exausta, e eu chamei as duas para o meu quarto. O clima era de funeral. Ana Beatriz sentou-se na ponta da cama com a postura rígida de quem estava prestes a ler uma sentença de morte, e Mariana ficou encostada na mesa de estudos, de braços cruzados.

— "Isso nunca mais vai acontecer, João Vítor," — Ana disparou, a voz gélida. — "Foi um erro grotesco. Estávamos bêbados, comemorando a queda do Ricardo, e perdemos o juízo. Eu sou advogada, eu tenho uma conduta a zelar. O que fizemos é uma aberração."

— "Fora que você namora a Vitória," — Mariana completou, embora o tom dela fosse menos de julgamento e mais de mágoa. — "A gente se aproximou dela, João. Ela é incrível, é super legal. Como a gente olha para a cara dela depois disso? Não dá."

Eu respirei fundo, sentindo o peso daquelas palavras. Olhei para as duas, deixando de lado qualquer máscara.

— "Vocês têm razão. É loucura. É errado sob qualquer lei ou religião," — comecei, aproximando-me delas. — "Mas eu não consigo mais mentir para mim mesmo. Eu tentei enterrar o que eu sinto por vocês, tentei fingir que só a Vitória era o suficiente... mas a verdade é que eu amo vocês duas. Igualmente. De jeitos diferentes, mas com a mesma intensidade."

— "João, para..." — Ana sussurrou, desviando o olhar. — "Isso que você está dizendo... é doentio. Você fala de amor como se estivéssemos decidindo o que jantar, e não destruindo qualquer rastro de moralidade que sobrou nessa família."

"Eu não estou decidindo nada, Ana. Eu estou apenas parando de lutar contra o que já existe. Não pode ser pecado amar as pessoas que estiveram comigo no pior momento da minha vida," — continuei, pegando na mão da Mariana. — "Mari, você é o meu fogo, a minha adrenalina. E Ana..." — olhei para a mais velha — "você é o meu porto seguro, a mulher que me fez homem. Por que a gente tem que escolher um lado? Por que não podemos ser o suporte um do outro, em segredo, enquanto o mundo lá fora não precisa saber de nada?".

— "E a Vitória?" — ela rebateu rápido, a voz falhando, mas os olhos verdes cravados nos meus. — "Você diz que nos ama, mas olha para ela com uma pureza que nunca vai ter com a gente. Você ama a Vitória, João? Responde!"

Respirei fundo, sentindo o ar pesado do quarto. A honestidade era minha única saída. — "Amo. Amo a Vitória tanto quanto amo vocês. Eu sei que parece loucura, que soa como a maior canalhice do mundo, mas eu não controlo isso. Meu coração virou um labirinto, Ana. Quando estou com ela, sinto paz. Mas quando estou aqui, entre vocês duas... eu sinto que estou vivo de verdade. Eu não consigo escolher, porque perder qualquer uma de vocês seria como perder um pedaço de mim."

— "Você é um egoísta, João Vítor," — Mariana soltou, mas a agressividade na voz dela tinha dado lugar a uma resignação triste. Ela se aproximou, parando ao lado da Ana. — "Você quer o mundo inteiro no seu quintal. Quer a namorada perfeita para a sociedade e as irmãs para os seus pecados de madrugada."

Houve um silêncio mortal. Mariana olhou para Ana, e depois para mim. Ela soltou um suspiro longo, como se estivesse jogando a última toalha. — "Eu odeio o que você está fazendo com a minha cabeça. Mas a ideia de te ver saindo por aquela porta de novo, de ver você se afastando e me tratando como uma estranha... é pior do que o peso desse segredo. Se é para ser assim, que seja. Eu aceito. Eu divido você com a Ana. A gente mantém isso aqui dentro, em segredo absoluto, e você continua seu teatro com a Vitória lá fora. Se ela não souber e a mamãe não souber, o mundo continua girando."

Ana levantou-se num salto, horrorizada. — "Mariana! Você enlouqueceu? Você está assinando um pacto com o inferno!"

Mariana segurou os ombros da irmã mais velha, forçando-a a encará-la. — "Ana, para de mentir! Olha para ele. Você vai conseguir olhar para o João amanhã e fingir que não quer sentir o toque dele de novo? Você vai conseguir ser a 'advogada perfeita' enquanto morre de ciúmes toda vez que ele sair com a Vitória? Eu sei que você o ama. Eu senti o jeito que você se entregou naquela noite. Não me deixa sozinha nessa... vamos cuidar uma da outra. Vamos manter o que é nosso."

Ana Beatriz tremeu. As lágrimas, que ela tentava conter com tanto rigor jurídico, finalmente transbordaram. Ela olhou para Mariana, depois para mim. O conflito entre a conduta e o desejo estava estraçalhando a sentinela.

— "Eu... eu não vou me perdoar por isso," — Ana balbuciou, a voz quebrada. — "Mas eu não consigo mais lutar sozinha contra vocês dois. Eu amo você, João... odeio admitir, mas eu amo."

Puxei as duas para o centro do quarto, selando o triângulo com um abraço apertado. Nossas respirações se misturavam no silêncio cúmplice. Começamos a trocar amassos rápidos, beijos que queimavam com a urgência de quem agora tinha a liberdade do segredo. Minhas mãos alternavam entre a cintura firme de Ana e as curvas fartas de Mariana, mas o clima foi interrompido pelo som de passos no corredor e o barulho da descarga no banheiro da minha mãe.

— "É melhor pararmos por aqui agora," — sussurrei, afastando-me com relutância. — "Não podemos arriscar tudo hoje. Sábado... sábado eu levo vocês a um motel bem afastado, onde ninguém nos conheça. Lá, vamos selar esse nosso pacto sem pressa e sem medo."

As duas assentiram, ainda ofegantes. Mariana me deu um último selinho possessivo e Ana, com um olhar de rendição doce, tocou meu rosto antes de saírem silenciosamente para seus próprios quartos.

O restante da semana passou como um borrão de produtividade e desejo contido. Eu me tornei o filho de ouro. Enquanto as irmãs mantinham a fachada de "união familiar" para alegrar a Camila, eu mergulhava fundo nos arquivos da imobiliária. O dinheiro que comecei a ganhar não era apenas para minhas despesas; era o símbolo da minha ascensão como o novo pilar daquela casa.

Na sexta-feira à noite, o apartamento estava vazio. Ana e Mari haviam saído para aliviar a tensão da semana, e eu estava no escritório da imobiliária, debruçado sobre uma papelada complexa com a minha mãe.

O mormaço do Rio persistia, e Camila estava deslumbrante em sua versão profissional. Ela usava uma saia lápis preta, extremamente justa, que subia generosamente pelas suas coxas sempre que ela cruzava as pernas. A camisa de seda branca, entreaberta por causa do calor, revelava o início do busto farto e a pele clara que parecia brilhar sob a luz do abajur. O perfume de lavanda e jasmim que emanava dela, misturado ao cheiro de papel antigo e café, era uma armadilha sensorial.

— "João... olhe este contrato. O Ricardo desviou comissões de três vendas grandes só no mês passado," — ela disse, aproximando-se da minha cadeira.

Ao se inclinar para apontar o erro no papel, o corpo monumental dela pressionou levemente o meu ombro. Eu conseguia ver cada detalhe: os cabelos loiros ondulados caindo sobre o pescoço suado, as curvas da sua bunda firme desenhadas pela saia, e o olhar azul, agora focado, mas carregado de uma fragilidade que pedia socorro.

— "Eu não sei o que seria de mim sem você aqui, meu filho," — ela sussurrou, virando o rosto para me encarar.

Nossos rostos ficaram a centímetros de distância. A gratidão nos olhos dela se transformou, em frações de segundo, em algo muito mais denso e sombrio. A atração era mútua, elétrica, uma força da natureza que ignorava qualquer laço de sangue. O ar pareceu faltar entre nós dois. Eu via o peito dela subir e descer acelerado, os lábios entreabertos esperando por algo que a moral proibia, mas o corpo implorava.

Não houve tempo para pensar em leis ou pecados. Segurei o rosto dela com as duas mãos e selei um beijo profundo e faminto. Camila estremeceu, mas não recuou; pelo contrário, suas mãos encontraram meu peito, agarrando minha camisa com uma urgência desesperada. Naquele escritório, cercado pelas ruínas deixadas pelo carrasco, a última barreira da Casa das Três acabava de ser derrubada.

O jogo não estava apenas começando. Ele já era meu.

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