O OUTRO "EU" MAIS VELHO DELE QUE PASSOU A MORAR DENTRO DO PRÓPRIO CU

Um conto erótico de Rico Belmontã
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 2410 palavras
Data: 03/02/2026 06:58:21

Rafael acordava todas as manhãs com o corpo dolorido, como se tivesse passado a noite inteira em uma orgia selvagem que ele não se lembrava de ter participado. Aos 32 anos, solteiro e vivendo sozinho em um apartamento apertado no centro de Salvador, ele atribuía isso inicialmente ao estresse do trabalho como designer gráfico – noites mal dormidas, masturbações apressadas antes de dormir, talvez um sonho erótico que escapava da memória. Mas as evidências começaram a se acumular, inegáveis e perturbadoras.

Na primeira vez, foi só uma marca vermelha no pescoço, como se alguém o tivesse chupado com empolgação exagerada, deixando um hematoma roxo que pulsava ao toque. Ele riu. Mas no dia seguinte, acordou com esperma grudado na parte interna das coxas, grosso e pegajoso, como se tivesse gozado litros durante a noite. "Impossível", murmurou para si mesmo no espelho do banheiro, enquanto lavava o corpo sob o chuveiro quente. Ele não tinha transado com ninguém havia meses. Masturbação? Não, ele sempre limpava depois. E o sêmen estava em lugares que ele não conseguiria alcançar sozinho – nas costas, entre as omoplatas, como se alguém tivesse esfregado o pau ali e ejaculado litros de porra.

Os dias se transformaram em uma rotina de horror sutil. Acordava com unhas arranhando a pele das nádegas, marcas profundas que sangravam levemente, como se dedos impacientes tivessem cavado para entrar mais fundo. Hematomas em forma de mãos apareciam nos quadris, apertando com uma força que deixava Rafael ofegante só de lembrar – ou tentar lembrar. Ele sentia o corpo violado, usado, fodido de maneiras que ele não compreendia. E o pior: uma sensação de saciedade profunda, como se o prazer tivesse sido tão intenso que o deixava exausto, vazio.

Decidiu investigar. Comprou uma câmera barata, daquelas de vigilância noturna, e a posicionou no quarto, apontada para a cama. Na primeira noite, dormiu inquieto, sonhando com sombras que se moviam sobre ele, paus eretos que roçavam sua pele, bocas que lambiam seu cu com uma fome insaciável. Acordou na manhã seguinte com o corpo mais marcado do que nunca: o pau inchado, avermelhado, como se tivesse sido chupado até o limite da dor, e o cu latejando, úmido de algo que não era só suor.

Assistiu ao vídeo tremendo. As imagens eram granuladas, mas claras o suficiente. Por volta das 3 da madrugada, seu corpo se contorcia na cama, as pernas se abrindo involuntariamente. Ele via a si mesmo – ou algo que parecia ele – se masturbando com uma lentidão ritualística. A mão direita envolvia o pau, apertando a base com força, enquanto a esquerda explorava o cu dele, enfiando um dedo, depois dois, com movimentos circulares que faziam o corpo arquear. Mas o áudio... ah, o áudio era o inferno. Uma voz rouca, distorcida, saía da sua boca adormecida: "Mais fundo, até eu caber todo em você". Repetia como um mantra, cada vez mais grave, mais urgente. No vídeo, Rafael via o seu outro corpo gozar – jatos grossos de sêmen espirrando no seu peito, no rosto, na boca aberta que ele engolia avidamente. Mas ele não acordava. O "ele" noturno lambia os próprios lábios depois de chupar a rola dele com violência, sorria para a câmera como se soubesse que estava sendo observado.

Aquilo o aterrorizou, mas também o excitou. Naquela noite, em vez de dormir, Rafael se masturbou assistindo ao vídeo em loop. Sentia o pau endurecer ao ver o próprio corpo se violar, os gemidos roucos ecoando no quarto. "Quem é você?", murmurou enquanto enfiava os dedos no cu, imitando os movimentos do vídeo, massageando o esfíncter. Gozou com uma intensidade que o deixou ofegante, um mar de porra escorrendo pelas mãos, mas a voz na cabeça repetia: "Mais fundo".

As noites seguintes pioraram – ou melhoraram, dependendo do ponto de vista distorcido que começava a se formar na mente de Rafael. Os vídeos mostravam evoluções. Agora, o "ele" noturno usava objetos: o cabo da escova de cabelo enfiada no cu, girando devagar enquanto a mão livre lhe masturbava e apalpava as bolas. "Mais fundo, até eu caber todo em você", a voz rouca insistia, e no vídeo, o corpo respondia, arreganhando as pernas o mais que podia, enfiando o cabo até as cerdas, gemendo de dor e prazer misturados. Rafael diurno assistia fascinado, o pau latejando. Ele percebia padrões: cada noite, a penetração era mais profunda, mais violenta. Dedos davam lugar a desodorantes, beringelas enormes, qualquer coisa que pudesse esticar as paredes do cu além do limite.

Ele começou a se questionar: era sonambulismo? Dissociação? Ou algo pior – uma versão mais velha de si mesmo, destruída pelo tempo e pela repressão, voltando para reivindicar o corpo? Rafael se lembrava vagamente de fantasias antigas, reprimidas: na adolescência, sonhava em ser fodido por homens mais velhos, em ser currado com selvageria até perder o controle. Mas nunca agiu. Agora, parecia que o "outro" estava realizando isso à força.

Uma noite, o vídeo mostrou o ápice da loucura até então. O corpo de Rafael se posicionava de quatro na cama, o cu empinado e exposto para a câmera. A voz rouca murmurava: "Você está pronto para mim agora". Ele via as mãos – as suas mãos – abrindo as nádegas, e então algo invisível parecia entrar. O corpo se contorcia, gemendo alto, o pau já pingando enquanto o cu se contraía em espasmos. Não havia objeto visível, mas Rafael jurava ver o ânus se dilatando, como se um pau fantasma o fodesse com estocadas profundas. "Mais fundo!", a voz gritava, e o corpo respondia, empurrando para trás, fodendo o ar – ou o que quer que estivesse ali. O orgasmo veio em ondas: sêmen jorrando no lençol, o cu piscando, úmido e esfolado.

Rafael não aguentou. Assistindo aquilo, ele se deitou na cama, imitando a posição. Enfiou quatro dedos no cu, sentindo o estiramento doloroso, o prazer queimando como fogo. "Mais fundo", repetiu para si mesmo, enfiando a mão inteira, o punho forçando passagem. Gritou de dor, mas gozou como nunca, jatos de porra espirrando no peito enquanto lágrimas escorriam pelo rosto. Ele estava sendo treinado. O "outro" – essa versão mais velha dele, mais faminta – o preparava para a penetração total, não só física, mas existencial. Deixar o outro entrar até que não houvesse espaço para dois.

Os dias se misturavam às noites. Rafael mal trabalhava, passava horas se masturbando, esticando o cu com consolos cada vez maiores que comprava online. Sentia o "outro" dentro dele durante o dia: ereções repentinas, um pulsar no reto como se algo quisesse sair – ou entrar. Sonhava com um homem idêntico a ele, mas envelhecido, com rugas profundas e olhos vazios de fome. O homem o fodia em sonhos, o pau grosso e cheios de veias enormes entrando no rabo, estocando até o fundo, sussurrando: "Eu sou você, mais velho, mais quebrado. Deixe-me entrar".

A culminação veio em uma madrugada chuvosa. Rafael acordou não como sempre – grogue e dolorido –, mas no meio do ato. Sentia o corpo convulsionando, o cu ardendo de uma penetração que ia além do físico. Abriu os olhos e viu, no espelho do quarto (que ele havia posicionado estrategicamente), o reflexo: seu próprio rosto, porém distorcido, mais velho, com barba grisalha e olhos injetados. "Mais fundo", a voz rouca saía da sua boca, mas ele sentia as palavras ecoando dentro dele.

O pânico veio, mas misturado a um prazer avassalador. Sentia algo entrando – não um pau, não dedos, mas uma presença inteira. O "outro" se enfiava no seu cu, deslizando como uma serpente grossa, pulsante, forçando as paredes internas a se abrirem. Rafael gritou, mas o grito se transformou em gemido. Seu pau endureceu instantaneamente, latejando contra a barriga. Ele se virou de barriga para baixo, empinando o cu, facilitando a entrada. Sentia o pulsar de um coração duplicado batendo contra as entranhas, o "outro" se acomodando dentro dele, preenchendo cada centímetro do ânus.

"Não saia dessa vez", murmurou Rafael, as mãos tremendo enquanto se masturbava furiosamente. O prazer era insano: cada movimento do "outro" dentro dele enviava ondas de êxtase pelo corpo, como se estivesse sendo fodido de dentro para fora, seu esfíncter era lambido com fúria. O cu se contraía ao redor da presença invisível, mas tangível, leitando-o dentro do reto como um pau. Ele sentia o "outro" gozando dentro dele – sêmen quente inundando as vísceras, misturando-se ao seu próprio. Gozou então, jatos intermináveis espirrando no lençol, o corpo tremendo em espasmos orgásticos que duraram minutos.

Quando terminou, Rafael desabou de bruços na cama encharcada, o corpo convulsionando em espasmos residuais, o pau ainda pingando fios grossos de gala que se misturavam ao suor, ao sangue e ao muco fecal que escorria do cu dilatado como uma ferida aberta. O "outro" não saiu. Não era mais uma presença fantasma: era carne, osso, víscera pulsando dentro dele. Aninhado no fundo do intestino grosso, enrolado como um feto, o eu mais velho se acomodava com uma convicção possessiva, o coração duplicado batendo em contraponto ao dele — um tamborilar lento e faminto que Rafael sentia reverberar nas costelas, na espinha, no próprio pau que latejava sem permissão.

Toda ereção agora era uma tentativa desesperada e inútil de aborto. O pau endurecia sozinho, sem estímulo, inchando até doer, a glande roxa e sensível roçando na cueca úmida. O cu se contraía em espasmos violentos, tentando expelir o intruso, mas o "outro" se agarrava mais fundo, as unhas invisíveis cravando nas paredes internas, rasgando mucosas delicadas, fazendo sangue quente escorrer pelas coxas. Rafael gozava sem alívio — jatos curtos e dolorosos, sêmen ralo misturado a pus e fragmentos de tecido intestinal que ele limpava com nojo e fascínio. Cada orgasmo era uma contração forçada, um espasmo que só servia para apertar o "outro" ainda mais contra suas entranhas, como se o corpo dele estivesse sendo reprogramado para ser uma buceta bizarra, um útero invertido que paria prazer em vez de vida.

Ele se masturbava obsessivamente, horas a fio, no banheiro trancado, no sofá manchado, no chão frio da cozinha. Comprava dildos cada vez maiores na internet — 30 cm, 35 cm, monstros de silicone preto com veias grossas e base larga que ele enfiava seco, sem lubrificante, sentindo o ânus rasgar em fissuras que sangravam ao menor movimento. Empurrava com força, girava, socava até o cóccix doer, gritando alto enquanto tentava alcançar o "outro", cutucar o feto, forçá-lo a sair. Mas cada penetração só o excitava mais: o prazer virava dor lancinante, a dor virava dependência química, o cérebro liberando endorfinas em doses letais que o deixavam tremendo, babando, gozando sem parar. O cu se tornava uma boca faminta, engolindo tudo que entrava, regurgitando apenas mais gosma vermelha e sêmen do "outro" que vazava em golfadas quentes toda vez que ele se mexia.

Meses depois, Rafael já não era mais Rafael. Era um limbo ambulante pelas ruas sujas do Pelourinho e do Centro Histórico de Salvador. Caminhava curvado, as pernas arqueadas como se carregasse um peso invisível entre as nádegas. O corpo estava sempre úmido: suor acre misturado a sêmen que escorria involuntariamente pelo cu esticado, pingando pelas coxas, manchando as calças jeans surradas. O cheiro era insuportável — podre, salgado, sexual —, mas ele não se importava mais. À noite, nos becos escuros atrás do Mercado Modelo ou nas vielas do Santo Antônio Além do Carmo, ele se entregava a estranhos sem pedir nada em troca. Homens, travestis, qualquer um que quisesse sodomizá-lo. Deixava que o fodessem em pé, encostado em muros, o cu já tão dilatado que paus grossos entravam sem resistência, socando com violência enquanto ele gemia baixo, os olhos vidrados de prazer. Mas era o "outro" quem gozava de verdade. A cada estocada alheia, Rafael sentia o intruso dentro dele pulsar, apertar, sugar o prazer como um parasita. A voz rouca ecoava na mente, constante agora: "Mais fundo. Mais fundo. Quero mais rola". Ele gozava junto, mas o orgasmo não era seu — era do "outro", um êxtase roubado que o deixava vazio, tremendo, com o cu latejando e mais sêmen escorrendo pelas pernas.

No apartamento, o espelho do quarto se tornou seu altar. Ele ficava horas nu diante dele, pernas abertas, cu exposto, enfiando a mão inteira — depois o antebraço — até o cotovelo desaparecer. Via os dois rostos fundidos: o seu, jovem e destruído, olhos fundos de insônia e vício; e o do "outro", grisalho, rugas profundas como cicatrizes, boca entreaberta em um sorriso faminto. Os olhos se sobrepunham, as pupilas dilatadas se fundiam em um único olhar negro e insaciável. A última vez que o "outro" o olhou de fora foi naquela madrugada inicial. Agora eles se olhavam juntos, de dentro e de fora, uma simbiose irreversível.

Rafael sorria para o reflexo — um sorriso torto, babado, com dentes manchados de sangue e sêmen seco. Enfiava a mão no cu mais uma vez, sentindo o pulsar duplicado contra as paredes do reto, o coração do "outro" batendo forte contra o seu próprio, como se tentasse sincronizar os dois em um ritmo único de morte lenta. "Até não caber mais", repetia em voz rouca, a mesma voz do vídeo, a mesma voz que saía da sua boca agora sem esforço. Empurrava mais fundo, os dedos roçando algo sólido e quente lá dentro — o "outro" inteiro, enrolado, pulsando. Gozava em silêncio, o pau jorrando em espasmos fracos, o cu contraindo em ondas que só serviam para apertar o intruso ainda mais contra suas tripas.

Não havia mais saída. Não havia mais dois. Havia apenas o ciclo: ereção, penetração, gozo roubado, vazamento, dor, dependência. Ele se deitava no chão frio, pernas abertas, cu exposto para o teto, e deixava o "outro" se mexer dentro dele. Sentia movimentos lentos, como um feto se virando no útero errado, cutucando órgãos, pressionando a próstata até que o prazer explodisse de novo, sem fim. Gozava dormindo, acordava gozando, gozava andando pela rua, gozava sozinho no elevador lotado enquanto o sêmen escorria pela perna.

E no fundo do intestino, o "outro" crescia. Não em tamanho, mas em presença. Cada dia ocupava mais espaço, pressionava mais forte, sussurrava mais alto. Rafael sabia que um dia não caberia mais — o corpo se romperia por dentro, as entranhas se rasgariam em uma explosão de prazer final, o "outro" emergindo em uma massa de carne, sangue e sêmen, assumindo o lugar dele como uma roupa nova.

Até lá, ele só repetia, com a voz rouca que já não distinguia de si mesmo:

"Mais fundo. Até me caber inteiro."

E gozava. E gozava. E gozava. Em um ciclo eterno de prazer e aniquilação que nunca, nunca terminaria.

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