O Novinho Negão Quer Acabar com o meu Casamento - Parte 10 (final)

Um conto erótico de AuroraMaris
Categoria: Heterossexual
Contém 3250 palavras
Data: 26/02/2026 21:33:55

Cinco anos.

Parece uma eternidade quando você está no meio dela. Mas quando olho para trás, parece que foi ontem que ouvi a porta batendo forte depois que Felipe soube de tudo.

Minha irmã Renata me acolheu depois que tudo desmoronou. Me deu um quarto nos fundos da casa dela em troca de ajuda com as crianças e as tarefas. Por um tempo, funcionou. Até que o marido dela, Valter, viu o vídeo. Depois disso, os olhares mudaram. As indiretas começaram. Toques disfarçados, joelhos que encostavam por baixo da mesa, mãos que roçavam onde não deviam. Eu aguentei calada porque sabia que, se reclamasse, ninguém acreditaria em mim. A puta do vídeo ou o marido provedor? A resposta era óbvia.

A gota d'água foi no aniversário da Renata. Bêbado, Valter me encurralou na cozinha. Pediu um beijo e passou a mão na minha bunda. Foi quando a porta abriu e minha irmã viu tudo. Só que ela não viu ele me encurralando. Ela viu a mão dele em mim e eu ali, parada. E na cabeça dela, só podia ser uma coisa: eu provocando, eu dando em cima, eu tentando dar pro marido dela.

Ela gritou. Me chamou de puta, de vagabunda. Disse que eu destruí minha própria família e agora queria destruir a dela. Não adiantou explicar, não adiantou dizer que ele estava bêbado, que eu não fiz nada. A culpa era minha. No dia seguinte, fiz as malas e fui embora. Não tinha pra onde ir, mas não podia mais ficar lá.

Fiquei com a casa no divórcio, e bem nessa época a venda da casa aconteceu, por sorte. O dinheiro deu para recomeçar. Não muito, mas o suficiente para alugar um apartamento pequeno numa cidade um pouco maior, dessas que ficam perto da capital. Suficiente para pagar alguns meses adiantados enquanto procurava trabalho. Suficiente para comprar roupas novas, móveis básicos, uma televisão de segunda mão.

Suficiente para enterrar a Beatriz antiga e tentar ser outra pessoa.

Hoje trabalho como caixa num supermercado. Não é muito, mas paga as contas. Os colegas são gente simples, que não sabem da minha história. Quando perguntam, eu digo que sou divorciada, que o filho mora longe, que recomecei. Mentiras pela metade.

A cidade é anônima. Ninguém me conhece, ninguém me julga, ninguém me vê como a mulher do vídeo. Passei cinco anos construindo isso. Cinco anos de silêncio, de invisibilidade, de paz.

Até hoje.

Eram quatro da tarde, horário morto no supermercado. Eu estava passando produtos no caixa, a mente vagando, quando ouvi a voz:

- Com licença...

Levantei os olhos. O homem à minha frente segurava uma cesta com poucas coisas. Água, pão, frutas. Nada demais.

Mas o rosto... O rosto congelou o tempo.

- Beatriz?

A voz dele. A mesma. Mais grave talvez, mais homem, mas a mesma.

Victor estava ali. Na minha frente. Cinco anos depois.

Ele tinha mudado. Tinha barba, o corte de cabelo estava diferente, o corpo mais largo, mais preenchido. Vestia uma camisa social, manga curta, e carregava uma pasta. Parecia... profissional. Adulto. Mas os olhos eram os mesmos. Escuros, profundos, me olhando do mesmo jeito.

- Victor? - minha voz saiu estranha, quase um sussurro.

Ele sorriu. Aquele sorriso torto, de canto de boca, que eu guardei na memória por cinco anos.

- Meu Deus - ele disse. - Você tá aqui. Você tá... igual.

- Não estou igual - respondi, sem pensar. - Estou mais velha.

- Tá linda - ele corrigiu. - Tá linda igual.

O constrangimento bateu. Olhei para os lados. Uma senhora na fila, atrás dele, esperando. O gerente no fundo, de olho.

- Você... mora aqui? - perguntei, tentando retomar o controle.

- Estou só de passagem, visitando uns clientes. Vou embora amanhã - ele hesitou. - Mas... você trabalha aqui? Mora aqui?

- Moro. Faz uns quatro anos.

Ele processou a informação, assentindo, enquanto eu fazia meu trabalho passando suas compras no caixa.

- Que horas você sai?

- Às seis.

- Topa um jantar comigo? - o pedido veio rápido, quase ansioso. - Sei que é do nada, sei que faz tempo... Mas por favor. A gente precisa conversar.

Olhei para ele. Para o homem que destruiu minha vida. Para o homem que me fez sentir viva pela primeira vez. Para o homem que sumiu sem explicação.

- Tá bom - ouvi minha voz dizer.

Escolhemos um restaurante simples, perto do meu apartamento. Ele me esperou trocar de roupa em casa, um vestido básico, nada demais, e caminhamos juntos até lá.

O restaurante era tranquilo, poucas mesas ocupadas. Sentamos numa de canto, longe das outras pessoas. Ele pediu vinho. Eu aceitei.

- Eu não acredito que te encontrei - ele disse, depois do primeiro gole. - Tô há dois dias aqui, e de repente você aparece no caixa do supermercado.

- O mundo é pequeno - respondi, sem graça.

- Não é pequeno. É... não sei. Destino.

A palavra ficou pairando. Destino. Como se tudo aquilo, a dor, a humilhação, os cinco anos de solidão, tivesse sido planejado por alguém.

- Victor - comecei, a voz controlada. - O que aconteceu? Depois que vocês se mudaram?

Ele suspirou, passou a mão no rosto. Uma aliança dourada reluzia em seu dedo. Senti meu coração gelar, mas mantive a compostura.

- Minha mãe... ela confiscou meu celular no dia seguinte depois de a gente se ver. Pegou meu telefone, meu computador, tudo. Disse que eu não podia mais falar com você. Que a gente ia se mudar no dia seguinte e que eu não deveria tentar contato.

- E você não tentou?

- Claro que tentei! Duas semanas depois, quando consegui outro celular. Mas você não estava em lugar nenhum. Rede social apagada, número trocado, sumida.

- Eu apaguei tudo - confirmei. - Quando ela postou o vídeo. Recebi mensagem de gente que eu nem conhecia. Gente me xingando, me chamando de puta, mandando print. Eu apaguei tudo e nunca mais voltei.

Ele desviou o olhar. A culpa estampada no rosto.

- Bia... eu não imaginava que ela ia postar. Eu juro. Quando ela mostrou as câmeras, eu fiquei em choque. Depois ela disse que ia guardar as gravações, que era pra minha proteção. Eu não sabia que ela...

- Ela postou - cortei. - Postou tudo. E a cidade inteira viu.

Silêncio.

- Me desculpa - ele disse finalmente. A voz baixa, sincera. - Me desculpa por tudo. Por não ter estado lá. Por não ter te defendido. Por ter sumido.

- Você era um garoto, Victor. Tinha dezoito anos.

- Mas devia ter feito alguma coisa.

Fiquei em silêncio. O vinho descia quente, soltando a língua, soltando as defesas.

- E depois? - perguntei. - O que você fez?

Ele contou. A faculdade de economia, escolhida a dedo pelos pais. O noivado forçado com aquela mesma namorada, que a família dele adorava. O casamento um ano depois. A formatura. O emprego numa empresa que exigia viagens para visitar clientes. A recente gravidez da esposa.

- Mas nunca esqueci você. Nunca.

A verdade dele estava ali, estampada no rosto. Dolorosa, mas sincera.

- Uns seis meses depois que a gente se mudou de lá - ele continuou - eu voltei. Fui na sua casa, mas estava vazia. Placa de vendida. Perguntei nos vizinhos, ninguém sabia dizer pra onde você foi. Fiquei horas rodando a cidade, procurando. Nada.

- É, eu vendi - disse, com pesar na voz. Me desfazer daquela casa tinha sido difícil. - Não aguentava mais morar lá. Toda esquina tinha alguém que viu o vídeo.

Ele assentiu, compreendendo.

- Passei todos esses anos pensando em você - ele sussurrou. - Imaginando onde estava, se estava bem, se tinha conseguido recomeçar. E hoje, do nada, você aparece na minha frente.

Ficamos em silêncio por um instante, bebendo alguns goles de vinho e nos olhando. Ele ainda me olhava do mesmo jeito.

- Você... Quer conhecer meu apartamento? - a pergunta sai antes que eu possa pensar. Antes que a razão possa intervir. E quando ele sorri aquele sorriso torto de sempre, eu já sei que não tem volta.

- Claro que quero.

Caminhamos lado a lado pela calçada iluminada pelos postes. Ele fala sobre a minha cidade, sobre como é diferente da capital, sobre o silêncio da noite aqui, parecido com o da cidade que tínhamos sido vizinhos. Eu respondo com monossílabos, porque minha cabeça está a mil.

O prédio é simples, sem portaria. Abro a porta do elevador e entramos. O espaço é pequeno, e sinto o calor do corpo dele ao meu lado, o cheiro familiar, aquele perfume jovial que ainda reconheceria em qualquer lugar. Meu coração bate acelerado.

“É errado”, penso. “De novo estamos fazendo algo errado”. Mas não consigo parar.

Entro no apartamento primeiro, acendo a luz da sala. Ele para na porta, olhando em volta. O espaço é minúsculo comparado com a casa que eu tinha. Uma sala que mal cabe um sofá de dois lugares, uma estante e uma televisão. A cozinha americana, tão pequena que mal dá pra duas pessoas circularem. Mas está tudo impecável, organizado, cada coisa no seu lugar.

- Não chega nem aos pés daquela casa linda que você conheceu - digo, com um sorriso sem graça. - Mas é meu cantinho.

Ele percorre o ambiente com os olhos, e então um sorriso lento se abre no rosto dele.

- A casa da senhora é bem arrumadinha.

A frase me atinge como um soco no estômago. São as mesmas palavras que ele disse naquela primeira noite, há cinco anos, quando entrou na minha cozinha para pegar a escada emprestada. Quando tudo começou.

Solto uma risadinha, baixa, quase sem querer.

- Você se lembra disso?

- Lembro de tudo, Bia.

Ficamos ali, de pé na sala, nos olhando. Vou até a porta e giro a chave na fechadura. O som ecoa no silêncio do apartamento.

Quando me viro, ele já está perto. Muito perto. O beijo vem antes que eu possa pensar. Intenso, rápido, apaixonado. A boca dele encontra a minha com a mesma fome de antes, e eu percebo, com um misto de choque e tesão, que o gosto é o mesmo. Aquele gosto salgado, masculino, que ficou gravado em mim por cinco anos.

Minhas mãos sobem para o cabelo dele, os dedos se enroscando nos fios. A língua dele invade minha boca, e eu sinto o corpo inteiro derreter. Durante o beijo, minha coxa esbarra na calça de alfaiataria que ele usa, e sinto. Mesmo através do tecido, já dá pra sentir o volume endurecendo, crescendo, pressionando contra minha perna.

Não me aguento. Minha mão desce, encontra o volume, aperta por cima do tecido. Ele geme baixo contra minha boca, um som que vibra no meu peito e desce direto para minha buceta.

- Bia - a voz dele sai grossa, ofegante. - Preciso de você.

- Também preciso de você - respondo, e a minha própria voz soa estranha, desesperada. - Acho que nunca precisei tanto de alguma coisa.

Não chegamos a ir para o quarto. Ficamos ali mesmo, na sala pequena. As roupas voam para os lados num instante. A camisa social dele, meu vestido, tudo amontoado no chão. Não tem tempo para preliminares, para beijos lentos, para descobertas. A gente já se conhece. A gente sabe o que quer.

Ele me empurra contra a parede, ergue minhas pernas, e a rola entra de uma vez. É como se nenhum tempo tivesse passado. A mesma sensação de preenchimento, o mesmo estiramento delicioso, aquele tamanho que ainda me tira o fôlego mesmo depois de tudo.

- Caralho, Bia - ele geme, a testa enterrada no meu ombro. - Que buceta gostosa. Tá do mesmo jeito. Melhor até.

- Victor - gemo, as unhas cravadas nas costas dele. - Me come. Me come como antes.

Ele obedece. As estocadas são rápidas, violentas, desesperadas. A parede range atrás de mim, e eu não me importo com os vizinhos, não me importo com nada. Só quero sentir. Só quero aquilo.

- Sua puta - ele grunhe no meu ouvido, e a palavra me arrepia inteira. - Sua vagabunda gostosa. Pensei em você todos os dias. Todas as noites, batendo punheta lembrando dessa buceta.

- Victor...

- Cavala gostosa do caralho.

Gozo com as palavras dele. Meu corpo se contrai em volta da rola, os espasmos me sacudindo contra a parede, e eu grito, sem nenhum pudor, sem nenhum controle.

Ele não para. Me vira, me coloca de quatro no chão da sala. Sinto a mão dele na minha bunda, apertando, separando, e então a voz dele vem, rouca, ofegante:

- Posso colocar no seu cu, Bia?

- Pode - respondo sem hesitar.

A cabeça da rola pressiona a entrada, e eu sinto aquele mistura de dor e prazer que só ele consegue me dar. Ele empurra devagar, me dando tempo, mas eu não quero tempo.

- Mais rápido - peço. - Me arromba logo.

Ele ri, um som grave e sujo.

- Puta do caralho. Toma então.

A rola entra inteira de uma vez. Grito, mas é de prazer. Ele começa a se mover, e as palavras saem sem controle:

- Olha esse cu, Bia. Olha como aguenta a pica preta. Toda arrombada pelo novinho, sua puta. Cinco anos e esse rabo ainda é meu. Sempre foi meu.

- Seu - gemo, a cara colada no chão frio. - Sempre seu.

- Isso, vagabunda. Fala. Fala quem manda nesse cu.

- Você manda - eu digo entre gemidos. - Só a sua pica que entra no meu cuzinho, Victor.

Ele acelera. As estocadas ficam mais violentas, mais profundas, e eu sinto outro orgasmo se aproximando.

- Vou gozar - ele avisa, a voz falhando. - Vou jorrar leite nesse cu gostoso, Bia. Vou encher esse rabo de porra.

- Goza - peço. - Goza dentro do meu cu, Victor!

O orgasmo vem ao mesmo tempo. Sinto a rola dele pulsar, sinto o leite quente jorrando no fundo do meu cu, e meu corpo se contrai em volta dele, os dois se perdendo juntos.

Ficamos assim por um momento, ele debruçado sobre mim, os dois ofegantes. Depois ele sai devagar, e sinto a porra escorrer e sujar o chão da sala.

Não me importo.

Caímos na cama depois, exaustos, suados, nus. O apartamento é tão pequeno que a cama fica a poucos passos da sala. Deito de lado, e ele me puxa contra o peito, o braço quente em volta da minha cintura.

- Puta que pariu... - ele começa, a voz ainda rouca. - Isso foi um sonho que se tornou realidade.

Fico em silêncio, sentindo o coração dele bater contra minhas costas.

- Sabe, Bia - ele continua, baixo. - Eu guardo o vídeo até hoje.

Meu corpo enrijece.

- Guarda? Aquele vídeo?

- Sim - a voz dele é calma, sem malícia. - Era a única lembrança que eu tinha de você. A única prova de que você tinha sido real.

Os olhos marejam antes que eu possa controlar. Viro o rosto para olhar para ele.

- Victor...

- Eu tentei, Bia. Tentei me convencer que era só uma paixão, algo passageiro. Casei, tentei seguir em frente. Mas com o tempo o sentimento não sumiu. Nunca sumiu.

Um sorriso bobo se abre no meu rosto, mesmo com os olhos cheios d'água.

- Bem - digo, a voz mole. - Estou aqui agora. O que fazemos?

Ele me aperta mais forte contra o peito. Sinto ele respirar fundo, e por um segundo acredito. Por um segundo acho que ele vai dizer as palavras que eu espero.

- Eu virei te visitar toda semana, é claro! - a voz dele sai animada, leve. - Eu sempre tenho clientes aqui pelas redondezas. A gente pode se ver sempre.

O sorriso morre no meu rosto. Fico olhando para ele, processando as palavras. Não é "vamos ficar juntos". Não é "vou me separar". É "vou te visitar".

Ele não pretende me assumir. Nunca pretendeu.

A esposa grávida continua sendo a esposa. A família continua sendo a família. E eu continuo sendo o que sempre fui: a outra. A amante. A coroa gostosa.

- Bia? - ele percebe meu silêncio, minha expressão. - Tudo bem?

Engulo em seco. As palavras ficam presas na garganta. O que eu vou dizer? Que esperava mais? Que depois de cinco anos, depois de tudo, eu achava que ele fosse largar tudo e me escolher?

- Tudo bem - ouço minha voz dizer. - Claro.

Puxo o lençol para cobrir o corpo, mesmo ele já tendo visto cada centímetro de mim. Ele está ao meu lado, mas de repente parece tão distante quanto estava há cinco horas atrás.

- Toda semana - repito, a voz estranha.

- É, amor. A gente vai conseguir se ver sempre, ninguém precisa saber. Dessa vez, minha mãe não vai estragar as coisas.

Amor. A palavra sai tão fácil da boca dele. Tão vazia.

Olho para o teto do meu apartamento minúsculo, para as paredes que construí com tanto cuidado, com tanta vontade de recomeçar. E percebo que não adiantou nada. Estou aqui, cinco anos depois, com o mesmo homem, ouvindo a mesma promessa vazia de sempre.

Sento na cama. Minhas costas nuas para ele. Sinto o olhar dele nas minhas costas, talvez confuso, talvez esperando.

- Bia?

- Sabe, Victor... - digo, sem olhar para trás. - Você quer voltar para sua vida e quer que eu fique aqui esperando. Como? Como eu fiz da última vez? Esperando você aparecer, esperando você ligar, esperando você escolher?

O silêncio dele responde por si só.

Levanto. Pego as roupas do chão. Começo a vestir devagar, de costas para ele.

- Eu passei cinco anos reconstruindo minha vida, Victor. Sozinha. Sem você, sem sua mãe, sem os vídeos, sem o julgamento de ninguém. E hoje você aparece, e em uma noite eu esqueço tudo. Esqueço o que aprendi.

- Não precisa ser assim - a voz dele vem, baixa. - A gente pode...

- Pode o quê? - viro para encará-lo. Ele está sentado na cama, nu, a rola mole entre as pernas, os olhos confusos. - Pode ser o que sempre foi? Um caso? Um segredo? A mulher que você come de vez em quando?

Ele não responde. Não tem resposta.

Termino de me vestir. Passo a mão no cabelo, tentando arrumar a bagunça. No espelho do quarto, vejo a mulher que eu sou: quarenta e cinco anos, cabelo ruivo, olheiras de quem não dorme direito, um vestido amassado de uma noite que não devia ter acontecido.

- Você precisa ir - digo.

- Bia, são duas da manhã...

- Pois é, são duas da manhã. Você precisa ir.

Ele me olha por um longo momento. Depois se levanta, começa a vestir as roupas devagar. A camisa social, a calça de alfaiataria, os sapatos. A aliança volta para o dedo. Quando está pronto, fica parado na porta do quarto, me olhando.

- Eu te amo - diz. - Sempre te amei.

Pela primeira vez, não acredito.

- Vai embora, Victor.

Ele hesita. Abre a boca para dizer algo, mas fecha. Depois atravessa a sala, destranca a porta, e sai. O som da porta batendo ecoa no apartamento vazio.

Fico ali, no meio do quarto, sozinha. Depois caminho até a janela da sala e vejo a silhueta dele atravessar a rua, sumir na esquina, desaparecer na noite.

A cidade está quieta. O céu está escuro. Meu apartamento está impecável, organizado, cada coisa no seu lugar.

Sento no sofá de dois lugares e fico olhando para a porta.

“Não vou chorar”, penso. “Não vou”. Mas choro. Claro que choro. Choro por mim, por ele, pelos cinco anos, pela noite, pela manhã que vai chegar e trazer a realidade de volta.

Quando o dia clarear, vou levantar. Vou tomar café. Vou passar pano no chão da sala, limpar as marcas da noite. Vou trocar os lençóis. Depois vou tomar banho, vestir o uniforme do supermercado, e ir trabalhar.

A vida continua. Sempre continua.

Mas agora, de madrugada, com o apartamento vazio e o cheiro dele ainda no ar, me permito alguns minutos de fraqueza. Alguns minutos de luto pelo que poderia ter sido e nunca será.

Amanhã começa o resto da minha vida. De novo.

(N.A.: Estou ansiosa pra saber o que acharam do desfecho da história! A próxima vem aí, talvez eu poste amanhã a primeira parte)

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Comentários

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Delícia de conto…Verdadeiro…

Mostra como uma situação de paixão pode afetar vidas…

Bem Nelson Rodrigues…” A vida como ela é “..

Parabéns

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Muito. O conto expressa a realidade, a mulher arrumar um homem pra fazer sexo, ela encontra em cada esquina, agora arrumar um pra assumir ela de verdade, da conforto e pagar sua contas não é fácil. O marido trabalhava muito pra provê o lar, não tem a mesma energia pra fazer sexo igual a uma pessoa que não trabalha.

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realmente queria saber como ficou o felipe ou o corno..

mesmo que seja uma passagem rápida.

felipe podia ter dado uns pegas na mãe do victor talarico fdp!!

mas adriana não se sujeitaria a tamanha baixeza.

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impecável, aurora!

terminou como deveria terminar.

tragédia arrastada e lenta. bem do jeito que terminou a vida da adultera. cara bem triste. bem triste. pior é algo que é perfeitamente previsível, mas muitas pessoas acabam caindo nessa.

ela destruiu a familia por algo muito pouco, cara...

por muito pouco mesmo. pior que isso está acontecendo mais do nunca hoje em dia. casamentos de 20, 30 anos... jodados no lixo por traição besta com pessoas merdas ainda por cima...

o que mais dói o coração é que em nenhuma parte ela faz menção ou lamenta pela o afastamento do filho, ou se sente mal pelo o que fez passar. marido beleza, ela não o amava, mas o filho... porra...

“Não vou chorar”, penso. “Não vou”. Mas choro. Claro que choro. Choro por mim, por ele, pelos cinco anos, pela noite, pela manhã que vai chegar e trazer a realidade de volta."

ela só se lamenta pelos os cinco anos. não lamenta pela memorias perdidas com filho. não estou pontuando o marido, pois considero que não tenha sido agradável.

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não foi só a reputação dela que foi sujada, felipe também será visto como o filho de mãe puta que deu o cu para um novinho negão. porra, mano! e o video a mosta dando enquanto o marido está na uti e o filho em casa exausto dos acontecimentos.

nunca mais ele vai poder voltar para a área onde foi criado.

fora o pai dele que será de corno.

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Excelente história, gostei muito, venha lá a próxima saga.

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Terminou exatamente como diz o título.

Mas... E tudo tem um "mas".

Como eu sempre leio os contos que podem ser reais, lembro que a divulgação de imagens de terceiros sem a devida autorização é um excelente motivo para uma ação judicial e uma consequente indenização bem razoável.

Porém, é uma estória. Muito boa.

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Uma vez puta, sempre puta.

Ele teve o que procurou, tinha uma vida, uma família, mas se deixou encantar por um piru preto, todas as famílias tem problemas, cabe a cada membro se adaptar, se comunicar para viver da melhor forma possível.

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Corrigindo... Ela não procurou. E no início não queria. Ele que seduziu ela. Inclusive era uma aposta dele com os amigos. Na verdade ele não foi homem pra contar a verdade. Mas era imaturo ainda.

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Podia ter um epílogo sobre o que aconteceu com o pai e o filho.

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Conselho de mãe é aviso de Deus .

A mãe do garoto ja tinha cantado a bola

Mais uma vez parabéns para a Autora

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Eu pensava que as putarias iam continuar por mais tempo assim como planejei nos meus contos que meio que desisti porque acho que só um leitor gostou, porém mesmo assim ele ainda pareceu se incomodar pela história ter se estendido rsrs

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3 estrelas com louvor .

Parabéns pra autora que construiu os personagem com clareza e cada um com sua importância.

Sinceramente ? Todos os contos foram bons mas esses dois últimos foram de arrepiar

A esposa e mãe trocou uma aventura por uma família infelimente .

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*trocou uma familia por uma aventura

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Boa Aurora, bom conto , final agridoce mas não por isso deixou de ser verdadeiro, esperando o próximo.

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