Era mais de dez da noite quando achei que estava na hora de dar por encerrada a pesquisa por aquele dia: saí da biblioteca da universidade, fiz de conta que não vi a cara feia do bibliotecário por eu tê-lo feito ficar mais tempo do que ele queria, apesar de seu expediente ir até as dez e meia.
Apenas os corredores desertos e o estranho (mas bom) silêncio de depois das aulas. Eu estava me sentindo especialmente bem comigo mesmo naquela noite. Desejava curtir (uma vez que fosse, na vida) a sensação de não ter pressa, de descer as escadas devagar, curtindo cada degrau, caminhando pausadamente pelos corredores.
Eu estava feliz, porque experimentava, naquela noite, mais uma ousadia na minha longa e vagarosa caminhada para me desvencilhar do armário. Pela primeira vez, saíra de casa com uma roupa íntima feminina, um fio dental. Eu, que achava ser incômodo, ao ver calcinhas e biquínis enfiados totalmente nos regos das mulheres (e até de alguns gays), resolvi experimentar, para constatar que nada tinha de incômodo – pelo contrário, o roçar das nádegas uma na outra, intermediado pelo fio entre elas, é bastante prazeroso.
Ao passar pela porta de um banheiro, igualmente vazio, veio-me o desejo de me ver assim vestido. Escolhi uma cabine que, estrategicamente, me mostrasse a bunda, no espelho do lavatório; segurando a porta com o corpo, desci a calça e fiquei apreciando o vermelho do meu fio dental, minha bunda toda de fora, e a rola, começando a crescer, na parte da frente, mas perfeitamente contida dentro da peça de roupa. Olhando meu rabo, eu até me achava mais apetitoso, dava a impressão de que minha bunda estava mais arredondada, mais cheinha...
Diante de tantos estímulos, a rola não mais se conteve em seu espaço e escapuliu, rígida e pulsante. Toquei-a de leve e senti um prazer imenso. Passei a massageá-la, com a mesma tranquilidade que estava vivenciando naquele fim de noite.
Ouvi alguém entrando no banheiro. Meu coração disparou: eu não tinha como fechar a porta da cabine a tempo, então, instintivamente, fui tentando acomodar a rola totalmente ereta, no minúsculo espaço da calcinha, enquanto procurava subir a calça para o devido lugar. Mas aí o cérebro foi mais rápido, no processo de “desarmariamento”: por que eu deveria me esconder num momento de descoberta daquele? Quem quisesse que se abalasse? Eu é que não iria cortar o barato daquele final de noite.
Cortei o ímpeto, continuei massageando a rola e mantive a calça arriada, expondo o fio dental no espelho. Fingi nem ver ou prestar atenção no rapazinho que, ao entrar no banheiro, já flagrou minha bunda exposta pela calcinha, no reflexo do espelho. Ao passar pela porta da cabine, entendeu minha carícia peniana como uma punheta, mas nada fez ou disse: seguiu adiante para outra cabine.
Ouvindo o silêncio do meu companheiro de banheiro, nenhum barulho de urina no vaso, compreendi que talvez estivesse também excitado, e mudara o objetivo da visita àquele lugar. Meu coração disparou quando ouvi o discreto ruído de uma mão se punhetando, mas fiquei na minha, e continuei exatamente na mesma tranquilidade com que eu estava antes.
Pelo espelho, vi-o sair de sua cabine, calça aberta e rola de fora, totalmente ereta, sendo massageada. Silente, aproximou-se de mim, como a sondar minha reação. Já que eu continuava inabalável, meu fio dental a gritar-lhe que eu era gay, ele se aproximou e tocou de leve minha bunda – fechei os olhos, procurando absorver a inteireza daquela carícia.
Como não esbocei qualquer resistência, ele entendeu poder avançar. Passou a acariciar com mais intensidade, enfiou a mão pelo cós da calcinha e atingiu meu rego e meu cu. Eu já sentira algumas vezes a cabeça da sua rola roçando na minha bunda. Então tomei a iniciativa que julguei ser a mais prudente.
Avancei devagar para a frente, dando-lhe a entender que queria fechar a cabine. Ele compreendeu e encostou o corpo em mim, tomando ele mesmo a providência de cerrar a porta atrás de si. E imediatamente ele foi tirando de lado o fio e sua rola começou a explorar meu cu. Foi se enfiando devagar e eu, de olhos fechados, sentindo aquela vara deliciosa me violando o rabo, aumentava a velocidade das carícias na minha própria rola, procurando me controlar para não gemer.
Sua pica entrou toda em mim, dando início à movimentação de estocadas. Com o braço livre alcancei sua nuca com a mão e virei o meu rosto, beijando-o freneticamente, enquanto ele entrava e saía com cadência e cada vez mais intensidade. Quando senti que parou de repente, e o pau a pulsar dentro de mim, acelerei minha punheta, e enquanto seus jatos inundavam minhas entranhas, os meus atingiam a parede branca do banheiro, escorrendo em filete amarelo até o chão.
Quando ele se retirou de dentro de mim, e senti seu líquido descer mais caudalosamente do meu rabo, virei-me e o abracei forte, em silêncio. Ele buscou novamente meus lábios, e nos beijamos com sofreguidão, como se quiséssemos trocar nossas almas através daquele beijo.
Descolamo-nos, ele sorriu, enquanto se recompunha, abria a porta e saía do banheiro, deixando-me entregue à tarefa de ficar minimamente apresentável. Enxuguei-me como pude, recoloquei o fio dental, arrumei o restante da roupa e saí da cabine. Ao me olhar no espelho, encontrei um rosto que ardia e brilhava intensamente da mais pura felicidade. Lavei as mãos, procurei refrescar a face, e, sem enxugar, me dirigi à saída.
Antes de chegar à minha moto, senti o deslizar de mais um filete de sêmen, pela minha perna abaixo. Arrepiou-me o braço, a noite se fez mais bela, eu sorri tolamente e por pouco não fiz o restante do caminho saltitando, entre as vagas vazias do estacionamento.
