A vida havia mudado drasticamente desde que eu transado com minhas filhas. Quatro meses se passaram e já estávamos em novembro. Minha rotina com Letícia era quase conjugal; transávamos praticamente todos os dias. O sexo era simples, mas carregado de um afeto que começou a me preocupar. Letícia estava se apaixonando. O capricho com minhas coisas, o modo como me olhava e o fato de dormir comigo em seis das sete noites da semana deixavam claro: ela me queria só para ela. Por precaução, passei a usar preservativos, tentando manter uma barreira emocional que o corpo insistia em derrubar.
Com Jaqueline, o jogo era outro. Ela continuava com o Felipe, e tínhamos nos encontrado apenas duas vezes desde o motel. Foram encontros selvagens, regados a tapas e insultos sussurrados, o oposto da doçura de Letícia. Eu ansiava por ter as duas juntas novamente, mas Letícia se tornava possessiva. O clima entre elas começou a azedar, e as discussões frequentes acabaram me afastando de Jaque por um tempo.
Enquanto isso, Yara permanecia como um desejo latente, sufocado pelo cerco fechado de Letícia. Vanessa também se tornou uma lembrança distante; ela sumiu de repente, provavelmente reatando com o ex-namorado.
Em uma terça-feira, consegui levar Jaque para um motel em Santo André, longe dos olhares da família. Enquanto ela cavalgava com vigor, soltou a bomba:
— Pai, o que acha de chamarmos uma terceira pessoa?
— A Letícia? Esquece, Jaque. Ela não topa.
— Não ela... a tia Yara!
Fiquei estático.
- Yara?
Parecia loucura. Mas Jaque não desistiu. Após o sexo, enquanto recuperávamos o fôlego, ela revelou seu plano.
— Eu estou louca para transar com uma mulher, pai. Desde os beijos na Letícia, isso não sai da minha cabeça. O Felipe é careta, diz que estragaria o namoro. Mas com você é diferente. E a tia... eu vi como ela olhou para você naquele dia do banho. Ela quer. Ela só precisa do empurrão certo. Jaque já tinha tudo calculado.
— Daqui a três semanas, a Letícia vai viajar para a casa da madrinha, a Tia Sônia. Ela vai ficar fora de 05 de dezembro a 04 de janeiro. O tio Carlos vai trabalhar em vários finais de semana no mês de dezembro. Vai ser a nossa chance.
- Não Jaque. Arranja outra pessoa. Sua tia não!
- Mas pai...
- Não Jaque, e não quero falar mais disso. Já passamos dos limites e não quero mais envolver ninguém que esteja em volta.
- Ta bom, pai!
E na mesma hora ela fecha a cara e volta a colocar a sua roupa.
- Já vamos embora, filha?
- Sim, pai. Tenho compromisso já já.
Os dias que se seguiram foram estranhos. Letícia chegou a sugerir que fugíssemos para viver como marido e mulher em uma cidade pequena. Tentei dar um choque de realidade nela, reforçando meu papel de pai, mas ela recuou apenas para manter o território. Ela continuava agindo como a dona da casa, sentindo-se a própria "esposa".
Em dezembro, a chegada de Juliana, filha da minha irmã Beth e minha sobrinha, trouxe uma nova energia. Juliana era o retrato da mãe: corpo escultural, 1.80m, 70kg, cabelos e olhos pretos. Quando a olhava lembrava de Beth e o que aconteceu em sua última visita. E dessa vez ela veio sozinha, já que estava de férias da faculdade. E ela chegou no dia 02 e ficaria até dia 01 de janeiro, quando voltaria para o interior do Rio Grande do Sul. E para não levantar suspeitas, estabelecemos uma regra em casa: roupas comportadas, e sempre. Mas como Letícia iria viajar, a regra ficou valendo apenas para Jaque e eu.
No dia 04 de dezembro, véspera da viagem de Letícia, a casa estava silenciosa. Não tinha ninguém. Subo até a casa de Yara e vejo que as meinas estavam na mesa tomando café, na qual o assunto era a tentativa de desistência da viagem de Letícia. A minha filha não queria ir mais viajar, pois a Juliana estava passando as férias. Mas tanto Yara como Jaqueline insistia para que ela fosse ver a sua tia, irmã por parte de mãe, que estava em sua espera. Ela me olhou com uma cara de tristeza que até partiu o meu coração. Mas no fim concordou em ir e combinaram que em junho Letícia iria para o Rio Grande do Sul passar as férias que ela tinha para tirar do trabalho e da faculdade.
No dia 05 levo Letícia até o aeroporto e antes de embarcar, ela me deu um abraço tão forte que antes de me soltar acaba dizendo:
- Te amo pai, em breve estou de volta.
Letícia embarcada, tanto eu como Jaque, Felipe e Juliana acaba voltando para a casa. E tinha passado uma semana e estávamos no segundo final de semana de dezembro. Nesse período a Jaque dormia mais na casa do Felipe, e quando o fazia, Juliana dormia na casa da Yara. Porém no domingo de noite aconteceu uma situação que moldou toda a história.
Eu caminhava pelo corredor quando ouvi risadas abafadas vindas do quarto de Jaque. Reconheci as vozes dela e de Juliana. Algo no tom da conversa me fez parar. Encostei o ouvido na madeira da porta, e comecei a tentar entender qual era a conversa, e para a minha surpresa...
— Prima, você não tem noção — dizia Juliana, em um sussurro excitado.
— Em setembro na faculdade, eu me meti em uma loucura. Fomos para a casa de um carinha e acabou virando uma orgia. Três garotas e dois caras. Foi a coisa mais intensa que já fiz.
Ouvi o suspiro de surpresa de Jaque.
— Meu Deus, Ju! Que inveja. Como foi isso?
Então, a gente foi em uma festa e tinha ido com um "guri" e a sua namorada. Eles são da minha sala. Ficamos conversando até que um casal de amigos deles se aproximaram e ficamos em uma rodinha bebendo e conversando. Por volta das 3h da manhã, muito louca, saímos e quando me deparei estava em um motel chupando a boceta dessa menina que estuda comigo enquanto o seu namorado me arrombava. Depois estava de marmita para o outro casal. Tirando os guris, até as meninas se pegaram.
- Eita Juliana. Que loucura é essa?
- Sim, nem eu acredito que tive coragem de fazer isso!
- Eu sou louca para fazer algo assim, mas o Felipe é um travado. Se eu pudesse, queria a putaria rolando solta. Mas ele é contra, dizendo que nosso relacionamento acabaria logo em seguida, pois ele não aguentaria ver outro pau me foder.
- Que safadinha você, hein. To achando que isso é mal de família.
- Sim, até a tia tem vontade de fazer algo assim!
- A Yara?
- Sim. — Jaque riu.
— Aquela ali é a maior vagabunda na cama, só não conta para ninguém. Ela já me confessou que tem vontade de experimentar mulher, mas só se for em um ménage. O problema é que o "tio" nunca aceitaria, e ela não faria com estranhos.
Minhas mãos suaram. Comecei a assimilar a proposta que ela fez para mim com o que a Jaque sabia de sua tia.
E começo a suspeitar que a Jaque estava plantando as sementes, testando o terreno com a prima e expondo os desejos ocultos da tia. A narrativa dela era audaciosa, misturando verdades e provavelmente algumas invenções para normalizar o que estava por vir. Por volta das 20h Jaque entra em meu quarto e diz:
— A partir de amanhã, volte a usar aquela sua samba-canção mais solta. Tenho um plano e você vai gostar do resultado.
Naquela noite, Yara desceu para jantar. Entre uma conversa e outra, mencionou que o marido passaria a semana de 26 de dezembro a 01 de janeiro fora, na casa da mãe dele.
— Dessa vez eu tenho que ficar, tenho que trabalhar dois dias — disse ela, bebendo um gole de refrigerante.
— Então teremos que organizar nosso Ano Novo por aqui mesmo. - Complementa.
Jaque me lançou o olhar mais safado que já vi na vida. O tabuleiro estava montado. Na segunda-feira, a primeira peça se moveu: vesti a samba-canção e deixei o jogo começar.