Corpos, Desejos e Silêncio... Historias que Nunca Ousamos Dizer. Capítulo 19 — Confissões que não pedem licença.

Um conto erótico de Bernardo
Categoria: Gay
Contém 4535 palavras
Data: 04/02/2026 01:00:17

— Isso não me surpreende tanto — respondi, sincero. — De certa forma… eu já imaginava.

Ele arregalou um pouco os olhos, genuinamente curioso.

— Sério? Por quê?

Inclinei o corpo um pouco para frente, apoiando os antebraços nas pernas.

— Arthuro, olhando friamente… os únicos homens assumidamente gays próximos de você naquele momento éramos eu e o Yan. — Dei de ombros. — Pela amizade dele com a Camille, pela liberdade que vocês tinham… fazia sentido.

Arthuro soltou uma risada curta, quase nervosa.

— É… — concordou. — Faz sentido.

Ele hesitou por um segundo e completou, num tom meio provocativo, meio desarmado:

— E… ele manda bem, ele mama gostoso.

Sem pensar muito, bati de leve no ombro dele, num gesto espontâneo, quase cúmplice.

— É. — sorri. — Eu sei que ele manda bem em muita coisa, até coisas que você nem imagina.

A risada veio fácil dos dois lados, quebrando um pouco a tensão que se acumulava.

Arthuro me olhou de novo, agora mais sério.

— Tá tudo bem pra você saber disso? — perguntou. — Tipo… de verdade?

Balancei a cabeça afirmativamente.

— Tá. Isso foi antes de eu conhecer o Yan. E mesmo que fosse agora… — fiz uma pausa breve. — Nós três somos solteiros. Cada um vive sua vida. Eu só veria problema se existisse algum compromisso mais profundo envolvido.

Ele pareceu relaxar um pouco com a resposta, mas logo voltou ao ponto que realmente o incomodava.

— A gente nunca conversou sobre isso depois. — A voz dele ficou mais baixa. — Foi como se tivesse sido apagado. Ele respeitou… eu respeitei… e ficou lá, congelado.

— Você sente vontade de falar com ele? — perguntei, com cuidado.

Arthuro desviou o olhar para o mar.

— Não sei. — Ele suspirou. — Agora você fica com ele… e eu… fico com você. De certo modo. Eu não sei se isso pode bagunçar alguma coisa.

Observei o perfil dele, a mandíbula tensa, os dedos inquietos.

— Se não bagunçou quando aconteceu — respondi com calma — eu acho difícil bagunçar agora. O Yan é tranquilo. Ele sabe lidar com as coisas sem drama.

Arthuro concordou com a cabeça.

— É… ele sempre foi.

O silêncio voltou, mas agora diferente. Mais reflexivo. Menos pesado.

— Era só isso que você queria me contar? — perguntei, num tom quase leve.

Arthuro soltou um ar pelo nariz, como quem sabe que ainda não terminou.

— Não. — Ele riu baixo. — Tem mais uma coisa.

— O quê? — perguntei, já sorrindo.

Ele abriu a boca para falar… e fechou. A língua passou rápida pelos lábios. Os olhos dele vagaram pelo meu rosto, como se buscassem ali a permissão final.

— Eu tô pensando… — começou, gaguejando levemente. — Eu queria te perguntar uma coisa sobre… sobre algo que já aconteceu.

A frase ficou suspensa no ar. Inacabada. Cheia de possibilidades.

Eu sustentei o olhar dele, sentindo o peso daquele “algo” que não foi dito, mas que já se fazia entender.

O silêncio que ficou depois da frase suspensa de Arthuro não era vazio. Ele tinha peso, textura, temperatura. Era um silêncio que roçava a pele, que fazia o corpo perceber a própria respiração.

Arthuro quebrou esse espaço com a voz mais baixa do que antes, quase cuidadosa, como se estivesse testando o terreno.

— Se pudesse acontecer… — começou devagar. — Se acontecesse de novo entre a gente… você disse que saberia lidar. Que reagiria bem.

Ele fez uma pausa curta, suficiente para me olhar nos olhos, buscando ali alguma reação antecipada.

— Mas… e se viesse a acontecer entre eu, você… e o Yan?

A pergunta veio inteira, sem rodeios, mas carregada de expectativa. Não era uma provocação vazia. Era curiosidade misturada com desejo, com medo, com vontade de ir além do que já tinha sido permitido até agora.

Eu não respondi de imediato. Inclinei um pouco o corpo para trás, apoiei as mãos na areia fria e respirei fundo antes de devolver a pergunta.

— O que você tá querendo dizer com isso, Arthuro?

Ele franziu levemente a testa, como se organizasse a ideia de outra forma.

— Não com a Camille… — corrigiu. — Mas se fosse diferente. Se fosse entre eu, você e o Yan. Juntos.

As palavras “juntos” ficaram ecoando mais tempo do que deveriam.

Soltei um riso curto, quase incrédulo, mas não de deboche. Mais de surpresa do que qualquer outra coisa.

— Arthuro… — chamei, balançando a cabeça de leve. — Já tá difícil de acontecer entre eu e você. Imagina eu, você e o Yan.

Ele riu também, mas o riso dele veio acompanhado de um suspiro.

— É… seria muita viagem, né?

Olhei pra ele com mais atenção. O rosto iluminado lateralmente pela luz distante da orla, os olhos claros atentos, o corpo inclinado na minha direção sem perceber.

— Não — respondi com calma. — Não seria muita viagem.

Arthuro levantou um pouco as sobrancelhas, curioso.

— Não?

— Não. — Reforcei. — Mas eu acho que esse não é o momento da gente pensar nisso.

Ele desviou o olhar por um instante, depois voltou.

— Por quê?

— Porque são relações diferentes. — Falei com firmeza tranquila. — Eu me relaciono com você de uma forma. Com o Yan, de outra. E isso que aconteceu entre você, ele e a Camille foi muito mais sobre a situação do que sobre uma escolha consciente.

Arthuro assentiu lentamente.

— É… eu já tinha bebido. — Ele riu sem graça. — Confesso que eu tava mais… aberto. Aceitando mais coisas.

Inclinei o rosto na direção dele.

— De viver um limite novo?

Ele soltou uma risada curta, meio envergonhada.

— É. — Confirmou. — Até porque o Yan nunca tentou nada comigo. Aquilo só aconteceu porque… foi uma sugestão da Camille, naquele momento.

— Sempre essa Camille… — murmurei, em tom de brincadeira.

Arthuro riu e, num gesto espontâneo demais pra ser ensaiado, estendeu a mão e mexeu no meu boné, puxando a aba levemente para lateral.

— Tá com ciúmes dela?

Olhei pra ele de lado, com um meio sorriso.

— Não. Nunca. — Respondi sem hesitar. — Nem se compara.

Ele me observava com atenção, como se quisesse ler algo além das palavras.

— Eu acho que são coisas diferentes — continuei. — Talvez o que ela te proporcionou, eu nunca possa te proporcionar. E talvez o que eu, o Yan ou qualquer outro homem possa te proporcionar… ela nunca vá conseguir. São corpos diferentes. Desejos diferentes. Intensidades diferentes.

Arthuro ficou em silêncio, absorvendo cada frase.

— Quando você experimentar de verdade — acrescentei —, aí sim você vai poder dizer o que faz sentido pra você.

Ele riu, balançando a cabeça.

— É… eu também não me vejo sem transar com mulheres. — Confessou. — Isso pra mim não funciona muito.

— Eu entendo — respondi. — Mas isso não precisa ser uma preocupação agora.

Fiz uma pausa breve antes de voltar ao ponto que ele tinha levantado.

— Sobre o que você perguntou… — retomei. — Já houve um momento entre você e o Yan. Mas eu acho que a gente não tem que pensar nisso agora. Até porque ele nem sabe que eu fico com você.

Inclinei um pouco mais o corpo na direção dele, estreitando o espaço.

— Agora… — provoquei, com um sorriso lento. — você tá sendo um safado. Me fala a verdade. O que você tava pensando?

Arthuro soltou uma gargalhada baixa, aquela risada que começa no peito.

— Eu pensei em muita coisa. — Admitiu, sem desviar o olhar. — Pensei em vocês dois me beijando… me chupando... me provocando… me deixando sem saber pra onde olhar.

Meu corpo reagiu antes da minha fala, mas mantive o controle.

— Meu Deus, Arthuro… — balancei a cabeça, rindo. — Primeiro você precisa dar conta de um.

Ele arqueou a sobrancelha.

— Um quem?

— Eu. — Respondi, simples. — Depois você pensa em dois.

Inclinei a mão e toquei a perna dele, de leve, um contato que não precisava ir além.

— E se você der conta de um… — acrescentei, em tom brincalhão — talvez eu te ajude a dar conta de dois.

Os olhos claros dele brilharam de um jeito diferente, mais intenso.

— Você vai se arrepender de ter dito isso. — Ele sorriu, confiante. — Eu tenho certeza que dou conta. Talvez você que não dê conta desse tudo aqui.

— Nossa… — ri. — Você se acha, né?

— Não. — Ele respondeu rápido. — Eu só tô me valorizando.

Minha mão apertou de leve a perna dele, num gesto silencioso de aprovação.

— Então se valoriza. — Falei baixo. — Eu também te valorizo.

O vento soprou mais frio naquele momento. A pele reagiu.

— Tá esfriando, né? — comentei.

Arthuro passou a mão pelo próprio braço, arrepiado.

— Tá. Um pouco.

— Acho que já tá na hora da gente voltar — sugeri.

Ele assentiu, mas antes de levantar, me olhou com um sorriso sincero.

— Foi bom conversar com você. — Disse. — De verdade.

— Foi. — Concordei.

Nos levantamos devagar, ainda com a areia grudada nos chinelos, como se o corpo resistisse a quebrar aquele instante.

Virei pra ele antes de darmos o primeiro passo de volta.

— Arthuro…

Ele me olhou, atento.

— O que for que você queira perguntar… — completei, com calma. — A gente conversa. Sem pressa.

Ele respirou fundo, como quem guarda algo importante para o momento certo.

E seguimos caminhando, lado a lado, levando conosco perguntas que ainda não tinham pedido licença — mas que já exigiam respostas.

O caminho de volta foi curto, rápido demais para o que eu ainda queria elaborar dentro de mim. Arthuro subiu primeiro na moto, confiante, como se o corpo dele já tivesse decorado aquele movimento. Eu subi logo depois, instintivamente aproximando o corpo do dele, segurando firme na cintura, sentindo o calor atravessar a camiseta fina.

A moto deslizou pela rua quase vazia. O vento batia no rosto, mas não era frio o suficiente para dissipar o que ficava quente por dentro. Eu apoiei a testa de leve nas costas dele, fechando os olhos por alguns segundos. A sensação era estranhamente confortável — segura demais para algo que, teoricamente, ainda era indefinido.

Chegamos rápido.

Arthuro estacionou com cuidado, desligou a moto e tirou o capacete. Eu fiz o mesmo, ainda com aquele meio sorriso que aparece quando a noite foi melhor do que a gente esperava.

Ele desceu primeiro, depois estendeu a mão pra mim. Um gesto simples, mas cheio de intenção.

— Chegamos — ele disse, sorrindo.

Antes que eu respondesse qualquer coisa, a porta da minha casa se abriu.

— Nossa, meninos, vocês demoraram — a voz da minha mãe veio acompanhada de um sorriso sonolento. — Entrem.

Arthuro imediatamente deu um passo para trás, educado.

— Não, tia, eu já vou indo…

Ela nem deixou terminar.

— Indo nada. Já arrumei lá no quarto do Bernardo. Você dorme aqui hoje. Já tá tarde demais. Entra com essa moto aí dentro, avisa seu pai e tá tudo certo.

Arthuro me olhou, um pouco sem jeito, como se pedisse permissão. Eu só levantei as sobrancelhas e dei um meio sorriso.

— Vamos? — falei baixo.

Ele respirou fundo e riu.

— Vamos, então.

Entramos. A casa estava silenciosa, com aquele cheiro familiar de fim de noite. Meu pai já não estava mais na sala, provavelmente dormindo. Minha mãe pegou um copo d’água, desejou boa noite e desapareceu pelo corredor.

Arthuro olhou em volta, quase sussurrando:

— Eu não quero incomodar.

— Incomodar? — ri. — De jeito nenhum. Tem espaço de sobra.

Ele riu também, mais relaxado agora.

— Então tá bom.

Subimos juntos. Quando entramos no meu quarto, a primeira coisa que notei foi que minha mãe realmente tinha se empenhado. A cama de casal estava arrumada, lençóis esticados, travesseiros alinhados. No chão, havia um colchão improvisado, com coberta e tudo.

— Olha isso — Arthuro comentou, rindo. — Isso tá me lembrando quando a gente era mais novo.

— É… — respondi. — Mas agora a gente já tem uma certa idade.

Ele observava o quarto como quem revisita uma memória antiga. Eu percebi quando o olhar dele pousou na cama.

— Arthuro… — comecei. — Você não precisa dormir no chão. Dorme aqui comigo.

Ele riu, balançando a cabeça.

— Eu me mexo demais.

— Eu sei. — Cheguei mais perto. — Mas eu não vou deixar você dormir no chão.

Houve um segundo de silêncio. Ele me encarou, avaliando, e acabou cedendo.

— Tá bom… — disse. — Mas só porque você tá insistindo.

— Sempre fui bom nisso — provoquei.

Antes que o clima se deslocasse para outro lugar, eu respirei fundo.

— Só vou pedir pra você esperar um pouco. Vou tirar essa areia do corpo. Vou tomar um banho rápido.

— Eu também queria — ele respondeu. — Fica areia em tudo.

— Então tá. — Fui até o guarda-roupa. — Vou pegar uma roupa minha pra você dormir… mas já aviso que nada vai caber direito.

Ele deu uma risada.

— Uma cueca cabe.

A frase ficou no ar mais tempo do que deveria. Nós dois rimos, mas havia algo ali — uma tensão leve, quase brincalhona.

Fechei a porta do quarto e tranquei.

— Agora a gente fica mais à vontade.

Peguei o celular quase no automático. Arthuro fez o mesmo, avisando o pai. Quando desbloqueei a tela, vi a mensagem do Yan perguntando sobre o almoço de amanhã.

Olhei pra Arthur.

— É o Yan.

— O que ele quer? — perguntou, tranquilo.

— Perguntando do restaurante de amanhã.

— Ah… — ele sorriu. — Que legal.

Observei o rosto dele com atenção. Nenhuma mudança brusca. Nenhum incômodo visível.

— Responde — ele disse.

Pensei por um segundo e tive uma ideia.

— Vamos mandar um vídeo. Juntos.

— Sério? — ele riu, meio surpreso.

— Sério.

Sentei ao lado dele na cama, liguei a câmera e encostei mais perto, segurando de leve a mão dele.

— Yan… olha quem tá aqui comigo.

Arthuri apareceu atrás de mim, sorrindo e acenando.

— E aí! — disse ele.

— O Arthuro passou aqui hoje pra mostrar a nova conquista — continuei. — A moto. E tá tudo de pé pro almoço amanhã.

Arthuro começou a zoar no fundo.

— Almoço de casal, hein? — disse, rindo.

— Olha ele… — respondi, rindo também. — Amanhã cedo a gente se fala, beleza?

— Beleza! — Arthuro repetiu, imitando meu tom.

Encerramos o vídeo, mas mal tivemos tempo de respirar: o Yan ligou por chamada de vídeo.

— Seus safados — ele disse, rindo. — Saíram à noite e nem me chamaram?

— Foi rápido — expliquei.

— Praia — Arthuro completou. — E eu precisava contar da moto.

— Parabéns, Arthuro! — Yan disse animado. — Eu sei o quanto você queria isso.

A conversa fluiu fácil. Risadas, provocações leves, convite feito.

— Vamos nós três amanhã — Yan sugeriu. — Almoço, jogo, comemorar tudo junto.

Arthuro tentou recuar.

— Ah, mas é o momento de vocês dois…

— Deixa disso — falei. — Ele tá te chamando também.

— Claro —Yan reforçou. — Vamos juntos.

Depois de acertar horários, desligamos.

Eu olhei pra Arthuro, sorrindo.

— Viu como ele é de boa?

— Eu sei — ele respondeu. — Conheço ele mais do que você.

Ri, me levantei da cama e comecei a tirar a camiseta, ficando só de short, indo até o guarda-roupa.

— Agora… — falei por cima do ombro. — Vamos ver o que dá pra você vestir.

E senti, sem nem precisar olhar, que os olhos dele me acompanhavam.

O ar no quarto já não era só de descanso.

Era de expectativa.

Abri a gaveta devagar, ainda sem camisa, de costas para Arthuro, passando os dedos entre as roupas como se realmente estivesse concentrado naquilo. Mas meu corpo já não estava inteiro ali. Eu sentia.

Senti quando ele se aproximou.

Não foi barulho. Não foi movimento brusco. Foi presença.

O ar mudou antes mesmo do toque.

De repente, o peso do corpo dele estava atrás do meu, quente, próximo demais para ser casual. E então o rosto dele repousou no meu ombro, a respiração roçando minha pele, enquanto as mãos se acomodavam na minha cintura com uma naturalidade que denunciava intimidade.

— Já encontrou alguma coisa? — ele perguntou baixo, a voz quase encostando na minha orelha.

Um beijo leve no meu rosto me fez fechar os olhos por um segundo.

— É… — respondi, meio sem graça, meio rendido. — Vamos olhar juntos.

Ele riu de leve.

— Se não achar nada, não tem problema. Eu durmo só de cueca mesmo… ou até sem.

Virei o rosto só um pouco, sentindo o sorriso dele se abrir perto demais.

— Sem roupa aqui não, Arthuro — falei, tentando soar firme. — Melhor não. Estou procurando um short pra você ficar mais à vontade.

Ele não respondeu com palavras.

As mãos subiram da minha cintura até o meu queixo, virando meu rosto com cuidado, me fazendo encarar ele. Arthuro estava sem camisa também. O peito exposto, a pele ainda quente da noite, o corpo relaxado, confiante.

Ele empurrou a gaveta com o quadril, me encostando no guarda-roupa. Não foi agressivo. Foi decidido.

— Tá… tudo bem — ele disse, antes de me beijar.

O beijo foi lento, encaixado, sem pressa. Nossos corpos se tocaram de verdade pela maia uma vez ali, pele com pele, como se o espaço entre nós finalmente tivesse desistido de existir.

As mãos dele exploravam minhas costas, meus braços. As minhas encontraram o caminho natural pelo abdômen dele, sentindo cada movimento da respiração, cada contração leve.

Quando ele se afastou um pouco, me olhando de cima a baixo, eu respirei fundo.

— Vai ser uma aprovação dormir com você do meu lado essa noite — murmurei.

Ele sorriu, daquele jeito torto que sempre me desarmava.

— É mesmo?

Desci o olhar, sem disfarçar.

— Ainda mais assim… — toquei de leve o corpo dele, sem pressa. — Olha você. Suas coxas… seus braços…

Aproximei o rosto, sentindo o cheiro dele, familiar demais pra ser só amizade.

Ele passou a mão pelo meu pescoço, os dedos firmes, curiosos.

— Mas o quê… — ele começou, interrompendo a frase ao perceber algo. — Que marca é essa?

Franzi a testa.

— Marca?

— Aqui — ele indicou de leve. — Você tá meio vermelho.

— Ah… — ri. — Foi um mosquito. Trilhas, né? Acontece.

— Entendi… — ele sorriu. — Mas você tá bem mais bronzeado.

— A praia fez efeito.

Sem pensar muito, puxei de leve a cintura da cueca só o suficiente pra mostrar a diferença de tom.

— Olha.

Arthuro observou, atento demais.

— Fica lindo assim — ele disse, sincero. — Te faz muito bem.

— Você também — respondi. — Muito.

Me afastei um pouco, respirando fundo.

— Deixa eu achar algo pra você.

— Tudo bem.

Ele se virou um pouco, mas não foi embora. Ficou ali. Próximo. A mão voltou para minha cintura quando puxei a gaveta de novo.

Arthuro colou o corpo no meu por trás, encaixando sem pressa, como se aquele lugar fosse natural. O rosto dele voltou para o meu ombro, a respiração calma, quente.

Nós dois encurralados entre o guarda-roupa e o que não estava sendo dito.

Segurei uma das mãos dele, entrelacei os dedos.

E ficamos assim por alguns segundos que pareceram longos demais para serem apenas silêncio.

Nada precisava acontecer naquele instante.

Porque já estava acontecendo.

Eu remexi na gaveta com uma calma que não condizia com o que eu sentia por dentro. Meus dedos encontraram dois shorts de estilo futebol, leves e macios. Estendi as opções para Arthuro, sentindo a presença dele como uma fonte de calor constante às minhas costas.

​— Olha, tem esse preto aqui, que é o maior que eu tenho — expliquei, virando-me de leve para ele. — E tem esse branco aqui, tamanho padrão.

​Arthuro pegou o preto, avaliando o tecido entre os dedos, um sorriso brincando em seus lábios.

— Esse aqui serve, não tem problema algum.

​— Tá... e eu vou ficar com esse branco — respondi, tentando manter a voz estável enquanto o observava. — Assim eu durmo mais confortável também.

​Ele arqueou uma sobrancelha, o olhar descendo pelo meu corpo com uma lentidão que parecia um toque físico.

— Você dorme sem cueca, Bêr?

— É... às vezes eu durmo sem nada mesmo — confessei, sentindo um arrepio subir pela espinha. — Mas hoje eu tenho visita, né? Vou ter que me comportar.

​Arthuro soltou uma risada baixa, rouca, que vibrou no ar rarefeito do quarto.

— Ah, eu não ia me importar. Até porque, se você fizer isso, eu também posso fazer.

​A provocação ficou suspensa entre nós. Eu levei o indicador à boca dele, um toque suave, quase um comando, sentindo a maciez dos seus lábios.

— Ainda não, tá?

​Caminhamos em direção à cama, mas o magnetismo entre nós não permitia que a gente se afastasse. O banheiro do quarto era o nosso destino imediato; a areia da praia ainda colava na pele, mas o desejo colava muito mais.

— Vou tomar um banho e aproveitar para pegar uma toalha nova para você — eu disse, já abrindo a porta do banheiro.

​Ele não pediu autorização; ele simplesmente

afirmou com o corpo que viria junto. Entramos de mãos dadas, um gesto de cumplicidade que selava o que estava por vir. O espaço do banheiro, menor e mais iluminado, fez com que cada detalhe de Arthuro saltasse aos meus olhos. Estávamos ambos sem camisa, a pele brilhando levemente sob a luz fria.

​Sem cerimônias, Arthuro começou a se livrar da bermuda. Eu fiz o mesmo, os movimentos sincronizados. Quando as peças caíram, revelaram que ambos usávamos cuecas brancas.

​— Que foi? — ele perguntou, percebendo que eu observava sorrindo a coincidência. — Tá com medo?

​— Que foi? — ele perguntou, percebendo meu silêncio.

— Nada… — respondi. — Só reparei que a gente combina.

Arthuro sorriu.

— Você sabe disso.

​Arthuro então se virou de costas para retirar a cueca. O movimento fez a musculatura das suas costas e glúteos trabalhar de forma magnífica. A bunda dele era muito bem desenhada, firme, com curvas que pareciam esculpidas por um artista que entendia de anatomia masculina. Quando ele se virou de volta para mim, totalmente nu, a visão foi avassaladora. O pau dele, pesado e de um tamanho impressionante, repousava em meia-bomba, mas já carregado de promessa.

​Ao contrário dele, que parecia manter um controle gélido e sedutor sobre a própria reação, eu não consegui disfarçar. Meu corpo reagiu com uma urgência que me deixou totalmente ereto e exposto. Arthuro notou imediatamente, seus olhos claros brilhando com um triunfo silencioso.

​— Tá se animando, né? — ele murmurou, a voz descendo.

​— Ai, Arthuro, para... — tentei desviar, mas o riso nervoso me traiu.

​— Não... não tem por que parar — ele rebateu, dando um passo à frente.

​Nossos corpos se colaram. A pele do peito dele, ainda com o frescor da noite, encontrou o calor febril do meu. Nossos membros, agora em níveis diferentes de excitação, estavam tão próximos que eu podia sentir o pulsar de cada um. Ele se inclinou, enterrando o rosto na curva do meu pescoço, aspirando meu cheiro com uma voracidade que me fez perder o equilíbrio por um segundo.

​A boca dele roçou a minha orelha, o hálito quente enviando choques elétricos por todo o meu sistema nervoso.

— Só se entrega, Bêr. Não tem por que resistir agora.

​— Arthuro... meus pais estão no quarto aqui perto — sussurrei, uma tentativa desesperada de trazer um pouco de sanidade para o momento.

​— Relaxa — ele disse, a voz vibrando dentro do meu ouvido, as mãos dele descendo firmes para a minha cintura. — Só se entrega. A gente não vai fazer nada demais... por enquanto.

Eu sentia meu membro se enrijecer a cada palavra dele, latejando contra a pele dele. O dele, que antes parecia controlado, começou a ganhar vida própria, tornando-se mais pesado e sólido sob o meu toque acidental. O contraste entre o controle dele e a minha entrega total criava uma voltagem que parecia prestes a explodir dentro daquele banheiro.

​Arthuro me olhava agora com uma expressão de desejo absoluto, os traços faciais relaxados, mas os olhos focados, predatórios. Ele estava ali, inteiro para mim, e o perigo da vizinhança dos meus pais só servia para tornar aquele momento mais proibido e, por consequência, infinitamente mais erótico.

O som do registro sendo aberto ecoou nas paredes de azulejo, e logo o vapor começou a subir, embaçando o espelho e as paredes de vidro do box. A água caía morna, convidativa. Arthuro me deu um leve empurrãozinho, um convite silencioso, e entramos juntos naquele espaço restrito. Sob o jato do chuveiro, nossas peles se encontraram novamente, agora sob a carícia constante da água que escorria pelos nossos relevos musculares.

​Eu me sentia estranhamente tímido sob o olhar direto dele. Arthuro, por outro lado, parecia ter deixado qualquer hesitação do lado de fora. Ele se posicionou de frente para mim, deixando a água bater em suas costas largas, enquanto seus olhos claros me mapeavam com uma fome evidente.

— Tá muito quieto, Bêr. — ele provocou, a voz competindo com o ruído da água. Ele deu um passo à frente, prensando-me levemente contra a parede fria do box enquanto o calor da água nos envolvia. — O que foi? O Bernardo atrevido do carro ficou lá fora?

​Eu desviei o olhar por um segundo, sentindo o rosto queimar.

— É diferente aqui... — sussurrei, sentindo a mão dele subir pelo meu braço, os dedos traçando caminhos lentos sobre a minha pele molhada.

​— Diferente por quê? — Ele se aproximou mais, o corpo dele, agora completamente ereto e rígido, encostando na minha coxa. — É só a gente. Ninguém tá vendo.

​Ele pegou o sabonete e começou a passá-lo pelas minhas mãos, depois subiu pelos meus ombros. O deslizar da espuma tornava o toque ainda mais sensorial. Arthuro era meticuloso, explorando cada curva do meu peito, descendo pelo abdômen, os olhos dele nunca saindo dos meus. Quando foi a minha vez, peguei o sabonete com os dedos trêmulos. Comecei a ensaboar o peito dele, sentindo a firmeza dos músculos e a aspereza leve dos pelos molhados.

À medida que a espuma limpava o rastro de sal e areia, o desejo purificado tomava conta. Minha mão desceu, guiada por uma curiosidade que vencia a timidez, e finalmente meus dedos envolveram o membro de Arthuro. Ele soltou um suspiro pesado, a cabeça pendendo levemente para trás enquanto eu sentia a pulsação daquela carne quente e latejante sob o toque da água. Ele estava absurdamente excitado, a pele esticada e sensível.

​— Caralho, Bernardo... — ele rosnou, os olhos voltando a me focar com uma intensidade elétrica.

​Ele segurou minha nuca com uma das mãos, enquanto a outra guiava meus movimentos. O contraste do sabonete escorregadio com a firmeza do corpo dele era inebriante. De repente, Arthuro parou, me olhando com um desejo que beirava a ordem.

​— Mama pra mim — ele pediu, a voz grave, carregada de uma urgência que me fez estremecer. — Eu quero sentir sua boca aqui, agora. Esquece o resto.

Eu hesitei por apenas um batimento cardíaco. Ajoelhei-me no chão do box, a água do chuveiro batendo no meu rosto e se misturando à minha respiração ofegante. Diante de mim, a masculinidade de Arthuro se apresentava de forma imponente, pulsando. Eu o abocanhei com vontade, sentindo o calor extremo da sua pele contra a frieza relativa da água que escorria.

​Arthuro soltou um gemido contido, as mãos cravando-se nos meus cabelos enquanto eu o explorava com a língua e a sucção. Ele delirava sob o meu toque, o quadril movendo-se instintivamente na direção da minha boca. O som da água batendo no chão do box se misturava aos estalos úmidos da nossa intimidade. Ele estava no limite, a respiração curta, sussurrando palavras desconexas enquanto eu o levava a uma sensação de prazer absoluto sob o jato morno.

Depois de alguns momentos de entrega total, ele me puxou para cima, os olhos injetados de um sentimento ainda desconhecido.

— Calma... ainda não — ele disse, limpando o resto da espuma e da água do meu rosto com o polegar. — Vamos nos limpar primeiro. Quero sentir cada parte sua sem nada entre a gente.

​Nós nos enxaguamos rapidamente, retirando todo o sabão. A pele agora estava limpa, vermelha pelo calor da água e extremamente sensível ao menor toque. Arthuro pegou uma toalha e começou a secar meu corpo com uma lentidão provocante, antes de fazer o mesmo consigo. Saímos do banheiro com os corpos ainda exalando vapor, a tensão sexual agora solidificada em uma promessa que não poderia mais ser adiada...

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