Antes de eu colocar a mão na porta, ouvi um ruído. Olhei na direção e vi um mendigo se aproximando, cambaleando:
- Tem um trocado aí para eu comprar uma querosene, doutor?
Pelo menos, ele foi honesto e pediu dinheiro para beber. Eu não precisava de maiores atrasos, então coloquei a mão no bolso, tirando uma nota de R$ 20,00, esticando-a na sua direção. Ele puxou a minha mão e bateu uma algema no mesmo instante. Nem vi outros dois se aproximarem por trás de mim. Um saco preto foi colocado na minha cabeça, enquanto eu era arrastado dali. Pensei em pedir ajuda ao Zico, mas o que ele poderia fazer naquele momento? Nada!
[CONTINUANDO]
Fui jogado em um carro com a delicadeza de quem prepara um porco para o abate. Depois uma voz grossa, sentenciou:
- Não esperávamos ter que tomar uma atitude mais drástica, doutor. Mas como o senhor é mesmo muito intrometido, não tivemos outra saída.
- Quem são vocês? O que querem comigo?
- Não somos ninguém e somos todo mundo. E por isso, temos olhos e ouvidos em todos os lugares. Todos mesmo! Agora... fica calmo aí e não nos dê trabalho. Logo chegaremos a sua próxima morada.
Eu não tinha o que fazer, nem que quisesse. Estava algemado, encapuzado e ainda apertado num banco entre 2 homens. Imaginei que pudesse ser o meu fim e de imediato, entendi o porquê da Helena estar sendo tão evasiva.
Meia hora depois, o carro parou em algum lugar. Ouvi vozes se aproximando, outra descendo do veículo. Fiquei só por um instante.
Logo me puxaram para fora do carro e tiraram o saco da minha cabeça. Assim que meus olhos se ajustaram a luminosidade, vi que estava cercado por, pelo menos, 10 homens fortemente armados, alguns vestidos com coletes à prova de balas, outros com uniformes com estampa de selva. Eu agora sabia que estava num covil, só não sabia ainda qual o tipo de lobo.
Fui gentilmente empurrado aos trancos para uma sala parecida com aquela do hangar. Dentro, uma mesa de metal e 4 cadeiras. Num canto, sobre um móvel de metal, havia uma cafeteira e um bebedouro de água. Noutro canto, uma porta para um banheiro. No alto, uma câmera filmava tudo. Nem mesmo me tiraram as algemas.
Os minutos se sucederam e se transformaram em horas. Comecei a bater na porta até minhas mãos ficarem vermelhas. Ninguém apareceu. Cansado sentei-me à mesa e acabei cochilando. Acordei sei lá quanto tempo depois com o baralho a porta sendo aberta, um ranger frio e tenebroso. Talvez tivesse chegado a minha hora. Mas eu não iria sem lutar. Morrer sim, mas de pé.
Levantei minha cabeça e vi o agente Godfree entrando. A expressão dele? A pior possível:
- Qual é o seu problema? – Perguntou ao se sentar à mesa: - Pensei que o chefe tivesse sido bem claro com você.
Encarei-o com sangue nos olhos. Ele continuou:
- Ou você é muito burro... ou é tão inteligente que eu não estou conseguindo entender onde quer chegar. O que você pretendia fazer naquele prédio? Procurar digitais? Instalar uma escuta? – Ele jogou o equipamento do Zico sobre a mesa: - Achou mesmo que iria encontrar alguma prova no escritório da sua esposa?
- E o que mais eu poderia fazer? Vocês não me falaram nada!
- Com quem você está trabalhando? Porque esse equipamento aqui não é coisa de amador...
Não respondi. Ele estava realmente bravo com minha nenhuma cooperação. Vi que uma das mãos dele segurava a outra, fechada. Ele parecia prestes a explodir, mas depois de um longo suspiro, pareceu recuperar uma calma fria, assustadoramente gelada:
- O que você quer saber afinal, doutor? Quer saber se a sua esposa te traiu? É isso?
Não respondi, mas o meu olhar deve ter falado algo que serviu de resposta para ele. Ainda assim, ele pensou um pouco e foi mais leve:
- O que o senhor considera traição, doutor?
- Que pergunta mais idiota é essa, Godfree!?
- É uma pergunta bastante simples... – Ele se levantou e foi à cafeteira, servindo-se e me trazendo um copo descartável com café: - Vamos elaborá-la melhor... Sexo sem amor, é traição para o senhor? Ou o senhor só considera traição, se houver algum tipo de envolvimento emocional?
- Onde você quer chegar com isso?
- Quero entender você melhor para te dar a resposta de uma pergunta que parece estar te atormentando. – Ele tomou um gole do café, me encarando.
Olhei para o meu copo e o peguei, tomando um gole. Naquele instante, saber ou não se Helena havia me traído nem chegava a ser o mais importante, apesar de me incomodar a possibilidade. Fui honesto:
- Nem sei se isso me incomoda mais. Estou mais preocupado com a segurança da Helena do que com isso.
- Entendi... – Ele balançou o copo e bebeu o restante num longo gole: - Vem comigo. Eu já te falei que ela está bem e segura. Vou te provar isso hoje.
Levantei e o segui para fora daquela sala. Fomos até uma espécie de centro de comando montado numa outra sala maior, com algumas pessoas e monitores espalhados:
- Todo o pessoal não essencial, desocupe o recinto. – Disse o agente.
De umas 10 pessoas, ficaram apenas 3, mais eu e ele. Ele se aproximou de uma loira de olhos azuis, meio gordinha, mas bem bonita de rosto:
- Liz... Mostre a suíte da senhora Camargo.
Ela acessou o computador e a imagem de uma suíte surgiu numa televisão na parede. Não havia ninguém, apenas o quarto vazio. Não entendi onde ele queria chegar:
- É um belo quarto... mas e daí!?
Ele fez um sinal com a mãos para que eu esperasse. Olhou no relógio e depois na televisão, onde uma porta se abria:
- Bem na hora...
Na imagem, uma loira belíssima entrava, sendo puxada e agarrada por mãos fortes, masculinas. Ela se virou e voltou, certamente para beijar esse homem. Logo, ela voltou a entrar de costas, puxando ele pelas mãos. Surgiu então um homem que eu não conhecia, com uma bela morena segura pela cintura:
- É... É a Helena!?
- Está perguntando ou afirmando? – Perguntou o agente.
Nem precisei responder, porque eu conhecia minha esposa, e era ela quem entrava ali com a loira e aquele outro. Helena não parecia muito entrosada aquele momento. Seus movimentos eram lentos, meio travados. Coube a loira ir até ela e a beijar na boca, num movimento que me fez ficar boquiaberto de imediato, mais ainda quando ela começou a corresponder e se soltou do homem para abraçar firmemente aquela mulher:
- Mas que... porra é essa!? – Perguntei.
- Já temos o áudio? – Perguntou o agente para a loira do computador, que confirmou com um meneio de cabeça.
Ele então me encarou. Aquela frieza típica de americano, ainda mais com o treino exigido para seu trabalho na CIA, deu lugar a um aparente ser humano. Foi quase acolhedor:
- Talvez não seja fácil de assistir...
- Prefiro saber a verdade. – Falei, olhando diretamente para a televisão, mas depois me virando para ele: - Apesar desta não ser toda a verdade, não é mesmo, agente?
Ele puxou uma cadeira para mim e indicou que eu me sentasse. Depois, os que ainda estavam na sala:
- Estarei ali fora. Por favor, não perca o controle, nem quebre equipamento algum, ou aí sim, eu terei que ser incisivo para te controlar.
Apenas acenei com a cabeça e ele saiu.
Na televisão, Helena e a loira, ambas agora sem as blusas, continuavam se agarrando. O homem havia se servido de um uísque e se sentou numa cadeira, assistindo. Mas havia mais: discretamente, ele parecia estar filmando as duas com um celular. Eu não sabia se elas sabiam, mas aquilo pouco parecia importar para elas. Aliás, a desenvoltura delas indicava que já haviam feito aquilo antes, não uma, nem duas vezes, mas várias:
- Ahhhhh... Você é uma safada, Bri. – Disse Helena após ter um seio sugado.
- Eu!? Safada é você, Lena. Toda certinha durante o dia, uma verdadeira putinha à noite.
O homem disse alguma coisa que o áudio não captou bem. Acredito que ele as mandou para a cama, pois foi isso que elas fizeram a seguir.
Ali, as duas tiraram o restante das roupas, ficando apenas com lingerie, meia 7/8, sapatos de salto alto e joias. Elas pareciam insaciáveis, beijando-se e se lambendo, quase se engolindo para o deleite do homem.
Logo, a loira tirou o sutiã e jogou na direção do homem que, nada bobo, indicou querer a calcinha também. Helena ainda parecia meio tímida, mas a loira a ajudou a também tirar o sutiã, jogando na direção dele, que sorriu.
A loira então voltou a avançar na direção da Helena, deitando-a sobre a cama. Após beijos e carícia, Helena por baixo e a loira por cima, a loira desceu beijando o pescoço, depois seios, barriga até chegar no púbis da Helena. A loira então aproximou o nariz da intimidade da minha esposa e cheirou, profundamente, parecendo reconhecer ali uma morada. Helena se contorceu, certamente gemendo baixo, o suficiente para o áudio não ser captado. A loira então puxou a calcinha de lado e deu um beijo na testa da bucetinha depilada da Helena:
- Depilada!? Mas a Helena nunca tira tudo! – Resmunguei para mim mesmo.
A língua da loira então tocou profundamente a vagina de Helena que se contorceu ainda mais, agora soltando um audível gemido de prazer. O gemido me deu uma sensação tão estranha... Doeu! E ao mesmo tempo, fez o meu pau endurecer. Respirei fundo, tentando me acalmar nas duas vertentes.
A loira puxou a calcinha de Helena por suas longas e delicadas pernas, até saírem pelos pés, jogando-a na direção do homem que a cheirou com prazer, sorrindo:
- Ele vai ficar louco! – Ele resmungou, colocando-a no bolso da camisa.
Vi que ele se aproximou das duas e imaginei que fosse também entrar na brincadeira. Ele e a loira trocaram algumas palavras, e ela anuiu. Ele então puxou a calcinha dela delicadamente de seu corpo, desnudando-a por completo. Cheirou então a calcinha e a lambeu discretamente, enquanto sorria, longe dos olhares das duas mulheres. Ele então voltou a se sentar onde estava antes, assistindo, filmando, sorvendo aquele clima de pura sedução.
A loira passou a se esbaldar na buceta da Helena, beijando, lambendo, sugando e introduzindo vários dedos. Digo vários, porque começou com um, mas logo ela enfiava praticamente toda a mão dentro da vagina da Helena, algo que eu nunca imaginara que ela suportaria, já que sempre teve uma vagina bem apertadinha:
- Ah, Helena... Onde você foi se meter? – Resmunguei novamente.
Foram minutos de trabalho incansável da loira e nesse tempo, vi a Helena tensionando o seu corpo por, pelo menos, 2 vezes. Ou seja, a menos que ela estivesse fingindo, e eu duvidava, porque conhecia bem a minha esposa, ou achava que conhecia, ela teve 2 grandes orgasmos na boca daquela mulher.
Após o segundo orgasmo dela, a loira se levantou e foi até o homem, sentando-se no seu colo. Vi que conversaram algo bem ao pé do ouvido e se beijaram. Por tabela, aquele maldito também estava sentindo o delicioso mel da minha esposa, ou ex. Ficaram poucos minutos ali, pois logo ela voltou até a cama, subindo e se posicionando sobre o rosto da Helena:
- Mas... o quê que... – Calei-me abismado.
A loira agora estava sentando no rosto da Helena. Sentando e se esfregando acintosamente. Ela passou a ir para frente e para trás, rebolando e parando, quando se posicionava certamente para sentir algum prazer a mais, pois, nesses momentos, ela encarava o teto da suíte, boca aberta e olhos fechados, parecendo gemer. Não posso afirmar, mas acredito que a vi tendo um orgasmo também.
Logo, o homem se aproximou novamente da cama, filmando as duas bem de perto. Às vezes de cima, às vezes mais próximo ao rosto de Helena que ainda tinha a loira sobre si. Foram bons minutos nesse processo.
Depois de um tempo, ele colocou o celular sobre uma mesa e disse algo para a loira que concordou. Logo, ela saiu de cima de Helena e se colocou de 4 na beirada da cama. Ele simplesmente tirou o pau para fora da calça, um pau grande e grosso, bem acima do normal, e enfiou nela, sem a menor cerimônia. Passou a bombá-la rapidamente, dando violentos tapas na bunda dela, dolorosos mesmo pela expressão da loira que tinha a cabeça voltada na direção da câmera:
- De 4 também, morena! – Ele mandou.
Helena o obedeceu. Já imaginei o pior. Ali, eu veria em 4k e som surround a minha esposa ser possuída por outro homem. Entretanto, contrariando o que eu imaginava, ele apenas passou a acariciar a bunda e a enfiar dedos na buceta e talvez no cu da Helena. Não tenho certeza, porque a posição da câmera não ajudava. Ele seguiu fodendo a loira sem parar. Às vezes, tirava a mão da Helena e batia na bunda da loira, voltando à Helena na sequência. Após alguns minutos, ele tirou da loira e mandou que as duas se ajoelhassem no chão. Deu então algumas punhetadas rápidas e começou a gozar no rosto das duas. O ápice, se é que posso dizer assim, foi quando vi Helena e a loira trocarem um beijo melecado, compartilhando o gozo daquele estranho.
Logo, a loira tombou na cama exausta. Helena a acompanhou. O homem guardou o pau e fechou o zíper. Pegou seu celular e tirou uma foto das duas peladas e gozadas, sorrindo sobre a cama. Falou então algo que o áudio não conseguiu captar, mas que as duas concordaram.
Saiu.
Eu não precisava ver mais nada. Já sabia o que eu precisava saber, pelo menos, no que se referia ao meu relacionamento com Helena. Respirei fundo e fiquei ali, olhando a televisão como se ela pudesse me trazer alguma novidade.
E trouxe.
Pouco depois da saída daquele homem do quarto, Helena colocou a mão esquerda sobre a testa. Ela tremia. E começou a chorar. Eu já não entendia mais nada, mas eram lágrimas verdadeiras, tanto que a loira se sentou e passou a tentar acalmá-la. Achei um controle e consegui aumentar o áudio da televisão. Foi revelador:
- Calma, Lena. Já vai acabar. Estamos quase no fim.
- Quem está quase no fim, sou eu, Bri! – Soluçava Helena: - Estou matando o meu casamento. Aliás, já devo tê-lo matado. Só coloco uma pá de cal, cada vez que me rebaixo a isso.
- Você não está se rebaixando. Está apenas prestando um serviço para o seu país...
- País!? Que país? Eu não sou americana. Sou brasileira! – Helena levou ambas as mãos ao rosto: - Não. Eu sou uma puta! Uma maldita puta e puta não tem nacionalidade...
- Credo, Helena! Se acalma. Seu marido está seguro longe daqui. Ele vai entender.
- Entender!? – Helena a encarou, um sorriso sarcástico nos lábios: - Coloque-se no lugar dele, Bri, imagina você sendo ele e eu contando: “Amor, eu fiz coisas que não me orgulho: Fiquei com outras pessoas, me submeti a situações, tudo para...”
Ela caiu num choro doído, sofrido. Soluçava sem parar. E tudo ficava ainda mais confuso:
- Ele vai entender... Basta você dizer que não teve escolha. Além do mais, você também estava protegendo ele e se vingando também.
Vingando!? Mas que história é essa? Por que Helena iria querer se vingar de mim. Eu podia ter cometido alguns erros no meu passado, mas nada que justificasse uma traição. A não ser que...
- Vingança é só um veneno que está me matando, matando o Beto e matando o nosso casamento! – Retrucou Helena, se sentando na cama, o olhar vazio, perdido milhas à frente: - Mas o que está feito, está feito! Agora é aguentar as consequências.
A loira então se levantou e puxou Helena, convidando-a para tomarem um banho juntas. Saíram enfim da vista das câmeras e do áudio.
Fiz o mesmo.
Saí daquela sala, dando de cara com dois agentes. Um deles colocou uma mão à frente, mandando que eu parasse. Não tive ação alguma, nem para recusar a ordem. Entretanto, o agente Godfree já vinha se aproximando e mandou que me liberassem. Olhei bem nos olhos daquele homem e disse:
- Agora eu acho que estou precisando de um café...
- Vem comigo, doutor. Vamos conversar.
Voltamos à sala, onde eu havia sido colocado inicialmente. Servimo-nos de um copo de café cada e nos sentamos à mesa. Eu olhava para o copo em silêncio, pensando no que dizer. Foram alguns segundos de silêncio, até que eu o encarei:
- Por que você me mostrou aquilo?
- Porque você buscava respostas. – Ele tomou um gole do café, me observando: - Lembra-se de que eu te perguntei o que você entendia por traição?
Acenei positivamente minha cabeça:
- E então? Respondi essa pergunta.
- Respondeu. – Resmunguei.
- E ainda vai querer ficar bisbilhotando, correndo o risco de colocar a senhora Camargo em perigo de morte?
- Ela não é uma agente, Godfree. Ela já está correndo risco só por estar participando dessa operação.
- Sim. Mas é um risco controlado. Sempre há alguém por perto dela. Além disso, sua esposa é uma mulher inteligentíssima e está se saindo muito bem.
- Para fingir ser uma puta, vocês poderiam ter escolhido outra. Há várias mulheres, muitas muito mais belas que a Helena.
- Sim. Mas precisávamos de duas coisas que nem todas as mulheres possuem: inteligência e acesso.
- Acesso?
- Sim. Sua esposa conhece determinadas pessoas de um círculo bem exclusivo e tem acesso a elas e a informações bastante sensíveis e controladas. Ela simplesmente é e estava no lugar certo, na hora certa.
- Lugar certo e hora certa, para quem? Para vocês, é claro. – Falei, ácido.
Ele tomou outro gole de café e anuiu com a cabeça, revelando um certo desdém.
Eu continuei:
- Quando isso vai terminar?
- Muito em breve. Já temos quase tudo o que precisamos. Falta apenas o “cabeça”, mas já estamos quase lá...
- E a Helena?
- Assim que a operação for concluída, ela estará liberada e voltará a ser toda sua.
Essa última frase me fez o estômago revirar. Nunca uma frase fez tão pouco sentido para mim como aquela. Ele deve ter entendido o mau uso das palavras e até fez menção de dizer algo, mas as palavras sequer chegaram a sair de sua boca.
Respirei fundo, encarando-o novamente:
- E quanto a mim?
- Posso liberá-lo se o senhor prometer que irá se comportar.
Apenas acenei a cabeça, concordando. Ele me acompanhou até o SUV, ordenou que tirassem minhas algemas e estendeu a mão, avisando:
- Espero que não precisemos nos encontrar novamente, doutor. Ah, e para segurança da operação, preciso que o senhor use isso até meus agentes o liberarem, ok?
Ele me passou um saco preto que eu já sabia para o que serviria. Cumprimentei o Godfree com uma vontade imensa de socá-lo, mas me contive. Ali, o prejuízo seria todo meu.
Entrei no SUV e coloquei o saco na cabeça. Foram minutos sacolejando até que paramos e recebi a ordem para tirar o saco da cabeça e descer. Eu estava a uma quadra do meu carro, na direção oposta ao prédio onde Helena trabalhava. Fui até ele e voltei para casa.
Assim que entrei, o silêncio me acolheu da pior forma possível. Eu queria chorar, queria gritar, mas só consegui me jogar sobre o sofá, encarando uma foto de meu casamento com Helena:
- Filha da puta... – Resmunguei para a foto, como se ela pudesse me ouvir.
Ouvi então um celular tocando. Peguei meu aparelho, mas ele estava desligado. Segui aquele som até encontrar um aparelho na cozinha, embaixo da cesta de pães. Atendi:
- Doutor? É o Zico.
- Zico? Que porra de aparelho é esse?
- É meu, doutor. Esse aí é virgenzinho de tudo. Pode confiar.
- Deu tudo errado, Zico. Tudo! Não consegui entrar no prédio. Fui pego pela CIA, pegaram seus equipamentos, não consegui informação alguma... – Disparei a falar, já me sentando-me à mesa: - Até consegui. Helena está me traindo mesmo.
- Eu sei, doutor. A gente viu...
- Viu!? Como assim “viu”?
- O senhor está sendo seguido. Não me procure, nem me ligue, a não ser por este aparelho. Eu já descobri tudo sobre a tal operação e... doutor... é coisa pesada.
OS NOMES UTILIZADOS NESTE CONTO SÃO FICTÍCIOS E OS FATOS MENCIONADOS E EVENTUAIS SEMELHANÇAS COM A VIDA REAL SÃO MERA COINCIDÊNCIA.
FICA PROIBIDA A CÓPIA, REPRODUÇÃO E/OU EXIBIÇÃO FORA DO “CASA DOS CONTOS” SEM A EXPRESSA PERMISSÃO DO AUTOR, SOB AS PENAS DA LEI.
