**Abertura: O Projeto**
Beatriz chegou ao loft de Pedro às nove da noite com uma garrafa de vinho e uma proposta indecente. O espaço dele era todo tijolos expostos e vigas de aço—literalmente um armazém convertido, paredes ainda guardando memória de sua função industrial anterior. Era apropriado, considerando o que ela tinha em mente.
"'Construção'," ela disse, colocando a garrafa na bancada de concreto polido. "Chico Buarque. Onze minutos de pura genialidade lírica."
Pedro ergueu uma sobrancelha, reconhecendo o brilho perigoso nos olhos dela. "E?"
"E a gente vai foder durante a música inteira. Cada verso, cada metáfora de construção—a gente vai *construir* algo junto. Camada por camada. Tijolo por tijolo."
Um sorriso lento se espalhou pelo rosto dele. "Você quer transformar tragédia operária em sexo?"
"Quero transformar *poesia* sobre trabalho, repetição, construção e queda em experiência física. Você topa?"
Pedro já estava desabotoando a camisa. "Coloca a música."
**Primeiro Movimento: Subiu a Construção**
*"Amou aquela vez como se fosse a última..."*
A primeira linha ecoou pelo loft e Beatriz já estava despindo-se, movimentos deliberados e lentos. Cada peça de roupa removida era tijolo colocado—calcinha preta, primeiro tijolo; sutiã de renda, segundo tijolo; vestido deslizando pelo corpo, terceira camada da fundação que estavam construindo.
Pedro observava com atenção de arquiteto estudando projeto, e quando ela finalmente estava nua na frente dele, ele avançou. O beijo foi imediato e devorador—línguas se encontrando com urgência que ecoava a letra: *como se fosse a última*.
"*Mmmmh*," Beatriz gemeu contra os lábios dele, sentindo mãos ásperas (mãos de quem realmente trabalhava com construção, Pedro era engenheiro civil) deslizarem pela curva de sua cintura, pegando-a pela bunda e erguendo-a.
Ela envolveu as pernas ao redor dele instintivamente, sentindo o volume duro através da calça jeans roçando exatamente onde ela precisava. Pedro a carregou até a parede de tijolos expostos, pressionando-a contra a superfície áspera.
*"Beijou sua mulher como se fosse a última..."*
"Última e primeira," Pedro murmurou, beijando uma trilha pelo pescoço dela, dentes arranhando de leve. "Toda vez é construir do zero."
Ele a mantinha suspensa contra a parede, uma mão trabalhando para abrir a própria calça enquanto a outra segurava o peso dela sem esforço. Beatriz sentia os tijolos ásperos contra suas costas—cada irregularidade pressionando na pele, lembrando-a da materialidade bruta do que estavam fazendo.
*"E subiu a construção como se fosse máquina..."*
Pedro entrou nela com estocada única e profunda, e Beatriz gritou—"*AHHHHH*"—o preenchimento súbito arrancando o ar dos pulmões. Ele não esperou, imediatamente começando a foder ela contra a parede com ritmo mecânico que ecoava perfeitamente a linha: *como se fosse máquina*.
"*Ahn, ahn, ahn*," ela ofegava em sincronia com cada estocada, e o som era pontuação rítmica—martelos batendo, ferramentas trabalhando, construção acontecendo em tempo real através dos corpos deles.
*"Ergueu no patamar quatro paredes sólidas..."*
"Quatro paredes," Pedro rosnou entre dentes cerrados, ritmo não diminuindo. "A gente está construindo isso. Tijolo por tijolo. Cada estocada é uma camada."
E Beatriz podia sentir—cada movimento dentro dela era como adicionar estrutura, criar algo sólido a partir de necessidade e fricção e calor. O orgasmo começava a se construir (apropriadamente) na base de sua espinha, fundação de prazer sendo estabelecida.
*"Tijolo com tijolo num desenho mágico..."*
Pedro mudou o ângulo ligeiramente, acertando aquele ponto interno que fazia estrelas explodirem atrás das pálpebras de Beatriz. "Mágico," ela ofegou. "Isso é... *ahhhh*... exatamente o ponto mágico."
"Desenho mágico," ele concordou, suor começando a brilhar em sua testa com o esforço de manter ambos contra a parede. "Geometria perfeita de como a gente se encaixa."
A música continuava sua narrativa implacável, e eles seguiam—não tentando alcançar orgasmo ainda, mas construindo, acumulando, deixando tensão crescer tijolo por tijolo exatamente como a letra descrevia o operário construindo algo maior que ele mesmo.
**Segundo Movimento: Sentou pra Descansar**
*"Sentou pra descansar como se fosse sábado..."*
Pedro se retirou (Beatriz gemeu em protesto—"*nãão*") e a baixou cuidadosamente. Pernas dela tremiam—mal conseguia ficar em pé—mas ele a guiou até o sofá de couro desgastado.
"Descanso," ele disse, recostando-se e puxando-a para seu colo. "Como se fosse sábado. Mesmo que seja quinta."
Beatriz entendeu a analogia—descanso no meio do trabalho, pausa estratégica antes de continuar a construção. Ela se posicionou sobre ele, dessa vez controlando o ritmo, descendo lentamente até estar completamente empalada.
"*Ohhhhh*," ambos gemeram ao reconexão.
*"Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe..."*
"Príncipe," Beatriz sussurrou, começando a se mover devagar, sensualmente. "Você come *isso* como se fosse um príncipe." Ela enfatizou com movimento profundo, tomando-o até a base.
Pedro segurou seus quadris, ajudando a guiá-la, mas deixando ela estabelecer o ritmo. Era mais lento agora—não a urgência mecânica de antes, mas algo mais deliberado, mais saboroso. Como comer uma refeição simples mas torná-la banquete através de pura atenção.
*"Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago..."*
"Náufrago," Pedro gemeu, mãos deslizando para seus seios, polegar esfregando mamilos endurecidos. "Afogando em você."
Beatriz acelerou ligeiramente, sentindo o prazer se reconstruir—fundação já estava lá, agora era questão de erguer as paredes mais alto. Cada descida era tijolo adicionado, cada elevação era argamassa secando, estrutura ficando mais sólida.
"*Ahh, ahh, sim*," ela ofegava, cabeça caindo para trás, expondo a linha de seu pescoço. Pedro se inclinou para morder a pele ali, deixando marca—reivindicação física, assinatura do construtor no trabalho.
*"Dançou e gargalhou como se ouvisse música..."*
E havia música—não só Chico Buarque tocando do speaker, mas a música que corpos fazem: o som molhado de penetração—*slick, slick, slick*—misturado com gemidos crescentes, respirações ásperas, o sofá de couro rangendo sob seus movimentos—*creak, creak*.
"Estamos dançando," Beatriz disse entre ofegadas. "Construindo e dançando simultaneamente."
"Construção *é* dança," Pedro respondeu, estocando para cima para encontrar seus movimentos. "Física e arte. Como isso."
O ritmo estava acelerando novamente naturalmente, descanso terminando, retorno ao trabalho inevitável. Beatriz sentiu o orgasmo se aproximar mais perto—segundo andar da construção quase completo.
**Terceiro Movimento: E Tropeçou no Céu**
*"E tropeçou no céu como se fosse um bêbado..."*
"*Estou perto*," Beatriz avisou, movimentos ficando mais erráticos. "Vou tropeçar no céu."
"Ainda não," Pedro ordenou, virando-os de repente para que ela ficasse de quatro no sofá, ele atrás dela. "Temos que terminar a construção primeiro."
Ele entrou nela novamente dessa posição e o ângulo era diferente, mais profundo, quase demais. Beatriz agarrou o encosto do sofá, sentindo cada estocada ressoar através do corpo inteiro.
*"E flutuou no ar como se fosse um pássaro..."*
"Flutuando," ela gemeu, porque realmente parecia que estava—suspensa entre tensão e liberação, construindo mais alto, chegando perto do topo mas ainda não lá.
Pedro segurou seus quadris com força punindo, dedos certamente deixando marcas, e fodeu ela sem piedade. O som era obsceno e lindo—*slap-slap-slap*—carne contra carne, construção alcançando ponto crítico.
*"E terminou no chão feito um pacote flácido..."*
"Quando eu terminar," Pedro rosnou, "você vai desabar. Como a construção caindo. Total."
"*Sim*," Beatriz concordou desesperadamente. "*Quero cair. Quero desabar completamente*."
Ele alcançou em volta para esfregar seu clitóris, adicionando pressão final, última camada necessária, e a combinação era devastadora. Beatriz sentiu o orgasmo finalmente, *finalmente* quebrar através dela.
*"Agonizou no meio do passeio público..."*
Ela veio com violência que roubou sua voz—apenas conseguiu um gemido estrangulado—"*aaahhhhhhh*"—enquanto prazer explodiu através de cada terminação nervosa. Era como estrutura inteira desabando, onze andares caindo simultaneamente, *crash*, concreto e aço desintegrando em poeira.
Sua vagina apertou ao redor dele em ondas implacáveis, e a sensação empurrou Pedro sobre a borda também. Ele estocou mais três vezes—brutal, profundo—e então gozou com rugido gutural—"*PORRA*"—enchendo-a enquanto seu próprio corpo convulsionava.
**Quarto Movimento: Morreu na Contramão**
*"Morreu na contramão atrapalhando o tráfego..."*
Eles desabaram juntos no sofá—literal pacotes flácidos—tremendo através dos aftershocks. Pedro se retirou cuidadosamente, e Beatriz sentiu gozo escorrer dela, evidência líquida da construção que haviam completado e depois destruído.
"Morreu na contramão," ela sussurrou, ainda sem fôlego.
"Mas que morte," Pedro respondeu, puxando-a para seu peito suado.
A música ainda tocava—Chico continuava narrando a tragédia do operário que construiu e caiu, construiu e caiu, repetição infinita de trabalho e morte. Mas aqui, no loft silencioso, eles tinham transformado tragédia em transcendência.
*"Amou aquela vez como se fosse o último..."*
A segunda repetição começou—estrutura fractal da música se revelando—mas Beatriz e Pedro apenas ficaram entrelaçados, ouvindo as palavras lavarem sobre eles como onda.
"Construção," Pedro finalmente disse, dedos traçando padrões preguiçosos na pele dela, "é sobre criar algo maior que você mesmo. Algo que pode te matar no processo."
"E a gente construiu?" Beatriz perguntou.
Ele considerou. "Construímos. Desabamos. E vamos construir de novo. Porque é isso que construtores fazem—levantam, caem, levantam novamente."
Era verdade. Eles eram perpétua construção—nunca terminada, sempre em processo, acumulando camadas de experiência e prazer e dor e necessidade até que a estrutura ficasse tão alta que inevitavelmente tinha que cair.
**Epílogo: A Terceira Repetição**
Quando a música chegou na terceira e final repetição—com suas palavras proparoxítonas finais, sua estrutura ligeiramente alterada—Beatriz e Pedro começaram a se mover novamente. Mais devagar dessa vez, reconhecendo que era maratona não sprint, construção de catedral não barraco.
*"Amou aquela vez como se fosse máquina..."*
Pedro a penetrou gentilmente, ambos ainda sensíveis, mas incapazes de resistir a urgência de continuar construindo. Dessa vez foi lento, profundo, quase meditativo.
"Máquina," ela sussurrou. "Mas máquina que sente."
"A melhor contradição," ele concordou, movendo-se dentro dela com ritmo constante como metrônomo.
*"Ergueu no patamar quatro paredes mágicas..."*
Camada por camada, estocada por estocada, eles construíram novamente. Não com a urgência frenética da primeira vez ou o desespero da segunda, mas com conhecimento cumulativo do que haviam criado antes.
"Paredes mágicas," Beatriz gemeu suavemente. "Mágica que a gente faz."
E era mágico—não em sentido sobrenatural, mas no milagre mundano de dois corpos encontrando maneira de se encaixar perfeitamente, de criar prazer mútuo através de movimento repetido, de construir algo efêmero mas real no espaço entre eles.
*"Sentou pra descansar como se fosse sábado..."*
Eles não pararam dessa vez, apenas desaceleraram—movimentos se tornando ondulantes, preguiçosos, um vai-e-vem hipnótico que não buscava clímax mas apenas o prazer do processo.
"Construir," Pedro sussurrou, "não é sempre sobre terminar. Às vezes é só sobre continuar."
"Continuar," Beatriz concordou, sentindo terceiro orgasmo começar a se formar—não explosivo como os anteriores, mas algo mais profundo, mais sustentado.
*"E tropeçou no céu como se fosse sábado..."*
Quando finalmente veio, foi gentil—onda em vez de tsunami, tremor em vez de terremoto. Beatriz gemeu baixinho—"*mmmmh*"—e Pedro seguiu segundos depois, ambos desabando pela terceira vez, mas dessa vez pousando suavemente.
A música terminou. Silêncio preencheu o loft—apenas suas respirações e o som distante de São Paulo à noite lá fora.
"Construção," Beatriz disse eventualmente, "é sobre repetição. Fazer a mesma coisa uma e outra vez até alcançar algo transcendente."
"Ou até cair," Pedro adicionou.
"Ou até cair," ela concordou. "Mas sempre levantar para construir de novo."
Porque era isso que amor era, no final—construção perpétua. Você erguia algo bonito e impossível, e inevitavelmente desabava, e então levantava e começava de novo. Tijolo por tijolo, beijo por beijo, estocada por estocada.
E se você tivesse sorte—se realmente tivesse sorte—você encontrava alguém disposto a continuar construindo com você, mesmo sabendo que todas as construções eventualmente caem.
Mesmo sabendo que você pode morrer na contramão, atrapalhando o tráfego, mas pelo menos morreria fazendo algo *magnífico*.
***