Eu Tinha o Casamento Perfeito; Até Que Aquela Putinha Apareceu Em Minha Vida; A Gostosa Da Minha Filha (Pt. 02)

Um conto erótico de CasadoFiel
Categoria: Heterossexual
Contém 3969 palavras
Data: 07/02/2026 07:45:46

(Marcelo)

Minha mente travou. Tela azul total. Eu não tinha filha nenhuma. Como isso era possível, porra? Podia ser verdade mesmo? Eu tinha feito uma filha esse tempo todo e nem sabia? Minha cabeça fervilhava, queimando por respostas.

— Quantos anos cê tem? — perguntei, a garganta seca.

— Dezoito — ela disse, parecendo estar sendo engolida pela emoção, mas com um sorrisão no rosto.

— Não é possível. Eu já tava com a Fernanda nessa época — rebati. O sorriso dela murchou um pouco, mas ela não recuou.

— Minha mãe é, hã... a Renata Salles — a Brenda disse.

— Cê transou com a Renata Salles? — A Fernanda perguntou, incrédula. Já tínhamos entrado em casa. A Brenda estava na sala de estar, bebericando uma latinha de refrigerante.

— Não me orgulho nem um pouco disso. A gente tava separado. Eu tava bêbado pra caralho. Foi uma cagada — gaguejei. Eu tinha que abrir o jogo sobre tudo. Sobre a Renata. — Eu era moleque. Era burro. Sabia que tava fazendo merda. Foi sexo sem sentido, vazio, só carne. Aquilo me fez perceber o quanto o que eu tinha com você era importante.

A Fernanda pensou por uns momentos agonizantes, o silêncio pesando toneladas na cozinha.

— Tudo bem. Eu era meio difícil de lidar naquela época. Fiz você pensar que a gente tinha terminado de vez. Eu queria te machucar. Parti seu coração. Consigo entender por que você fez isso. Mas porra... depois de uma semana? Sério mesmo? — A Fernanda perguntou, cruzando os braços.

— Eu tava mamado. Não tenho orgulho nenhum disso — eu disse, segurando a mão dela. — Talvez tenha sido o maior erro que cometi na vida. Se te machuquei, me desculpa do fundo do coração — sussurrei, garantindo que a Brenda não ouvisse lá da sala.

— Escuta, Marcelo. Não vou deixar um erro que você cometeu há 18 anos foder com o nosso casamento agora. Eu fiz um monte de merda naquela época também, coisas das quais me arrependo. E você me aceitou de volta. Você me deu 18 anos incríveis. Tô feliz com isso? Nem fudendo. Mas vamo resolver essa pica. Isso é uma bomba — a Fernanda disse. Meus olhos encheram de lágrimas, feliz pra caralho com a compreensão dela, feliz que meu casamento não estava desmoronando. Abracei ela e dei um beijo suave.

— Mas — ela começou, se afastando um pouco —, eu tenho que falar isso... A Renata era a maior rodada da faculdade. Como a gente pode ter certeza que essa menina é tua? — Assenti com a cabeça, concordando. — O que ela quer? — ela acrescentou.

— Chuto que ela tá procurando um teto — eu disse, lembrando do carro vermelho todo fudido dela, entupido de caixas, parado na rua em frente à nossa casa.

— Desculpa, mas não vou deixar uma garota qualquer da rua ficar na nossa casa se a gente não tiver certeza absoluta que ela é tua filha — a Fernanda disse. Foi duro, mas lógico. Apontei com a cabeça para a sala de estar. Bolamos um plano rapidinho e saímos juntos da cozinha, nos juntando à Brenda na sala. Sentamos de frente pra ela, que nos olhava com aquela carinha de cachorro sem dono.

— Desculpa se eu, tipo, causei treta pra vocês. Não foi pra isso que eu vim — a Brenda disse, pedindo desculpa.

— Tá tranquilo — eu disse com um sorriso tranquilizador.

— O que você tá procurando, Brenda? — A Fernanda perguntou, direta.

— Eu tô procurando meu pai há anos. Minha mãe nunca quis dizer quem era, mas acabei descobrindo. Não quero dinheiro nem nada disso. Só quero conhecer vocês — a Brenda implorou.

— É só isso mesmo? — A Fernanda pressionou.

— Hã... — ela deu uma risada nervosa. — É que... minha mãe é uma escrota. Ela me botou pra fora de casa assim que fiz 18 anos. Fiquei na casa de uns amigos por um tempo, mas não durou. Minha mãe, hã, preferia ter o namorado dela em casa do que eu — ela acrescentou, os olhos marejando.

— Sinto muito mesmo — eu disse, o coração apertado.

— Brenda, eu fico mal por você, de verdade, mas se você se colocar no nosso lugar, talvez entenda o que vou dizer. A gente não sabe com certeza se você é mesmo filha do Marcelo. Então, não podemos deixar você ficar aqui. A gente pode fazer, tipo, um teste de DNA amanhã de manhãzinha, mas até sabermos com certeza, não podemos tomar nenhuma decisão. E não podemos hospedar você aqui — a Fernanda disse. Firme, mas sem perder a classe.

A Brenda concordou com a cabeça, triste, mas compreendendo.

— A gente pode pagar um hotel pra você — acrescentei rápido. — Não estamos te expulsando. Só queremos ter certeza.

— Tudo bem. Tá tudo bem — a Brenda disse, como se estivesse acostumada a não acreditarem nela. Meu coração doeu por ela.

Ofereci pra ela me seguir até o hotel mais próximo e ela aceitou. A Fernanda foi comigo no meu carro, guiando a Brenda no carro dela até um hotelzinho decente ali perto. Paguei o quarto e ajudei a Brenda a levar as malas pro quarto. Coloquei as coisas dela no chão e combinei o esquema.

— Beleza, posso passar aqui cedo pra te pegar, umas sete horas. A gente vai no laboratório, faz o exame rapidinho. Depois, quem sabe a gente toma um café da manhã amanhã — ofereci.

— Combinado — a Brenda disse. Inclinei o corpo e dei um abraço meio desajeitado nela. Quando ela se afastou, comecei a sair.

— Até amanhã, Brenda — falei, saindo pela porta. E assim que a porta ia fechando, ela respondeu:

— Até amanhã, pai.

—-

Renata Salles. Esse nome não me era estranho. Vasculhei minhas memórias, tentando puxar a ficha. Então, como um flash, ela apareceu na minha mente. Renata Salles. Lembrei dela agora. E lembrei do nosso último encontro.

A Renata era uma daquelas minas que você ouve falar, mas não conhece pessoalmente. A fama dela na faculdade corria solta nos corredores e nas festas da atlética. Quando a molecada da república se juntava pra comparar a lista de quem tinham pegado, o nome dela batia cartão na maioria delas. Eu nunca tinha trocado ideia com ela, mas ela não parecia muito meu tipo. Além do mais, eu estava com a Fernanda desde o ano de calouro, então não estava caçando sarna pra me coçar.

Como eu disse antes, meu namoro com a Fernanda era volátil. Intenso pra caralho. Então a gente quebrava o pau com frequência. Quando conheci a Renata, foi perto do final do meu último ano. Eu estava noivo da Fernanda na época. Tivemos uma briga homérica sobre nossos planos pro futuro depois da formatura. Ela era teimosa feito uma mula, e eu também. E ela me deu um ultimato. Ou eu apoiava ela 100%, ou ela picava a mula. Eu não respondi na hora, travei, então ela saiu batendo o pé, arrancou o anel de noivado e jogou com força no balcão da cozinha. Naquele momento, na minha cabeça, a gente tinha terminado. Acabou. Fim de papo.

Passou uma semana e eu não tinha recebido nem um sinal de fumaça da Fernanda. Fui pro barzinho perto da facul pra afogar as mágoas. E foi lá que topei com a Renata pela primeira vez. Ela encostou em mim no balcão, e eu já estava bêbado demais pra dar um fora nela. Ela era gata, mas tinha "piranha" escrito na testa em neon. A blusinha dela era indecente, deixando aqueles peitos enormes quase pulando pra fora. Ela usava uma minissaia que não deixava dúvida nenhuma sobre que tipo de garota ela era — fácil. Eu sabia o que ela queria, sabia que ela tava caçando rola, mas eu estava na merda, triste pra caralho, e precisava desabafar com alguém. Contei minha história de corno manso, e ela continuou pedindo bebida pra mim até insistir em me levar pra casa dela. Eu sabia o que ia acontecer, mas eu precisava de alguma coisa. Qualquer tipo de conforto, mesmo que fosse num corpo quente e barato.

A Renata me jogou na cama dela e ajudou a tirar minha roupa. Eu estava grogue, o mundo girando, então não resisti quando ela se juntou a mim no colchão. As roupas dela sumiram num piscar de olhos, e eu tentei parar, tentei falar alguma coisa, mas então ela esfregou aqueles peitos na minha cara e eu... me perdi no prazer. Ela montou em mim, quicando devagar, e num momento de lucidez eu disse que não tinha camisinha.

— Relaxa, gato — ela sussurrou no meu ouvido, enquanto encaixava e descia com tudo em cima de mim.

A noite foi um borrão de pele, peitos suados e gemidos, a maior parte das memórias apagadas pelo álcool. Acordei com uma ressaca do cão, uma dor de cabeça martelando e aquela vagabunda na minha cama. Ela conhecia a rotina e vazou rapidinho, sem deixar número de telefone, sem ilusões de que aquilo fosse algo mais do que uma trepada de uma noite só. Uma foda casual pra esquecer os problemas.

A Fernanda ligou mais tarde naquele mesmo dia, pedindo desculpas, toda chorosa. Eu me senti tão culpado, um lixo humano, então aceitei os termos dela da nossa briga, desesperado pra ela me aceitar de volta. Mudamos de estado por causa do trabalho dela e casamos logo depois. Vivendo felizes para sempre, aquela noite de paixão suja que tive com uma piranha da faculdade ficou enterrada no passado. Até agora.

Olhei para a Brenda, e ela me olhava com esperança, rezando pra eu não fechar a porta na cara dela. Contra o meu bom senso, meus olhos desceram pro peito dela, e notei, sem sombra de dúvida, a semelhança gritante com a mãe. O formato, o tamanho exagerado... a genética não nega.

— Hã, é... eu acho que pode ser possível — eu disse pra ela. Isso fez o sorriso dela se iluminar, brilhando como o sol.

— O que tá acontecendo aqui? — a Fernanda perguntou, surgindo do nada ao meu lado, secando as mãos num pano de prato.

— É... — eu disse com um sorriso nervoso, sentindo o suor frio descer pelas costas. — É uma longa história.

***

(Fernanda)

Eu tomei a decisão certa, né? Quer dizer, eu não queria cagar no momento do meu marido, nem ser a bruxa escrota que eu costumava ser. Mas eu não conseguia evitar pensar com a lógica. Eu sempre fui racional. Analítica. Fria. E meu lado lógico tava com a sirene ligada no talo. Qualquer mulher no meu lugar teria reagido do mesmo jeito.

Quando uma novinha toda gostosa, com aqueles... peitões, aquela blusinha com decote abusado, aquele rosto lindo, a bunda perfeitamente desenhada... e aquelas comissões de frente absurdas de novo... grandes pra caralho... quando uma garota assim bate na sua porta, você não escancara a entrada de imediato. Você fica com o pé atrás. Você questiona a história. As intenções. Vai ver ela tava vigiando a gente. Vai ver ela tava tentando dar um golpe, jogar um charme, entrar na nossa casa, no lar de um casal feliz, e fazer a limpa. Ou matar a gente! Hoje em dia não dá pra confiar em ninguém.

Tá, talvez eu estivesse viajando na maionese, tirando conclusões precipitadas. Eu tinha que baixar a bola. Respirar. Lembrar dos meus exercícios de respiração do yoga. Talvez ela estivesse falando a verdade. Ela não parecia ter neurônio suficiente pra arquitetar uma mentira dessas com tanta facilidade. Mesmo que algumas garotas consigam chorar sob comando, as lágrimas dela pareciam genuínas. Ela não parecia ter talento de atriz da Globo pra atuar tão bem assim. Então, talvez fosse verdade. Talvez ela fosse mesmo filha do Marcelo.

Mas eu não queria mais fritar a cabeça com isso, não até ter certeza absoluta. Até ter o preto no branco, a verdade nua e crua na minha mão, eu não ia julgar nada nem ninguém.

Sendo bem sincera? Lá no fundo, eu meio que torcia pra ela estar mentindo. Torcia pra ela não ser filha do meu marido.

Porque, na real... eu não queria ter que lidar com o fato do meu marido ter um filho sem mim. Ter um pedaço dele andando por aí que não foi feito com a minha ajuda. Isso doía mais do que eu queria admitir.

***

(Marcelo)

Liguei no trabalho e avisei que não ia, inventei uma desculpa qualquer pra resolver esse rolo da "filha". Não preguei o olho a noite toda. Eu e a Fernanda ficamos acordados até tarde, debatendo a situação. Dava pra ver que a Fernanda não estava nada feliz com isso, mas ela não estava puta comigo. Só com a situação. Mas uma parte de mim... uma parte de mim estava esperançosa. Uma parte de mim queria isso. Eu sempre quis uma filha, uma menina. E se ela fosse legítima, se fosse mesmo meu sangue, eu ficaria feliz pra caralho. Não foi do jeito que eu planejei, longe disso, mas pode ter acontecido mesmo assim. E a ideia me deixava feliz. Eu adoraria ter uma filha dentro de casa.

Passei pra pegar a Brenda bem cedo na manhã seguinte, e nós dois estávamos com uma cara de sono desgraçada, claramente nenhum de nós era pessoa da manhã. Não falamos muita coisa durante o trajeto até a clínica. Quer dizer, o que você fala pra uma filha perdida que acabou de aparecer? O que ela poderia dizer pro pai que nunca conheceu?

O exame foi vapt-vupt, só passar uns cotonetes na parte de dentro da bochecha. Paguei pelo serviço de urgência num laboratório particular de ponta, disseram que o resultado sairia na segunda-feira (hoje era sexta). Quando estacionei o carro na frente de uma padaria bacana pra gente comer alguma coisa, nós dois já estávamos começando a acordar. E enquanto sentávamos numa mesa de canto, enquanto eu sentava de frente para a minha provável filha, os dois bebericando café com leite, finalmente começamos a conversar.

— Eu achava que gente da sua idade não devia tomar café. Dizem que atrapalha o crescimento — brinquei, tentando quebrar o gelo.

— Pois é, perdi todas essas lições de vida — ela disse com uma risada, me fazendo rir também. — Além do mais, acho que meu crescimento foi muito bom, obrigada — ela resmungou, estufando o peito e jogando aquela comissão de frente desenvolvida pra jogo, bem na minha direção. Eu fiquei quieto, sem saber onde enfiar a cara.

— Então, você já terminou a escola, né? O que você quer fazer da vida, Brenda? — mudei de assunto.

— Ah, eu nunca fui muito de estudar, sabe? Não sei o que quero fazer da vida. A única coisa que eu quero agora é encontrar meu pai — Brenda respondeu, olhando nos meus olhos.

— Eu queria que a Renata tivesse me procurado. Se... se eu for mesmo seu pai... eu queria ter participado mais da sua vida — falei, sincero.

— A gente tem o resto da vida pra se conhecer — Brenda disse. — E outra, a culpa não é sua. É da minha mãe. Como eu disse, minha mãe é uma vaca. Você deu sorte de não ter ficado preso a ela. Deu sorte de não ter que aguentar aquela jararaca.

— Mesmo assim, sinto muito — eu disse.

Ficamos jogando conversa fora por um tempo, nos atualizando. Expliquei meu trabalho na escola, falei da Fernanda, contei tudo sobre a minha vida pra ela. E ela fez o mesmo. Ela parecia uma menina doce que teve uma criação de merda. A mãe dela teve vários homens, tudo traste, tudo lixo. Eu queria ter estado lá. Pra dar a ela uma figura masculina em quem ela pudesse confiar. Talvez a vida dela tivesse sido melhor.

A gente definitivamente tinha uma química. O papo fluía, um toma lá, dá cá gostoso. Uma conexão imediata, saca? O santo bateu. Uma parte de mim sentia que já sabia o resultado do DNA. Uma parte de mim sentia que essa garota era minha filha. Mas eu não podia me deixar empolgar demais.

Nos despedimos por hoje. Dei umas dicas do que ela podia fazer na cidade, um shopping, um cinema, pra matar o tempo até saírem os resultados. Combinamos de nos encontrar na segunda-feira, assim que o laudo chegasse. Cada um foi pro seu lado, os dois ansiosos pra caralho pelo resultado.

—-

Eu fiquei numa pilha de nervos o fim de semana inteiro. A única coisa que ocupava a minha cabeça era a Brenda. Minha possível filha. Finalmente a segunda-feira chegou, e logo cedo o telefone tocou. O laudo estava pronto. Liguei pra Brenda, passei pra pegá-la e dirigi até o laboratório voando baixo.

Esperamos impacientes pelo médico nos atender. Ficamos na sala de espera, eu batendo o pé no chão num tique nervoso, e a Brenda estalando as unhas na cadeira de plástico. Finalmente, o médico apareceu, envelope na mão. Ele sentou, nós dois com os olhos pregados nele, e ele leu o veredito.

— Nós analisamos os marcadores genéticos de vocês dois, e não há dúvida nenhuma. Marcelo, a Brenda aqui é sua filha. 99,9% de probabilidade.

Eu não conseguia acreditar. Puta que pariu, eu não conseguia acreditar. Eu tinha uma filha. Eu tinha uma criança. Eu tinha alguém na Terra que eu ajudei a criar. Meus olhos encheram d'água na hora. Senti a mão da Brenda deslizar pra dentro da minha, apertando minha palma com força. Olhei pra ela. Ela também estava chorando. Eu estava feliz demais, bicho.

— Obrigado, doutor — eu disse com a voz embargada. Ele saiu da sala, deixando a gente a sós. Levantamos e saímos da clínica. Passei o braço pelos ombros da Brenda. Pelos ombros da *minha filha*.

Eu era pai! Inacreditável. Nunca achei que fosse acontecer, mas de repente, tava aí. Eu tinha uma herdeira.

Mas uma parte de mim estava decepcionada. Parte do pacote de ter um filho é estar lá nos momentos especiais. Os joelhos ralados, os aniversários com bolo e guaraná, as festas juninas da escola. O bom e o ruim. Mas eu perdi tudo isso. Jurei pra mim mesmo que ia compensar.

Jurei que ia ser um pai do caralho pra ela.

—-

— Bom, peguei o resultado — falei no celular, dirigindo de volta pra casa.

— E aí? — a Fernanda perguntou, morrendo de curiosidade do outro lado da linha.

— Nanda, parabéns. Você agora é madrasta. Eu sou pai — falei, soltando uma risada de alívio.

— Mentira! Inacreditável! — ela disse, parecendo feliz. — Como você tá se sentindo?

— Ah, tô... tô feliz pra porra, na real — eu disse, mal cabendo em mim de alegria.

— Eu tô feliz também, amor — a Fernanda disse. — Cadê a Brenda?

— Tá no carro dela, me seguindo. Tô levando ela pra casa.

—-

— Então, Brenda, esse quarto aqui vai ser o seu — falei, guiando ela pro quarto de hóspedes. Eu e a Fernanda já tínhamos discutido onde colocaríamos a Brenda se ela fosse minha filha mesmo, e esse era o lugar.

— Nada mal. Nada mal mesmo — a Brenda disse, concordando com a cabeça e soltando uma mochila no chão. — Maior quarto que eu já tive na vida.

— Vai ser muito estranho. Ter mais alguém andando por essa casa — comentei, coçando a nuca.

— Rá, relaxa que eu sou uma garota estranha também — ela brincou. — Vai me ajudar a trazer o resto da minha tralha, *Papi*? — ela perguntou, piscando.

— Com certeza, filhota — respondi rindo.

Levou cerca de meia hora pra descarregar o carro dela todo e subir com as caixas. Eu suei um bocado, e ela também. O calor tava de matar.

— Precisa de ajuda pra esvaziar isso aí? — perguntei, apontando pras caixas.

— Não, relaxa, eu me viro — ela disse com um sorriso maroto. — Não ia querer que você tropeçasse numa caixa com as minhas... calcinhas e sutiãs — ela acrescentou rindo, me fazendo rir também, meio sem graça.

— Uma coisa que eu quero te pedir — comecei, prestes a perguntar algo que estava martelando na minha cabeça. — Me passa o número da sua mãe?

— Pra quê? — ela perguntou, me olhando torto.

— Ué, quero falar com ela sobre umas coisas. Avisar que você tá bem, que tá aqui — expliquei. Ela não pareceu curtir muito a ideia.

— Tá bom — ela cedeu. Anotou o número num pedaço de papel e me entregou.

— Relaxa. Você não tá encrencada — falei pra ela, saindo do quarto e deixando ela à vontade pra arrumar as coisas dela. Fui pra cozinha e peguei o telefone, discando o número da Renata. Eu estava nervoso, tendo que ligar pra essa mulher que peguei na faculdade. A mulher que teve minha filha.

O telefone chamou algumas vezes antes de uma voz feminina atender.

— Alô?

— Oi, é a, hã, Renata? — perguntei.

— Sim. Quem fala? — ela respondeu, seca.

— Renata, aqui é o Marcelo Siqueira — respondi. Houve uma pausa longa, um silêncio pesado na linha.

— A Brenda te achou? — ela perguntou direto.

— Sim, ela tá aqui em casa agora. Só queria que você soubesse — avisei.

— Que bom — ela disse, sem muita emoção.

— Por que você não me contou sobre ela? — perguntei, sem conseguir segurar.

— Eu não tinha como te achar, Marcelo. A gente não tinha Facebook naquela época, nem Instagram. Quando eu pudesse ter te rastreado, a gente já tinha nossa vida... assim como você tinha a sua — a Renata disse.

— Você devia ter me contado mesmo assim — insisti.

— É, talvez — ela disse, dando de ombros na voz.

— Hã, e como você tá? — perguntei, tentando ser civilizado.

— Tô bem. E você?

— Tô bem. Tô, é... feliz — eu disse. Puta conversa constrangedora do caralho.

— Isso é muito estranho — a Renata soltou.

— Nem me fale — concordei.

— É sério. O que a gente diz pro cara com quem teve um filho numa transa aleatória?

— Sei como é — falei.

— Engraçado, essa é a única conversa sóbria que a gente já teve na vida — ela riu, debochada.

— Você tem outros filhos? — perguntei.

— Não. Vai por mim, a Brenda já deu trabalho por dez. Não precisava de mais nenhum com ela por perto — a Renata disse, com um tom amargo.

— Tem alguma coisa que eu deva saber sobre ela? — perguntei, preocupado.

— Ela pode se fazer de santa, de docinho de coco, mas ela tem um lado podre. Ela é o tipo de garota que sempre quer que as coisas sejam do jeito dela. E se não for, ela fala e faz umas coisas terríveis — a Renata alertou.

— Mas ela superou isso, né? É coisa de adolescente — tentei racionalizar.

— Pau que nasce torto nunca se endireita, querido — a Renata disse, venenosa. — Além disso, ela é absolutamente louca por homem. Se prepara pra ver um desfile infinito de perdedores e maconheiros na sua porta.

— Ela é jovem — defendi.

— Confia em mim. Eu conheço o tipo. Eu *era* o tipo. Ela é muito pior do que eu fui — a Renata cravou.

— Foi por isso que você expulsou ela? — perguntei.

— Não exatamente. Tenta morar com ela. Você vai descobrir rapidinho — a Renata disse, enigmática.

— Hmm — murmurei. Mais uma pausa longa. — Bom, só queria dar um toque, Renata. Avisar que a Brenda tá em boas mãos.

— Beleza, combinado. E se você quiser me encontrar uma hora dessas pra discutir nossa filha cara a cara... ou talvez outras coisas... me avisa — a Renata ronronou no final, com aquela voz de quem tá aprontando.

— Hã... tá bom. Tchau — encerrei rápido.

— Tchau, Marcelo.

Fiquei processando o que ela tinha me dito. Ela disse que a Brenda era problema. A Brenda parecia um amorzinho pra mim. Aí ela disse que a Brenda era louca por homem. Mais do que ela jamais foi. E, acredite em mim, a Renata era a maior piranha da faculdade. Então ela tava dizendo que a Brenda, minha filha, era meio que uma... vadia? Não, não podia ser. Ela parecia uma menina tão doce. A Brenda não era rodada que nem a mãe. E julgando por aquele finalzinho da conversa, a Renata não tinha mudado quase nada.

Eu aprendi como professor e treinador a tirar minhas próprias conclusões sobre as pessoas, em vez de ouvir fofoca de segunda mão. Eu é que ia dar o veredito final sobre ela. E além do mais, ela era minha filha, porra.

Ela não podia ser tão ruim assim, podia?

***

Continua…

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