Meu nome é Sarah. Nasci numa família evangélica em uma cidade pequena demais para guardar segredos — trinta e cinco mil habitantes e aquela sensação constante de que todo mundo sabe tudo da sua vida. Cresci entre cultos de domingo e círculos de oração na sala de casa.
Há alguns anos deixei o interior e me mudei para a capital do estado. Continuei na Igreja, agora maior, mais estruturada e foi lá que conheci Eliseu. Um varão abençoado, como todos diziam. Dez anos mais velho que eu, postura segura, voz firme no púlpito, lutando para se tornar pastor.
Tenho uma irmã mais nova, Jenifer. Bonita, gostosa, daquelas que chamam atenção só de andar na rua.
Sempre foi solta no mundo. Nunca gostou de regras, de vestidos comportado ou de hinos de louvor. Enquanto eu saía da cidade com uma Bíblia na mala e planos cuidadosamente aprovados, ela ficou. Continua morando com nossos pais, naquela mesma casa, naquela mesma cidade pequena, vivendo uma vida que eu aprendi a chamar de errada.
Jenifer sempre foi putinha. Já ficou com mais de um ao mesmo tempo, trocava de macho como quem troca de roupa, sem culpa. Pior , minha irmã já tinha cometido aquele grande pecado de ter ficado inclusive com outras mulheres!
Na cidade pequena, isso nunca passa despercebido. A má fama veio cedo e nunca mais largou dela.
Há um tempo atrás, minha mãe me ligou desesperada. A voz trêmula, um tom que só indicou que algo realmente saiu do controle. Disse que Jenifer estava saindo com um homem comprometido. Confesso que, num primeiro momento, não me choquei. Não era a primeira vez. Na minha cabeça, era só mais um escândalo local que acabaria abafado com o tempo, como sempre acontecia.
Mas dessa vez foi diferente. Muito diferente.
Jenifer estava ficando com o Roger. Noivo da Danieli. A Danieli é filha do prefeito.
Quando minha mãe disse isso, senti um frio subir pela espinha. Algumas famílias naquela cidade não são apenas conhecidas — são temidas. E a família da Danieli nunca foi flor que se cheire. Gente poderosa, influente, cheia de contatos onde quer que fosse necessário. Gente que não aceita ser exposta, muito menos humilhada.
Danieli descobriu tudo. Na cidade pequena, a verdade sempre encontra um jeito de escapar. O que sei é que ela deu a maior surra na minha irmã. Uma surra de ódio, de ciúme, de vingança. Jenifer foi parar no hospital.
Até achei bem-feito. E achei também que aquilo já fosse o fundo do poço.
Não era.
Depois da agressão, começaram as ameaças. A família da Danieli deixou bem evidente que aquilo não ficaria assim. Que Jenifer tinha ultrapassado um limite que não se ultrapassa quando se mexe com gente poderosa.
E então veio a pior notícia.
Jenifer estava grávida.
Minha mãe chorava ao telefone enquanto dizia que não havia mais como ela permanecer na cidade, implorou para que eu acolhesse Jenifer aqui em casa, na capital. Implorou como mãe que já não sabe mais a quem recorrer. Disse que era só por um tempo.
Eu respondi que não. De jeito nenhum.
As palavras saíram duras. Disse a ela que uma piranha, clone de Jezebel, como a Jenifer não podia entrar na minha casa. Que eu tinha um casamento a preservar. Que meu marido é um homem de Deus, sim, mas ainda assim é homem. E tentação demais não é prova de fé, é imprudência. Falei que Jenifer sempre foi vagabunda, sem limites, e que eu não confiava que ela saberia se comportar. Que bastava um olhar atravessado, uma roupa errada, um comentário fora de hora para arruinar tudo o que eu construí com tanto cuidado.
Minha mãe chorou do outro lado da linha. Disse que eu estava exagerando. Que Jenifer precisava de proteção, não de julgamento. Que eu era a única pessoa em quem ela podia confiar agora.
Eu me mantive firme. Disse que não podia arriscar meu casamento. Que não podia trazer o caos para dentro do meu lar.
Depois que desliguei, sentei-me no sofá e pensei em Jenifer machucada, grávida, ameaçada.
Conversei com Eliseu naquela mesma noite. Contei tudo, do começo ao fim, ele me ouviu com atenção, aquele jeito calmo que sempre teve, as mãos entrelaçadas, a testa levemente franzida em oração silenciosa. No fim, disse que concordava em receber Jenifer. Não dentro de casa, fez questão de ressaltar, mas no terreno dos fundos.
Atrás da nossa casa tem uma edícula. Pequena, simples, com um quarto e um banheirinho. O banheiro tinha apenas pia e vaso sanitário, nada de chuveiro. Para tomar banho, ela teria que entrar em casa. Eliseu disse que seria uma solução provisória, com limites claros. Uma forma de ajudar sem abrir brechas para o inimigo, como ele mesmo falou.
Aceitei e Jenifer chegou do interior alguns dias depois, mais magra, o rosto abatido. Ainda bonita, apesar de tudo. Antes mesmo que ela se instalasse, eu e Eliseu tivemos uma conversa séria e franca com ela. Nada de rodeios. Nada de fingir que não sabíamos quem ela era.
Fui eu quem falou mais.
Disse que a fama de piriguete dela não a acompanharia dentro da minha casa. Que ali havia regras. Que ela jamais deveria ter qualquer comportamento inadequado com meu marido. Jamais. Falei das roupas: nada curto, nada decotado, nada transparente. Nada que provocasse olhares ou pensamentos. Disse que ali não era lugar para confusão, nem para repetir os mesmos erros de sempre.
Enquanto eu falava, Jenifer começou a chorar. Disse que entendia. Que aceitava. Que só queria um lugar seguro para passar a gestação em paz. Que estava cansada. Que prometia se comportar.
Assentiu com a cabeça o tempo todo, como quem já não tem forças para discutir.
Quando Jenifer foi para a edícula naquela noite, fiquei observando pela janela da cozinha. A luz fraca acesa, a silhueta dela se movendo devagar.
Eliseu estava completamente mergulhado na preparação para virar pastor. Eram treinamentos, reuniões intermináveis, provas difíceis. A Igreja exigia muito — e ele entregava tudo. Quase não tinha tempo para mim. Saía cedo, voltava tarde. Quando estava em casa, não estava presente de verdade. Ficava com a Bíblia aberta sobre a mesa, cadernos rabiscados, livros espalhados. Estudava hebraico, história de Israel, doutrina, costumes antigos. Dizia que precisava estar preparado, que o chamado não admitia distrações.
Eu entendia. Pelo menos dizia a mim mesma que entendia.
Mas a casa foi ficando silenciosa demais. Eu jantava sozinha muitas noites. Ouvia Eliseu murmurando palavras que eu não compreendia. E Jenifer… Jenifer ficava lá no fundo, na edícula, existindo à margem da nossa rotina, quase invisível.
Foi nesse clima de ausência e tensão contida que recebemos uma visita inesperada.
Era fim de tarde quando ouvi a campainha tocar. Fui até a frente da casa com o coração apertado, sem saber exatamente por quê. Quando abri o portão, senti o chão fugir um pouco dos meus pés.
Era Roger.
Veio do interior. O rosto fechado, barba por fazer, roupa amassada de quem viajou sem planejar direito. Ele disse meu nome como se já tivesse ensaiado aquilo várias vezes.
— Eu vim pra ficar com a Jenifer — ele disse, finalmente— Eu a escolhi.
Assenti com a cabeça, em silêncio.
— Vou procurar emprego. Sou formado em Educação Física. Posso trabalhar como professor, instrutor de academia… qualquer coisa. Depois, quando der, a gente vê um lugar pra alugar. Um imóvel pequeno. Nada demais.
Enquanto ele falava, uma lógica fria ia se organizando dentro de mim. Jenifer, grávida, machucada, emocionalmente quebrada — dificilmente conseguiria um emprego agora. Roger, não. Ele tinha um diploma. O mundo ainda estava mais aberto para ele do que jamais estaria para ela naquele momento.
E senti algo muito próximo de alívio.
Encostei a testa no metal frio por alguns segundos, respirando fundo. Dentro de mim, algo se acomodava. Roger com Jéssica. Trabalho. Um aluguel futuro. Distância
— Pode ficar aqui com ela — respondi.
Roger concordou. Agradeceu e entrou para se encontrar com Jenifer.
Jenifer continuaria ali, por enquanto. Mas agora havia uma linha traçada. Uma rota de saída que não dependia só de mim.
Caminhei até a cozinha e olhei, quase por reflexo, para o fundo do quintal. Roger e Jenifer se abraçaram.
E, mesmo assim, me peguei pensando que talvez eu pudesse perder aquilo que eu mais temia perder: Meu controle.
Roger.
A imagem dele ficou na minha cabeça.
O moreno queimado de sol, o corpo largo, a camisa simples esticando sobre o peito musculoso, o volume discreto dos braços fortes, o peito levemente à mostra, com pelos escuros aparecendo na gola aberta. Nada exagerado. Nada vulgar. Justamente por isso, perigoso.
Havia nele um jeito masculino, macho, viril, másculo. Um jeito de quem está acostumado a ser olhado. A postura relaxada, o olhar direto, a voz baixa, firme, que não precisava subir o tom para se impor. Um tipo de presença que não se aprende na Igreja. Que não se disciplina com versículos.
Percebi — tarde demais — que meu corpo reagia antes da minha fé. Um calor estranho subindo pelo peito, um aperto no estômago que não era medo. Um desconforto que não vinha da situação, mas de mim.
Senti vergonha só de admitir isso em pensamento.
Eu, que sempre temi a proximidade da minha irmã com meu marido, me vi afetada por um homem. Um homem marcado pelo escândalo, pelo pecado, pela bagunça que eu passei a vida inteira evitando.
E ainda assim… havia algo nele que me desarmava.
Talvez fosse justamente isso: Não se movia como quem pede aprovação divina. E eu, que passei a vida inteira domesticando desejos, senti algo antigo e indesejado se mexer dentro de mim.
Afastei esse pensamento como quem espanta um inseto indevido. Endireitei os ombros. Lembrei quem eu era. Mulher de pastor em formação. Mulher correta. Mulher protegida.
Mas o corpo demorou mais a obedecer do que a mente.
Depois que entrei em casa, lavei as mãos com mais força do que o necessário, como se pudesse esfregar aquela sensação para fora da pele. Evitei o espelho. Evitei pensar no contraste entre o silêncio estudado de Eliseu e a presença crua de Roger.
Naquela noite, quando me deitei ao lado do meu marido e ouvi sua respiração calma, disciplinada, percebi algo que me deu um nó na garganta:
O perigo nunca tinha sido apenas Jenifer.
Era o que homens como Roger despertavam em mulheres como eu.
Desejos sem nome.
Pensamentos sem oração.
E a certeza incômoda de que nem toda tentação entra pela porta dos fundos.
No fim, as coisas aconteceram de um jeito que eu jamais teria escolhido conscientemente, mas que aceitei como quem aceita algo inevitável.
Roger acabou ficando.
Não só passando. Morando.
Ele e Jenifer se instalaram juntos na edícula. Oficialmente, para economizar. Para se organizarem. Para que ele pudesse trabalhar enquanto ela levava a gravidez adiante com um mínimo de segurança. Foi assim que explicamos para a família, para a Igreja, para nós mesmos.
Eu concordei. Disse que era provisório. Disse que era o mais lógico. Disse que era o melhor para todos.
E talvez fosse.
Mas isso significava que Roger agora fazia parte da minha rotina. Não dentro da casa — mas perto o suficiente para ser impossível ignorar. Eu o via sair cedo, mochila nas costas, camiseta colada no corpo. Via-o voltar no fim da tarde, cansado, braços tensionados, a postura solta.
E eu pensava nele.
Pensava mais do que gostaria. Mais do que julgava aceitável. Mais do que qualquer oração parecia conseguir calar.
Eliseu quase não estava em casa. A preparação para o pastorado ocupava tudo. Cursos, encontros, aulas, leituras intermináveis. Quando estava presente fisicamente, estava ausente de todo o resto. Passava horas debruçado sobre livros, rabiscando anotações, murmurando conceitos que eu não compreendia completamente. Às vezes eu falava, e ele demorava a perceber que eu ainda estava ali.
E, no meio dessas fantasias eu dizia a mim mesma que era só convivência forçada. Só cansaço. Só carência emocional. Coisas humanas que precisavam ser vencidas.
Mas, no fundo, começava a perceber algo que me assustava:
Quanto mais eu falava sobre uma vida santa,
mais difícil ficava ignorar tudo aquilo que eu estava reprimindo para sustentá-la.
E a edícula, ali no fundo do quintal, deixava de ser apenas um espaço provisório.
Virava um lembrete constante de que o caos não entra apenas quando é convidado —
às vezes, ele se instala com justificativas razoáveis e vai ficando.
Naquele dia, a casa ficou vazia cedo.
Jenifer e Roger saíram juntos. Disseram que iam ao médico por causa da gravidez e, depois, a uma entrevista de emprego para ele. Falaram isso com naturalidade, como um casal que começa a ensaiar uma rotina comum. Assenti, desejei boa sorte, mantive o tom correto.
Eliseu saiu logo depois. Igreja, curso, mais uma etapa daquele caminho interminável até o pastorado. A porta se fechou, e o silêncio voltou a ocupar tudo.
Sozinha, meus pés me levaram ao fundo do quintal.
A edícula estava destrancada.
Entrei dizendo a mim mesma que era apenas para verificar algo. Qualquer coisa. A luz estava apagada, mas o cheiro do lugar denunciava vida. Roupa usada. Sabonete barato.
Sobre a cama, largada sem cuidado, estava uma camisa de Roger.
Peguei sem pensar.
O tecido ainda guardava o calor do corpo, o cheiro de suor misturado com desodorante — um cheiro masculino, real, vivo. Diferente de tudo que existia na minha casa principal.
Levei a camisa ao rosto.
Respirei fundo.
A imagem dele surgindo com facilidade perturbadora: o corpo forte, o jeito solto, o olhar que parecia sempre perceber mais do que dizia. Senti o rosto esquentar, o coração acelerar, a consciência se afastar um pouco — como se eu tivesse dado um passo fora de mim mesma.
Peguei uma cueca dele e esfreguei no meu rosto. Depois esfreguei na região da vagina, imaginando como seria o pau dele.
Perdida em pensamentos. Não ouvi quando a porta se abriu.
Só percebi a presença quando o ar mudou.
Levantei os olhos — e dei de cara com Roger.
Ele parou na entrada, imóvel por um segundo. Eu estava cheirando a cueca dele.
Não houve surpresa. Nem indignação. Apenas um silêncio denso, carregado.
O canto da boca dele se ergueu de leve. Um sorriso lento. Malicioso. Um entendimento perigoso, compartilhado sem uma única palavra.
Senti o sangue correr para o rosto.
Soltei a cueca imediatamente, como se ela queimasse. Dei dois passos para trás, recompus a postura, puxei o ar para dentro dos pulmões como quem se salva de um mergulho fundo demais.
— Eu… — comecei, mas me interrompi ao ouvir outro barulho atrás.
Jenifer entrou logo depois.
— Ah, você está aqui? — ela disse, sem notar nada de estranho.
Endireitei os ombros. Forcei um sorriso.
— Vim ajudar — respondi rápido demais. — Estava separando umas roupas pra lavar. Só isso.
Jenifer assentiu, distraída. Roger não disse nada.
Mas antes de sair, senti o olhar dele em mim mais uma vez. Demorado. Intencional. Como se aquela cena tivesse sido guardada em algum lugar onde eu não podia mais fingir que não existia.
Voltei para casa principal com o peito apertado.
Lavei as mãos. Lavei o rosto. Rezei frases curtas, sem convicção.
E soube, com uma clareza que me assustou, que algo tinha mudado.
Não porque eu tivesse sido vista.
Mas porque, pela primeira vez, alguém tinha percebido exatamente aquilo que eu vinha tentando esconder até de mim mesma.
No mesmo dia, mais a noite eu estava no banho, quando desliguei o chuveiro ouviu a voz de Jenifer que atravessou a porta:
— Vai demorar? O Roger precisa entrar pra tomar banho.
Respondi que já estava saindo, sequei o corpo devagar, antes de sair do banheiro, hesitei. Meu olhar caiu sobre a calcinha. Deixei-a sobre a pia, visível, exposta — um “esquecimento”. Fechei a porta com suavidade, levei comigo uma estranha mistura de expectativa e culpa.
O intervalo até Roger entrar pareceu curto demais. Quando o banho terminou e ele voltou para a edícula, esperei mais alguns minutos, então retornei ao banheiro. O vapor ainda pairava no ar. Bastou um olhar: a calcinha tinha mudado de lugar e o tecido estava marcado por uma pressão irregular, inconfundível.
Prendi a respiração e peguei a calcinha de volta, sentindo um arrepio percorrer meu corpo.
Eu dizia a mim mesma que era temporário. Que tudo aquilo era para um bem maior.
Tentando esquecer Roger eu me concentrei em ajudar Eliseu com o curso. Quando ele se tornasse pastor, e então nossa vida entraria no eixo definitivo que sempre imaginei.
Eu não via a hora.
Não apenas pelo título. Mas pelo que ele representava. Estabilidade. Reconhecimento. Um lugar claro no mundo. Eu, esposa do pastor. Uma identidade completa, respeitável, admirada.
Comecei a pensar nisso com mais atenção do que gostaria de admitir.
Comecei a pensar em imagem.
Sempre fui organizada, disciplinada, cuidadosa. Sempre gostei de falar, de orientar, de explicar como as coisas devem ser feitas. E comecei a perceber o quanto as mulheres da Igreja me olhavam com curiosidade — algumas com admiração, outras com expectativa.
Foi assim que surgiu a ideia.
Queria fazer vídeos. Falar sobre a rotina. Sobre fé. Sobre casamento cristão. Sobre como é apoiar um homem no chamado pastoral. Mostrar uma vida santa, estruturada, inspiradora. Algo limpo, bonito, edificante.
Influenciar, sem usar essa palavra em voz alta.
Comentei isso com Eliseu, numa noite em que ele mal levantou os olhos do livro. Disse que achava interessante, desde que tudo fosse feito “com sabedoria”. Foi o máximo de entusiasmo que consegui.
Foi então que, quase sem perceber, pedi ajuda a Jenifer.
Ela sempre foi desinibida. Sabia mexer com câmera, com redes sociais, com edição. Sabia falar sem medo. Era o oposto de mim nesse ponto. E talvez por isso mesmo eu tenha engolido o orgulho.
— Você entende dessas coisas — falei, tentando manter o tom neutro. — Vídeos, internet… essas coisas de hoje.
Jenifer me olhou com surpresa. Um sorriso breve, cansado, mas sincero.
— Um pouco — respondeu. — Posso ajudar, se você quiser.
Passamos a conversar mais. Sobre enquadramento, luz, roteiro. Ela sugeria ideias. Eu ajustava para algo mais adequado. Mais santo. Mais controlado.
Às vezes me pegava imaginando como seria quando Eliseu finalmente se tornasse pastor. A casa cheia. As visitas. A Igreja nos olhando como exemplo.
Alguns dias se passaram, e a casa entrou numa espécie de normalidade perigosa.
Jenifer estava na edícula, Eliseu ocupava a mesa da sala, cercado por livros, apostilas, anotações da Igreja. Murmurava trechos, sublinhava frases, completamente absorto naquele universo que parecia cada vez mais distante de mim.
Eu estava na pia, lavando a louça do almoço.
O som da água correndo, o cheiro de detergente, o movimento repetitivo das mãos — tudo era banal, doméstico, seguro. Era assim que eu gostava de pensar.
Foi então que senti a presença antes mesmo de ouvir os passos.
Roger diminuiu o ritmo ao passar pela porta da cozinha. Não entrou. Não falou nada. Apenas olhou.
E o olhar dele não era casual.
Era direto. Demorado. Um olhar que não fingia neutralidade. Um olhar que me percorria com atenção excessiva, quase faminta, como se estivesse confirmando algo que já sabia.
Meu corpo respondeu. Senti o calor subir pelo peito, a respiração mudar de ritmo, os dedos ficarem menos firmes ao segurar o prato. Endireitei os ombros, como se isso pudesse esconder o que acontecia por dentro. Não virei o rosto. Também não sustentei o olhar. Fiquei naquele meio-termo covarde.
Roger deu um passo para dentro da cozinha.
Depois outro.
Cada aproximação parecia medir minha reação. E eu, imóvel diante da pia, sentia o coração bater mais forte a cada segundo. O corpo tenso, atento, traidor. Não pedi que ele parasse.
Quando ele ficou perto o suficiente para que eu sentisse o calor do corpo dele atrás de mim, meu estômago se contraiu. Não era medo. Era expectativa.
Ele se aproximou devagar, suficiente para fazer minhas pernas perderem um pouco da firmeza.
Então ele me abraçou.
Um abraço firme, silencioso, que me envolveu por trás, encaixando meu corpo no dele. O peito largo contra minhas costas. Os braços me cercando sem força excessiva, mas sem hesitação.
Senti o pau duro e gostoso encostando por cima da roupa bem na minha bundinha.
— Roger… — murmurei, finalmente, a voz baixa, quase falhando. — Isso é perigoso.
Ele não respondeu, apenas começou a esfregar a piroca em mim. Eu comecei a mexer o quadril, rebolar para me esfregar no pau dele.
— Você gosta de se esfregar num macho! ... Sua putinha, safada!
Fechei os olhos por um segundo longo demais.
— Só se for num macho gostoso, pauzudo igual a você! Gosto de me esfregar bem na pirocona!
Ouvimos um barulho! Então me soltou.
Deu um passo para trás. Senti um tapa gostoso na minha bunda!
Quando virei o rosto, ele já estava se afastando, sem pressa, como se nada tivesse acontecido. Como se aquele gesto não tivesse acabado de atravessar tudo o que eu vinha tentando manter em ordem.
Saiu da cozinha e seguiu para a edícula.
Eliseu entrou na cozinha.
Fiquei ali, parada diante da pia, as mãos ainda submersas na água fria, o coração disparado, o corpo inteiro em alerta. Eu deveria sentir culpa. Deveria sentir medo. Deveria correr para o quarto e orar até aquilo passar.
Mas o que senti foi outra coisa.
A buceta pegando fogo! E uma vontade louca e incontrolável de dar o cu para o Roger!
No dia seguinte, Eliseu saiu cedo para a Igreja.
Era dia de prova, reunião, alguma etapa decisiva naquele caminho que parecia nunca acabar. Ele beijou meu rosto com pressa, pegou os livros, saiu falando de horários e responsabilidades. A porta se fechou, e com ela veio aquele silêncio conhecido — mas agora carregado de outra coisa.
Em casa, restamos apenas nós três.
Jenifer estava inquieta. A gravidez avançava, e ela reclamava do calor, do tédio, da sensação de estar presa. Quando a vizinha chamou, oferecendo algumas roupinhas de bebê que pretendia doar, ela se animou. Disse que era coisa rápida. Pegou a bolsa e saiu.
Roger ficou.
Disse que precisava aproveitar o tempo para preencher cadastros de emprego. Estava na edícula, sentado à pequena mesa, o laptop aberto, concentrado.
Esperei alguns minutos depois que Jenifer saiu.
Meu coração já batia rápido demais quando atravessei o quintal.
Bati de leve na porta da edícula, mais por hábito do que por necessidade. Ele levantou os olhos da tela. O olhar encontrou o meu, e algo mudou ali — uma consciência imediata do que aquela visita significava.
— Estamos só nós dois — eu disse.
Roger fechou o laptop devagar, olhando para mim.
Ele se aproximou, me agarrou e arrancou minhas roupas.
Eu aproveitei para me esbaldar em seu corpo, não pude deixar de admirar o jeito como seus músculos se contorciam sob a pele bronzeada, cada linha e definição refletindo o trabalho árduo que ele dedicava ao corpo.
Acariciei demoradamente seu peito cabeludo.
— Gosta do que vê? — Ele perguntou enquanto acariciava meus seios.
Conduzi sua mão até a minha xoxotinha molhada.
— Isso responde sua pergunta? — Disse já gemendo de prazer.
Ele se ajoelhou, colocou a cabeça no meio das minhas pernas e começou a chupar minha boceta. Ao mesmo tempo que me conduzia até a parede.
Quando me encostei, ele me ergueu com facilidade, firme e seguro, apoiando-me contra a parede, sem tirar a boca da minha xavasca.
O corpo dele servindo de sustentação, sólido, estável.
Comecei a me contorcer e a gemer alto.
Eu ainda estava tentando encontrar meu equilíbrio quando ele me virou de ponta cabeça
Num segundo, o mundo se inverteu, minhas coxas ficaram apoiadas no ombro dele, minhas costas na parede. Fiquei de ponta-cabeça, sustentada pelas minhas pernas e pela cintura, o corpo meio prensado contra a parede.
Minha nuca encostou no concreto frio, e o choque da temperatura me fez prender a respiração.
Começamos a fazer um 69, mas de pé, em vez de deitados.
Eu já sabia que ele era forte, pensei, surpresa comigo mesma por ainda me surpreender. Mas aquilo… era melhor do que eu imaginava.
Ali, suspensa, com o mundo invertido e a nuca fria contra a parede, ele era mais forte que eu pensava.
O pau dele ficou bem em frente da minha boca, comecei a chupar com muita vontade, bem gulosa!
Engoli inteiro, os pentelhos encostando na minha boca e no meu queixo, e o saco dele batendo na minha testa, perto do meu olho.
Que pauzão! Grosso, duro, imponente!
Em seguida ele se sentou na beirada da cama, e me colocou para quicar na rola, sentada no colo dele.
— Vai cachorra! – Quica gostoso na minha Vara.
Sorte que eu tava com bucetinha bem molhada, o pau deslizava gostoso lá dentro.
— Você é uma puta mesmo! Conheço teu tipo, crente da bunda quente!
— Sou puta! Putona mesmo! Você nem sabe o quanto eu sou safada!
Ele agarrou o meu pescoço com as duas mãos e começou a socar com mais força na minha xoxota.
O quadril dele ia para cima e para baixo num ritmo frenético, mantinha o tronco firme enquanto a força vinha do centro do corpo, socando a rola com cada vez mais força. Cada repetição do movimento com mais vontade.
Parecia uma britadeira! A buceta quase pegando fogo!
O suor começou a aparecer na testa, e a respiração ficava mais curta, mas ele continuava socando com força.
— Aí, agora eu quero no cuzinho! — Falei já me colocando de quatro.
Cuzinho é modo de dizer, porque eu tenho um rabão enorme.
Antes de casar, quando eu me mudei do interior para a Capital eu comecei a trepar bastante, fui até em baile funk. No interior era perigoso, todo mundo conhecia todo mundo naquela cidadezinha. Na Capital eu pude soltar o cu a vontade.
— Esse cu aqui já levou pau — Disse ele me examinado de quatro — Já está todo aberto, arregaçado. Dá pra socar sem dó!
Ele enfiou o pau todo de uma vez, com força. Quase deu para ouvir o barulho das últimas pregas se rompendo!
Eu comecei a gritar o mais alto possível, aquilo que eu sei que os homens gostam de ouvir: Tarado...... comedor de cu!!!!seu pau é muito grosso... tá me arrombando....
— Cu de puta é pra isso mesmo! Pra levar pau! — Disse ele todo machão, começou a dar tapas na minha bunda!
— Bate, bate com força.... quero apanhar dando o cu!!!!
— Aaaahhhhh! Vou gozar!!
— Vai....vai....goza no meu cu...... me enche de porra.....
Senti ele jorrar aquele líquido quente, bem fundo no meu rabo! Lavou meu cu por dentro.
— Ai!!!! Que delícia...... a sua putinha quer beber esse leitinho ...
Ele me pegou pelo cabelo, me deixou prostrada na frente dele, começou a bater com o pau na minha cara e finalizou no meu rosto. Terminei com aquela porra quentinha espalhada no meu corpo.
Deliciosamente submissa, dominada por aquele macho gostoso!
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Nos dias que se seguiram, fiz de tudo para não ceder novamente a Roger.
Evitei ficar sozinha no quintal. Diminuí as idas à edícula. Passei a ocupar mais a casa principal, como se a simples proximidade física fosse capaz de reordenar o que já tinha saído do eixo. Voltei a cobrar Eliseu com mais frequência — perguntas disfarçadas de interesse espiritual.
— Falta muito? — eu perguntava, tentando parecer paciente.
— Pouco — ele respondia. — Estou quase lá.
Essa palavra — quase — começou a me incomodar.
Eu queria que aquilo se resolvesse logo. Queria o título, o lugar, a identidade pronta. Queria começar o canal. Me via falando para outras mulheres, orientando, aconselhando, mostrando uma vida organizada que, na minha cabeça, ainda existia — apesar de tudo.
Jenifer tinha uma consulta médica marcada. Rotina da gravidez. Disse que Roger não poderia acompanhá-la porque tinha uma entrevista de emprego online. Promissora, segundo ele. Algo que poderia finalmente colocá-los em movimento, fora do meu quintal, fora da minha órbita.
Ofereci-me para ir com ela.
Roger ficou em casa.
A consulta foi rápida. Tudo aparentemente bem com o bebê. Jenifer saiu aliviada, falando sobre datas, exames, pequenas preocupações práticas. Eu concordava, respondia, mas minha mente já estava alguns passos à frente, inquieta de um jeito que eu não sabia explicar.
Quando chegamos em casa, estranhei o silêncio.
Não o silêncio comum — mas um silêncio interrompido. Um som abafado vindo da edícula. Um ruído irregular, estranho demais para ser ignorado.
Jenifer parou. Me olhou. Eu assenti, sem saber exatamente por quê.
Fomos juntas.
A porta da edícula estava apenas encostada.
Empurrei.
A cena se formou diante de nós sem aviso, sem preparação, sem qualquer possibilidade de negação.
Eliseu completamente nu, de quatro em cima da cama. Roger penetrando vigorosamente no seu cu.
Expressão de evidente alegria no rosto de ambos, que era refletido também nos gemidos de prazer dos dois.
Jenifer soltou um grito agudo, instintivo.
Cambaleou, levou a mão ao peito, os olhos arregalados de horror. Quase caiu.
Eu segurei seu braço automaticamente.
Roger e Eliseu se afastaram num movimento brusco. Eliseu ficou pálido.
Roger caiu da cama com o susto.
Eliseu apenas me olhou — fui então que pude ver que seu rosto estava coberto de esperma — como se eu fosse a única pessoa ali capaz de compreender o que estava acontecendo.
Meu coração batia forte, mas não em choque.
Jenifer começou a chorar e desmaiou.
Quanto a mim, eu estava surpresa, sim. Mas não devastada. Não quebrada. Algo em mim apenas… reorganizava informações.
Já tinha visto coisas piores na Igreja.
Roger se levantou e começou a vestir a roupa.
Eliseu permanecia imóvel, de pau duro.
Fui socorrer Jenifer, tentar reanimá-la.
Enquanto abanava Jenifer, eu só pensava comigo mesma: “O Eliseu podia pelo menos disfarçar essa expressão de alegria e prazer que está estampada no rosto dele”.
E, naquele momento estranho de clareza fria, pensei algo que me assustou pela facilidade com que surgiu. A última contradição necessária. O último segredo enterrado antes da ascensão.
A última coisa que faltava para Eliseu ser um verdadeiro Pastor:
Dar o cu escondido.
FIM
{ Música Piricrente - Dinah Moraes}
