Segredos à Luz do Dia

Um conto erótico de Eder Bauru
Categoria: Heterossexual
Contém 459 palavras
Data: 07/02/2026 15:40:17
Última revisão: 07/02/2026 16:05:55

Era o dia do encontro.

Eu fui antes. Pedi o carro emprestado a um amigo de trabalho, dizendo que o meu estava na oficina.

A vantagem era que os vidros eram escuros, me dando total privacidade.

Estacionei na avenida paralela à rua da sorveteria, de forma a ter visão clara do local sem ser notado.

Ele chegou primeiro. Ficou esperando, olhando o celular, a rua, como quem disfarça a ansiedade.

Cinco minutos depois, surgiu o carro dela. Estacionou quase em frente à sorveteria e entrou com naturalidade.

Vestido azul, na altura dos joelhos, bonita como sempre.

Escolheu uma mesa na ruazinha lateral, discreta. Logo estavam conversando, rindo, tomando sorvete. O tempo passou, e percebi o movimento dele: puxou a própria cadeira e sentou ao lado dela. Encostados à parede, ficaram mais próximos.

Então vi: a mão dele deslizou até a coxa dela. Ela não afastou. Pelo contrário, inclinou-se para ouvir o que ele dizia ao pé do ouvido. Ele voltou a sussurrar, mais perto ainda. Enquanto falava, sua mão alisava a coxa dela, subindo devagar, até que o vestido azul se ergueu discretamente.

Foi então que vi: a calcinha azul, cor do céu, apareceu. Os dedos dele exploravam por cima da calcinha, abolinando a xota, pressionando, provocando. A pele morena da mão dele contrastava com a pele clara das coxas dela, criando uma cena intensa. Ela respirava fundo, mordia o lábio, inclinava-se para ele, entregue.

Num gesto ainda mais ousado, ele pegou uma das mãos dela e a conduziu até si.

Por cima da calça, ela sentiu o contorno, a firmeza. Não afastou. Ficou ali, a mão pousada, como se apalpasse tudo através do tecido, cúmplice do momento.

O sorriso discreto dela denunciava: estava gostando.

Ele murmurava algo no ouvido, e cada palavra parecia incendiar ainda mais o instante. Eu, do carro emprestado, via tudo. Não precisava ouvir. O que diziam, o que falavam… era exatamente o que eu pensava. Promessas, desejos, segredos.

Depois de algum tempo, levantaram-se.

Ele pegou suas mãos, e de mãos dadas caminharam até o carro dele. Entraram juntos, sem pressa, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Eu liguei o motor e segui atrás.

Mantive distância, acompanhando ao longo do trânsito, atento a cada movimento.

O coração batia forte, mas eu não desviava o olhar.

Seguia, silencioso, até que percebi a direção que tomavam.Continuei acompanhando, até que vi: eles entraram em um motel.

Naquele instante, segui reto.

Não havia condição de ir ao trabalho depois daquilo.

Estacionei em um bar, pedi uma bebida.

Precisava respirar, precisava me recompor.

Leitor, não era apenas ciúme. Era a confirmação de tudo que eu já sabia.

O passo havia sido dado, e eu estava ali, consciente, aceitando e sofrendo ao mesmo tempo.

ederfera@hotmail.com

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