No banho, Leôncio toca o pequeno sino, que começa a ressoar. Aquele era o sinal de que precisava de alguma coisa. Isaura já havia tirado o vestido quando ouviu o sino tocar. Rapidamente, pega um roupão, cobre as partes íntimas e sai do quarto em direção ao banheiro.
— O senhor me chamou?
— Sim, Isaura. Por favor, pegue aquela escova.
— Aqui está, senhor.
— Passe-a nas minhas costas. Estou exausto. Passei o dia todo na cidade.
Isaura começa a escová-lo. Leôncio vira o rosto e vê o joelho da escrava à mostra, escapando do roupão. Era um joelho bonito, embora marcado pelo tempo e pelo trabalho. Ele segura as pernas de Isaura.
— Isaura, seu joelho é a coisa mais linda que já vi.
— Sinhozinho Leôncio...
Ele segura firme as pernas dela, acariciando o joelho e depositando vários beijos sobre ele.
Isaura tenta se levantar e se afastar, mas, antes que consiga ir embora, Leôncio se põe de pé e a agarra por trás, puxando-a para dentro da banheira.
— Solte-me… solte-me! — grita a escrava, debatendo-se dentro da água que respinga para todos os lados.
— Isaura, por que faz isso comigo? — insiste ele, a voz misturando irritação e desejo. — Por que recusa o meu amor?
— O senhor é homem casado… — responde ela, tentando puxar o braço de volta. — Respeite sua esposa.
Leôncio solta uma risada amarga.
— Eu não amo minha esposa. Nunca amei. Amo você, Isaura. Desde o primeiro dia em que a vi nesta casa. Se quiser, caso-me contigo. Você será dona de tudo isto
— Não quero...
Com um puxão violento, ele abriu as lapelas do roupão de Isaura. O tecido ensopado cedeu, e os seios dela saltaram para fora, expostos ao olhar voraz do seu senhor.
Leôncio não perdeu tempo. Suas mãos grandes e calejadas envolveram a carne macia com uma força possessiva, apertando-os com firmeza enquanto ela se contorcia.
— Me solte! O senhor está louco! — Isaura arquejava, sentindo os seus seios ser apertado com força, os pés escorregando no fundo da banheira.
Leôncio soltou uma risada rouca, sentindo a reação física do corpo dela ao choque da água e do toque.
— Vejo que está excitada, Isaura... os mamilos estão bem durinhos contra a minha palma — sibilou ele, aproximando o rosto do pescoço dela. — Por que continuar com esse teatro de virtude? Você sabe que não vai conseguir escapar. Renda-se de uma vez. Eu aposto que, no fundo, esse seu corpo de anjo deseja o seu dono tanto quanto eu desejo ser o seu carrasco...
Ele apertou ainda mais, colando o corpo dela ao seu, sentindo a pulsação acelerada da escrava que, entre o medo e a revolta, lutava para não se afogar naquele abraço impuro.
Isaura reúne toda a força que tem. Com um movimento rápido, acerta-lhe uma cotovelada no queixo. O impacto o faz cambalear para trás, soltando-a por um instante.
Isaura apoia as mãos na borda escorregadia da banheira e consegue se impulsionar para fora. Seus pés quase deslizam no piso molhado, mas ela recupera o equilíbrio e corre pelo corredor, ainda úmida, os cabelos colados ao rosto e às costas.
Sem olhar para trás, entra no quarto, fecha a porta com violência e gira a chave na fechadura. Encosta-se à madeira, ofegante, sentindo o coração bater descompassado no peito.
O silêncio vem aos poucos, quebrado apenas pela própria respiração.
Ela caminha até a cama e senta-se, tentando se recompor. Só então percebe o detalhe que a faz estremecer ainda mais: o roupão ficou no banheiro.
Malvina chega ao banheiro.
— Que barulho foi esse, Leôncio?
— Nada... Eu me levantei e escorreguei. Só isso.
Malvina pega o roupão no chão.
— O que essa roupa está fazendo aqui? É da Isaura.
— Ela deve ter tomado banho aqui mais cedo e esquecido o roupão. Estou exausto. Vou dormir.
Malvina foi até o quarto da escrava e bateu na porta.
— Sou eu, Isaura. Abra a porta.
— Sinhá, precisa de alguma coisa? — diz Isaura, abrindo a porta.
— Aqui está seu roupão, que você esqueceu no banheiro do meu marido.
— Ai, eu devo ter esquecido lá...
— Tem algo que queira me dizer?
— Nada, sinhá...
— Tem certeza? — pergunta Malvina, segurando a mão de Isaura.
— Tenho certeza.
Malvina puxou Isaura para mais perto, segurando firme os braços dela e encostando o rosto ao seu.
— Olhe aqui, escrava. Se eu souber que está dando em cima do meu marido, juro por tudo o que é mais sagrado que irei cortar sua língua fora. Está me entendendo?
— Sim... sim, sinhá... Eu juro que não fiz nada.
A fúria de Malvina diminuiu. Ela soltou levemente os braços da escrava e fez uma expressão harmoniosa, acariciando o rosto de Isaura.
— Isaura, você é só minha. Não gosto de dividi-la com mais ninguém, nem mesmo com meu marido. Você sabe disso, não é?
— Sim, sei...
— Diga. Quero ouvir da sua boca.
— Eu sou só sua, sinhá, e de mais ninguém.
Malvina não resistiu ao ouvir a escrava dizer aquilo e beijou intensamente sua boca, agarrando-a cheia de desejo. Foi difícil para Malvina controlar a tentação.
— Melhor eu ir. Tranque bem o quarto e vá dormir. Nada de ficar andando pela casa de madrugada.
Isaura fechou a porta. Em seguida, limpou a boca com certo nojo e foi se deitar.
Continua na Parte 3.