Cláusula de Entrega - Caimento

Um conto erótico de Skuld
Categoria: Gay
Contém 815 palavras
Data: 07/02/2026 23:15:39

Fomos até o carro e ele começou a dirigir para outro local. Eu estava envergonhado demais para perguntar para onde íamos. Permaneci em silêncio, mãos apoiadas nas coxas, sentindo a pele ainda sensível sob a roupa. Cada movimento do corpo lembrava o que tinha acabado de acontecer.

O provador era amplo demais para uma pessoa só. Espelhos do chão ao teto em três paredes, luzes frias que não deixavam espaço para sombra. Uma banqueta baixa no centro. Nada além disso.

Ele me mandou tirar tudo, menos a cueca.

— De pé. Braços abertos.

Obedeci.

O ar-condicionado batia direto na pele recém-depilada. A virilha lisa. As nádegas parcialmente expostas pela cueca justa de algodão preto. Era a única peça que ainda me cobria, e mal. O tecido marcava tudo. Volume, contorno, forma. Coisas que eu nunca tinha sido obrigado a encarar daquele jeito.

Ele entrou no provador comigo. Pediu ao alfaiate que saísse e fechou a cortina pesada atrás de si. O som metálico dos ilhós ecoou mais alto do que deveria.

Por alguns segundos, não disse nada.

Circulou ao meu redor devagar, como se eu fosse um objeto sendo avaliado antes da compra. Passou os dedos pela lateral da coxa, subiu até a cintura, desceu pelo flanco do tronco. O toque era leve, técnico. Não apertava. Media.

— Levanta os braços mais alto.

Ao obedecer, senti os músculos das costas se contraírem. Ele se posicionou atrás de mim. Próximo demais para ser neutro, distante demais para ser abraço. O calor do corpo dele contrastava com o frio do ambiente.

— Gira devagar.

Virei.

Os espelhos me devolveram inteiro. De frente, de costas, de lado. A cueca esticada. O volume evidente. A respiração irregular. Ele observava sem pressa, o olhar descendo e parando onde meu corpo já denunciava demais.

Estendeu a mão. Não tocou diretamente. Passou o dorso dos dedos pela lateral da cueca, desenhando a linha da virilha. O corpo reagiu antes que eu pudesse impedir. O tecido cedeu levemente sob a pressão.

Ele viu. Apenas assentiu.

— Fica de quatro na banqueta.

Hesitei. Olhei para o reflexo dele no espelho.

Ele não repetiu a ordem. Apenas arqueou uma sobrancelha.

Subi na banqueta. Joelhos afastados, mãos apoiadas. A posição era clara demais. Nos espelhos, eu via tudo: a curva das costas, a cueca enfiada entre as nádegas, a pele ainda avermelhada da depilação recente, o corpo exposto por ângulos que eu nunca tinha escolhido ver.

Ele se aproximou por trás. Não usou as mãos de imediato. O tecido da camisa roçou de leve nas minhas costas. A presença dele bloqueou parte da luz.

O primeiro toque foi contido. Pontas dos dedos traçando a linha central da cueca, da base da coluna até onde o corpo reagia sem pedir permissão. Pressionou de leve. O suficiente para marcar. Não o suficiente para machucar.

Um som baixo escapou de mim.

Ele não comentou.

Os dedos desceram, contornaram, subiram pela frente, roçando o volume agora evidente sob o algodão. O corpo respondeu inteiro, traindo qualquer tentativa de controle.

— Respira — disse, baixo. — Isso é parte do caimento. Do sustento.

Abaixou-se até que nossos rostos ficassem alinhados no reflexo do espelho. Não ajoelhou. Apenas flexionou o corpo o suficiente. Olhos nos meus.

— Você tem uma base forte — disse, como quem faz uma constatação técnica. — Forte o bastante para aguentar o trabalho.

A mão subiu até minha nuca. Palma aberta, firme, segurando sem apertar. Um apoio que também era contenção.

— Olha.

Obedeci.

Vi o que ele queria que eu visse. O corpo tenso. A cueca marcada. A pele lisa reagindo ao frio, à exposição, à presença dele atrás de mim. E, no reflexo, a imagem dele intacta. Postura reta. Controle absoluto.

A mão desceu da nuca para o peito. Dois toques breves.

— Isso sustenta o terno.

Mais abaixo, pressionando o abdômen.

— Isso sustenta a postura.

A mão parou na borda da cueca. O polegar deslizou sob o elástico apenas o suficiente para marcar território.

— E isso sustenta a intenção.

A pressão foi mínima. A reação, não.

Meu corpo avançou por instinto. Um som rouco escapou de novo. Ele não acompanhou o movimento. Deixou que eu sentisse sozinho o quanto estava cedendo.

Depois soltou.

A mão voltou à nuca.

— Respira fundo. Três vezes.

Obedeci.

Quando terminei, ele assentiu. Soltou o contato.

— Pode descer.

Desci da banqueta devagar. As pernas ainda instáveis. Ele me entregou a camisa, depois a calça, sem olhar diretamente. Virou-se para o espelho oposto enquanto eu me vestia, como se conferisse se o ambiente ainda estava sob controle.

Quando terminei, ele se virou.

Avaliou. De baixo para cima. Parou nos meus olhos.

— Melhor.

Abriu a cortina.

— Vamos. Ainda temos outro lugar hoje.

No corredor do ateliê, o ar parecia mais frio. Ou talvez fosse só o corpo, ainda atento demais.

No espelho da saída, vi meu reflexo mais uma vez. Camisa. Calça. Sapatos. Tudo normal.

Por baixo, não.

E eu sabia exatamente por quê.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive Skuld a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários