O escritório tinha o cheiro de café velho e ambição barata. E de Micaela. Seu perfume era caro, um negócio amadeirado e doce que ela deixava pra trás como um rastro. Ruiva. Não era um ruivo qualquer, era daquele tipo que chamava briga. Cabelos longos, pele branca que quase brilhava contra os tons cinzas dos cubículos. E um corpo. Um corpo que não era feito para ternos e salas de reunião. Era feito para estragar vidas.
Ela era a esposa do chefe. O Silva. O tipo de homem que apertava sua mão com força demais só pra ver se você encolhia. Todo mundo sabia, ninguém falava. E todo homem que cruzava o caminho dela sentia a mesma coisa: um puxão baixo no ventre, seguido por um frio na nuca. Era o desejo e o medo, misturados num coquetel perigoso.
A tensão entre a gente nunca foi conversada. Era coisa de olhar. Ela passava por mim no corredor, lenta, e eu sentia o calor do corpo dela como se estivesse pelado. Às vezes, na copa, nossos dedos se esbarravam pegando um café. Ela nunca se afastava logo. Segurava o contato por um segundo a mais, os olhos verdes fixos, um meio sorriso nos lábios. Era um jogo. E eu sabia que estava perdendo desde o primeiro lance.
A festa de fim de ano foi num clube chique na Barra. Música alta, gente bonita, open bar. O Silva, de terno branco, circulava como um tubarão, apertando mãos, mostrando os dentes. A Micaela era o seu troféu. E ela sabia.
Cheguei tarde, já com uma dose de cachaça aquecedo a garganta. Quando a vi, parou o ar no meu peito.
Vestido verde. Verde esmeralda. Tão curto que quando ela virava, eu via a marca da calcinha—ou a falta dela—na carne. Justo, colado em cada curva. Os seios altos, a cintura fina, o quadril largo. Ela dançava no meio da pista, sozinha, mas todo mundo olhava. Segurava uma garrafa de cerveja pela garganta. Bebeu um gole longo, o pescoço arqueado. Quando baixou a garrafa, a língua saiu, rosa e úmida, e lambeu os lábios lentamente, tirando um fio de espuma.
Meu pau ficou duro na hora. Doeu. Latejou contra o zíper da calça como um animal preso.
Ela olhou direto pra mim através da multidão. E sorriu. Não um sorriso de coleguinha. Um sorriso de quem sabe exatamente o que você está pensando.
O Silva viu. Ele estava do outro lado da sala, conversando com uns diretores, mas os olhos dele nunca saíam dela. E quando ela me olhou, ele olhou pra mim também. A expressão dele não mudou. Só ficou mais fria.
Precisei sair dali. O salão estava quente, abafado, cheio do cheiro dela. Fui pra área externa, perto da piscina iluminada. A música era um zumbido distante. Respirei fundo, tentando me acalmar. Foi inútil.
Braços envolveram minha cintura por trás. Um corpo quente se colou nas minhas costas. O cheiro invadiu meus sentidos. Era ela.
Me virei de golpe. Ela estava lá, os olhos escuros, quase pretos na penumbra. A boca levemente aberta, ofegante. Não disse uma palavra. Apenas pegou minha mão e puxou. Segui.
Ela me levou para longe das luzes, para trás de um quiosque fechado, até uma porta de metal. O banheiro de serviço da piscina. Ela abriu, entrou, eu entrei atrás. A porta fechou com um baque seco. Tranquei.
A luz fluorescente piscou, acendeu. Iluminou azulejos brancos, um vaso sujo, uma pia. O cheiro era de cloro e mofo. E agora, dela.
Ela não perdeu tempo. Empurrou-me contra a porta, as mãos no meu peito, e sua boca encontrou a minha. O beijo foi brutal. Língua, dentes, saliva. Era fome pura. Minhas mãos desceram para a cintura dela, para aquele vestido ridiculamente curto, e subiram por baixo. Encontrei a pele quente das suas coxas, subi mais, e não havia barreira. Nada. Apenas a curva do quadril e, entre as pernas, o calor úmido da buceta dela. Já molhada.
Soltei um rosnado contra a boca dela. — Você veio assim? Sem calcinha?
Ela riu, um som baixo e rouco. — Esperando por isso.
Minhas mãos agarram a bunda dela, duas mãos cheias de carne firme, e apertei. Puxei-a contra mim, esfregando meu pau duro contra a barriga dela. Ela gemeu, um som profundo que vinha do peito.
— Quero ver — eu disse, a voz tão grossa que quase não reconheci.
Virei-a de costas, encostei-a na pia fria. Agarre o vestido verde e subi, revelando o corpo. As costas arqueadas, a cintura fina, e as duas metades perfeitas da bunda, pálidas e redondas. E entre elas, a buceta rosada, inchada, brilhando de tesão.
Fiquei olhando por um segundo, com a boca seca. Ela se empinou mais, oferecendo-se.
— Tá esperando o quê? — provocou, olhando pra trás por sobre o ombro.
Abri minha calça. Meu pau saltou pra fora, latejando, a cabeça já escorrendo. Aproximei, encostei na sua entrada quente. Ela estremeceu toda.
— Por favor… — sussurrou, a voz quebrada.
Empurrei. Devagar, sentindo ela se abrir, quente, apertada, molhada pra caralho. Ela gritou, um grito abafado, quando entrei até o fim. Ficamos parados por um instante, eu dentro dela, sentindo as paredes da buceta dela pulsando.
Comecei a mexer. Estocadas curtas e profundas, puxando quase toda e entrando de novo. A bunda dela tremia a cada impacto. O som dos nossos corpos se batendo, úmido, ecoava no banheiro pequeno. Ela gemia sem parar, uma série de "ai, ai, ai" ofegantes.
— Mais forte — ela choramingou. — Fode mais forte, porra.
Segurei firme nos quadris dela e obedeci. As estocadas ficaram brutais. Eu a empurrava contra a pia, o corpo dela dobrando, a pele ficando vermelha onde eu apertava. Ela gemia mais alto, perdendo o controle.
— É isso! Assim! Fode a puta do teu chefe! — ela gritou, a voz ecoando nas paredes de azulejo.
Aquela frase foi como gasolina. Eu meti com ódio, com nojo, com tesão. Queria estragá-la. Queria que o Silva visesse. Queria que ele soubesse que a mulher dele gemía assim, tomando rola de um funcionário num banheiro imundo.
Senti o orgasmo chegando, uma tensão nos testículos, um calor subindo. Iria gozar dentro dela. Ia encher a esposa do chefe de porra.
Mas ela se virou de repente, num movimento rápido, e ajoelhou. Meu pau escorregou pra fora, pingando. Ela me olhou com os olhos vidrados.
— Não dentro — disse, ofegante. — Na boca. Quero beber.
Não esperei. Agarrei a nuca dela e empurrei meu pau contra seus lábios. Ela abriu a boca e engoliu. A sensação foi imediata. O calor, a umidade, a língua dela. Começou a chupar com uma fome desesperada, uma mão no meu pau, a outra agarrando minhas coxas. Olhava pra cima, me encarando, enquanto me fodia na garganta dela.
Foi rápido. Três, quatro bombadas naquela boca quente e eu já estava explodindo. Gemi, os dedos se enterrando nos cabelos ruivos dela, e jorrei. Jatos fortes batendo na língua, na garganta. Ela engoliu tudo, cada gole, sem derramar uma gota. Continuou chupando, mais leve agora, limpando, até eu estar completamente mole.
Só então ela se afastou, ofegante. Um fio branco ainda ligava seus lábios ao meu pau. Ela o limpou com o dedo e chupou o dedo, os olhos fechados num êxtase sujo.
Foi então que ouvimos.
Creek.
Um rangido claro, seco. Do lado de fora da porta. Na madeira do deque.
O som cortou o ar como uma faca. O prazer virou gelo instantâneo no meu estômago.
Nossos olhos se encontraram. O dela, por um segundo, mostrou puro pânico. Depois, se apagou. Ficou vazio.
Ela se levantou rápido, ajeitando o vestido, passando a mão nos cabelos.
— Foi o vento — disse, a voz plana, sem emoção. Nem um tremor.
— Vento, porra nenhuma — sussurrei, puxando minha calça, as mãos trêmulas. — Alguém tava lá.
Ela encolheu os ombros, um gesto de indiferença que me deixou furioso. Destrancou a porta, abriu uma fresta e olhou.
— Ninguém — afirmou, sem nem olhar pra trás. — Se acalma.
E saiu. O vestido verde desapareceu na escuridão, e ela foi engolida pela música da festa.
Fiquei sozinho no banheiro fedorento. O cheiro do sexo ainda estava no ar, misturado com o cloro. Meu coração batia feito um tambor. Vento. Eu não acreditava. Tinha sido um passo. Alguém parado do lado de fora. Escutando. Talvez vendo pela fresta.
Lavei o rosto na pia, a água fria não ajudou em nada. Saí do banheiro, olhando pra todos os lados. Nada. Só o vazio da área da piscina, a água azul brilhando.
Voltei pra festa. Procurei por ela com os olhos. Lá estava, de volta ao braço do Silva. Ela ria de algo que um diretor falava, o braço dele em volta dos seus ombros. O Silva me viu. Nossos olhos se encontraram por talvez dois segundos.
Não havia raiva nele. Não havia surpresa. Havia apenas… uma análise. Como se estivesse olhando para um número em uma planilha. Um custo. Um ativo de risco. Ele virou o rosto de volta para a conversa, sem pressa, e apertou Micaela contra ele.
Na segunda-feira, o escritório estava normal. Micaela passou por mim no corredor com um leve aceno de cabeça, profissional, distante. Como se nada tivesse acontecido. Como se eu fosse um estranho.
O Silva me chamou para o escritório dele à tarde. Para discutir as metas do próximo trimestre. Sua mão estava firme quando cumprimentei. Sua voz, calma. Nada foi dito. Nada foi perguntado.
Mas quando a reunião acabou e eu estava na porta, ele falou, sem olhar dos papéis na mesa.
— Ah, e Rodrigo… bom trabalho no último fechamento. Continue assim. A gente vê o que pode fazer por você no futuro.
A voz era neutra. As palavras, inofensivas. Até corretas.
Mas eu entendi. Não era um elogio. Era um lembrete. Ele tinha algo sobre mim. Algo que eu tinha dado a ele numa noite, num banheiro imundo.
A conta estava aberta. E um dia, ele ia cobrar.
E quando cobrasse, eu sabia, não seria com demissão. Seria com alguma coisa pior. Algo que me faria desejar ter apenas perdido o emprego.
Sai do escritório dele com o gosto amargo na boca. E pela primeira vez, olhei para Micaela, sentada na mesa dela, digitando algo no computador, e não senti desejo. Senti nojo. Dela. De mim.
O jogo não tinha terminado. Mal tinha começado. E agora eu era só um peão, esperando o movimento do rei.