(Marcelo)
A Brenda era perfeitamente capaz de fazer as coisas sozinha, mas ela adorava que eu a levasse pros lugares e ficasse de rolê com ela. A maioria das garotas da idade dela sentia o oposto; queriam ficar o mais longe possível dos pais. Mas a gente não teve aqueles anos de convivência pra pegar ranço um do outro. Agora éramos dois adultos. Bom, ela era uma jovem adulta, mas adulta mesmo assim. Então não estávamos nos conhecendo do jeito que pai e filho se conhecem. Estávamos nos conhecendo como dois adultos.
Ainda tinha aquela novidade empolgante entre a gente. Eu tinha uma filha! E ela tinha um pai! Nós dois estávamos tão pilhados com essa mudança nas nossas vidas que não nos cansávamos um do outro. Mas dava pra notar que essa conexão não estava rolando muito entre a Brenda e a Fernanda. A Fernanda não tinha se afeiçoado a ela tanto quanto eu, e a Brenda não tinha aquele calor humano por ela que tinha por mim. Então ela ficava doida pra sair comigo, só eu e ela, e com o clima meio gelado da Fernanda, minha esposa ficava feliz em pular alguns desses passeios. E isso me daria a chance de conversar com a Brenda sobre arrumar um emprego.
Então lá estava eu no shopping, andando atrás da minha filha. Ela tinha a tendência de falar e falar e falar e falar e falar... deu pra entender, né? E ela falava a mil por hora, tipo narração de futebol no rádio, então aprendi a só deixar ela falar e servir de ouvinte.
— Então, a Carla, tipo, tava dançando com o Roni, mas ele tava ficando com a Kayla, e ela tava, tipo, dançando toda periguete, tentando fazer ciúmes no J.J., e aí... — a Brenda ia tagarelando sem parar. Eu só sorria e concordava com a cabeça. Ah, as alegrias de ter uma filha adolescente. Eu geralmente era um cara mais na minha, então ficava feliz em deixar ela desabafar e dominar a conversa.
A gente ficou junto na maior parte do tempo enquanto fazia compras. Eu, seguindo ela enquanto ela olhava as coisas dela, e ela me seguindo enquanto a gente olhava as coisas que me interessavam. Mas isso parou quando chegamos perto de um lugar que a Brenda estava claramente doida pra entrar: a *Intimissimi* (ou podia ser uma *Loungerie*, mas ela tinha cara de quem gostava de marca de shopping).
— Hã, espera, você quer entrar aí? — perguntei.
— É, ué, vamo lá — a Brenda disse, pronta pra entrar.
— Hã, acho que vou deixar você fazer isso sozinha — falei, desconfortável com a ideia de entrar numa loja de calcinha e sutiã sexy com a minha própria filha.
— Ah, qual é, Papai, vai ser um momento legal de união pai e filha — a Brenda disse com um sorriso doce de doer os dentes.
— É, é, acho que não. Divirta-se. Vou ficar ali na *Centauro* (loja de artigos esportivos). A gente se encontra aqui na frente quando terminarmos — eu disse.
— Beleza, *Papi* — a Brenda disse rindo, entrando na loja enquanto eu caminhava na direção oposta.
Eu estava procurando uns tênis de corrida novos, mas todos que eu vi estavam meio salgados pro meu bolso. Então não fiquei lá por muito tempo. Sentei num banco no corredor e esperei minha filha voltar. Não queria ficar encarando a vitrine da loja de lingerie feito um tarado ou algo assim, mas dava uma olhada lá pra dentro de vez em quando, pra ver se a Brenda já tinha acabado. Por um tempo não vi ela, só outras mulheres e garotas, e um ou outro cara perdido. Fiquei sentado ali por uns bons quinze ou vinte minutos, esperando minha filha emergir. Finalmente avistei ela. Ela estava conversando com um cara, mais pra minha idade do que pra dela, um cara até que pintoso, e ela estava olhando pra cima pra ele, sorrindo enquanto batiam papo, mostrando os dentes, mexendo no cabelo. Se eu não soubesse, diria que ela estava flertando. Parecia que ela estava mostrando umas peças de calcinha pra ele. Talvez ele estivesse dando a opinião dele? Tinha vendedora pra isso. Ela estava com uma sacola na mão, então parecia que já tinha acabado as compras, mas ele tinha parado pra dar uma atenção pra ela. Vi que ele estava empurrando um carrinho de bebê, com uma criança pequena dentro. Fiquei de olho neles por uns minutos, antes da Brenda me ver e vir ao meu encontro.
— Achou o que tava procurando? — perguntei, não querendo ser muito invasivo e perguntar sobre aquele cara.
— Pode apostar — ela disse. — Quer ver?
— Não. Não, obrigado — disse rindo. — Vamos comer alguma coisa.
Fomos pra praça de alimentação. Nos separamos, porque eu queria um *Burger King* e ela queria comida chinesa, tipo *China in Box* ou *Jin Jin*. Olhei pro outro lado da praça de alimentação e vi uns moleques jovens rodeando a Brenda, puxando papo. Caraca, parecia que sempre que eu deixava ela sozinha, os moleques vinham igual mosca no mel. Minha fila estava maior que a dela, então ela sentou antes de mim. Foi quando cheguei mais perto que vi ela sentada numa mesa ao lado do mesmo cara mais velho com quem ela estava conversando antes na loja de lingerie. Ele pareceu um pouco nervoso quando me aproximei, mas a Brenda nem piscou quando me juntei a eles na mesa.
— Ei, Papai, esse é o Rogério — eu disse.
— Hã, oi — falei, cumprimentando ele com um aceno de cabeça.
— Eu tava ajudando ele a escolher um presente de aniversário de casamento pra esposa dele agora há pouco — a Brenda explicou.
— Ah — eu disse, confirmando minhas suspeitas.
— Sua filha ajudou bastante — o Rogério comentou.
— Que bom — respondi. Olhei pro lado dele, pro menininho no carrinho.
— Quantos anos ele tem? — perguntei.
— Ah, uns oito meses. Minha mulher ficava dizendo que 40 anos era tarde demais pra ter outro filho. A gente tem um moleque de 15 anos também. Mas o Juninho aqui foi uma surpresa feliz — o Rogério disse.
— Sempre quis ter um menininho — comentei baixinho, observando o bebê sorrindo e brincando com um mordedor.
— Ah! — a Brenda soltou um gritinho de falsa indignação. Sorri pra ela.
— Bom, tenho que ir nessa — o Rogério disse. — Foi um prazer te conhecer, Brenda — ele falou, sorrindo pra ela. Ele acenou pra mim enquanto juntava as coisas e empurrava o carrinho do Juninho pra longe. A Brenda sorriu pra eles enquanto iam embora, nos deixando sozinhos.
Ela sorriu pra mim enquanto cutucava a comida chinesa oleosa dela. Tive que sentir um certo orgulho da Brenda. Ela era uma garota espetacularmente linda. Linda, com uma personalidade contagiante e um jeito todo animado. Só de saber que eu tive parte na criação de uma garota de tamanha beleza incrível me enchia de orgulho.
— Então... Brenda, embora seja ótimo ter você em casa o dia todo, eu ia agradecer muito se você pudesse contribuir mais. Ajudar nas tarefas da casa. E começar a procurar um emprego, sair um pouco da toca — eu disse. Os olhos dela se estreitaram um pouquinho.
— A, hã, Fernanda falou com você? — a Brenda perguntou, meio irritada.
— O que eu tô te dizendo tá vindo de mim — falei, tentando acalmar os ânimos. — Como eu disse, adoro ter você por perto, mas você precisa cumprir sua parte no acordo.
A Brenda me estudou por um segundo, e então sorriu.
— Por você, Papai... qualquer coisa — a Brenda disse, me fazendo sorrir de alívio. — Se me der licença um minutinho, tenho que ir ao *toalete* — ela disse, levantando. Observei ela se afastando, e notei os caras seguindo ela com os olhos, as cabeças girando assim que a avistavam, secando a bunda dela naquele jeans apertado. Balancei a cabeça vendo isso, e uma pontinha de raiva subiu ao ver esses marmanjos babando na minha filha.
Assim que ela saiu do meu campo de visão, olhei ao redor por um instante. Vi a sacola da Brenda da *Intimissimi* no chão, debaixo da mesa perto de mim. Fui pegar pra colocar em cima da mesa, garantindo que ela não esquecesse. Quando peguei, a sacola abriu, expondo o conteúdo pra mim. Vi alguns pares de calcinhas fio-dental minúsculas, uma preta, uma azul bebê, e a outra branca. Cada uma tinha um sutiã combinando, minúsculo, fininho e rendado. Coloquei a sacola no chão nervosamente antes que alguém percebesse.
Então minha filha usava fio-dental. Ótimo. Maravilha. Odiava dizer isso, mas dava mais crédito ao que a Renata tinha dito, de que a Brenda, minha filha, era uma vadia. Uma periguete. Eu queria julgar por conta própria em vez de ouvir fofoca, mas descobrir que minha filha era fã de calcinha enfiada na bunda não ajudava a defesa dela. Porque fio-dental era o tipo de coisa que as garotas mais... sexuais usavam. As mais atiradinhas. Não era o fim do mundo, mesmo se ela fosse meio vadiasinha. Preferia que ela fosse um anjinho puro e virginal, óbvio. Mas nos dias de hoje, isso provavelmente é impossível. Ela era jovem. Ela era claramente adepta do flerte. Ela estava experimentando o mundo um pouco. E daí se ela talvez... TALVEZ... fosse uma vadia? Eu nem sei se ela era com certeza. Mas não importava. Ela era minha filha.
Vi a Brenda voltando. E seria difícil não notar os outros caras notando ela de novo. Eu praticamente conseguia ver as cabeças deles balançando, acompanhando o balanço dos peitos da minha filha enquanto ela andava. Ela chegou na mesa e eu levantei. Pegamos nossas sacolas, e coloquei meu braço em volta do ombro da minha filha enquanto saíamos andando.
***
(Brenda)
Tava ficando claro que eu ia ter que acelerar o processo, porque não tinha intenção nenhuma de trabalhar, nem mover um dedo. Por que deveria quando tinha um paizão gostoso e forte em casa? Não era isso que ele queria também. Ele ia ficar feliz paparicando eu pro resto da vida. Mas a pressão tava aumentando em cima de mim pra arrumar um emprego. Pra fazer tarefa de casa. A esposa feia do Papai já tava, tipo, totalmente enchendo meu saco toda chance que tinha. Eu sabia que se nada fosse feito, ia chegar no ponto de "arruma um emprego" ou "cai fora". Mas não ia chegar nesse ponto. Eu teria que colocar o Papai totalmente do meu lado. Precisava que o Papai me comesse antes de chegar nesse ponto.
O Papai ainda não tinha dado em cima de mim. Eu garantia bastante tempo sozinha com ele nesses rolês no shopping, esperando que ele pulasse o shopping e me levasse pra algum lugar escondido onde a gente pudesse meter. Mas não, ele mantinha nosso relacionamento totalmente platônico. Completamente não-sexual. Nada de abraços roubados. Nada de mãos passeando. Nada de carícias nada-paternas. Nada de exposição acidental do pau enorme de cavalo do paizão na frente da filhinha deliciosa. Só coisa típica e chata de pai e filha.
Era fofo como ele ficou nervoso de entrar na loja de lingerie comigo. Isso definitivamente ia mudar em breve. Logo, ele ia entrar feliz comigo. Ele ia me ajudar a escolher os fio-dentais mais minúsculos e safados. Ele ia me ajudar a escolher a calcinha que melhor destacaria as delícias da filha dele. Ele ia se esgueirar no provador comigo e dar uma espiadinha rápida. Talvez uma apalpada rápida. Ele ia passar os dedos por baixo do meu sutiã, garantindo que o tecido tava lisinho, talvez deixar os dedos roçarem nos meus mamilos. Talvez beliscá-los por cima do tecido. Talvez pegar meus peitões nas palmas masculinas dele. Passar os dedos por baixo das alças do meu fio-dental, ajeitando. Talvez deixar os dedos correrem soltos, e talvez enfiar um na minha bucetinha apertada e rosinha. Seguido de outro. Então ele ia esfregar meu grelo. E nós dois perderíamos o controle. Eu ia pescar o pau dele pra fora, porque eu teria que chupar. Então eu ia sentar ele, e cavalgar no pau grosso do meu Papai, ficando quietinha pra ninguém ouvir, nossos gemidos baixos mas intensos, até perdermos o controle. Até os dois terem que gozar, e ele enterrar o pauzão dele fundo na filhinha querida e soltar tudo, nossos gemidos incontroláveis, ecoando pela loja. Todo mundo ia olhar pra gente, sabendo o que fizemos mas ninguém ia dizer nada. Um lance ilícito de papai e filha, bem debaixo do nariz de todo mundo.
Bom, é isso que ia acontecer. Que vai acontecer. Mas o Papai tinha que espabilar. Tinha uma luz no fim do túnel. Eu vi ele me observando enquanto eu conversava com moleques. Com homens. Vi ele me agarrar depois, possessivo, com ciúmes, vi os olhos dele queimando de irritação. Lá no fundo, ele queria a filha dele só pra ele. Engraçado ele ficar tão enciumado com um pouquinho de flerte. Só posso imaginar o quanto de ciúmes ele ia sentir depois do meu encontro de foda com o Rogério!
***
(Marcelo)
— AH, ME COME! ISSO! ISSO! ISSO! — a Brenda gritou, as súplicas ecoando pelas paredes.
Olhei pra Fernanda, tão acordada quanto eu. Era duas da manhã, e tínhamos sido arrancados do sono pela Brenda trepando no quarto ao lado. Ela tinha se arrumado toda e saído logo depois do jantar. A gente especulou sobre o que ela tava aprontando e depois de notar o jeito que os moleques voavam em volta dela, eu sabia que era um encontro. Um primeiro encontro. E claramente, a Brenda não era do tipo que espera pra partir pro físico.
— METE! METE NESSA BUCETA! VAI, ROGÉRIO! VAI! — a Brenda berrou. Rogério? Aquele cara do shopping? O cara casado do shopping? O cara casado com dois filhos? O cara da minha idade? Era esse o cara no quarto com a Brenda? Transando com ela? De repente fiquei cheio de raiva. De repente senti uma vontade enorme de invadir o quarto dela e arrancar aquele filho da puta de cima da minha filhinha.
— CARALHOOO! SUA BUCETA É BOA DEMAIS! — o Rogério grunhiu.
— PORRAAAAA! ME FODE COM ESSE PAUZÃO! — a Brenda gemeu, o som de pele batendo em pele ecoando pela nossa casa.
— Inacreditável — a Fernanda resmungou. — Tenho que trabalhar amanhã.
— Eu também — eu disse.
— Nunca mais. Não quero que isso aconteça de novo. Você tem que conversar com ela. Chega de moleques — a Fernanda disse. Na verdade não eram moleques. Homens.
— Vou falar — falei, rangendo os dentes. Eu queria parar isso agora, mas se fizesse ela ia ficar horrivelmente constrangida, e não queria que ela me odiasse pra sempre. Então, teria que ficar aqui e escutar enquanto minha filha era comida. Não tinha chance nenhuma de dormir até eles terminarem. Mas aparentemente, esse cara era um super-homem na cama, porque eles continuaram e continuaram e continuaram. Só ouvia as molas da cama gemendo enquanto balançavam.
CRACK!
Um estalo agudo seguido de um estrondo alto. Isso me fez sentar ereto, imaginando se alguém tinha se machucado. Então, as risadinhas infantis da Brenda saltaram pelos corredores, seguidas pela risada grave do homem com quem ela estava, o Rogério. Então, a batida de pele continuou. Por mais 15 minutos os gemidos, grunhidos e palavrões continuaram. Então, graças a Deus, finalmente:
— Ai caralho, amor! Ai caralho! AI CARALHO! AI CARALHO! TÔ GOZANDO, AMOR! ME FAZ GOZAR, GOSTOSO! AI! AI! AI, PORRA! ME FAZ GOZAR, AMOR, ME FAAAAAZ... GOZAAAAAAAAR! — a Brenda gritou a plenos pulmões.
— AAAARRGHHHHH! — o Rogério grunhiu, tipo homem das cavernas, gozando junto com a minha filhinha. Quando os gemidos pararam, parecia que finalmente tinham terminado. Ouvi uma conversa baixinha e risadas. Ouvi passos saindo, e então uma porta fechou. Ótimo! Porque se o Rogério ainda tivesse por aqui de manhã, eu ia quebrar a cara dele na porrada.
***
Cheguei do trabalho no dia seguinte antes da Fernanda e encontrei a Brenda na sala, aninhada no sofá, de calça de moletom, comendo uma tigela de cereal e assistindo TV.
— E aí? — chamei.
— Fala aí — ela respondeu, sem tirar os olhos da novela. Fui até ela e entrei na frente da TV.
— A gente precisa conversar — falei, me abaixando pra desligar a TV. Ela olhou pra mim com aquela carinha de anjo.
— Que que manda, Papai? — ela disse enquanto eu sentava do lado dela.
— Seguinte, o que rolou ontem à noite, de você trazer um... convidado. Isso não pode acontecer de novo. Eu e a Fernanda trabalhamos cedo, e não podemos ficar acordados a noite toda com a sua barulheira — falei sério.
— Foi mal. Às vezes eu me empolgo um pouquinho — a Brenda disse, as bochechas ficando vermelhas.
— Um *pouquinho*? — perguntei.
— Desculpa — ela disse com uma risadinha.
— Você tava com aquele cara do shopping? O Rogério? — perguntei.
— E daí se eu tivesse? — ela rebateu.
— Brenda, você é uma mulher jovem. Não posso te dizer como viver sua vida, mas... você não pode sair dando desse jeito pra caras que mal conhece — falei.
— Eu sei me cuidar — ela respondeu.
— Aquele cara tem a minha idade. Você devia sair com garotos da sua idade — aconselhei.
— Moleques da minha idade são chatos — a Brenda fez bico.
— Ele é casado, tem filhos! — insisti.
— E daí? — ela perguntou feito uma pirralha.
— É furada ficar com homem casado. É errado pra caramba — falei.
— Ele veio atrás de mim. Se não fosse eu, ele ia achar alguma outra novinha pra comer — a Brenda retrucou.
— Brenda, sabe... eu não quero ouvir isso — comecei. — Só... o que você tá fazendo é uma péssima ideia. Você não pode continuar assim. Vai acabar se metendo em confusão.
— Eu adoro confusão — a Brenda disse com um sorrisinho de canto.
— Olha só, chega de trazer homem pra cá. Você é dona do seu nariz. Não gosto do que você tá fazendo, e essas são escolhas suas. Mas essa é a minha casa. Então, nada de homem aqui dentro. Nada de festinha de madrugada. Entendeu? — falei, com raiva.
— Entendido. Papai — a Brenda disse, fazendo um positivo com o polegar. Um longo silêncio caiu antes dela falar de novo: — Ah, antes que eu esqueça. Preciso te mostrar uma coisa — ela começou, levantando e indo em direção ao quarto dela descalça. Segui ela até o quarto.
— Minha cama quebrou — ela disse, virando pra mim e apontando pro pé da cama. Olhei pra baixo pra um dos pés da cama e notei que um pedaço da madeira tinha lascado, deixando a cama toda torta agora.
— Provavelmente já tinha uma rachadura ali. Quebrou de vez depois de ontem à noite — eu disse, me abaixando pra tirar o pedaço quebrado.
— Dá pra consertar? — a Brenda perguntou.
— Talvez um remendo temporário, mas nada que dure — avaliei. — A única solução definitiva seria construir uma nova do zero. Essa cama não foi projetada pro que aconteceu nela ontem à noite — falei pra ela.
— Você pode construir uma que aguente? — a Brenda perguntou rindo.
— Acho que consigo fazer uma nova sim — disse.
— Uma mais resistente? — a Brenda provocou.
— É, hã, talvez — falei. — Mas só porque eu vou construir uma cama mais forte não significa que você pode repetir o que aconteceu ontem.
— Entendido — ela disse, fazendo outro positivo.
Peguei minhas ferramentas e tentei consertar, mas o que acabei fazendo foi só nivelar o pé quebrado e colocar um calço embaixo pra manter firme e equilibrado. Era um quebra-galho até eu poder construir uma estrutura nova. Já estava desenhando o projeto na minha cabeça.
Eu curtia construir e criar. A emoção da construção estava na minha mente. Tentei ignorar a desobediência que vem com a juventude. Tentei ignorar o fato de que a Brenda provavelmente não ia parar com meu aviso, e assim que pudesse, estaria transando naquela cama de novo. Tentei ignorar o fato de que eu não estava construindo uma cama nova pro quarto de hóspedes.
Eu estava construindo uma cama-de-foda nova pra minha filha.
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Não conseguia tirar isso da cabeça. Minha filha gostava de ser comida com força, tão forte a ponto de quebrar uma cama. Era obviamente uma coisa difícil de pensar como pai, mas era difícil *não* pensar. A Renata tinha razão. A Brenda, minha filha, era uma vadia. Ela dava em cima de homens mais velhos, homens casados. Ela topava dar no primeiro encontro. Ela tinha vocação pra piriguete mesmo.
Mas ela era jovem! Tava na fase de curtir a vida. Ela ia crescer eventualmente e aprender com os erros. Aprender que sair dando pra todo mundo não era o melhor caminho pra uma garota como ela.
Então comecei a trabalhar numa cama nova na oficina da escola. Uma cama mais robusta. Com pés grossos e fortes, capaz de aguentar muito tranco. Queria pensar que minha filha ia ouvir o pai e obedecer meu desejo de não continuar com as atividades noturnas, mas eu sabia que ela era jovem e impetuosa. Assim que pudesse, ela usaria essa cama pra transar de novo. Ela transformaria todo o meu trabalho duro num palco onde ela pudesse mandar ver.
Mas eu era o pai dela. Não era meu lugar julgar. Era meu trabalho transformá-la numa pessoa melhor. Uma pessoa apta a viver sozinha na sociedade. Pra não ser uma vagabunda, pulando de galho em galho.
Pra não ser uma menina mimada, vivendo às custas do pai e da madrasta. Eu tinha que achar um jeito de entrar na cabeça dela. Será que ela precisava de disciplina? Será que eu precisava ser linha-dura com ela?
O que seria preciso pra botar juízo na cabeça dela?
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Continua!