Entramos no carro de novo.
Ele dirigiu sem pressa, mas com direção firme, como se cada curva já estivesse decidida antes mesmo de virar o volante. Eu fiquei quieto no banco do passageiro. A cueca ainda grudava na pele, o tecido roçando a virilha sensível a cada solavanco. A ereção tinha diminuído, mas a memória do toque dele na nuca, na base do pau, seguia ali, pulsando baixo, insistente.
Chegamos a um prédio baixo, discreto. Fachada limpa demais para chamar atenção. Vidro fumê na entrada. Um segurança que só acenou com a cabeça ao ver o carro. Ele estacionou numa vaga reservada. Não precisava perguntar de quem era.
Entramos por uma porta lateral que dava direto num elevador privativo. Subimos dois andares. Quando as portas abriram, o ar mudou. Cheiro de borracha limpa, metal e suor. Uma academia particular, daquelas que não aparecem em lugar nenhum. Espelhos por toda parte. Equipamentos pretos e cromados. Luz indireta, calculada para destacar cada músculo sem piedade. Nada de música alta. Só o zumbido constante do ar-condicionado e o som ocasional de ferro se encontrando.
Um homem nos esperava. Alto, ombros largos, camisa polo preta justa, calça de treino. Uns quarenta anos. Olhar direto, sem curiosidade.
Meu chefe foi curto:
— Ele está comigo. Monta o protocolo completo. Os horários eu te passo depois.
O homem assentiu uma vez. Olhou para mim como quem avalia material bruto. Sem pressa. Sem julgamento. Me conduziu até uma sala reservada.
— Tire a camisa e a calça. Fique de cueca e tênis. Vamos começar.
Hesitei só um segundo. De cueca e tênis, parecia o Sonic. Olhei para o meu chefe. Ele estava encostado na parede escura, braços cruzados. Relaxado. Inquestionável. Assentiu de leve.
Tirei a camisa. A pele ainda arrepiada, mamilos duros sob o frio controlado. Depois a calça. Fiquei só de cueca preta a mesma do provador, ainda úmida na frente, marcando o contorno do pau meia bomba. A virilha lisa refletia a luz. O ar bateu direto na pele exposta. Frio por fora. Calor subindo por dentro.
O personal pegou uma fita métrica profissional. Não avisou.
— Braços abertos. Peito.
A fita passou logo abaixo dos mamilos. Apertou o suficiente para controlar minha respiração. Anotou no tablet. Ombros. Costas. Depois desceu para a cintura. O polegar roçou a pele nua do abdômen enquanto marcava o ponto mais fino. Prendi o ar.
— Expira normal. Não força.
Obedeci. Ele mediu de novo. Depois mais baixo, quase na virilha. A fita encostou na borda da cueca. Meu pau reagiu com um pulso curto. Ele seguiu como se não tivesse notado.
— Pernas afastadas.
Obedeci. Ele se agachou na minha frente. Mediu a coxa direita, logo abaixo da virilha. Ajustou a fita com dedos frios, precisos, roçando de leve a parte interna da pele lisa. Subiu um pouco mais, pressionou para marcar. Minha perna tremeu. O pau começou a endurecer de novo.
Sem comentário. Outra perna. Mesmo procedimento.
— Vira de lado.
Ele mediu a circunferência da nádega. A fita passou pela curva, apertou o suficiente para sentir firmeza. Depois a coxa posterior. Voltou à cintura, agora pelas costas. No espelho, vi o olhar do meu chefe. Fixo. Calmo. Aprovando.
— De frente. Últimas.
Braços. Bíceps flexionado, depois solto. Ombros. Pescoço. Comprimento das pernas. Tudo anotado.
O personal se endireitou. Conferiu os dados. Olhou para o meu chefe.
— Boa base. Pouca gordura. Potencial alto. Hipertrofia inicial. Compostos. Progressão semanal. Hoje: pernas e core.
Meu chefe assentiu.
— Começa leve. Ele aprende rápido.
O personal saiu dizendo que me esperava na bike. Fiquei parado um segundo, só com a cueca, segurando a calça na mão. Meu chefe percebeu.
Entregou a chave de um armário.
— Se troca.
Dentro, roupas de treino já separadas. Toalha. Garrafa térmica. Nada improvisado. Me vesti e fui ao encontro do personal.
— Aquecimento. Cinco minutos.
Na bike, pedalei devagar. Cada movimento fazia a cueca roçar na pele recém-depilada. O pau, ainda semiduro, respondia a cada balanço. No espelho, via os dois. Um avaliando técnica. O outro, posse.
Depois do aquecimento, barra nas costas. Ele ajustou minha postura com toques firmes, objetivos. Quadris para trás. Joelhos abertos. Palma na lombar. Mão no abdômen, sentindo a contração.
— Desce mais.
Desci. Coxas queimando. A bunda se abrindo no movimento. Meu chefe observava em silêncio, braços cruzados. Presente sem interferir.
Três séries. Suor escorrendo. A cueca agora grudada de suor e algo mais. Quando terminei, o personal mediu de novo. Anotou.
— Bom começo. Amanhã, peito e costas.
Meu chefe se aproximou. Me olhou inteiro.
— Melhor — disse baixo. — Está começando a sustentar o que eu vejo em você.
Jogou a toalha para mim.
— Banho. Depois me encontra no carro.
No caminho de volta, ele falou sem me olhar:
— Antes de produzir, você precisa caber no ritmo.
Assenti. Não sabia exatamente o que isso significava. Talvez ele soubesse. Talvez fosse suficiente.
Parou perto do meu prédio.
— Isso não é assunto pra ninguém. Faculdade, amigos, família. É comigo.
— Certo.
Ele confirmou com o olhar.
— Dorme cedo. Amanhã, sete.
Desci. Antes de fechar a porta:
— Você disse que queria ser alguém. Isso cobra constância. Não romantiza.
O carro saiu.
Subi para o apartamento no automático. Joguei a mochila num canto. Sentei na cama, luz apagada.
Nada tinha sido explícito. Nenhuma decisão formal.
E ainda assim, tudo estava diferente.
Deitei olhando o teto.
Não sabia se ia aprender a dominar o jogo ou se já tinha entrado nele em desvantagem.
