Aquele Segredinho 2
E aí, galera. Meu nome é Marcelo. Vocês já devem saber disso, mas talvez não se lembrem, pois faz tempo que não escrevo nada. Decidi reescrever a saga do Segredinho; várias coisas aconteceram na época que eu não contei. Por exemplo: no dia seguinte à caralhada, não pude ficar na cama; precisava ir para a faculdade. O mundo continuava girando, mesmo com as minhas pregas assadas.
Chegando no campus, fiz um esforço enorme para não mancar, mas minhas pernas pareciam não me obedecer direito. O costume me levou ao DCE sem eu pensar nas consequências. Quando cheguei, vi a gurizada reunida jogando truco.
— Olha só quem chegou! O garanhão da noite! E aí, Marcelo? A loirinha era tudo aquilo mesmo? O que aconteceu que tu sumiu?
— É... fomos pro apartamento. Foi pura pica — disse, antes de me dar conta do duplo sentido daquela frase infeliz.
— Senta aí. Vamos começar uma partida nova.
Dei um passo sem lembrar da situação da minha perna esquerda. A dor me travou e acho que minha cara, na hora, não conseguiu disfarçar. Pelo menos não para os olhos do Cássio.
— Marcelo tá caminhando meio travado? Que noite, hein!
Todos me olharam e riram. Ainda bem que não tinha cerveja por perto, senão seria trágico. E, por falar em trágico, será que eu conseguiria sentar naquela cadeira dura agora? Eu não sabia se ia doer ou não. "Talvez se eu sentar primeiro com a nádega esquerda e depois for baixando a direita aos poucos, ninguém vai notar nada".
Tentei, mas não adiantou. Imagina se o Cássio não ia ver? Ele só me olhou com cara de moleque e começou a rir.
— Ah, cara... a noite foi... intensa. Ela tinha muita energia, sabe? Quase... não dei conta.
Quase que eu disse "meu rabo não deu conta"; foi por muito pouco. Obviamente eu não ia contar que quem levou vara fui eu, né? Mas aí percebi que não tinha inventado nenhuma história de cobertura.
O grupo levantou os copinhos de plástico com café e as latas de energético num "AÊÊÊ!". Rafael foi além: me deu um tapa nas costas e completou:
— Sorte tua não ter pego uma dama de paus! Dizem que tem uma na Cidade Baixa que já enganou muito trouxa por aí.
As gargalhadas deles me atingiam de um jeito estranho. Mas o clima era familiar e descontraído; as tensões foram amenizando com o andar da partida, embora eu devesse estar com aquele "sorriso de Monalisa", tentando desesperadamente impedir minha língua de contar como foi perder a virgindade anal.
Aquele dia foi difícil. Vi o Henrique tomando água na garrafinha e já lembrei do que não devia. A memória de toda a sensação era muito recente, e tudo me fazia lembrar da noite passada. Eu queria conversar com alguém sobre isso, mas com quem? Foi isso que me fez escrever "O Segredinho".
Mas o mais cruel é que eu não sei o que acontece com as mulheres. Parece que elas farejam alguma coisa. A Fernanda, por exemplo, nunca me dava bola, mas naquela tarde, no corredor, ela passou por mim e quis puxar assunto. Depois vieram as amigas dela. Elas agora prestavam atenção em mim, riam das minhas piadinhas e pareciam competir para ver quem eu ia convidar para sair.
Mas, não sei... depois daquela sensação tão intensa que ainda ardia em mim, era difícil imaginar que qualquer uma delas fosse fazer melhor.
Eu tinha dúvidas se era aquilo mesmo que eu queria pra mim, mas a lembrança daquela vara no meu rabo fazia meu corpo se comportar de um jeito estranho. Tudo o que eu queria era esquecer o que havia acontecido. Eu pensava que não podia gostar daquilo por ser homem, e homens não podiam gostar dessas coisas.
Eu tentava mudar meus pensamentos, mas não adiantava; logo eu lembrava do gosto daquela piroca na minha boca, ou de como era tocá-la com as mãos. O professor falava algo lá na frente, mas eu não ouvia nada. Sentia raiva dela por ter "abusado de mim" naquela noite, mas também sentia uma pontada de paixão brotando aqui dentro. Lembrava da conversa que tivemos e de como parecíamos combinar bem.
Mas o fato de combinarmos bem não significava que a noite tinha que acabar daquele jeito; eu podia ter dito pra ela que aquela não era a minha praia. Podia... podia mesmo?
O professor, vendo que eu estava no mundo da lua (embora a minha lua fosse bem mais pontuda), me fez uma pergunta. Eu nem ouvi o que ele disse e pedi, gaguejando, para ele repetir.
— Parece que a noite foi inesquecível, hein, garoto?
— Foi a loira! Quase matou ele! Hahaha! — alguém gritou do fundo.
A turma toda ria enquanto eu balançava a cabeça, tentando sumir dentro da camiseta. A faculdade é como uma cidade pequena, e a fofoca anda na velocidade da luz.
— Cuidado — disse o mestre, em tom de deboche — a prova não vai ser de anatomia feminina.
À noite, a situação só piorou. Quando eu coloquei a cabeça no travesseiro, tinha a sensação de ainda ter aquele cacete enfiado no meu rabo e, logo, já ficava excitado. Mas isso não era tudo; também tinham as mensagens não lidas, que eu não queria e, ao mesmo tempo, queria ler. Já havia umas trinta mensagens dela no WhatsApp. Mas o que eu ia responder?
Dava para ver, nas primeiras mensagens, que ela não tinha ideia do que eu estava sentindo. Eram mensagens divertidas, do tipo: "Oi, tudo bem? Nossa, gato, tu arrasou ontem! Não é todo cara que aguenta três seguidas minhas", "Quando tu volta pra gente continuar?", "Se quiser vir hoje, eu fiz lasanha".
Depois, vinham as clássicas: "Por que tu não responde?", "Tu está bem?", "Fiz alguma coisa errada?". Fui lendo, até que apareceu uma foto do pau dela com a frase: "Vem sentar aqui".
Meu primeiro pensamento foi: "Sério que essa rola tão grande entrou toda em mim?". E enquanto minha mente sentia uma certa repugnância, meu pau se levantou na hora. Ela viu que eu estava online e não perdeu tempo:
— Olha só quem voltou dos mortos! E aí, sumido? Boa noite.
Eu não sabia o que responder. Foi meio que um:
— Oi... ainda estou me recuperando da surra.
A resposta veio como um raio:
— Hahaha! Ah, usa uma pomada que passa. Eu amo fazer um macho de putinha!
Ser chamado assim era uma ofensa, mas era verdade... e era excitante também.
— Ah, vai tomar no cu, eu não queria aquilo.
— Como assim, você nem reclamou? E ainda me fez gozar três vezes. Deixa de ser incubado, rapaz!
— Isso não devia ter acontecido. Se eu soubesse que tu era trans antes...
— Pera aí, como assim? Eu te falei e você disse que tudo bem! Que papo é esse agora?
— Eu não sei o que aconteceu! Eu nunca tinha feito isso antes e nem queria.
— Todos falam isso, acha que sou boba? Kkkkkk. Sempre é a "primeira vez"! Mas você se saiu muito bem para um iniciante.
— Eu não sei... eu estava assustado.
— Se foi a primeira, você nasceu para isso. Porque você aguenta forte, é uma delícia!!!
— ....
— Tá com vergonha, né? Vergonha de quê? Faz o seguinte: chama o meu pau de "vergonha"... e vem tomar vergonha na cara!
Eu já não sabia se ria, se me ofendia ou se marcava o segundo encontro.
Joguei o celular longe e tentei dormir, mas as mensagens não paravam de chegar. Tentei ignorar, pensei até em bloquear, mas algo dentro de mim não queria perder o contato. Não resisti por muito tempo; quando peguei o celular de volta, o tom de algumas mensagens havia mudado um pouco:
— Você acha que é menos macho só porque deu para mim? Meu querido, para dar o rabo tem que ser bem macho mesmo; só os machão dão o cu. Tu estava guardado para quê? Se eu não comesse, a terra ia comer; foi melhor assim, não acha? SOLTE ESSA PUTINHA QUE TEM DENTRO DE VOCÊ!
— Tu não desiste, né? — respondi.
— Tu é muito gostoso e fica se enganando. Tá cheio de homem que não gosta de dar e tá tudo bem, mas quem não gosta não pede uma segunda vez, e muito menos uma terceira. Tem que se liberar, gato. Libera pra mim, vai!
— ...
— Tu saiu e nem me deu tchau! Vou te confessar que não tem coisa melhor que acordar com uma boa e profunda mamada... sentir uma boquinha quentinha engolindo meu pau.
— Se eu fizesse isso, tu ia acabar me comendo de novo e meu rabo, que já está ardido, estaria pegando fogo.
— Hahaha! Isso prova que você tem que dar mais, não menos. Tem que dar toda semana para o cu não fechar. Quanto mais você der o rabinho, mais vai se acostumando; isso é com o tempo mesmo.
— Ah, quer saber? Chega. Eu vou dormir que amanhã tenho que acordar cedo.
— Tem certeza? — mandou ela, com mais uma foto do pau duro.
Dessa vez desliguei o celular e joguei ele longe. Deitei de lado, mas logo meu corpo se lembrou das mãos dela abrindo minhas nádegas e daquele mastro. Não teve jeito: tive que pagar um tributo à "dama de paus" antes de conseguir pegar no sono.
E aí? O que achou? Gostou? Então mete três estrelas sem dó! Diga aí o que gostou, o que pode ser melhor, enfim... E até a próxima!