Conspiração 9.

Um conto erótico de Lukinha
Categoria: Heterossexual
Contém 4906 palavras
Data: 11/02/2026 16:20:23
Última revisão: 11/02/2026 17:05:12

15 anos atrás.

Mariana:

A música alta, os corpos suados, o cheiro de cerveja e suor... A festa no bar era um redemoinho, e eu estava no centro, tentando esquecer o final de semestre, os prazos, a pressão. Minha amiga Camila me arrastou.

— Vamos lá, Mariana! Você não pode ficar em casa num sábado. — Ela gritou no meu ouvido, puxando meu braço.

Seguimos a onda. Foi então que o vi. Parado perto do balcão, conversando com um amigo. Alto, ombros largos que esticavam a camiseta preta simples. Cabelo bagunçado, como se nem tivesse se preocupado em penteá-lo antes de sair de casa. Ele riu de algo que o Lucas disse, e o som era áspero, mas agradável. Um rosto com traços fortes, mandíbula definida, e olhos que, mesmo na penumbra do bar, pareciam me procurar. Observadores.

— Quem é aquele? — Camila perguntou, se inclinando.

— É o Bruno. Tá solteiro, pelo que sei. Por quê? Interessada?

Ela encolheu os ombros, fingindo desinteresse, mas seu olhar voltou para ele como um ímã. Interessada. A palavra ecoou dentro de mim, quente e um pouco perigosa. Havia algo na maneira como ele se apoiava no balcão, relaxado mas presente, que sempre me atraía.

Não demorou. Lucas nos viu e acenou. Camila me arrastou novamente. As apresentações foram rápidas e barulhentas. Um aceno de cabeça, um “prazer” quase perdido no som do rock que vinha das caixas. Ele me olhou diretamente, como sempre fazia, e foi um impacto físico. Não foi um olhar de avaliação, nem de interesse óbvio. Foi um reconhecimento. Como se ele também tivesse sentido a faísca entre nós.

A noite avançou. Bebemos mais. A vodca com energético deixou meus membros leves, minha mente turva, mas aguçou meus sentidos. Cada risada dele, cada gesto, era amplificado. Ficamos num grupo, conversando aos gritos. Ele sempre fora engraçado, magnético, de um jeito que tudo lhe pertencesse. Não tentava impressionar. Apenas existia, e aquilo era mais impressionante que qualquer pose.

Em um momento, Camila e os outros foram dançar. Ficamos sozinhos no canto do balcão, uma bolha de relativa calma no caos.

— Então, Mari… — Ele começou, a voz mais próxima agora, sem ter que competir com a música. — Tá afim de fazer uma loucura.

Arregalei os olhos, já imaginando o que ele queria.

— Vindo de você, boa coisa não é.

Ele foi direto, como sempre fazia.

— Precisamos resolver essa tensão entre nós. Você quer, eu quero… por que não?

Nosso olhar se manteve. A música parecia diminuir. O barulho ao redor virou um zumbido distante. Havia um espaço de alguns centímetros entre nossos corpos, mas ele parecia eletrificado. Eu podia sentir o calor emanando dele. Meu coração batia forte e rápido contra minhas costelas.

— Você bebeu, eu bebi. Mas só o suficiente para a gente conseguir se entender. — Ele disse, o sorriso safado ainda lá, mas os olhos mais sérios, focados nos meus lábios.

— Talvez não. Talvez eu precise beber mais um pouco.

Ele me deixava molhada só com o olhar. Aquele olhar cafajeste, predador, que me devorava.

Eu sabia exatamente o que aquilo significava, e concordei. Tudo naquela noite era sobre significados submersos, coisas não ditas. Ele moveu a mão, como se fosse pegar seu copo, mas em vez disso, a ponta dos seus dedos tocou a parte de fora da minha mão, que estava apoiada no balcão. Foi um contato mínimo, quase acidental. Uma faísca percorreu meu braço, uma corrente quente que se instalou no meu estômago.

— Está quente aqui. — Eu disse, a voz um pouco mais baixa.

— Demais. — Ele concordou, mas não se afastou.

Sua mão virou, a palma para cima, um convite silencioso no balcão de madeira úmida. Hesitei por um segundo que pareceu uma eternidade. O álcool, a música, a tensão que vinha construindo desde o primeiro olhar… tudo convergiu naquele ponto.

Coloquei minha mão na dele. Sua palma era grande, quente, um pouco áspera. Seus dedos se fecharam sobre os meus, firmes, mas não apertados. Ele puxou-me suavemente, apenas um centímetro, mas foi o suficiente para que nossos corpos se alinhassem, ombro com ombro, quadril com quadril.

— Vamos para algum lugar com menos… tudo isso aqui? — Ele perguntou, sua boca agora tão perto da minha orelha que eu senti o calor de sua respiração na minha pele.

Eu apenas balancei a cabeça, “sim”. Não conseguia formar palavras.

Ele não soltou minha mão. Guiou-me através da multidão, um caminho sinuoso entre corpos dançantes. Suas costas largas abriam o caminho, e eu me sentia pequena, protegida, seguindo-o. Subimos uma escada estreita no fundo do bar que eu nem sabia que existia. Levava a um depósito, mas a porta estava aberta, revelando um terraço minúsculo e mal iluminado, usado provavelmente para guardar caixas e barris vazios. O ar noturno era fresco, um choque depois do calor abafado lá embaixo. A música era mais abafada na parte de cima, um baixo distante que vibrava na estrutura.

Ele fechou a porta com um leve empurrão, e o som diminuiu mais ainda. O terraço era estreito, com uma vista para os fundos de outros prédios, mas o céu estava estrelado. Ele se virou para mim, ainda segurando minha mão.

Ninguém falou. O silêncio entre nós era denso, pesado com todas as coisas que não havíamos dito. Nós queríamos. E queríamos há muito tempo. Desde sempre talvez.

Ele levantou a outra mão e, com uma lentidão que me fez parar de respirar, moveu um pedaço do meu cabelo que tinha caído sobre meu rosto. Seus dedos roçaram minha têmpora… a linha da minha mandíbula… então ele se inclinou…

O primeiro toque dos seus lábios nos meus não foi gentil. Não foi uma exploração tímida. Foi uma afirmação. Uma colisão suave, mas inegável. Lábios firmes e um pouco ressecados pelo ar noturno, mas quentes por dentro. Um gosto de cerveja e algo único, dele. Um estremecimento percorreu todo o meu corpo, das solas dos pés ao topo da cabeça.

Ele parou, seus lábios ainda a um milímetro dos meus. Nossas respirações se misturavam, rápidas e quentes. Eu abri os olhos — não me lembrava de tê-los fechado — e encontrei os dele. Eles pareciam mais escuros agora, as pupilas dilatadas. Havia uma pergunta lá, uma última barreira.

Eu respondi puxando-o de volta para mim, meus dedos enterrando-se no cabelo dele, na nuca. Foi tudo que ele precisou para me beijar outra vez.

Seus lábios se abriram, e sua língua encontrou a minha, não como uma intrusão, mas como uma reivindicação. Um sabor quente, salgado, profundamente masculino. “Meu Deus!” Meus joelhos amoleceram. Eu me agarrei a ele, às suas costas largas através da fina camiseta, sentindo os músculos se tensionarem sob minhas mãos.

Nos beijamos como se estivéssemos nos afogando e o ar do outro fosse a única salvação. Suas mãos percorreram minhas costas, palmas grandes explorando cada curva através do tecido do meu vestido. Desceram até minha cintura, apertando, puxando-me contra ele. Eu senti a ereção, dura e insistente, contra minha barriga.

— Ahhhhh… — Um gemido escapou da minha garganta, engolido por sua boca.

Ele se separou de mim, respirando com dificuldade, a testa ainda encostada na minha.

— Você… — Sua voz estava áspera, arrastada. — Você é perigosa.

— Eu? Você que me trouxe para um depósito. — Protestei.

— É o único lugar com alguma privacidade nesse inferno. — Suas mãos subiram novamente, para os lados do meu rosto, segurando-me como se eu fosse algo precioso e frágil.

Mas o beijo em seguida, foi voraz. Não havia nada de frágil ali. Sua língua traçava padrões dentro da minha boca, aprendendo cada canto, provocando a minha. Minhas mãos exploraram o corpo dele, subindo por suas costas, sentindo as omoplatas, descendo pela coluna. O tecido da camiseta era uma barreira irritante e eu a puxei para cima, para que minhas mãos pudessem sentir a sua pele quente. Ele arqueou sob meu toque, um tremor percorrendo-o.

— Mariana, Mariana… — Ele murmurou contra meus lábios, e a maneira como ele disse meu nome, cheio de urgência e desejo, foi quase meu fim. — Você tá brincando com fogo…

Suas mãos deixaram meu rosto. Uma desceu para o decote do meu vestido, dedos encontrando o zíper nas minhas costas. Ele o puxou para baixo com um movimento fluido, e o vestido afrouxou. Ele deslizou pelos meus ombros, caindo aos meus pés. O ar frio da noite contra minha pele quente me deu arrepios instantâneos. Eu estava apenas de sutiã e calcinha, simples, pretas. Ele olhou, e sua expressão mudou. Sua fome se aprofundou, tornando-se algo absoluto.

— Linda… — Ele sussurrou, não como um elogio vazio, mas como uma descoberta.

Sua mão tocou a alça do meu sutiã, dedo deslizando por baixo, roçando a parte superior do meu seio. Meu mamilo endureceu em instantes. Sua mão encontrou o gancho do sutiã nas minhas costas. Um clique, e ele se soltou. Ele o puxou para frente, deixando meus seios expostos ao ar noturno e aos seus olhos. Ele prendeu a respiração.

— Perfeição! — Ele murmurou, e então sua boca estava em mim.

Ele não foi gentil. Não havia preliminares delicadas. Ele tomou um mamilo em sua boca, língua e lábios formando uma sucção quente e úmida que me fez gritar. A sensação elétrica, direta entre minhas pernas.

Meus dedos enterraram-se em seu cabelo, segurando sua cabeça contra mim enquanto ele devorava um seio, depois o outro, com uma intensidade que me deixou tonta. Sua mão livre apertou o outro seio, dedos brincando com o mamilo, apertando, torcendo levemente. A dor era doce, aguda, misturando-se ao prazer até eu não saber mais onde um terminava e o outro começava.

Eu estava perdida, entregue, afundada em sensações. O calor da boca dele, a textura áspera da língua, a mão firme. Meu corpo arqueou, oferecendo-se a ele. Eu precisava de mais. Muito mais.

— Bruno… — Ofeguei. — Por favor…

Suas mãos desceram para a minha calcinha, agarrando o elástico. Ele a puxou para baixo em um movimento rápido, e eu o ajudei, chutando-as para longe. Em seguida, ele desabotoou seus jeans, empurrando junto com a cueca para baixo, apenas o suficiente para se libertar.

Eu olhei e quase me assustei. Ele era… imponente. Grande — grande mesmo —, grosso, veias salientes pulsando. Aquela visão me deixou com a boca seca, um novo tipo de desejo, urgente e profundo, consumindo-me.

— Contra a parede, putinha. — Ele ordenou, com a voz em um comando rouco. — Eu sei que você me quer.

Ele me virou de costas para ele, e me guiou alguns passos até a parede de tijolos áspera e fria do edifício. Ele se posicionou atrás de mim, seu corpo quente colado nas minhas costas. Uma de suas mãos agarrou meu quadril, os dedos afundando na minha carne. A outra desceu entre minhas pernas.

— Dessa vez você não me escapa, Mari… — Ele provocou.

— E quem disse que eu quero escapar? — Rebati.

— Nas outras vezes, sempre acontecia alguma coisa, aparecia alguém, nos atrapalhava… mas hoje não… — Ele já pincelava aquela rola enorme nos lábios da minha xoxota, entre as pernas.

Eu estava encharcada. Seus dedos encontraram meu grelinho sem nenhuma dificuldade, esfregando com delicadeza, num movimento circular que me fazia gemer alto.

— Ahhhh… seu safado… você deveria ter sido o primeiro… — Provoquei de leve.

Ele não deixou por menos.

— Você conta aquilo como primeira vez? Aquela piroquinha deve ter feito cócegas e nada mais.

Acabei rindo, pois não era mentira. Frustrada com Bruno, por sempre as coisas darem errado na hora “H”, acabei me entregando para um qualquer. Um idiota bom de lábia da faculdade, mas que era apenas papo, nenhuma ação.

Ele posicionou a cabeça do pau na minha entrada, esfregando para cima e para baixo, misturando sua umidade com a minha. A antecipação era uma tortura deliciosa. Meu corpo tremia, implorando. E então ele entrou.

Não foi bruto. Uma poderosa investida, mas devagar, pouco a pouco, me preenchendo inteira. O ar escapou dos meus pulmões em um grito abafado. Ele era enorme, grosso, me alargando, preenchendo cada centímetro. Uma sensação de plenitude tão intensa que beirava a dor, mas estava incrivelmente certa. Perfeita!

Ele parou, completamente dentro, seu corpo tremendo contra o meu.

— Caralho! Que buceta apertada. — Ele respirou. Aquele palavrão era um hino de puro prazer.

Eu não conseguia falar. Só conseguia sentir. O peso dele dentro de mim, a pressão nas minhas paredes internas, o calor que irradiava.

Ele começou a se mover. Lento, mas potente. Retirando o pau quase completamente e então voltando a estocar. Seus quadris batendo contra minha bunda. E ele não parou mais. Para dentro e para fora, curto e rápido… depois lento e profundo... Cada investida era uma explosão de sensações, um choque de prazer tão agudo que era quase transcendental.

— Ah! Deus! Bruno! — Meus gritos eram roucos, quebrados, perdidos no ar da noite e no baixo distante da música.

Minhas mãos se espalmaram contra os tijolos ásperos, tentando encontrar algum apoio. Meus joelhos ameaçavam ceder, mas a mão dele em meu quadril, me seguravam no lugar, me manteve erguida e empinada. A outra mão se moveu para frente, encontrando meu clitóris novamente. Seus dedos pressionaram e circularam, adicionando mais uma camada de sensações que me levaram à beira do delírio.

— Ahhhhh… até que enfim… como isso é bom… Ahhhhh…

O som era obsceno. O som úmido e encharcado de nossos corpos se encontrando, os gemidos guturais que saíam dele, os gritos incontroláveis que saíam de mim... Eu estava totalmente exposta, dobrada, tomada, e era a coisa mais libertadora que eu já tinha experimentado. Não havia pensamento. Apenas sensação pura, física, animal.

— Geme, putinha. — Ele grunhiu, sua respiração ofegante no meu pescoço. — Grita. Deixa todo mundo ouvir. Você é minha agora.

Suas palavras, combinadas com o ritmo implacável de seus quadris, me levavam ao paraíso. Uma ebulição que começava no meu abdômen, apertando, se espalhando por todo o meu corpo. Uma bola de fogo que se expandia com cada estocada, cada rotação dos seus dedos.

— Porra, Bruno… Ahhhh… mete que eu vou gozar… — Exigi, incapaz de me controlar.

— Goza… — Ele ordenou. — Goza no meu pau.

A tensão estourou. Uma onda de puro êxtase explodiu dentro de mim, inundando cada nervo, cada célula, eletrificando todo o meu corpo. Espasmos intensos, me fazendo tremer violentamente. Meus músculos internos se contraindo em torno daquele pau em apertos rítmicos e incontroláveis.

Um grito longo e estridente rasgou minha garganta enquanto eu via estrelas brancas contra meus olhos fechados, meu corpo tremendo sob o impacto do orgasmo.

— Eu… tô go… gozando… Ahhhh… não para… Ahhhhh…

Com um rugido abafado, ele se enterrou o mais profundamente possível dentro de mim e ficou paralisado. Eu senti a pulsação quente e forte, a ejaculação inundando meu interior, misturando-se com minhas próprias contrações. Foi um calor íntimo e profundo, a sensação final de posse.

Ele desabou sobre minhas costas, seu peso me prendendo à parede, ambos ofegantes, suados, tremendo. Aos poucos, o ritmo furioso do meu coração começou a diminuir. O baixo distante da música ainda pulsava. O ar noturno esfriava o suor em nossas peles.

Ele se retirou de mim lentamente, e a perda foi física, uma sensação de vazio. Ele se virou, apoiando-se contra a parede ao meu lado, puxando as calças para cima. Eu permaneci onde estava, minhas pernas ainda fracas, minha testa ainda encostada nos tijolos. O cheiro de sexo e suor… a noite, como testemunha, nos envolvia.

O corpo ainda vibrava quando a ficha começou a cair. Bruno passou a mão pelos meus cabelos, afastando algumas mechas grudadas na testa. O sorriso dele não era de conquista. Era de alívio.

— Até que enfim aconteceu. — Ele murmurou, meio rindo, meio sério.

Eu bufei, ajeitando a roupa.

— Você sempre soube que ia acontecer?

Ele inclinou a cabeça.

— Sempre soube que podia acontecer. A gente só fingia que não.

Aquilo me atingiu mais do que qualquer toque minutos antes. Não era impulso. Não era acidente. Era uma tensão antiga que a gente vinha alimentando com olhares, piadas, proximidade demais.

— E agora? — Perguntei, tentando soar casual.

Bruno deu de ombros.

— Agora a gente volta pra festa. Como se nada tivesse acontecido. A gente sempre foi bom em fingir. — Ele disse brincando. Mas tinha uma ponta de verdade ali.

Voltamos para o salão do bar como dois adolescentes que tinham acabado de fazer algo proibido. O som alto ajudava. A bebida circulando ajudava ainda mais.

Camila foi a primeira a me puxar pelo braço.

— Mulher, onde você se enfiou?

Eu peguei um copo com bebida da mesa, tentando parecer relaxada.

— Fui tomar um ar fresco.

Ela me olhou com aquela expressão de quem sabe mais do que parece saber.

— Sei… você e o gostoso do seu amigo, né?

Desconversei. Ri. Dancei. Mas não demorou muito para eu procurar Bruno com os olhos. Ele estava no balcão. Rindo. Conversando com uma mulher que eu nunca tinha visto.

Em poucos minutos, a proximidade já não era casual. A mão dele estava na cintura dela. O rosto perto demais. E então… o beijo. Simples. Natural. Como se nada tivesse acontecido antes. Como se nós não tivéssemos acabado de atravessar uma linha íntima.

A música continuava. As pessoas riam. A festa seguia igual. Mas algo dentro de mim ficou pequeno. Não era ciúme. Eu não tinha direito àquilo. Era outra coisa. Era perceber que, para ele, aquilo podia ser só mais um momento. Enquanto para mim… já estava ficando maior do que deveria.

Eu deixei o copo pela metade na mesa. Ninguém percebeu quando eu fui embora.

Foram quatro anos. Quatro anos vivendo algo que nunca teve nome. Eu tinha sentimentos pelo Bruno, não vou mentir. Já menti demais para mim mesma. Eu tinha sentimentos e eram fortes. Paixão, amor, tesão… tudo junto.

Mas para ele era outra coisa. Bruno me procurava quando estava sozinho. Quando os amigos iam embora. Quando a noite terminava e nenhuma outra mulher tinha dito sim. Eu aprendi a reconhecer os horários das mensagens. Sempre tarde demais. Sempre depois de alguma frustração.

“Tá acordada?” Eu quase sempre estava. E quase sempre ia.

Não era só desejo. Era gratidão misturada com afeto. A família dele sempre foi generosa comigo. Minha avó trabalhou por toda a vida na chácara dos pais dele, lá na zona rural. Foi lá que eu passei boa parte da infância, correndo entre árvores, sujando os pés de terra vermelha.

Eu e Bruno crescemos juntos. Ele era o jovem senhor. Eu, a neta da funcionária. Mas nunca houve diferença entre nós — pelo menos não na infância.

Quando eu vim para a cidade fazer faculdade, foram os pais dele que ajudaram. Parte da mensalidade era paga por eles. Um gesto que eu nunca esqueci. Talvez por isso eu nunca tenha conseguido exigir nada.

“Como cobrar algo de alguém que, de certa forma, sempre esteve ao meu lado?”

Mas apoio não é amor. Bruno gostava de mim. Eu sei que gostava. Mas gostava como se gosta de algo confortável. Familiar. Seguro. Não como se ama alguém. Eu era a amiga que entendia. A que não cobrava. A que aceitava.

Enquanto isso, ele falava de outra: Larissa. Falava dela com brilho nos olhos. Contava das rejeições como se fossem desafios. Eu ouvia. Aconselhava. Consolava. E depois, quando ele precisava esquecer, me beijava como se eu fosse remédio.

Eu sabia da existência do Ricardo muito antes de conhecê-lo. Bruno sempre falava dele com orgulho. “O cara mais leal que eu conheço.” “Cabeça no lugar.” “Diferente de todo mundo.” Mas só até a tal Larissa se colocar entre os dois.

Eu não sabia, naquela época, o que realmente tinha acontecido. Eu era só o ouvido amigo, aquele que ouvia sem contrariar, sem dizer verdades incômodas, acreditando que ao não causar atritos, Bruno pudesse me olhar de outra forma, não só como a opção conveniente quando ninguém mais estava disponível.

Eu ouvia muito sobre ele, mas Ricardo nunca aparecia. Era o que trabalhava. Sempre ocupado. Enquanto a maioria de nós estava nas festas da faculdade, ele estava fazendo turno, ajudando em casa, juntando dinheiro.

Ele e Bruno começaram a se afastar da faculdade quase ao mesmo tempo. A conversa sobre a carreira policial foi ganhando força. Bruno queria a academia de oficiais. Ricardo, pelo que Bruno dizia, via ali uma chance real de crescer, de mudar de vida.

E, de repente, aquele ciclo se fechou. Eu continuei na faculdade. Eles seguiram outro caminho. Bruno ainda me procurava. Menos. Mais espaçado. Mais casual. E eu comecei a entender uma coisa que doía admitir: Eu não era a escolha dele. Eu era o intervalo.

E foi justamente quando eu cansei de ser intervalo que o Ricardo entrou, de verdade, na minha vida.

A festa de formatura da Academia de Polícia foi o último empurrão que eu precisava. Eu ainda lembro da música alta, do quintal decorado, dos dois orgulhosos, já falando do futuro, das fardas que ainda nem tinham vestido.

Eu estava lá como sempre estive: orbitando o Bruno. Não oficialmente ao lado dele. Nunca oficialmente. Mas presente.

Foi ali que ele me apresentou ao Ricardo de verdade.

— Essa é a Mariana. Minha amiga desde sempre.

“Amiga”. Ele usou a palavra com uma naturalidade que me atravessou.

Ricardo apertou minha mão. Educado. Olhar firme. Nada invasivo. Nada calculado. Ele me olhou como se eu fosse uma pessoa inteira, não uma extensão do Bruno.

E o Bruno… o Bruno parecia aliviado. Eu percebi. Não foi algo dito. Foi sentido. Ele me apresentou e, segundos depois, já estava conversando com outra pessoa. Como se tivesse cumprido uma tarefa. Como se estivesse passando adiante uma responsabilidade.

Naquele instante eu entendi. Ele não queria me perder, mas também não queria me assumir. Ele jamais iria me assumir. E me colocar perto do Ricardo era conveniente.

Ricardo era seguro. Leal. Trabalhador. “Homem de futuro”, como os pais do Bruno gostavam de dizer. Se algo acontecesse entre nós, Bruno sairia limpo. Sem culpa. Sem cobrança. Eu deixaria de ser o problema dele.

E, apesar da minha percepção, aquilo não me machucou. Me libertou. Porque eu percebi que estava lutando sozinha há muito tempo.

Naquela noite eu observei os dois de longe. A amizade. A cumplicidade. Os planos. Eu não fazia parte daquele projeto. Nunca fiz.

E quando o Ricardo mostrou interesse verdadeiro, perguntando sobre a faculdade, sobre minha avó, sobre o que eu queria para o meu futuro… eu senti algo diferente.

Ele escutava. Não estava esperando eu terminar de falar para me beijar. Não estava me medindo. Nem pronto para me usar como depósito de porra particular.

Ele perguntava e ouvia a minha a resposta com atenção. Me olhava como se eu fosse a única mulher do mundo. Eu senti a possibilidade. Não foi paixão instantânea. Foi uma escolha.

Eu olhei para o Bruno naquela mesma noite, rodeado de gente, rindo alto, dono do mundo… e entendi que ele nunca deixaria de me procurar quando fosse conveniente. Mas também nunca me colocaria ao seu lado, como uma igual, quando importasse.

E eu cansei de ser a conveniência de alguém. Quando decidi me permitir viver algo com o Ricardo, não foi para ferir o Bruno. Foi para parar de me ferir.

{…}

De volta ao presente:

Naquele dia fatídico, eu acordei antes do despertador tocar. Era nosso aniversário de casamento.

Fiquei alguns minutos olhando para o teto, lembrando da data, esperando que Ricardo comentasse algo. Ele já estava se vestindo, concentrado, mexendo no celular, revendo alguma coisa do trabalho.

— Bom dia, amor. — Ele me beijou antes de sair.

Um beijo rápido. Apressado. Como sempre. Não mencionou a data. Eu quase falei. Quase provoquei. Mas me contive. Sorri sozinha. Pensei que talvez ele estivesse preparando uma surpresa. Ou que simplesmente fosse lembrar ao longo do dia.

Ricardo saiu cedo, como sempre fazia e a casa ficou silenciosa. Eu fui tomar banho e, no meio do vapor do chuveiro, senti o primeiro enjoo. Leve. Diferente. Meu corpo parecia mais sensível, como se algo estivesse mudando em silêncio.

Passei a mão na barriga sem pensar. A ideia surgiu ali. E se? Não contei a ninguém. Nem a ele. Fui trabalhar normalmente.

Eu sou analista de RH em uma multinacional do setor logístico. Um cargo que eu tinha conquistado com esforço, depois da faculdade de Administração. Sempre fui organizada, responsável, do tipo que resolve conflitos de equipe e sabe ouvir antes de decidir.

Mas naquela manhã eu não estava centrada. Tentei focar nas planilhas, nas avaliações de desempenho que precisava revisar, nas entrevistas agendadas para o período da tarde. Só que o enjoo voltou. Mais forte. Um mal-estar que não combinava com estresse comum.

Antes do almoço, precisei ir ao banheiro duas vezes. Na terceira, fiquei alguns minutos apoiada na pia, olhando meu reflexo no espelho. Meu rosto estava pálido. Os olhos, diferentes. Eu sabia.

Avisei minha coordenadora que não estava me sentindo bem e que sairia mais cedo. Ela nem questionou. Eu raramente faltava.

Fui ao médico quase por impulso. Fiz o exame com as mãos suando. Enquanto esperava o resultado, meu coração batia acelerado. Não por medo, mas com esperança.

Quando a médica sorriu e disse: “Parabéns! Você está grávida”, eu não consegui responder na hora. Um misto de sentimentos me invadiu.

Saí do consultório diferente. “Grávida”. Eu repetia a palavra mentalmente enquanto caminhava até o carro.

Decidi que faria uma surpresa. Era o nosso aniversário de casamento e eu tinha o presente mais especial de todos crescendo dentro de mim. Aquilo merecia um jantar mais do que especial. Velas, toalha de mesa nova… A notícia merecia ser entregue do jeito certo.

Passei no mercado, comprei os ingredientes favoritos dele. Um vinho melhor do que o habitual, flores… quando cheguei em casa, coloquei as sacolas na cozinha e comecei a organizar tudo. Estava leve. Feliz. Inteira.

A campainha tocou. Era o Bruno. Ele entrou como sempre fazia, sem formalidade, sorrindo.

— Teremos festa? Hoje o dia é especial. — Ele brincou.

Eu sorri.

— Você sabe que dia é hoje?

— Eu? Claro. Inclusive, já resolvi o presente dele. — Ele sorria com malícia para mim.

Eu balancei a cabeça, divertida, e disse, sem planejar:

— Eu estou grávida.

O sorriso dele mudou. Ficou maior. Mais aberto.

— Sério?

Eu confirmei com a cabeça e ele me abraçou forte.

— Caramba, Mari… isso é… isso é grande.

Eu ri, nervosa, feliz demais para esconder qualquer coisa.

— Grande nada. É imenso.

Ele não me soltou na mesma hora. Mas quando se afastou, me olhou diferente. Sério.

— Mari… me responde uma coisa.

— O quê?

Ele hesitou só um segundo.

— Não tem… nenhuma chance de esse filho ser meu, né?

Eu demorei a entender o que ele queria dizer. Quando entendi, senti um leve incômodo.

— Bruno, pelo amor de Deus. Não! Claro que não.

Minha voz saiu mais firme do que eu esperava.

— Ricardo é o único homem com quem eu não uso proteção. Sempre foi.

Ele sustentou meu olhar por alguns segundos, como se estivesse fazendo uma conta mental. Depois assentiu.

— Tá. Tá bom. Eu precisava perguntar.

Eu balancei a cabeça.

— Não precisava, não. Quem você acha que eu sou? Alguma bitolada que não conhece o próprio corpo?

Mas ele já estava sorrindo de novo. E eu, feliz demais, escolhi não enxergar nada além daquilo.

O enjoo voltou. Mais intenso. Levei a mão à boca.

— Ei, calma — Bruno disse. — Senta aqui.

Ele sumiu corredor adentro, e eu ouvi movimento na cozinha. Ele voltou com um copo de água e me entregou.

— Toma! Bebe devagar. — Eu obedeci. A água desceu pesada. Estava gelada demais.

— Acho que vou me deitar um pouco… estou cansada. — Murmurei.

— Vai. Descansa. Depois você pensa no jantar.

Ele me ajudou a caminhar até o quarto. Eu me deitei por cima da colcha mesmo. Ele puxou a cortina para diminuir a luz.

— Qualquer coisa, me liga.

Eu ouvi a porta se fechando.

O sono veio rápido. Um torpor agudo, onde meus sentidos foram se esvaindo. Foi praticamente um apagão.

Acordei assustada. Ouvindo barulho. Passos duros. Portas sendo abertas.

— POLÍCIA! MÃOS À VISTA!

Eu demorei segundos demais para entender onde estava. Saí do quarto ainda grogue. Havia homens armados na sala. Policiais. Ricardo estava no chão, algemado. No meio do corredor, um homem ensanguentado, com alguns paramédicos debruçados sobre ele.

E eu, com a mão na barriga, tentando proteger algo que ninguém ali sabia que existia. Confusa, sem entender ainda o que acontecia com meu marido.

Naquele início de noite eu descobri que minha vida tinha sido virada do avesso. Com Ricardo preso, tendo coisas mais importantes para se concentrar, ao menos naquele momento. a notícia mais importante de nossas vidas acabou ficando em segundo plano.

Foi minha a escolha de pedir ao Bruno para não revelar nada a ninguém. Não. Ainda não. E com Ricardo de volta à liberdade, sedento por justiça... consumido pela necessidade de limpar o próprio nome, eu senti que aquele não era o momento de acrescentar mais peso aos ombros dele.

Ele já carregava o mundo. E eu carregava um segredo. Não porque duvidasse do meu marido. Não porque tivesse medo da reação dele. Mas porque, desde que tudo desmoronou, eu precisava ter controle sobre alguma coisa. Nem que fosse sobre o tempo de contar.

Eu queria olhar nos olhos dele quando dissesse. Queria que fosse um instante nosso. Sem sirenes. Sem acusações. Sem desconfianças rondando cada silêncio.

Mas os dias foram passando.

E a cada nova revelação, a cada peça da conspiração que surgia, a cada olhar endurecido de Ricardo quando falava em traição e lealdade… eu sentia a distância entre nós crescer alguns centímetros invisíveis.

Eu dizia a mim mesma que estava protegendo ele.

Hoje, às vezes me pergunto se, no fundo, eu também estava me protegendo.

Continua…

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Comentários

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Eita q o chicote vai estralar .

Conto maravilhoso, saga arrepiante

3 estrelas

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Ainda mantenho meu pensamento, não tem como julgar nenhum deles já que em matéria de mentir, ocultar e trair os três principais protagonista estão todos mais sujos que poleiro de Pato 🤷🏻‍♂️😂

Porém acho que o que levou a Mariana é o Ricardo a voltar e como é o relacionamento deles pode exclarecer algumas coisas, provavelmente isso ainda vai demorar um pouco.

Estou amando a história, essa parte com a narrativa da Mariana foi ótima, esclareceu algumas dúvidas que eu tinha, poucas, mas exclareceu.

Bruno para mim é uma incógnita ainda, ele tem tudo para ser só um cara comum que fez escolhas erradas por estar decepcionado com seu então, melhor amigo, ou pode ser o maior vilão da história. Se ele realmente é esse vilão, o motivo ainda é uma dúvida para mim.

Veremos o que vai vir pela frente.

Ótimo capítulo Lukinha 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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Corrigindo o meu comentário!

A Mariana deixou bem claro que o Bruno visitou ela no dia do ocorrido e ela guardou esse segredo.

Se ela tivesse revelado essa informação quando o Ricardo foi preso, a investigação poderia ter sido conduzida de outra forma.

Provavelmente ela não é burra ao ponto de perceber que além das imagens que colocam o Ricardo como principal suspeito, também deve ter faltado as imagens do Bruno indo visitar a Mariana.

Ela já tem a Lealdade dela declarada.

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Venho, por meio desta:

1) Agradecer ao autor pelo capítulo 😃

2) Protestar veementemente contra esse movimento de capítulos homeopáticos instalado recentemente! 🤪

Não bastasse o Mark, agora você também, Lukinha???

Oxi!

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O que seria um capítulo homeopático? 😂😂😂

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Esses que, como disseram, a cada pena que se puxa, sai uma galinha inteira...

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Tá ótimo. Mas para mim ficou uma lacuna no arremate temporal dos acontecimentos...

Nessas idas e vindas entre passado e presente, não ficou esclarecido como o Ricardo é a Mari se acertaram depois que ele descobriu que ela traía com o Bruno e a outra menina... ele, o Ricardo, tinha saído de casa e dito ao Bruno que sairia da empresa. Depois disso, nos cap seguintes isso não ficou explicado...

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Chegaremos lá, querido. Não perca a fé. Não é uma história contada de forma linear, seguindo fielmente uma linha do tempo.

Abraço.

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Obrigado pelo esclarecimento. Apenas salientando que gosto dessa dinâmica de usar passado e presente.

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Eita trama complicada , quando a gente pensa na solução algo novo aparece para reformulação das ideias

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Algo me dizia que um filho duvidoso apareceria nessa história.

Tenho dó da Mariana, nunca conheceu o amor, amava alguém que só via ela como uma buceta ambulante e viveu a vida com alguém frio e distante por conveniência.

Eu chutaria que esse filho vai ser a escolha dela e que a fidelidade dela vai estar voltada ao pai do filho.

E o fato dela contar pra um no primeiro momento e construir desculpas pra esconder do outro, já diz muito.

Outra coisa estranha. Ricardo provavelmente sabia que a Mariana era o consolo do Bruno, o fato de ter iniciado o relacionamento com ela, só coloca ele mais ainda em uma posição de submisso as vontades do Bruno.

Sobre a Larissa, ela de fato era pro Ricardo o único "trunfo" que ele tinha.

O trunfo sobe o amigo dominante e o trunfo sobre a esposa que pelo jeito quando gozava, era o nome do Bruno que ela chamava.

Nesse caso, com as informações dadas até agora, olhando de fora, a Larissa não foi traição ou deslize, foi vingança, o único gosto de vitória nessas relações tóxicas.

Sobre o conto até agora: um é jogador, o resto as peças do tabuleiro...

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Então o Bruno estava na casa...e deu algo pra Mariana dormir, presumo.

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Olha que surpresa !!! Parece que a Mari é (ou pelo menos foi) apaixonada pelo Bruno. Por essa eu não Esperava.

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Que surpresa, né?

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De verdade, não, Lukinha. A defesa dela no capítulo 6 foi muito esclarecedora.

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