A porta estava trancada. Eu conseguia ouvir o som abafado dos soluços de raiva e da respiração descompassada dela lá dentro. Bati com força, o coração batendo na garganta, temendo que a qualquer momento o barulho do ar-condicionado de Ana Beatriz parasse e ela saísse do quarto.
— Mariana, abre essa porta! — sussurrei com urgência. — Não é o que você pensa, me deixa falar!
Houve um silêncio pesado, seguido pelo som de passos ríspidos. A tranca girou com um estalo seco e a porta se abriu apenas o suficiente para que ela me puxasse para dentro pelo colarinho, fechando-a e trancando-a novamente em um movimento contínuo. O quarto estava na penumbra, mas o rosto dela, banhado por uma luz avermelhada, exalava um ódio puro.
— O que não é o que eu penso, João? — ela sibilou, me empurrando contra a madeira da porta. — Eu vi! Eu vi você se deliciando com a visão da "intocável" da família. Você, o futuro advogado, o exemplo de retidão da mamãe... você é um porco hipócrita! Passou semanas me evitando, bancando o santo, enquanto morria de tesão pela porta entreaberta da Ana? Tocando punheta olhando a própria irmã? Você é um hipócrita!
— Mariana, eu cheguei e a porta estava...
— Cala a boca! — ela gritou baixo, aproximando o rosto do meu. — O que me dá nojo não é o que você fez, é a sua falsa moralidade. Você finge que mudou, mas continua sendo aquele João rebelde que eu sempre admirei em segredo. Eu me ofereci para você, e você me rejeitou para ficar espiando uma mulher que mal fala com você?
Ela socava meu peito com as mãos fechadas, uma mistura de frustração e uma paixão reprimida que parecia queimar nela há anos. Eu a segurei pelos pulsos com força, prensando seus braços contra a porta e colando meu corpo ao dela. Senti a pulsação dela
— Você quer o João rebelde, Mariana? — perguntei, a voz descendo para um tom rouco e perigoso, meus olhos fixos nos dela. — Você quer o homem que não segue regras, aquele que dava trabalho e não devia nada a ninguém? Pois ele ainda está aqui.
O olhar dela mudou instantaneamente. A fúria se transformou em uma fome predatória, e o desafio que ela sustentava nos olhos desmoronou em desejo puro. Mariana não respondeu com palavras; ela avançou, e o beijo foi uma colisão de dentes e línguas, uma explosão de tudo o que estava represado entre nós. Eu a joguei na cama e me livrei das minhas roupas com uma rapidez desesperada, sentindo que finalmente as máscaras tinham caído. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Mariana se ajoelhou à minha frente na beira do colchão.
Ela agarrou meu pau com as duas mãos, olhando fixamente nos meus olhos com um desafio silencioso antes de abocanhá-lo de vez. Mariana era profunda e técnica; a língua dela rodeava a cabeça da minha glande enquanto ela sugava com uma força que me fazia perder o equilíbrio. O som úmido da saliva e da garganta dela trabalhando me levava à loucura. Ela enfiava tudo na boca, as unhas cravadas nas minhas coxas, fazendo-me arfar enquanto eu via meu membro desaparecer entre os lábios carnudos dela.
— Porra, Mariana... — eu gemia, segurando a cabeça dela e forçando o ritmo.
Quando senti que ia explodir, ela parou e se deitou de costas, abrindo as pernas e puxando a própria calcinha para o lado.
— Minha vez, João. Agora — ela ordenou.
Eu mergulhei entre as pernas dela sem hesitar. O cheiro de baunilha e sexo era inebriante. Afastei os lábios da sua buceta com os dedos e comecei a lambê-la com vigor, concentrando-me no seu clitóris inchado. Mariana arqueava as costas, soltando gemidos sujos enquanto eu enfiava a língua profundamente nela, bebendo seu suco que jorrava sem parar. Ela tremia inteira, as pernas apertando minha cabeça, pedindo por mais até que quase chegou ao ápice apenas com a minha boca.
Não aguentei mais. Eu a penetrei sem aviso, uma estocada profunda que a fez soltar um gemido agudo, logo abafado pela minha mão sobre a boca dela. O encaixe era perfeito. Comecei um ritmo frenético, cada estocada era uma resposta às semanas de provocação. Eu a virei de quatro, segurando firme em seus quadris enquanto a penetrava por trás com força. A visão da bunda dela, imensa e branca, oscilando violentamente sob meu controle, era avassaladora.
— Vai, João... me fode com força... me rasga! — ela sussurrava, o rosto enterrado no travesseiro.
Eu a puxei pelos cabelos, forçando-a a olhar para trás. Nossos corpos suados se chocavam com um som úmido e rítmico. Deitei-a de costas novamente e trouxe suas pernas para cima dos meus ombros, entrando ainda mais fundo a cada movimento. Ela revirava os olhos, a boca aberta em um grito mudo de puro êxtase.
O ápice chegou como uma onda devastadora que nos atingiu ao mesmo tempo. Eu senti o corpo de Mariana travar, as pernas dela se esticarem e sua buceta contrair violentamente em volta de mim em espasmos incontroláveis. Ela soltou um grito abafado no meu ombro enquanto gozava pesado, e o aperto das paredes internas dela foi o gatilho final. Eu gozei fundo dentro dela, uma descarga quente e interminável que nos deixou trêmulos e caídos um sobre o outro no silêncio pesado do quarto.
Ficamos ali por alguns minutos, o cheiro de sexo impregnando o ar enquanto tentávamos recuperar a consciência. Eu me levantei e comecei a vestir a roupa, sentindo o peso do que acabara de acontecer.
— É melhor eu ir para o meu quarto agora — sussurrei, ajeitando a camisa e olhando para a porta com apreensão. — Antes que a Ana ouça alguma coisa ou a nossa mãe chegue e desconfie de nós dois aqui trancados.
Mariana se sentou na cama, com o cabelo desgrenhado e os lábios inchados, exibindo um sorriso vitorioso e cúmplice. Ela se aproximou de mim e segurou meu rosto com as mãos ainda quentes.
— Ela não ouviu nada, João... estava ocupada demais com o próprio prazer — ela murmurou, a voz carregada de uma malícia satisfatória. — Mas vai lá, continua com seu teatro de bom moço. Agora nós temos o nosso segredo.
Ela me puxou para um último beijo, lento e profundo, que selava aquele pacto de luxúria. Saí do quarto tentando recompor minha fisionomia, mas o destino ainda não tinha terminado comigo. o corredor, a porta do banheiro se abriu. Ana Beatriz saiu de lá, enrolada apenas em uma toalha branca curta, o cabelo úmido.
Ela parou, congelada. O rosto dela ficou vermelho instantaneamente ao me ver ali.
— João? Você... você não tinha saído? — ela perguntou, a voz trêmula, apertando a toalha contra o peito. A segurança da "advogada" tinha sumido; ela parecia uma adolescente pega no erro, certamente pensando se eu tinha ouvido o que ela estava fazendo minutos antes.
Mas então, o olhar dela mudou. Ela viu que eu saía do quarto da Mariana.
— O que você estava fazendo no quarto da sua irmã? E quando a Mariana chegou? Eu não ouvi nada... — Ela olhou para a porta fechada e depois para o meu estado desalinhado.
Eu estava suado, com a respiração ainda curta. O pânico era mútuo: ela morrendo de medo de ter sido descoberta na sua intimidade, e eu aterrorizado de que ela percebesse o que eu e Mariana acabáramos de fazer.
— O amigo cancelou, eu voltei e... a Mariana chegou logo depois, ela não estava bem — menti, sentindo o suor frio escorrer. — Ela se trancou e eu fui ver o que era. Ela está dormindo agora.
Ana Beatriz me olhou desconfiada, mas o próprio embaraço dela a impediu de investigar. Ela apenas assentiu, tentando manter a dignidade enquanto caminhava rápido para o seu quarto.
— Ah... entendi. Que susto, eu achei que estava sozinha — ela sussurrou, fechando a porta rapidamente.
Eu encostei na parede do corredor, o coração martelando contra as costelas como se quisesse escapar do peito. O suor esfriava no meu corpo, e o cheiro de Mariana ainda estava impregnado na minha pele, um lembrete físico do que acabara de acontecer atrás daquela porta.
Olhei para a porta fechada de Ana Beatriz e a imagem dela nua, entregue àquela luxúria solitária e suja, queimava na minha retina. Em menos de uma hora, a estrutura de "família normal" que eu tentava reconstruir tinha sido implodida. Eu tinha acabado de transar com uma irmã enquanto a outra se masturbava freneticamente a poucos metros de distância, alheia ao mundo.
Uma náusea leve misturada a um resto de adrenalina subiu pela minha garganta. Eu buscava o Direito, a ordem e a redenção, mas ali, naquele silêncio tenso do corredor, eu percebi que estava afundando em um pântano de perversão do qual talvez não quisesse sair. Era errado. E, enquanto eu tentava recuperar o fôlego, a única coisa que minha mente conseguia processar era o quão perigosamente viciante aquele caos havia se tornado.