O Novinho Negão Quer Acabar com o meu Casamento - Parte 2

Um conto erótico de AuroraMaris
Categoria: Heterossexual
Contém 2750 palavras
Data: 12/02/2026 16:13:45

O silêncio da casa após a caminhada era diferente. Não era mais um silêncio de paz, mas de espera. Dois dias depois, numa tentativa desesperada de normalidade, abri meu laptop antigo. A tela acendeu, iluminando meu rosto no reflexo escuro. Entrei no Facebook, aquela conta esquecida que só usava para ver fotos do Felipe, meu filho, que estudava em outra cidade.

A notificação piscou como um farol vermelho no escuro: Victor Silva quer ser seu amigo.

O ar saiu dos meus pulmões. A foto do perfil era uma silhueta, de costas, na academia. A pele retinta brilhando sob as luzes fluorescentes, os músculos das costas em alto-relevo. Era ele, inconfundivelmente. Como ele me achou? Meu perfil era um deserto, apenas uma foto de perfil, sem postagens. Mas meu nome estava lá. Beatriz Rocha. Deve ter sido suficiente.

No perfil, sua data de nascimento. Ele tinha 18 anos, mesmo aparentando ser pelo menos uns cinco anos mais velho. Meu dedo pairou sobre o mouse. Cliquei em ignorar.

Horas depois, já de noite, Roberto cochilava na sala, em frente à TV. O laptop ainda estava aberto na mesa da cozinha. Outra notificação piscou, insistente. Mesmo sem sermos amigos, a mensagem estava lá, esperando. Abri. O remetente: Victor Silva.

Não havia texto, só um arquivo anexado. Uma foto.

Cliquei.

A imagem era escura, granulada, tirada com pouca luz. Demorei um segundo para entender o enquadramento. Era uma foto da janela do quarto de hóspedes, tirada do quarto dele. Mais abaixo, ele havia enquadrado o volume de seu shorts.

Eu tinha certeza que tinha fechado a janela. Ou será que, em algum momento de distração, eu a deixei entreaberta?

A legenda, em letras brancas simples, cortava a escuridão da foto: “Se quiser um showzinho particular, estou aqui”.

Fechei o laptop com um baque seco que ecoou na cozinha silenciosa. Apertei a tampa com força, como se pudesse trancar a imagem lá dentro. Meu coração martelava contra as costelas. Não era mais apenas o olhar dele do outro lado do muro. Ele estava dando em cima de mim descaradamente.

No dia seguinte, Adriana bateu na minha porta. Queria convidar eu e Roberto para um jantar em sua casa, como agradecimento pelo bolo. Não havia como recusar sem soar rude, desconfiada. Roberto achou uma ótima ideia.

- É bom fazer amizade com os vizinhos, Beatriz - falou.

De noite, me arrumei com um cuidado extremo. Era minha armadura. Coloquei um vestido rosa claro que não era justo e não tinha decote. Eu não queria dar pretexto para Victor fazer alguma gracinha.

A casa deles estava ainda mais vibrante à noite, cheia de velas e de um cheiro bom de comida temperada. Victor estava impecável. Calças jeans, uma camiseta branca que parecia pintada no torso. Cumprimentou Roberto com um aperto de mão respeitoso, e, ao me cumprimentar, segurou minha mão por um segundo a mais do que o necessário. Seu toque era quente e sua mão era gigante comparada à minha.

A conversa fluiu. Roberto e Vicente falavam de trabalho. Adriana contava histórias da capital. Eu sorria, concordava, mastigava. Tudo estava indo bem.

Até que Adriana, abanando o rosto com a mão, suspirou:

- Nossa, aqui tem muito inseto né? Eu tenho que dormir com a janela fechada, esses mosquitos são terríveis.

Vicente riu.

- Mas em compensação é tudo tão quieto que até meu ronco me acorda.

Roberto concordou, rindo de si mesmo e comentando que eu sempre reclamava de seus roncos. Foi então que Victor, que passou a noite inteira quase mudo, ergueu os olhos do prato. Lentamente. Como um predador que decide participar do jogo.

Seu olhar não vagueou pela mesa. Foi direto em mim. A voz dele surgiu, suave, mas cortando o clima descontraído como uma faca de cristal quebrado.

- Eu prefiro dormir com a janela aberta, mesmo com os mosquitos.

Todos se viraram para ele, sorrindo, esperando a continuação. Victor não desviou o olhar de mim. Fez uma pausa calculada, deixando as palavras anteriores pairando. E então, com um quase-sorriso que aparentemente só eu podia ver completamente, acrescentou:

- Dá pra ver as estrelas... E às vezes, a gente vê coisas que nem espera... Coisas lindas e frágeis, que a gente tem que admirar de longe.

Adriana deu uma risada alta e um tapinha no braço dele.

- Nossa, filho, que poeta! Tá assistindo muito filme, hein?

Roberto e Vicente riram, acharam graça. Fim da história. Mas para mim, cada palavra tinha sido um prego de gelo. Em voz alta, na frente do meu marido, dos pais dele, transformou o segredo mais sujo e quente que eu carregava numa piada inofensiva. Um código que só nós dois decifrávamos. Ele estava se divertindo, aquele moleque cretino.

O resto do jantar foi um borrão de ruídos abafados. Eu sorri, respondi, fui cordial. Mas só conseguia sentir o triunfo silencioso emanando dele, do outro lado da mesa. Ele tinha acabado de vencer um round, em público, sem que ninguém além de nós soubesse que havia uma luta.

Tudo correu normalmente até a viagem de trabalho de Roberto, que chegou na semana seguinte. Seriam três dias sozinha. Eu já não gostava de ficar sozinha em casa, sempre tive medo, mesmo morando em uma cidade pacata, de alguém tentar invadir a casa. Não que Roberto fosse um guarda-costas, mas pelo menos era uma presença masculina.

E agora, com a presença constante do meu novo vizinho, eu me sentia ainda mais encruada. A casa, que era meu reino, se tornou uma caverna de ecos. Tranquei todas as portas naquele primeiro dia. Verifiquei as janelas dos fundos três vezes. A persiana do quarto de hóspedes estava cerrada, travada.

Na primeira noite, depois de um banho longo, vesti meu pijama de algodão e um roupão. O silêncio era opressivo. Sentei na sala, tentando me concentrar em um programa de TV qualquer.

Então, batidas na porta dos fundos. Meu coração deu um salto e se aninhou na garganta, batendo rápido e descompassado. Me levantei com pernas fracas e me aproximei da porta.

Respirei fundo, tentando afogar o pânico.

- Quem é? - minha voz saiu rouca, estranha.

A voz que respondeu era inconfundível. Grave. Familiar. E soava perigosamente próxima, como se ele estivesse com os lábios colados na porta.

- É o Victor, dona Beatriz. Tudo bem? Desculpa a hora.

Um calafrio percorreu minha espinha, subiu pelo pescoço, cerrou minha mandíbula.

- O... o que foi?

- A luz do nosso quintal queimou. Minha mãe tem pavor de ficar com o quintal escuro, e queria saber se o seu marido poderia emprestar a escada. Dá pra eu pegar? É rapidinho.

A justificativa era perfeita, plausível, inocente. A luz queimou. Ele sabia que Roberto estava viajando? Talvez Adriana tivesse comentado. Talvez ele tivesse visto o carro sair. Não importava. E aí estava a armadilha, tão bem construída: se eu dissesse não, soaria mesquinha. Uma má vizinha. A esposa ranzinza que nega uma simples escada. Ele poderia contar à Adriana, e minha máscara de mulher amável e solícita racharia. Roberto ficaria confuso com minha falta de educação.

Se eu dissesse sim, teria que abrir a porta, à noite, sozinha.

- Dona Beatriz? - a voz dele veio de novo, não pressionando, mas... paciente. Como um pescador que já sente o peso do peixe na linha e só precisa esperar ele cansar de lutar.

Meus dedos suavam frio. Toda a tensão acumulada, a foto na tela, a provocação no jantar, o olhar na rua, a memória do corpo dele na janela aberta, convergia para este instante.

- Um momento - eu disse, a voz saindo mais fraca do que gostaria.

É só uma escada. Ele entra, pega e sai. Vão ser só dois minutos. Respirei fundo, endireitei o roupão sobre o pijama, passei as mãos no cabelo. Abri a porta.

Victor estava ali, na penumbra do jardim dos fundos. Vestia um moletom com capuz, mas o zíper estava aberto, revelando um torso nu por baixo. A luz que vinha de dentro da minha casa iluminou o contorno do seu corpo. Ele não sorria. Parecia sério, quase formal.

- Obrigado, dona Beatriz. Desculpa mesmo o horário - disse, com uma respeitabilidade que soou falsa para os meus ouvidos intoxicados.

- Tudo bem. A escada está no porão. Pode entrar - respondi, recuando para abrir espaço.

Ele passou por mim, e o cheiro dele invadiu o meu espaço seguro. Fechei a porta. O som da fechadura ecoou alto na casa silenciosa. De repente, a cozinha parecia minúscula.

Ele me seguiu até o porão ao lado da lavanderia, onde Roberto guardava ferramentas e outras quinquilharias.

- Está bem ali, pode pegar - eu apontei para um canto quando descemos as escadas.

Victor tirou a escada pesada do chão como se não pesasse nada, e minha mente traiçoeira instantaneamente lembrou de como Roberto suava toda vez que precisava arrastar a escada até o andar de cima.

- Prontinho - ele disse, e subimos as escadas enquanto ele levava a escada no ombro.

É isso. Não foi tão ruim assim quanto eu pensei.

Perto da porta dos fundos, ele apoiou a escada contra a parede. Ficou ali, olhando ao redor da cozinha, depois para mim. Seus olhos pareciam mais escuros na luz artificial.

- A casa da senhora é bem... arrumadinha - comentou, e não consegui decifrar se era uma observação ou uma crítica.

- É o jeito que gosto - retruquei, defensiva.

Ele apoiou o ombro na parede. A formalidade parecia escoar do corpo dele.

- O seu marido viaja muito? - perguntou, como se fosse o assunto mais natural do mundo.

- Às vezes. A trabalho.

- E a senhora sempre fica assim sozinha? - a voz dele era suave, quase preocupada. - Não posso imaginar o quanto Sr. Roberto se culparia se algo acontecesse.

Meu coração começou a bater mais rápido.

- Acha que não sei me cuidar? - perguntei, desafiando, embora minha voz tenha falhado. - Eu sei, e muito bem.

Ele sorriu, pela primeira vez. Um sorriso lento e diabólico.

- Não sei se sabe. Fica abrindo a porta no meio da noite para qualquer vizinho que precisa de sua ajuda? Uma mulher como a senhora...

- Como eu?

- Ah, dona Beatriz. A senhora é bonita, inteligente. Dá pra ver que você se cuida. O cabelo, as unhas, a pele... - seu olhar desceu pelo meu corpo envolto no roupão, como se pudesse ver através do tecido. - O corpo.

Um calor me percorreu. Tentei afastá-lo com o poder da mente.

- Para com isso, Victor. Meu filho é mais velho que você, eu tenho idade pra ser sua mãe - disse, revirando os olhos. Eu não conseguiria aturar mais um segundo daquilo. - E, digo mais, vou contar pro Roberto e pros seus pais se continuar com essa pouca vergonha!

- Não vai - ele me cortou. - Eu sei que não vai, porque a senhora adora me ver batendo punheta pela janela do quarto.

- Isso é absurdo - consegui murmurar. - Eu nunca...

- Toda noite - ele cortou, sem agressividade, com uma calma que doía mais. - Desde aquela primeira vez. A senhora apaga todas as luzes e vai pro quarto dos fundos, abre um dedo da cortina e fica lá. Acha que eu não vejo?

A verdade caiu sobre mim como um balde de água gelada e fervendo ao mesmo tempo.

Ele estava certo. Quase todos os dias eu esperava Roberto dormir e ia pro quarto de hóspedes ver Victor, mesmo que só por alguns minutos, um pecado doentio que eu não conseguia aceitar que fazia parte de mim.

Minhas bochechas coraram de raiva e vergonha. Eu não sabia que ele via. Eu achava que era invisível na minha escuridão. Que o meu segredo era só meu.

- A senhora não parou de olhar.

O silêncio se esticou como elástico prestes a romper.

- Você está imaginando coisas. Eu sou casada - sussurrei.

- Eu sei - ele disse. E não parecia se importar.

Ele deu um passo, e estava perto demais. Eu podia sentir o calor do corpo dele, ver o brilho úmido da pele, o movimento da sua respiração.

- Você é linda, Beatriz - ele me olhou dos pés à cabeça. Ouvir meu nome saindo de sua boca sem nenhuma formalidade era torturante. - E seu corpo... Puta que pariu. Dá pena de te ver casada com um velho que não te enxerga, não te dá valor.

- Você está sendo muito atrevido - protestei, mas era um sussurro sem convicção.

- Tô sendo honesto. A senhora merece coisa melhor. Muito melhor. É uma mulher inteligente, forte... devia ter um negócio, devia mandar em alguma coisa. Não ficar só... - ele fez um gesto com a mão, abrangendo a cozinha impecável e vazia - ...cuidando da casa e fazendo bolo.

Cada palavra era um prego removendo uma tábua do meu mundo. Ele via tudo. Via o desperdício que eu sentia no fundo da alma. Via a vaidade que eu alimentava em segredo. E ele não julgava, ele aprovava. Era a primeira vez, em vinte e dois anos de casamento, que alguém não apenas notava, mas lamentava que eu fosse mais do que aparentava.

Um calafrio de raiva e reconhecimento percorreu minha espinha. Não era justo. Um garoto de vinte anos enxergar o que meu marido de décadas se recusava a ver.

- Por que você está dizendo isso? - minha voz saiu quebrada.

Ele ficou sério. O olhar foi intenso, direto.

- Porque é verdade. E porque a senhora já sabe. Só precisa que alguém diga em voz alta.

O ar entre nós ficou eletrizado, pesado. A raiva voltou, um foguete defensivo.

- Você quer o que, garoto? Humilhar meu casamento? Minha casa? - cuspi as palavras, cruzando os braços com força, como se pudesse me proteger da verdade que ele personificava.

Ele não recuou. Avançou mais um passo, invadindo meu espaço de uma vez por todas. Sua expressão era de uma paciência exasperada, como com uma criança teimosa.

- Eu quero que você acorde pra vida, Beatriz - disse. - Você tá claramente vivendo um sonho que não é seu. Olha pra você. Presa num cubículo de perfeição que ninguém além de você se importa.

- Você não sabe nada sobre mim! Nem sobre a minha vida! - gritei, mas era um grito de desespero, não de convicção.

- Sei o suficiente - ele cortou. - Sei que a mulher que tá na frente do espelho não é a mesma que vive essa vida de faz-de-conta.

E então, antes que eu pudesse formular outra defesa, ele fechou a distância entre nós e seus lábios cobriram os meus.

Não foi um beijo de pedido. Foi um beijo de tomada. De afirmação. De fome. Seus lábios eram quentes, firmes, e se moveram contra os meus com uma intensidade que me roubou o ar, o pensamento, o mundo. Sua mão encontrou a nuca, os dedos se enterrando no coque rígido, não com carinho, mas com posse, me puxando para mais perto. Um gemido que não era meu ecoou na sala, exceto pelo fato que sim, era meu, saindo do fundo do meu ser, de um lugar adormecido há tantos anos que eu achava que tinha fossilizado.

Roberto nunca me beijou assim. Roberto não beijava. Roberto dava selinhos. Eram selinhos de propriedade, de rotina. Aquilo... aquilo era um terremoto.

Foi rápido, ao mesmo tempo que foi eterno.

Ele se soltou com a mesma súbita determinação com que me atacou. Meus lábios formigavam, queimavam. Eu estava ofegante, o encarando com os olhos arregalados, a mão instintivamente tocando a boca, como para conferir se ainda estava lá.

Victor não sorriu. Não pareceu triunfante. Parecia... satisfeito. Como um cientista que vê sua hipótese se confirmar.

- Você é doente - sussurrei.

- Talvez - ele concordou. - Amanhã venho te devolver a escada.

- Pode ficar com ela, tem outra lá em baixo - eu cortei. Não queria outra visita desse maloqueiro.

- Imagina, dona Beatriz - ele voltou a usar o tom diplomático. - Não sou desses que fica com o que não é meu.

Eu não respondi. Não confiava mais na minha voz.

Ele pegou a escada, apoiou no ombro, e passou pela porta dos fundos, engolido pela escuridão.

Eu deslizei pelo armário da cozinha até sentar no chão frio. O sabor dele ainda estava na minha boca, um sabor salgado de masculinidade. Toquei os lábios novamente. Eles estavam diferentes do habitual. Inchados. Vivos. Usados.

Meu coração batia como um tambor de guerra no meu peito. A cozinha, minha cozinha imaculada e ordenada, nunca me pareceu tão vazia, tão falsa. Ele tinha feito mais do que pegar uma escada. Ele tinha arrancado um pedaço da fachada. E no buraco que ficou, só dava para ver o vazio dos meus anos com Roberto, e o calor proibido e devastador de um beijo que durou segundos, mas que já ameaçava queimar vinte anos de casamento.

(N.A.: Agradeço por tantos comentários positivos na última parte, fico feliz que estejam gostando!)

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