O Novinho Negão Quer Acabar com o meu Casamento - Parte 3

Um conto erótico de AuroraMaris
Categoria: Heterossexual
Contém 3213 palavras
Data: 13/02/2026 15:30:42

A quarta-feira amanheceu cinzenta.

Acordei às 5h47, como sempre. O despertador nem precisou tocar. Meu corpo conhecia a hora exata de começar a fingir que tudo estava sob controle.

Tomei banho. Esfreguei a pele até ficar rosada, como se pudesse arrancar o gosto dele junto com as células mortas.

Vesti uma roupa confortável: calça de linho bege, blusa de manga longa, colar de pérolas. O cabelo arrumado exatamente como em todos os dias.

Desci para a sala e olhei em volta. Nenhuma poeira no chão, a cafeteira programada, as pratarias reluzindo na cristaleira. Tudo exatamente como deveria ser. Tudo exatamente como era antes.

“Mentirosa”, pensei. Agora nada era como antes.

A cozinha ainda tinha o cheiro dele. Ou será que era só minha memória traiçoeira, regurgitando a madrugada? Fechei os olhos e vi a cena em alta definição: ele apoiado na parede, o moletom aberto, a pele brilhando sob a luz artificial. A mão dele na minha nuca. A boca. O gemido.

Abri os olhos com um solavanco.

Passei um café forte, amargo e quente, que queimou minha língua e não limpou nada.

Passei pano nos armários. Esfreguei a bancada com água sanitária, como se estivesse desinfetando uma cena de crime. Talvez estivesse. Talvez o que aconteceu aqui ontem fosse pior que crime: era desejo, era vontade, era tudo que eu passei vinte anos tentando enterrar e que agora brotava do chão da minha cozinha como erva daninha.

Às dez horas, Adriana passou na calçada e acenou. Acenei de volta, um gesto mecânico. Ela sorriu. Eu também. Máscara colada, fachada intacta.

- Essa vizinha é muito querida - Roberto disse ao telefone mais tarde, quando ligou para avisar que a reunião tinha sido produtiva. - A Adriana me mandou uma mensagem elogiando seu bolo.

- Que bom - respondi, a voz plana.

- Tudo bem aí, querida? Parece cansada.

- Só um pouco de insônia. Nada que uma noite de sono não resolva.

- Toma um chá. Se cuida.

- Cuido sim.

Desliguei.

Se eu me cuidasse mesmo, tinha mandado aquele moleque embora na primeira palavra. Tinha fechado a porta na cara dele. Em vez disso, eu tinha deixado ele entrar. Pior: tinha deixado ele ficar.

Naquela tarde, padre Mauro veio tomar café.

Era uma visita agendada, parte da rotina da paróquia. Uma vez por mês, ele passava nas casas dos membros mais ativos da comunidade, para ouvir demandas, alinhar os projetos sociais, manter o rebanho unido. Eu sempre gostei dessas visitas. Gostava do cheiro de alfazema que ele trazia na batina, da voz mansa, das mãos longas e pousadas sobre a mesa como dois pombos em repouso.

Hoje, porém, cada minuto era uma agonia.

- O café está excelente, dona Beatriz - disse padre Mauro, sorrindo. - E esses bolinhos, então! A senhora tem mãos de fada.

- Obrigada, padre. É uma receita simples.

- As coisas simples são as melhores. Como a senhora mesma. Uma alma simples, generosa. A paróquia tem sorte em ter alguém tão dedicada.

Ele mexeu o café devagar. O barulhinho metálico da colher contra a porcelana era o único som na sala.

- E o Roberto? A viagem foi bem?

- Correu tudo bem, graças a Deus. Volta amanhã.

- Que bom. A senhora não gosta de ficar sozinha, não é?

A pergunta veio despretensiosa. Um pastor que conhece suas ovelhas.

- Não muito - respondi. - Mas os dias passam rápido.

Padre Mauro assentiu, tomou um gole. E então seus olhos claros repousaram em mim por um segundo a mais que o habitual.

- Beatriz - disse ele, e o uso do meu nome, sem o "dona", me fez prender a respiração. - A senhora parece... avoada hoje. Está tudo bem?

Sorri. Aquele sorriso automático, ensaiado.

- Não é nada, padre. Só... muita coisa na cabeça.

- Entendo. A senhora sempre faz muito pela comunidade. Às vezes nos dedicamos tanto ao próximo que esquecemos de ouvir o próprio coração.

Ele não sabia. Não podia saber. Era só a gentileza habitual de um homem que passou a vida ouvindo confissões e reconhece o peso de um fardo mesmo quando ele vem disfarçado de cansaço.

A frase estava na minha garganta, empurrando, querendo sair. Eu podia engolir, mudar de assunto, falar do bazar beneficente ou da reforma da capela. Mas as palavras vieram, traiçoeiras e quentes:

- Padre... posso perguntar uma coisa? Hipoteticamente?

Ele inclinou a cabeça, curioso.

- Claro.

- É uma hipótese horrível, pecadora até - me apressei em dizer, sentindo o rosto queimar. - Mas... se uma mulher casada começa a ter certos desejos... coisas que o marido não consegue mais suprir... e se essa mulher começa a ser... desejada... por outra pessoa... - a pausa foi um abismo. - O que ela deveria fazer?

Padre Mauro não respondeu de imediato. Seus dedos repousaram imóveis sobre a xícara, os olhos fixos nos meus. O silêncio se esticou como fio de navalha.

- Beatriz - disse ele, finalmente. - A senhora é um membro valiosíssimo da nossa comunidade. Uma mulher de fé, de retidão. Eu conheço seu coração - ele fez uma pausa. - Isso não é sobre a senhora, certo?

- Imagina, padre - a mentira escorreu doce, ensaiada. - É de um filme que assisti. Fiquei pensando, só isso. Curiosidade.

Ele não pareceu inteiramente convencido. Mas era padre, não detetive. E ovelhas têm direito ao seu silêncio.

- Bem - disse ele, reclinando-se na cadeira. - Hipoteticamente... Essa mulher, a do filme, deve se lembrar de que o casamento não é apenas um contrato. É uma vocação. Uma aliança sagrada diante de Deus. Os desejos humanos são como ondas no mar, vêm e vão, sobem e descem. Mas a rocha permanece. A rocha é a promessa, o compromisso, o amor que escolhe, não o amor que apenas sente.

Ele baixou os olhos para o café.

- Se ela se afastar da ocasião de pecado, se evitar pensar nesses desejos, se ocupar a mente com orações e boas obras... as ondas se acalmam. A tempestade passa.

- E se não passar? - perguntei, antes que pudesse conter.

Ele ergueu os olhos novamente.

- Então ela deve procurar o marido. Deve se abrir com ele, mesmo que seja difícil. O casamento é uma via de duas mãos. Talvez ele também esteja distante, também sofra em silêncio. Talvez, juntos, eles possam encontrar o caminho de volta para a luz.

- E se o marido não quiser voltar? - murmurei. - Ou nem perceber que se afastou?

Padre Mauro suspirou. Um suspiro antigo, pesado.

- Isso, minha filha, é uma cruz. E algumas cruzes nós temos que carregar até o fim, confiando que Deus sabe o que faz.

Silêncio.

Ele terminou o café, colocou a xícara no pires com um toque delicado.

- Esse filme que a senhora assistiu... parece muito triste.

- É - concordei. - É muito triste.

Ele se levantou, ajeitou a batina, abençoou minha testa com o polegar frio. Em pensamento, pedi que ele me perdoasse dos meus pecados, e ele fez o sinal da cruz no ar. Fiquei na porta olhando sua silhueta se afastar pela calçada, a batina preta dançando na brisa da tarde. Um homem santo. Um homem bom. Um homem que acabou de me dizer, sem saber, que minha única saída era uma cruz que eu não tinha forças para carregar.

Fechei a porta.

Às seis, comi uma sopa. Sozinha, na mesa que comportava oito lugares. A toalha de linho estava impecável, os talheres alinhados, o guardanapo dobrado em triângulo perfeito. Parecia cena de revista. Lavei a louça e guardei. Sentei na sala.

A televisão ligada, um programa qualquer sobre reforma de casas. Pessoas felizes derrubando paredes, construindo sonhos. Troquei de canal. Novela. Gente traindo, gente mentindo, gente se desejando às escondidas.

Desliguei. O silêncio da casa era um vazio que preenchia tudo.

Olhei para o relógio na parede. 19h42.

“Daqui a pouco”, pensei. “Daqui a pouco esse maloqueiro já vai estar batendo na minha porta de novo.”

O tempo se arrastava. Parecia um daqueles pesadelos onde tentamos correr e só andamos. Levantei, andei até a cozinha, voltei. Peguei o tricô, larguei o tricô. Abri a geladeira, fechei a geladeira. Olhei pela janela da sala, como se a rua fosse me dar alguma resposta.

23h08.

Apaguei todas as luzes do andar de baixo, menos um abajur na sala. O círculo de luz era pequeno, íntimo. Peguei o celular e baixei o Facebook. A notificação ainda estava lá, a mensagem dele, a foto da janela e o short.

“Preciso da escada”, digitei, antes que pudesse pensar, e cliquei para enviar.

O "visto" apareceu instantaneamente. Ele estava online. Claro que estava.

Depois de alguns segundos, a resposta:

“Admite que quer é beijar de novo o novinho, Bia”.

Meu coração parou e disparou no mesmo segundo.

Bia?

Ninguém me chamava de Bia. Nem Roberto, nem minha mãe, que dizia o nome inteiro como se fosse uma oração. Nem meus amigos, os poucos que sobraram depois do casamento, do distanciamento, da vida que fui encolhendo até caber dentro de uma caixa de sapatos.

Bia era uma intimidade que eu não autorizei. Uma confiança que ele tomou, como tomou o beijo, como tomou meu tempo, meus pensamentos, minhas madrugadas.

Eu devia responder: Não me chame assim. Meus dedos tremeram sobre o teclado.

B: Não é isso. É que a lâmpada da sala queimou e o Roberto não está aqui. Preciso trocar, mas não alcanço.

Mentira. A lâmpada estava perfeita.

Ele viu. Leu. Esperou.

V: Manda foto.

Respirei fundo. Levantei do sofá. Fui até o armário da lavanderia, peguei a vassoura mais longa, voltei para a sala.

Olhei para o lustre. Lindo. Caro. Roberto escolheu, eu concordei. Cristal e metal dourado, três braços, três lâmpadas. Ergui a vassoura. O golpe ecoou como um tiro na casa silenciosa. Uma das lâmpadas estilhaçou em mil fragmentos que brilharam no ar antes de cair no chão, cacos minúsculos espalhados pelo tapete persa.

Fiquei parada no meio da destruição, a vassoura ainda erguida, o coração martelando. Tirei a foto e enviei.

B: A lâmpada queimou mesmo. Preciso da escada.

V: Tô indo.

Corri para guardar a vassoura na lavanderia e me pus novamente em pé na sala. Olhei para o meu roupão, o mesmo da noite anterior. Felpudo, bege, fechado até o pescoço. Parecia uma armadura ridícula, um cobertor de criança tentando se proteger do escuro.

Meus dedos encontraram o nó do cinto, e puxei, fazendo o tecido se abrir, revelando o pijama de algodão por baixo. Azul-marinho, de botão. Recatado. Casto.

Fechei o roupão novamente. Apertei o nó com força.

- Não - sussurrei pra mim mesma. - Não vou fazer isso.

Dez segundos depois, abri o nó de novo.

Fiquei assim, abrindo e fechando, abrindo e fechando, como se o cinto fosse um rosário e eu estivesse rezando uma oração que não sabia de cor.

Então ouvi. A maçaneta da porta dos fundos gemeu, rodando. Meu corpo inteiro paralisou. Eu tinha esquecido de trancar. A porta se abriu. Victor estava ali, na penumbra do jardim. Dessa vez sem camiseta, usando um shorts folgado. A escada de alumínio estava no ombro dele, equilibrada com uma das mãos. A outra mão segurava uma lâmpada nova.

Ele entrou e fechou a porta atrás de si.

- Oi Bia - disse.

- Boa noite, Victor - eu falei com cordialidade, tentando passar uma impressão calma. - Pode deixar a escada aqui na sala mesmo. E agradeço pela lâmpada.

- O que quer dizer? - ele me olhou, confuso. - Eu vou trocar a lâmpada pra você, é claro.

- Não precisa - eu disse, rápido.

- Como assim não precisa?

- É só deixar aí. Amanhã eu peço pro Roberto, ele chega de viagem e já troca.

Victor apoiou a escada na parede com um baque seco. Deixou a lâmpada nova em cima da mesa da sala, o vidro tilintando contra o mármore. Seus olhos subiram da lâmpada quebrada no tapete para o lustre, depois para mim.

- Isso aí não estoura do nada - disse. - Nunca vi lâmpada estourar assim, no seco. Parece mais... golpe de vassoura.

Meu queixo travou.

- Foi um acidente.

Ele cruzou os braços. O movimento fez os músculos do peito se contraírem, sombra e luz dançando na pele retinta.

- Admite pra mim, Bia - a voz dele desceu, virou quase um sussurro. - E pra você mesma. Admite que quer mais um beijo do negão.

O sangue subiu ao meu rosto num instante. Senti as bochechas queimando, a nuca formigando. Minhas costas enrijeceram.

- Você é ridículo - cuspi, a voz saindo mais aguda do que eu queria. - E não me chame assim. Pra você é “dona Beatriz”.

Ele não revirou os olhos. Não sorriu com deboche. Só inclinou a cabeça, me analisando como quem lê um livro numa língua estrangeira, mas entende cada palavra.

- Dá pra perceber que você ama quando te chamo de Bia - disse, calmo. - Aposto que ninguém tem coragem de te chamar assim.

- Para com isso - forcei a voz a sair firme. - Você já trouxe a escada, já pode ir embora.

Ele não se moveu. Ficou plantado no meio da minha sala, o shorts folgado marcando o começo das coxas grossas. A corrente no pescoço brilhou quando ele respirou fundo.

- Eu tinha outro plano - disse.

Meu coração tropeçou.

- Que plano?

Ele não respondeu com palavras. A mão desceu devagar, os dedos encontrando o tecido do shorts na altura da virilha. A palma apalpou o volume ali dentro, um movimento lento, deliberado.

- Que tal você ver de pertinho o que eu mostro na janela? - ele sorriu.

Meu olhar caiu para a mão dele. Subiu de volta para o rosto e desceu de novo. Mesmo mole, já dava para ver o tamanho. O tecido do shorts esticava, um relevo grosso que começava descia pela coxa. Meu estômago deu um nó.

- Isso... - minha voz falhou. Engoli em seco. - Isso é pecado.

- Não é pecado - ele disse, os dedos ainda apalpando devagar, um movimento quase distraído - se você não tocar.

A sala ficou menor. O ar, mais denso.

- O que acha? - perguntou. - Você já faz isso toda noite.

Abri a boca para negar, mas nenhum som saiu. Ele interpretou meu silêncio como permissão. Sua mão livre encontrou o elástico do shorts, o puxando. O nó cedeu com um som seco, e o tecido desceu um palmo, só o suficiente.

A rola apareceu. Meu corpo inteiro paralisou. Era maior do que parecia na janela, muito maior. Grossa, pesada, o comprimento descansando contra a coxa escura, a cabeça arredondada ainda coberta pela pele. As veias contornavam o volume como raízes.

Ele se moveu em direção à poltrona de Roberto, a poltrona de couro marrom, o mesmo lugar onde meu marido lia o jornal todo santo dia, onde descansava depois do jantar, onde ressonava com a boca aberta vendo televisão.

Victor sentou.

Esparramou o corpo grande no estofado, as pernas abertas, um braço apoiado no encosto como se fosse dono do lugar. O shorts desceu mais um pouco, preso nas coxas.

Ele pegou a própria rola com a mão inteira. Os dedos envolveram a grossura, apertaram de leve, a pele deslizou.

- Gosta do que vê, dona Beatriz?

O “dona” saiu carregado, quase uma provocação. Um lembrete de quem eu era, do papel que eu representava, da roupa que eu vestia enquanto olhava fixamente para o pau de um moleque de dezoito anos sentado na poltrona do meu marido.

Não respondi.

Ele começou a bater punheta. Lento no começo. A mão subindo e descendo no comprimento, a pele enrugando e esticando, a cabeça aparecendo e sumindo entre os dedos. O som era úmido, umidade que brotava da glande e espalhava pelo comprimento.

- O que acha de ficar mais à vontade? - ele disse, sua respiração um pouco ofegante. - Seria lindo ver você se tocar também, enquanto olha minha rola preta.

- Isso não vai acontecer - a voz saiu mais trêmula do que eu gostaria.

Ele não parou. A mão subia e descia num ritmo lento, hipnótico. A pele brilhava sob a luz do abajur.

- Não tô pedindo - disse, a voz um pouco mais rouca. - Tô só imaginando. Você deve ser tão linda toda peladinha. Fico imaginando sua bunda enorme na minha frente, pronta pra receber pica.

Meu estômago contraiu e senti um calor. Começou no fundo da barriga, um peso baixo, úmido, que se espalhou para baixo como mel derramando. Minhas coxas se contraíram uma contra a outra, um movimento involuntário, quase um susto.

Nunca gostei muito de sexo. É uma coisa que eu nunca disse em voz alta. Nem pra minha mãe, nem para as amigas que reclamavam da falta de vontade dos maridos, nem pro padre quando ele pergunta se estou cumprindo meus deveres de esposa. Sempre achei que o problema fosse comigo. Que eu era fria, talvez. Ou que o prazer era uma promessa que faziam para as mulheres, mas na hora de entregar, ficava só na propaganda.

Com Roberto era assim: ele se aproximava, eu deixava. Ele terminava em poucos minutos, beijava minha testa, virava pro lado e dormia. Eu nunca senti falta. Nunca soube o que era sentir falta.

Agora minhas calcinhas estavam úmidas só de olhar. Só de ouvir a voz de Victor, grave, lenta, falando em me imaginar. Meu corpo respondia a um garoto de dezoito anos como nunca respondeu a meu marido em vinte e dois anos de casamento.

Ele acelerou o movimento do braço. Sua respiração ficou mais pesada, o peito subindo e descendo num ritmo que acompanhava a mão. A rola estava completamente dura agora, erguida contra a barriga, enorme, quase violenta de tão grande.

- Olha só - murmurou, mais para si mesmo do que para mim. - Olha como você me deixa, Bia. Minha rola fica gigante pensando em você, minha vizinha gostosa.

Minhas unhas cravaram na palma da mão. Eu conseguia sentir minha intimidade latejar.

- Bia - a voz dele falhou na primeira sílaba. Engoliu seco, tentou de novo. - Bia.

A mão acelerou até virar um borrão. O corpo dele tensionou, o abdômen contraindo em ondas, os dedos do pé se curvando contra o tapete. A respiração virou grunhido.

- Vou gozar - avisou, os olhos fixos nos meus. - Vou gozar olhando pra essa sua carinha de esposa safada.

Eu não desviei o olhar, não consegui.

O primeiro jato subiu alto, quase atingindo o peito. O segundo, mais grosso, escorreu pela mão, pelos dedos, pelo volume das bolsas. O terceiro, o quarto, esporrando no ritmo do pulso que não parava de bombear, espremendo cada gota.

A respiração dele levou alguns minutos para voltar ao normal.

Fiquei parada, vendo o leite escorrer pelo antebraço, pingar no couro da poltrona.

Ele limpou a mão na própria coxa. Levantou o shorts com um movimento lento, o elástico estalando contra a cintura.

- Amanhã - ele disse, a voz rouca. - Vou precisar de outra coisa emprestada.

- Você não vai mais pisar nessa casa - eu falei, minha voz hesitando enquanto eu sentia as pernas bambas de tanta excitação. - O Roberto vai voltar amanhã.

- Não me importo - ele respondeu, e saiu pela porta dos fundos.

Fiquei parada no meio da sala por muito tempo, ouvindo meu coração desacelerar, sentindo o latejar entre as pernas diminuir devagar, como uma maré que baixa, mas não seca nunca mais.

(N.A.: Estão gostando até agora? Garanto que ainda tem muita coisa boa para se desenrolar na história da Beatriz. Sei que alguns não gostam desse ritmo mais lento, mas saibam que minha escrita vai muito além do que apenas narrar cenas de sexo. Penso em escrever alguns contos com parte única sim, focando mais no ato sexual em si, mas não é o caso das histórias, onde gosto de focar nas tensões psicológicas. De qualquer forma, agradeço a quem me acompanha com entusiasmo!)

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